Milagres de Junho

10 Recuperação


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Mais um capítulo para vocês. Muito obrigada alefe pelo comentário no capítulo passado. Eu confesso que não estou muito bem hoje e pode ser que isso acabe influenciando na qualidade, mas prometo que amanhã farei o meu melhor para compensar. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VI — MILAGRES DE JUNHO

CAPÍTULO IX — RECUPERAÇÃO

A cirurgia havia sido um sucesso. Depois de quase doze horas de angústia ao lado de Damon, Thea e Moira, sem conseguir conter toda aquela carga de emoções que assolava meu coração, nós finalmente fomos recebidos com as boas notícias. Eu sentia que um enorme peso havia sido tirado de meus ombros. Apenas o fato de não ter que lidar com a bomba relógio que me martirizava todos os dias ao lembrar que a vida do meu filho estava correndo contra o tempo era um alívio sem igual. Eu não sabia se chorava, se ria ou se gritava de felicidade.

E agora, depois de todo o sofrimento da falta de notícia durante as horas que se sucederam as cirurgias de Oliver e Tony, eu me encontrava na UTI entre os leitos de meu filho e o de seu pai. Tudo o que eu mais desejava era que eles tivessem uma rápida recuperação. Eles ainda estavam sob o efeito da anestesia e poderia demorar algum tempo até acordar. Como medida de segurança, a única pessoa que foi permitida ficar como acompanhante fui eu, já que sou a responsável legal de Tony.

Eu usava um avental azul que cobria meu corpo todo, máscara, luvas e toca para evitar qualquer tipo de contaminação. Observando meu filho, tão pequeno e indefeso em cima daquele leito, a única coisa que eu conseguia fazer era sorri e suspirar de alívio. Desvio o olhar para o homem ao lado, que dormia calmamente. Eu não tinha palavras para descrever o quanto eu me sentia grata a Oliver Queen. Não apenas por ter doado uma parte de seu fígado a Tony, mas por estar se esforçando tanto para ser o pai dele.

Desde que Tony conheceu o pai, ele se tornou muito mais alegre e comunicativo. Era impressionante como ele não se cansava de falar sobre como o pai é legal, como o seu tio Damon é divertido, como os avós gostam de paparicar o garoto com presentes e guloseimas. A forma como seus olhos brilhavam a cada nova narração do dia que passou com Oliver e sua família me fazia ver o quanto eu talvez tenha errado em esconder esse segredo por tanto tempo. Como mãe, eu não poderia me sentir mais feliz por ver o meu filho feliz.

Sorrio, soltando um suspiro cansado, ainda analisando cada detalhe do rosto bonito de Oliver. Por mais que eu tentasse ignorar, eu não podia negar que Oliver Queen é definitivamente um dos homens mais bonitos que já conheci. A barba desenhada e seu maxilar marcado davam mais idade a ele do que tem. Mas de todas as particularidades que tornavam Oliver Queen um homem atraente, seus olhos são, de longe, a melhor delas e felizmente uma das muitas características que Tony puxou do pai.

Tomada pelo impulso, quando dou por mim, estou acariciando o rosto de Oliver. Como eu poderia agradecer a ele pelos dois milagres que ele me proporcionou? Graças a sua aposta imatura com os primos, eu tive a chance de ganhar o meu valioso menino e por causa de seu bom coração, ele aceitou prontamente se tornar o doador de Tony, sem nem mesmo questionar a paternidade ou hesitar.

E então vejo seus bonitos olhos se abrirem e focarem em mim. Ele ainda estava com diversos fios monitorando seus sinais vitais e parecia confuso sobre onde estava. Permanecemos nos encarando por algum tempo e somente quando ele leva a mão ao rosto para o tubo que estava em seu nariz é que noto que a minha continuava a acariciar sua bochecha. Envergonhada, tento me afastar, mas sou impedida pela mão de Oliver que segura o meu pulso.

— Tony...? — Sussurra com a voz rouca por ter passado tanto tempo sem falar e acabo sorrindo ao ver que a primeira preocupação de Oliver ao acordar era saber o estado de saúde do filho.

— Ele está bem. A cirurgia foi um sucesso. — Respondo e ele abre um fraco sorriso, aliviado. — Ele está dormindo agora. Provavelmente só acordará pela manhã. Vocês agora estão na UTI em observação, então é melhor não se esforçar demais.

Ele sorri e vira o rosto para encarar Tony. Afasto-me para que ele conseguisse ver a criança dormindo, mas eles não solta a minha mão. Encaro-o, surpresa ao vê-lo entrelaçar nossos dedos. Ele provavelmente ainda estava afetado pela forte recebeu, ainda assim, eu sentia uma corrente elétrica percorrer meu corpo e, mesmo usando a luva descartável o calor de sua mão aquecia a minha.

— Oliver... — Sussurro, um pouco afetada.

— Ele está bem. — Murmura o rapaz, dando aquele bonito sorriso, enquanto seus olhos brilhavam, presos ao rosto angelical de nosso filho. Oliver então me encara com aquele orgulho genuíno e aquela felicidade semelhante a de uma criança. — Ele está bem, Felicity.

— Sim. Você conseguiu. — Respondo, rindo baixinho. Aperto sua mão e respiro fundo, quase sem conseguir conter a minha felicidade.

— Não. Nós conseguimos. — Afirma, fechando os olhos. Ele sorri e suspira, antes de abrir seus olhos mais uma vez. — Obrigado por... ser a mãe dele. É graças aos seus esforços para cuidar dele sozinha que ele... se tornou esse garoto incrível. Você é uma pessoa incrível, Felicity.

Sinto meu rosto esquentar ao ouvir tais elogios. Era estranho. Quer dizer, eu nunca pensei que Oliver seria grato por eu ser a mãe de seu filho e não a sua namorada de longa data. De certa forma, mesmo não indo muito com a cara de Laurel e contendo dentro de mim um pouco de antipatia pela mulher depois de ouvir todas as histórias do dr. Robert sobre ela, eu ainda me sentia culpada por ter me envolvido em seu relacionamento com a advogada.

Eu também não gostaria que uma estranha aparecesse do nada com o filho do meu namorado de longa data. Ainda que tenha sido por razão importantes, é inevitável não se sentir enciumada. E era por isso que eu estava tentando me manter afastada de Oliver a qualquer custo. Mas ao mesmo tempo, eu me sentia nadando contra correnteza. Quanto mais eu tento me afastar, mais eu sou puxada em sua direção.

— Obrigada por ter salvo a minha vida. — Dito quase como um segredo. Seus olhos analisavam os meus, como se estivesse lendo a minha alma. Eu me sentia exposta e vulnerável. — Duas vezes.

— Duas vezes? — Ele repete, confuso.

— A primeira quando me deu a chance de ganhar a minha razão de viver. — Conto, encarando nosso filho. Demoro por alguns segundos, velando o sono da criança. Viro-me para Oliver, que me encarava com atenção. — A segunda foi ter dado a ele a chance de viver, de finalmente ter uma vida saudável. Eu acho que nunca conseguirei agradecer o suficiente por isso. Você e a sua família trouxeram todo o amor familiar que faltava para completar a vida de Tony.

— Acho que ele era o que faltava para completar para minha família. Vocês dois.

Oliver sorri de maneira inocente e desvia o olhar para encarar Tony, parecendo envergonhado. Nada mais foi dito, ainda que ainda tivesse aquele clima de que o silêncio seria quebrado a qualquer momento. Meus sentimentos continuavam intensos e conflitantes dentro de mim. Eu não sabia o que deveria responder e nem o que pensar sobre sua declaração. Eu sabia que suas palavras se referiam apenas ao fato de ser a mãe de Tony e não por ele gostar de mim. Mesmo assim, meu coração reage, pulsando descompassado dentro de meu peito.

Por fim, tudo o que consigo fazer é tentar puxar minha mão, mas Oliver continuava a me manter presa. Seu olhar recai sobre mim, em um pedido silencioso para que permanecêssemos assim. E incapaz de ir contra seu desejo, apenas continuo ao lado lado, encarando velando o sono de Tony até que em algum momento noto que Oliver havia voltado a dormir.

Finalmente consigo me soltar de Oliver. Observo seu rosto adormecido por alguns instantes e sinto meu estômago reclamar. Eu não fazia ideia da última vez que havia comido alguma coisa. Por isso, converso com uma das enfermeiras que eu conhecia que monitorava os pacientes da unidade de tratamento intensivo do hospital naquele horário para que ficasse de olho em meu menino, enquanto comia alguma coisa.

E no momento em que deixou a UTI, surpreendo-me ao encontrar Moira Queen com Laurel, conversando. Ao notarem a minha presença, a mãe de Oliver dá um educado sorriso em cumprimento, enquanto a advogada me encara com repulsa e vira as costas, saindo sem nem mesmo se despedir da sogra.

— Ela está bem? — Pergunto, aproximando-se de Moira, que suspira e dá de ombros.

— Sim. Só está irritada por saber que não poderá visitar Oliver enquanto ele estiver na UTI. — Responde a loira, observando a nora sumir pelos corredores do hospital. Moira então se vira para mim e me encara por alguns instantes. — E como eles estão?

— Felizmente muito bem. Sinais vitais estáveis e Oliver já acordou e voltou a dormir de novo. Estou confiante que amanhã de manhã ele já poderá deixar a UTI. — Conto e a mulher assente, soltando um suspiro aliviado. — Eu tenho esperanças de que a recuperação deles será rápida e sem qualquer complicação.

— Isso é bom. Está indo comer alguma coisa? — Questiona Moira com curiosidade.

— Sim. Pedi que a enfermeira Madeleine ficasse de olho em Tony. Eu nem me lembro a última vez que eu comi. — Confesso, suspirando.

— Se importa se eu te acompanhar? Finalmente eu resolvi tudo o que precisava resolver e eu estou precisando de um bom café e alguma coisa para saciar a minha fome. Esperava ter a companhia de Laurel, mas ela foi embora, então...

— Claro. — Concordo, um pouco surpresa. Essa era a primeira vez que Moira se mostrava um pouco mais sociável comigo. Não que ela tivesse me maltratado ou sido mal-educada. É que diferente de seu marido e filhos, nunca conseguimos criar qualquer tipo de intimidade.

— Que ótimo. Vamos? — Moira faz sinal para que eu fosse na frente e sorri com gentileza.

Em silêncio, seguimos para um dos restaurantes do grandioso hospital, que felizmente ficava no mesmo andar da UTI. Eu me sentia um pouco deslocada e não sabia como reagir diante da presença da esposa de meu mentor. Cumprimentávamos alguns médicos e enfermeiros conhecidos, mas o clima ainda permanecia um pouco pesado.

E assim que chegamos ao restaurante, pedimos sanduíches e café para nos dar energia. Moira provavelmente voltaria para casa assim que terminasse e eu ainda ficaria na UTI com Tony por mais alguns dias até que todos os exames apontasse que ele não corria mais perigo. Sentamos em uma das mesas, observando o movimento calmo do horário. Pelo relógio da televisão, que exibia um programa qualquer em um volume baixo, já eram um pouco mais de uma hora da manhã.

— Estou surpresa que Laurel tenha vindo tão tarde ao hospital. — Comento, quebrando o silêncio que havia se instalado entre nós. Moira toma um gole de café e depois de colocar a xícara de volta no pires, volta seus olhos para mim.

— Aparentemente, ela chegou era um pouco mais de nove horas da noite. — Responde Moira, dando um fraco sorriso. — Parece que o caso que ela está cuidando se estendeu mais do que ela gostaria e só conseguiu chegar esse horário. Bom, acho que você sabe que a minha nora não é uma moça muito paciente, então ela tentou entrar a todo custo na UTI do hospital para visitar Oliver, mas foi impedida. Foi necessário que Tommy interferisse para que ela se acalmasse, mas meu marido acabou assistindo a cena e ela foi levada para a sala dele para terem uma conversa privada, que terminou agora a pouco.

— Entendo. — Respondo, bebendo um gole de meu café.

Mais uma vez, eu me via presa em um silêncio desconfortável. Moira também parecia deslocada e não sabia o que dizer. Nesse momento, eu desejava ter Tony comigo. Meu menino possui uma habilidade que pode ser uma bênção ou uma maldição, dependendo do ponto de vista. Ele é incapaz de ficar calado por muito tempo. Em situações complicadas como essa, ele provavelmente encontraria alguma coisa interessante o restaurante e comentaria com animação sobre o que tinha visto.

— Felicity. — Chama Moira e eu a encaro em dúvida. Ela engole em seco e tosse um pouco, como se estivesse aquecendo a garganta. A anestesista suspira e dá uma risada nervosa. — Acho que eu não tenho habilidade alguma para conversar. Lamento por isso. Diferente do meu marido, eu tenho a tendência a me silenciar quando eu estou nervosa.

— Não precisa se preocupar. Eu entendo. — Afirmo, dando um fraco sorriso. — Na verdade, confesso que estou surpresa por ter me chamado para lanchar com a senhora.

— Apesar de ser uma das aprendizes mais antigas de Robert e uma das mais queridas também, nós nunca conversamos mais do que o necessário. Mesmo agora que descobri que você é a mãe de meu neto, nós continuamos agindo como desconhecidas. Eu gostaria de conhecê-la um pouco melhor, então pensei que um lanche poderia nos ajudar, mas acho que superestimei as minhas habilidades sociais. Nesse momento, nem mesmo sei o que dizer. — Confessa Moira, desviando seu olhar para a xícara de café, enquanto possuía um sorriso melancólico em seus lábios. Ela então come um pouco do seu sanduíche com o olhar distante.

— Na verdade, eu também sempre tive curiosidade de conhecê-la um pouco melhor. — Respondo, surpreendendo a mulher. — Sendo sincera, de todos da família Queen, a senhora era a pessoa que eu mais temia contar sobre a paternidade de Tony. Apesar de nunca conversarmos, sempre me passou a impressão de uma pessoa mais rigorosa.

— Bom, eu sei que não sou a pessoa mais fácil de lidar e ter um neto de uma forma tão... incomum, não estava nos meus planos. — Moira suspira e me encara com intensidade. Um sorriso doce se formou em seus lábios. — Mas acho que me apaixonei por aquela criança pequenina que me abraçou e me chamou de vovó com tanta facilidade. Ser avó não era algo que eu pensava com tanta frequência e agora, aqui estou eu, babando como uma velha pelo netinho, comparando constantemente as manias de Tony com as de Oliver quando criança.

— Eles são incrivelmente parecidos. — Concordo, relembrando de algumas semelhanças que observei existir entre os dois.

— Sim. — Responde Moira, suspirando nostálgica. — De qualquer forma, mesmo depois do susto, eu estou feliz por ter um neto tão adorável. Agora tudo o que desejo é que meu filho crie juízo, se case e assuma a presidência do hospital. Depois disso, poderei viver um pouco mais despreocupada.

— Você deseja que ele se case com Laurel? — Pergunto com curiosidade. Ela parece pensar no assunto por alguns instantes.

— Eu não sei. — Responde, dando um fraco sorriso. — Laurel é filha da minha melhor amiga. Eu tenho um carinho grande por ela, porque a vi nascer, crescer e se tornar uma respeitável advogada. Mas mais do que isso, eu a vi tirar Oliver do casulo de autopiedade que ele se envolveu após a morte de Sara. Posso não ser a melhor mãe do mundo, mas eu quero que meus filhos sejam felizes. E acho que você entende como eu me sinto, Felicity, afinal, você também é mãe. Colocamos as vidas de nossos filhos e fazemos qualquer coisa para protegê-los.

— Sim. Eu entendo. — Digo com sinceridade.

— Até antes de você aparecer, eu acreditava que o melhor para Oliver seria que ele se casasse com Laurel. Ela vem de uma família de aristocratas, tem uma educação excelente e parece gostar de Oliver. Também foi a única capaz de fazê-lo seguir em frente depois da morte da primeira namorada dele. — Continua Moira, pensativa. — Mas desde que Tony entrou em nossas vidas, Oliver parece ter se tornado outra pessoa. Foi uma mudança brusca, que me fez repensar muitos de meus ideias sobre o que é melhor para ele. Oliver está muito mais sorridente e consciente de suas atitudes. Ele também fala muito sobre você. Os planos que antes pareciam envolver um futuro distante da família, realizando o sonho de cuidar de crianças carentes em países de extrema pobreza foi substituído por outros que envolvem Tony e, de certeza forma, você. Ao mesmo tempo, eu também sinto que ele e Laurel estão se distanciando cada vez mais, seguindo por caminhos opostos.

— Eu... eu não estou entendendo aonde pretende chegar, Sra. Queen. — Digo, sentindo-me nervosa. Não que ela me parecesse ameaçadora ou algo assim, mas eu me sentia exposta diante do olhar analítico da mulher. Era como se ela estivesse vendo a minha alma. Ela pega em minhas mãos e sinto um pouco de hesitação na anestesista.

— Lamento se estou sendo indiscreta e invasiva demais, mas, Felicity, seja sincera comigo, por favor. Quais são as suas intenções com Oliver?

Notas finais
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