Milagre De Ano Novo
10 Conversas e Reencontros.
Notas iniciais
Bem, boa leitura!
Voltemos a Londres. Naquela noite de inverno, Arthur e Francis estavam sentados no sofá com cara de “precisamos conversar”. O francês já tinha se recuperado do choque de dar de cara com o mais novo lendo sua historia e já estava com uma cor normal no rosto.
Arthur estava sério. Tinha ficado feliz em ver um personagem com seu nome, as agora não estava entendendo mais nada. Agora o francês ficava todo beijinho e abraçinho pra cima dele, coisa que nunca fazia. Ele só conseguia pensar em algo.
- Francis, você enlouqueceu?
- Por estar te tratando bem? Quanta auto-estima petit.
Francis tentava fugir do assunto. Ele não podia chegar para o seu inimigo de infância e falar “Arthur eu estou apaixonado por você”. Seria ridículo. E não sabia o que falar. Ele sempre foi do tipo que só agarrava os outros e que com um beijo dizia mais que um livro inteiro. Mas não podia fazer isso com o Arthur. Iria parar no hospital na melhor das hipóteses, isso se não fosse direto para o cemitério.
O francês só tinha sentido algo tão forte assim por uma garota na sua escola, quando era criança demais para poder pensar em algo que não fosse segurar a mão dela. Lembrava que a garota era linda e o protegia como se fosse uma espécie de soldado e ele o general. Eram melhores amigos, os únicos franceses no meio daquela escola inglesa. Tal garota, que tinha o mesmo nome que sua mãe, voltou para o interior da França e nunca mais foi vista por Francis.
Arthur olhava enquanto Francis parecia divagar sobre algo. Inclinou a cabeça levemente para o lado enquanto observava aqueles cabelos loiros serem jogados de um lago para o outro pela mão francesa. Francis tinha mania de mexer no cabelo quando pensava em algo. Ou melhor, ele tinha mania de mexer no cabelo a qualquer hora. Isso era tão irritante.
O inglês levantou, procurando algo para deixar o francês quieto. Não agüentava vê-lo mexendo tanto naquele cabelo loiro, ele enrolava no dedo, jogava pra um lado, jogava pro outro, fazia coques e depois soltava. Meu deus, ele parecia uma daquelas garotas irritantes que não tiram a mão da cabeça nenhum segundo!
Achou uma fita verde dentro de uma gaveta e voltou para o sofá. Antes de voltar a sentar, Arthur abaixou-se para ficar a altura do francês sentado a sua frente. Prendeu os fios loiros com a fita verde e sentiu seu rosto esquentar. Francis ficava diferente com o cabelo preso.
Quando Arthur ia solta-lo as mãos de Francis foram de encontro as suas, mantendo-as na sua cabeça e o puxando mais para perto. O francês estava lembrando-se de seu sonho, e queria que aquilo acontecesse. Ah como queria.
Os corpos ficavam cada vez mais próximos e as respirações se misturavam. O contato visual era muito intenso, cada um parecia perdido nos olhos dos outros. Não sabem por quanto tempo ficaram ali, mas poderiam ser segundos ou anos que não faria diferença.
Arthur achava que seu coração ia explodir. Ele brigava consigo mesmo mentalmente, numa discussão sem fim sobre bater ou beijar o francês.
Os olhos azuis brilhavam em expectativa, ele também parecia estar tendo um debate dentro de seu cérebro.
Francis pensava se deveria beijar o inglês ou se deveria fazer uma piada pervertida sobre o rosto corado dele. Não queria expulsar o inglês de perto de si com uma ação impensada, se não já teria jogado Arthur no sofá e tirado todas aquelas irritantes peças de roupa que cobriam o corpo que ele desejava tanto.
Aquilo poderia durar anos, mas Arthur tomou sua decisão. As mãos que ainda estavam nos fios loiros puxaram com um pouco de força, enquanto o inglês beijava a boca que parecia gritar e implorara por aquele contato. Era um beijo forte, possessivo, que Arthur dominava facilmente.
Francis fechou os olhos, gemendo quando o contato se quebrou. No começo ele tinha ficado espantado com a iniciativa ter sido de Arthur.
Abriu os lábios quando o outro pediu passagem e se deliciou sentindo-o completamente seguro do que queria. Correspondeu com a mesma vontade, tentando “assumir o controle da situação”, mas o inglês não permitiu. Não que Francis estivesse se importando, aquilo estava ótimo.
Arthur olhou para os lados quando terminou de beijar o francês.
“Quando eu sentei no chão? E quando esse francês sentou no meu colo?”
Arthur ia verbalizar suas duvidas quando olhos novamente pra frente. Todas as palavras morreram e ele abriu a boca, sentindo-se estranhamente quente.
Francis o olhava com os olhos nublados de luxuria. Os lábios estavam abertos, o inferior estava um pouco inchado, pois Arthur tinha mordido aquele pedaço. O rosto do francês estava levemente corado, o cabelo estava só meio preso, a outra parte caia bagunçada pelo rosto. O sorriso maldoso completava o quadro perfeitamente sexy que era o rosto francês.
- Você não deveria ter me deixado assim, Arthur. Como você tem coragem de beijar alguém desse jeito? Agora vai ter que terminar o serviço.
Enquanto falava essa frase Francis enrolou suas pernas na cintura inglesa e começou a mexer seu quadril, fazendo pressão contra o baixo ventre.
- Para com isso Francis! Eu quero conversar com você, não te comer!
- Tem certeza?
Arthur não tinha certeza de nada. Queria era jogar o francês no chão e fazê-lo gritar seu nome. Queria beijar cada parte daquele corpo e fazê-lo implorar por mais. Mas o bom senso o impedia. Ele tinha que ser ajuizado, ele queria conversar com o Francis. Só conversar, só conversar.
“Não perca o juízo Arthur, não perca o juízo...”
Francis não estava em seu modo normal. Arthur tinha acordado o lado realmente pervertido do francês. Ele não se importava mais com nada, só queria Arthur. Nunca tinha sido beijado de um jeito tão bom, nunca tinha desejado tanto alguém. Nunca tinha se sentido tão... Apaixonado, talvez? Sentia como se seu corpo fosse pegar fogo. Ele pegou uma das mãos do inglês e colocou no seu baixo ventre, ao mesmo tempo em que continuava mexendo o seu corpo.
- Arthur... Tem certeza que você não quer?
Enquanto falava isso Francis mordia e lambia a orelha do mais novo. Sorriu vitorioso quando sentiu as mãos de Arthur entrelaçando sua cintura e puxando seu corpo mais pra perto.
- Pro inferno com o juízo, vem cá.
Mais um beijo, os corpos cada vez mais próximos, as roupas jogadas em qualquer parte da sala. Sem parar de se beijar, ambos chegaram tropeçando até o quarto de Arthur. Francis quebrou o contato por alguns segundos, certas palavras pareciam querer pular de sua boca.
- Je t’aime.
~~
Arthur estava confuso. Muito confuso. Ele e Francis... Não podia ter feito aquilo. Realmente não podia. Ele tinha adorado a sensação de estar dentro do francês, mas agora se sentia mal. Estranha e insuportavelmente mal.
Francis via a confusão no rosto do mais novo e começou a se sentir culpado. Ele sabia que Arthur queria entender o que estava acontecendo antes de qualquer coisa. Mas seu lado pervertido não permitiu isso.
-Arthur, desculpa...
- Não peça desculpa, foi bom.
- Eu te amo. De verdade.
- Francis...
Arthur não conseguia acreditar nas palavras do mais velho. Como alguém pode acreditar quando o senhor “amo-tudo-que-é-belo-e-falo-a-língua-do-amor” diz que realmente te ama?
- Quer saber por que eu estou diferente, não é?
- Eu adoraria.
- Eu estava sem nenhuma inspiração pro meu novo livro...
- Ah, vai começar com isso de novo? Minha inspiração... Você só fala disso! Por que não vai lá, dizer que ama sua inspiração.
Francis riu. Arthur estava com ciúmes dele mesmo.
- É isso que eu estou fazendo agora. Só me deixe terminar de falar, sim?
Arthur só concordou com a cabeça e sentiu Francis abraçá-lo. Instantaneamente, seu rosto corou.
- Preciso te lembrar que ainda estamos nus?
- Só se você quiser uma segunda rodada. E eu pretendo ficar por cima dessa vez.
Francis riu quando foi empurrado da cama. Arthur estava muito vermelho e distribuía tapas pelas costas do francês.
- Sai do meu quarto, seu francês desgraçado pervertido!
- Como você se irrita fácil! Tudo isso é medo? Prometo que não vou te machucar, vou ser muito gentil com meu inglesinho mal humorado...
Arthur chutou Francis para o banheiro que ficava na frente dos dois quartos. Estava quase roxo de tanta vergonha. Sentiu certa parte de seu corpo começar a dar sinal de vida imaginando o que Francis estava insinuando. Sacudiu a cabeça, espantando a idéia de seus pensamentos. Não queria aquilo.
Desceu as escadas devagar, ainda sentindo seus machucados doerem. Estava cansado e com fome, mas queria falar com Francis antes de qualquer outra coisa. Agora sim ele realmente precisava entender o que estava acontecendo.
Pegou um biscoito caseiro na cozinha e foi para a biblioteca, sentando-se numa poltrona esperando o outro loiro terminar de tomar banho. Sorriu ao morder o doce, era a receita que ele e a mãe de Francis tinham inventado, há anos. Chocolate, cereja e recheio do “doce secreto dos Bonnefoy”. Ele tinha uns oito anos quando a senhora Bonnefoy resolveu testar suas habilidades culinárias. Ela se arrependeu ao ver sua cozinha quase explodir, mas a idéia do biscoito não foi tão ruim assim.
Será que a senhora Jeanne ficaria chateada com ele? Pelo que entendeu, ele estava namorando Francis agora. E sempre soube que a mãe do francês nunca foi a fã numero um da bissexualidade do filho, mas sempre o amou sem ligar para isso.
Mas o inglês não era filho dela. Era só um ex visinho, amigo do filho. Nunca foi nada mais que isso. Então, será que ela poderia deixar de amá-lo por estar junto com o filho dela? Não queria que Jeanne parasse de gostar dele, ela sempre foi o mais próximo de uma mãe que Arthur já teve.
Enquanto o inglês viajava em seus pensamentos, Francis terminava seu banho. Voltou para o quarto, esperando encontrar Arthur dormindo, mas nada do garoto dos olhos verdes naquele andar.
A casa do mais velho tinha três andares sem contar com o porão e o sótão.
No porão estavam entulhados todas as coisas de antes dele reformar a casa de seus pais, que ainda não tinha a forma de um foguete.
No primeiro andar tinha a sala e a cozinha, ambas gigantes e muito bem decoradas. Elas tinham tudo que poderiam ter, incluindo aqueles aparelhos chiques que ninguém sabe o uso na cozinha e quadros e esculturas na sala. No meio de pintores famosos, tinham pinturas do senhor Bonnefoy e do próprio Francis. Também tinha um piano na sala, um belo e imponente piano.
No segundo, a biblioteca com, talvez, milhões de livros, um pseudo-escritório e duas salas que Francis deixou Alfred decorar. Resultado, uma de vídeo games e outra de super heróis. Era o andar preferido de todos, possivelmente falaremos muito dele ainda.
No terceiro andar ficavam os quartos. Eram cinco no total, os três primeiros ficavam logo no começo do andar, perto das escadas. Esses eram os de hospede, onde a família de Francis e/ou Alfred ficava quando iam para lá. Eram dois quartos de solteiro e um de casal. Os outros quartos ficavam no fim do corredor, afastados do resto da casa, com direito até a ficarem em uma espécie de corredor separado do resto do andar, como se fossem dois quartos dentro de um maior, que poderia até ser trancado por uma porta que fecharia a comunicação com o resto da casa. Tal parede era em forma de onda, o que tornava mais interessante o lugar. Esses eram os quartos de Francis e Arthur, os maiores e mais confortáveis de todo o foguete, com as melhores coisas que o dinheiro pode comprar.
Acima ficava o sótão, que Francis tinha transformado na cúpula de vidro que era o topo do seu foguete. Naquele lugar só ele entrava. Era seu canto secreto de Londres, lugar onde podia fazer o que quisesse. A escada ficava no quarto do dono da casa, para garantir que só ele tivesse acesso àquele lugar.
Voltando aos garotos, Francis estava procurando Arthur. Procurou por toda a casa e só depois de alguns minutos se tocou que o inglês estaria na biblioteca. Foi pra lá e sorriu ao abrir a porta.
Arthur já tinha levantado da poltrona e deitado no parapeito da janela. Aquela parte do cômodo era grande e larga, tanto para dentro quando para fora da casa. Parecia ser feita para deitar, escolhendo o lado seguro de dentro de casa ou a chance de cair ao ficar do lado de fora. O inglês estava do lado de dentro, olhando as gotas de água bater no vidro e o sol nascer, com um livro repousando aberto no colo, como se estivesse refletindo sobre algo que leu. Na capa do objeto podia ler-se em letras douradas o nome Shakespeare, e The Sonets em baixo.
Francis encostou-se ao batente da porta, olhando para o inglês. Naquele momento queria ir ao seu escritório, pegar uma tela e começar a pintar o outro. Mas sabia que Arthur não ficaria tempo o suficiente naquela pose para isso. Tirou seu celular do bolso e bateu varias fotos, em vários ângulos, para garantir que todos os detalhes fossem bem capturados. Sorri ao ver que as fotos ficaram ótimas e guardou o aparelho para servir de base para sua pintura depois. Quando voltou a olhar para a janela, Arthur olhava diretamente para ele.
- Francis? Por que as fotos?
- Você tava com uma pose tão poética que eu tive uma vontade gigante de pintar você numa tela. Mas eu sei que meu estressadinho não ficaria parado me esperando terminar. Então tirei fotos do meu modelo.
- Pose poética? Bebeu Francis? Eu não sabia que você ainda pintava. Pintor e escritor, é?
- Seu namorado é um artista completo. Também toco piano e violino, lembra?
Arthur arregalou os olhos, corando e gaguejando. Demorou alguns segundos para conseguir repetir a palavra.
- N-namorado?
Francis sorriu carinhosamente. Arthur estava fazendo a cara mais adorável do universo, em sua opinião. Andou até a janela e acariciou de leva as bochechas do inglês. Assistiu ele corar mais e esperou pacientemente ele relaxar e perceber que não existia nenhuma segunda intenção no carinho. Quando isso aconteceu, Arthur semicerrou os olhos e inclinou a cabeça para a direção da mão francesa.
A outra mão de Francis foi afagar os fios loiros do mais novo. Ele estava encantado, enfeitiçado pelo inglês. Sentou-se na janela e puxou o outro para um abraço, ficando naquele carinho por alguns minutos antes de voltar a falar.
- Se você não me rejeitar, sim, namorado. Quer namorar comigo Arthur?
- Você namora? Achei que só escolhesse alguém por uma noite e dormisse com tal pessoa, sem compromisso.
- E não namorava, tem razão. Mas pra tudo tem uma primeira vez, não é? Aceita. Diz “sim Francis, eu quero namorar você.”, por favor. É importante para mim.
Francis sentiu seus olhos começarem a arder. A idéia de ser rejeitado estava sendo mais desesperadora do que ele imaginava. Arthur percebeu e beijou a bochecha do francês.
- “Sim Francis, eu quero namorar você.” Não chore.
- Eu não estou chorando! Não sou uma adolescente apaixonada para ficar chorando só pela idéia de ter o pedido de namoro rejeitado.
- Claro Francis, claro.
Ele resolveu ignorar o tom sarcástico na voz do inglês e voltar a brincar com o cabelo dele. Ouviu a voz manhosa de Arthur pedindo para parar por que eles tinham que conversar.
O inglês travava uma briga interna fenomenal. Poderia ser considerada uma espécie de segunda guerra mundial, um ser ou não ser tamanho família.
Ele queria aquele carinho. E ao mesmo tempo queria abrir a janela e empurrar aquele maldito francês para fora. Sentia vontade de beijá-lo e de esganá-lo. Tudo que sentia vinha acompanhado de seu oposto.
Arthur queria chorar e gargalhar. Mas não fez nada, só fechou os olhos e pediu para o francês parar. Eles realmente tinham que conversar.
Francis percebeu a confusão na voz do mais novo e resolveu facilitar as coisas.
- Tá bom, quer ir lá pra baixo? Você está gelado.
- Tá frio... Sim, vamos.
Francis queria carregar o inglês no colo até o andar de baixo, mas sabia que ia apanhar muito se fizesse isso. Então só desceu, pegando um cobertor no armário e sentou no sofá, sendo seguido pelo inglês.
O francês sorriu, apoiando a cabeça no encosto do sofá e puxando Arthur para perto dele, deixando-o deitado em seu peito e enrolando as penas em sua cintura. Esperou que ele se debatesse como sempre, mas ao contrario só sentiu ele se aconchegar em seus braços.
- Depois eu te bato por causa disso francês estúpido. Agora comece a falar.
Francis sorriu e começou a afagar os cabelos loiros do inglês.
- Sim senhor. Bem Arthur, você sabe que nós nos conhecemos muito bem e há muito tempo. Mesmo brigando nós sempre estivemos juntos. Outro dia eu estava procurando uma inspiração para meu livro. Eu ia falar com você como eu sempre faço, mas tava nevando e eu desisti de sair. Peguei uma caixa antiga e subi para o topo do meu foguete. Lá eu fiquei vendo fotos de quando éramos crianças, achei aquela sua roupa de coelho, seu chapéu de pirata... Na minha cabeça algo se conectou naquela hora. Eu desci e comecei a escrever. O único nome que eu pude dar para aquele personagem foi Arthur. Quando eu fui dormir, só pensava em você e no dia seguinte, quando eu te vi senti meu coração bater mais forte. Eu estava feliz e queria te abraçar. Você é a minha inspiração, sempre foi e sempre será.
-Francis, eu acho que você esta se precipitando com seus sentimentos. E se amanhã você acordar e ver que não me ama? Que foi só um desejo passageiro.
- Se fosse só um desejo passageiro eu não estaria aqui te abraçando agora depois do que a gente fez ontem de noite. Mas você tem razão, sempre existe essa chance, não é? Se eu estou sendo precipitado, seja precipitado comigo.
- Você está parecendo o Pepe Le Pew, daqueles desenhos que víamos quando éramos pequenos. Ele se apaixonava só por achar que a gatinha era um gambá fêmea.
- Você diz isso só por que o Pepe é francês.
Os dois riram. Aquela era uma piada antiga, o pequeno Francis era fã do Pepe Le Pew e sempre dizia essa frase quando o inglês falava algo sobre ele.
- Você não muda sapo. É a versão humana do Pepe Le Pew
- Talvez eu mude quando você parar de me chamar de sapo.
- Você é sapo para sempre, sapo. Não adianta tentar se livrar.
- Bem, e você sempre será um coelho bobo então. Então, senhor coelho, da uma chance para esse sapo te fazer feliz? Mesmo ele podendo estar enganado e tudo mais?
Arthur pensou e depois sorriu.
- Tá bom sapo.
Depois dessa frase um soco foi dado no peito do francês. Um soco forte que deixará uma mancha roxa, com certeza.
- Ai! Por que isso?!
- Por você ter dado meu nome e me usado como base de um personagem seu sem minha permissão.
Outro soco.
-Arthur, isso dói! O que mais eu fiz de errado?
- Você faz tudo errado francês. Isso foi por ter falado aquilo no Hard Rock Café e por me deixar sempre tão confuso.
Passaram uns 20 minutos quando outro soco atingiu o francês.
- Porra, Arthur, o que eu fiz?!
- Nasceu. Desde quando eu preciso de um motivo para te bater e brigar com você? Você é bom de bater.
Arthur riu e Francis rodou os olhos.
- Me sinto um saco de pancada.
- Talvez você seja.
Arthur beijou de leve o lugar onde bateu. Fechou os olhos e deixou Francis acariciar seus cabelos novamente. Alguns segundos antes de cair no sono, ele ouviu Francis falar um “Eu te amo”. Fechou os olhos e adormeceu, ainda sem segurança o suficiente para responder aquela frase.
Francis suspirou e ficou observando o outro dormir. Aquilo poderia se tornar um passatempo, o inglês parecia tão relaxado enquanto dormia. Beijou de leve os lábios dele para não acordá-lo e o acomodou mais em seus braços.
Passou mais ou menos uma hora, Francis estava de olhos fechados quase dormindo também quando uma voz feminina e com sotaque francês foi ouvida.
- AH, eu sabia que vocês ficariam juntos! Eu disse, não disse? Isso é tão mágico! Irmão, vocês vão me ajudar com as minhas fics não é? Isso é yaoi de verdade e...
- Madeline! Primeiro, de onde você surgiu?! Segundo, pare de fazer escândalo que o Arthur ta dormindo.
-QUE FOFO! Protegendo o sono do namorado! Kyah! Kawaii!
Francis olhava para a irmã tentando descobrir o que seria “Kyah”. A garota estava parada na porta, com um capacete de moto na mão e uma jaqueta apoiada no braço. Usava uma blusa vermelha com um desenho de um garoto com orelhas de gato ao estilo anime, com um “Kawaii!” em letras garrafais em cima e uma calça preta colada, com uma saia também vermelha. Nos pés, botas pretas com uma corrente do lado. Os olhos azuis estavam brilhado de felicidade e os cabelos ondulados presos em um rabo de cavalo.
Essa era Madeline, irmã mais nova de Francis que mora na França. Viciada em animes, principalmente em yaoi. É do tipo “fofa, mas perigosa” e muito romântica, pode fazer tudo para proteger um amor, mesmo que não seja ela a apaixonada . É uma boa garota. Tem 21 anos.
Depois que Madeline se acalmou ela sorriu. Desde criança, desde antes mesmo entender que ambos eram garotos e que garotos tecnicamente não namoram, sempre quis que Francis e Arthur ficassem juntos, pois esse seria o jeito mais fácil do inglês entrar para a família. E mais tarde por que, de acordo com ela, eles formam um belo casal e nasceram para ficar juntos.
- Estou tão feliz irmão. Vocês realmente estão namorando não é? Francis Bonnefoy, se você tiver só brincando com o Arthur como faz com os outros, eu te corto em pedacinhos! E faço questão de garantir que você nunca mais durma com ninguém na sua vida.
Madeline falava sério e Francis sabia disso. A irmã amava Arthur como se fosse ele o irmão mais velho dela. Desde criança o inglês sempre brincou e cuidou dela, pela diferença de idade deles ser menor que a da garota para o irmão de verdade, eles sempre foram bem próximos.
- Não estou brincando com ele irmã. Mas você não me disse o que faz aqui.
- Não posso vir visitar meu irmão querido?
Francis levantou uma sobrancelha com uma cara cética. Madeline só riu.
- Nossa, irmão, que maldade comigo. Eu vim fazer um curso aqui, pra melhorar meu inglês. Arrumei um emprego numa dessas empresas gigantes ai, só que tem que falar inglês, e eu não falo fluentemente desde que era criança. Vou ficar umas duas semanas aqui fazendo curso. Ah, antes que pergunte, eu entrei por que tenho a chave da porta.
Francis decidiu não perguntar como ela tinha a chave da porta de sua casa.
-Ah... Vai ficar aqui em casa também?
O sorriso de Madeline aumentou.
- Também? O Arthur ta morando aqui?! Irmão, você me fez a pessoa mais feliz do universo agora! Eu ia, mas agora vou deixar vocês sozinhos. Não quero me deparar com certas cenas impróprias... Ou não, talvez eu queira sim... Vou ficar nesse apartamento que tem pra alugar aqui do lado.
As coisas são sempre mais fáceis quando se tem dinheiro, não é mesmo? Quem precisa de hotéis quando pode simplesmente alugar um apartamento?
O inglês acordou ouvindo duas vozes francesas. Pensou estar louco, mas assim que abriu os olhos viu Madeline.
- Mad! Mad, o que você faz aqui? Meu deus, como você cresceu!
Ele levantou rápido, quase caindo, e abraçou a garota. O carinho que ela sentia por ele era totalmente recíproco.
- Arthur! Não sou só eu que cresci, da ultima vez que nos vimos você tinha uns 18 anos! Como você está diferente! Sem as roupas punks, tirou o brinco...
Arthur ficou muito vermelho. Não gostava quando lembravam aquela época. Mas não ia reclamar com a garota. Estava feliz demais para isso.
Os dois se abraçavam riam e falavam sobre o que tinha acontecido no tempo em que ficaram separados. Francis riu, eles realmente pareciam irmãos. Assim passaram uns 20 minutos, até que um americano exagerado entrou.
- O herói está aqui para salvar as pessoas que deixam a porta de casa aberta! Você não... Mad?!
Por alguns segundos os dois ficaram se olhando impressionados. Eram amigos de infância que não se viam há no mínimo cinco anos. Ambos tinham mudado muito nesse tempo. Foi basicamente a adolescência deles e pessoas costumam a mudar bastante nessa fase da vida.
Depois desse tempo Madeline literalmente se jogou em cima do estadunidense, que a abraçou com força girando e falando coisas sem sentido. Arthur sorriu ao ver a cena, mas Francis franziu as sobrancelhas. Não gostava de marmanjo agarrando sua irmãzinha...
-Alfred! Como eu senti sua falta! Você tá tão grande pirralho! E desde quando usa óculos?
- Desde o ano retrasado eu acho, não sei ao certo. Não me chame de pirralho. Meu Deus Madeline, você tá linda!
Francis começou a tossir. Não, não, não, Alfred não pode ficar abraçando sua irmã e falando que ela ta linda. Como assim? Cadê o respeito nessa casa?
Arthur percebeu e fez questão de arrastar o francês para a cozinha. Ao chegar lá beijou sua bochecha e riu.
- Não seja estúpido, vai fazer o almoço.
As mãos do francês puxaram Arthur para mais perto e apertaram a bunda dele.
- Prefiro almoçar você, posso?
O inglês se soltou facilmente
- Não.
- Por favor.
- Não.
E foi assim até o almoço.
Notas finais
Não decidi se gosto ou não desse chap, parece faltar algo.
Eu quero fazer um lemom nessa fic... Mas a coragem ta faltando./morre
Bem, reviews?
Fale com o autor