Notas iniciais
Esse cap me deprimiu, não consegui escrever nada direito!!! *desespero*
Espero que alguém goste dessa coisa...

Destruído. Uma boa palavra para descrever Francis Bonnefoy naqueles últimos dias.

Ele estava, no momento, jogado no chão de sua sala há horas sem se mexer. Olhava para o teto da sua casa como se dele fossem cair todas as soluções para sua vida. Parecia prestes a se afogar em seus próprios pensamentos. Precisava fazer algo ou enlouqueceria.

Francis nunca tinha sido uma pessoa muito racional, ao contrario, era extremamente passional, do tipo que leva o que sente ao extremo. Seguia seus sentimentos e poucas vezes pensava antes, o que lhe causava incontáveis problemas. Mas não podia evitar, era assim e sempre seria. Mas agora o que sentia estava dilacerando sua alma.

Culpa. Nada comum, pensava ele. Talvez nunca tivesse sentido culpa antes...

Arrumou coragem de levantar e pegou um grande maço de papeis brancos e a caixa de metal onde guardava material de desenho. Sentou no sofá dessa vez.

Medo. Aquele era um velho conhecido seu, mas de um jeito há muito tempo não sentia. A casa estava quieta. Lembrou-se da primeira vez que dormiu em um quarto escuro sozinho. Não dormiu na verdade, passou a noite inteira sentado na sua cama olhando para os lados e chorando em silêncio. Nunca contou para ninguém desse fato. Mas o medo que sentia daquela falta de barulho era tão infindável e infantil, mas ao mesmo tempo fazia tanto sentido, quanto temer sem quarto escuro.

Começou com uns traços aleatórios, sentia vontade de desenhar sem realmente prestar atenção no que fazia. Sua família sempre foi muito ligada a todos os tipos de arte e desde cedo ele aprendeu que aquele era o melhor jeito de se expressar, nem que seja só para si mesmo.

Também sentia coisas que não conseguia definir. Um peso no coração, uma vontade de fechar os olhos e ficar um tempo sem abrir, mesmo que ainda acordado. Ao mesmo tempo queria correr pela rua, achar o inglês, ajoelhar-se aos pés dele e implorar perdão de todos os jeitos possíveis.

Desejou discutir por qualquer bobeira com o seu... com Arthur, levar um tapa do inglês nervosinho e ouvi-lo gritar por alguma coisa que tinha feito e por ele estar rindo de sua irritação, depois beija-lo e ver o rosto do inglês corar enquanto ele reclamava baixo, mesmo corespondendo seus carinhos..

Queria... queria não ter saído de casa para aquele maldito jantar. A relação dele com Arthur não era perfeita, brigavam muito, mas nada sério e para ele aquilo era ótimo... Não trocaria seu inglês cheio de defeitos e com um temperamento deveras difícil nem por todas as pessoas que o mundo julga serem perfeitas juntas. E isso que doía tanto em seu coração, ter perdido seu inglês por causa de uma noite... E nem tinha sido uma noite boa, lembrou, estava completamente bêbedo.

Não reparou quanto tempo ficou pensando e desenhava quase inconscientemente, sem saber o que fazia. Quando voltou a realmente notar suas ideias estavam todas no papel. Um par de olhos verdes com sobrancelhas extremamente grossas numa folha, Arthur olhando com raiva, Arthur sorrindo, Arthur corado... Arthur, Arthur, Arthur... Desde quando sua vida se resumia naquele inglês mal humorado?

Eu chutaria uns 20 anos, mas não creio que Francis concorde...

Olhou o ultimo desenho. Era o mais completo de todos, mesmo ainda não completamente pintado. O dito inglês estava parado na frente da porta de sua casa prestes a sair, mas olhando para trás com um misto de tristeza e raiva, raiva essa tão diferente da de quando eles brigavam sem nem mais lembrar o motivo depois. Suspirou e decidiu tentar fazer outra coisa.

- Francis, o que você fez?

Era a voz de Madeleine e, até hoje, Francis não descobriu como ela fazia para entrar na sua casa assim. Mas ele resolveu não perguntar, a voz da menina era realmente séria.

- Mad...

- Francis Bonnefoy, não me diga que você estragou tudo com o Arthur? Melhor, nem precisa dizer nada né? Pra você estar com essa cara de cachorro abandonado só pode ter acontecido o que eu estou pensando... certo?

Ela esperava com todas as suas forças ouvir um não, uma desculpa qualquer, mas aquele leve manear positivo de cabeça quebrou toda e qualquer ideia que ela podia ter.

- Ah seu filho da puta! Eu vou te matar Francis! Falei pra você não brincar com ele!

Madeleine estava tão irritada que até esqueceu que a mãe de Francis era a mesma que a sua.

- Mas não! Mounsieur Bonnefoy não pode se comportar direito, não é? Onde o Arthur tá agora? Eu disse que te cortaria em pedacinhos se o magoasse, sua sorte é que eu não quero que mamãe se decepcione por eu ir presa...

Ela completou mentalmente um “mais uma vez”, mas estava com raiva demais do irmão para pensar nos seus problemas com as autoridades, que sempre achavam todas as suas palavras desacato e inventavam leis que pra ela não faziam nenhum sentido como ser proibido andar de moto num half pipe.

-Mad...

- Quieto! Fez a merda agora escuta. Eu disse para você não brincar com o Arthur!

- Eu não estava brincando com ele... Amo ele...

— Eu disse que... ‘Pera ai, como?

- Amo o Arthur, Mad. Eu sei que você tá me odiando e que não vai acreditar, mas gosto dele de verdade...

A garota parou analisando o irmão. Decidiu confiar nele, parecia sincero.

- A sua sorte, coisa, é que eu não consigo te odiar ou mesmo ficar brava com você.

Francis abraçou a irmãzinha.

- Mas eu ainda não te perdoei! Solta! Você magoou meu Arthur.

- Eu sei que você gosta mais dele do que de mim...

Tentativa de drama básica.

- Gosto mesmo. Ele é mais legal.

Os olhos de Francis se arregalaram. Como é que é?

- Mas eu também te amo, onii-chan.

- Ama mesmo?

- Amo. Mesmo você sendo um burro, idiota e que não mereça o amor e carinho da melhor irmã do mundo.

- Mas ama o Arthur mais. Melhor irmã do mundo? Quem?

- Claro que sim. Eu, oras! Quem mais seria?

Francis abriu a boca para responder, mas teve a mesma tapada pela mão da irmã.

- Não ouse falar nada, Francis, que eu já estou brava o suficiente com você!

Ele riu. Madeleine não sabia ficar brava com ninguém, muito menos com ele. Soltou-se da mão que tapava sua boca com facilidade. Beijou a testa da irmã carinhosamente e se permitiu um sorriso fraco.

- Te amo, minha “mad Mad”.

- Resolveu pegar o apelido que o Arthur me deu?

- Sim, resolvi.

Ela sorriu, não ligava para aquela brincadeira, era meio maluquinha mesmo. Passou a mão pelos cabelos loiros do irmão, abraçando-o com um pouco mais de força. Resolveu se preocupar um pouco com seu “irmãozão”.

- Você vai ficar bem, irmão?

- Nunca vou me perdoar irmã...

- Vai dar tudo certo Francis.

- Quero meu Arthur de volta.

- Fala com ele. Não agora se não você vai ser espancado até a morte. Outro dia. Pense em algo bem romântico para fazer, faça uma declaração de amor eterno e implore perdão.

- Você acha que ele acreditaria e me perdoaria?

- Tenho certeza que não.

A sinceridade da garota foi como um raio no coração do francês.

- Mad... Você podia ser um pouco menos sincera?

- Não, não posso. Eu sei que ele não vai te perdoar. Mas existem muitas coisas que ele não te perdoou até hoje, não é? Desde que éramos crianças.

- Oui.

-Então, querido. Vocês convivem bem com essas... bem, com esses problemas. Não sei como, mas vocês conseguem se entender se desentendendo. Ou algo assim. Talvez vocês ainda possam ser felizes. Isso é, se você deixar de ser um imbecil.

Francis sorriu fraco, começava a se sentir um pouco melhor.

- Merci.

Passaram um tempo juntos naquela bagunça de papeis que era o sofá. Madeleine fazia tudo para animar o irmão, mesmo muitas vezes deixando sua cabeça voar.

X-X-X

Madeleine já tinha ido embora há pouco mais de uma hora quando Francis resolveu fazer outra coisa. Sentia-se quase hiperativo, precisava fazer algo para se manter bem, ou algo parecido com isso.

Como um bom escritor, escreveu. Não conseguiu achar nada bom, mas escreveu , a mão, tudo que vinha em sua cabeça. Logo a sala estava cheia de papeis espalhados pelo chão.

Lembrou-se da vontade de pintar que tivera antes e pegou sua tela. Nem se lembrava da ultima vez que tinha parado para pintar algo. Possivelmente ainda tinha seus 15 ou 16 anos e estava com seu pai.

Em algum momento acabou dormindo sentado no chão sem nem notar o que fazia. Sua casa estava uma bagunça , mas ele não se importava com isso naquele momento. Sonhava com Arthur, com a mão do inglês em seus cabelos, a voz dele... ‘Pera ai, aquela voz parecia real demais.

Entreabriu os olhos. Não entendia bem as palavras do inglês, mas ele dizia algo sobre lembranças de coisas enterradas .. Do que Arthur falava? Só ouviu bem a ultima frase, antes de seu inglês preferido dar as costas para si.

-Eu te odeio, sapo estúpido... Por você sempre me fazer de idiota.

Murmurou um “mas eu te amo, inglês cabeça-dura.” sem intenção de fazer-se ouvir. Ainda estava muito sonolento e não sabia se aquilo era realidade ou apenas um sonho. Mas não pode deixar de ficar com a ideia de “lembrar” na cabeça. O que Arthur quis dizer com aquilo?

Agora um pouco mais desperto notou que tinha sido coberto e que sua cabeça estava sobre um travesseiro. É, Arthur realmente estivera ali. Esfregou os olhos sem querer levantar. Não estava na posição mais agradável do mundo, mas aquele pequeno carinho do loiro de olhos verdes fazia o lugar chegar perto disso.

Tentou pensar, entender, lembrar-se de algo. Alguma coisa enterrada que ele tinha lembrado ao inglês... Sua mente voltou a um concurso musical, o primeiro que Arthur tinha participado em sua época punk.

--

- Cala a boca, francês desgraçado.

A delicadeza de Arthur para com o francês sempre foi tão grande, e isso nunca mudaria. Mas o dito inglês estava muito diferente da atualidade, seus cabelos loiros estavam cheios de mechas verdes e mais despenteados do que de costume. Tinha um olhar rebelde, quase ácido, sempre sarcástico. No momento carregava sua guitarra vermelho cereja com vários símbolos de sua amada Inglaterra e de suas amadas bandas, colados e bem distribuídos, enfeitando aquele objeto.

Vestia uma blusa da Union Jack que parecia ter sido pichada com as palavras “Anarchy in the UK” e nas costas se via Sex Pistols, bem ao estilo da banda. Seu pescoço estava envolvido por um lenço xadrez vermelho e preto, possivelmente um presente de uma das admiradoras que morriam por alguns segundos de atenção dele. Coturno nos pés, calça preta cheia de correntes, levemente rasgada na altura dos joelhos. Pulseira de spikes, um casaco não muito definível pendurado sobre o ombro como se ele fosse ser jogado para qualquer lugar.

- Arthur, não seja criança.

- Não me chame de criança. E o que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta.

- Mas...

- Shut up.

Francis se calou, suspirando. Não podia discutir com aquele menino. Era um adolescente rebelde , impossível de se controlar no auge dos seus 17 anos. Francis já era um pouco mais calmo, talvez fosse por ser mais velho ou fosse seu jeito mesmo. Obvio que aprontava, e muito!, as suas, mas perto do Sr. Totalmente-Punk-Rebelde-e-Irritado-Arthur-Kirkiland, ele parecia um anjo.

- Tá bom moleque, faça o que quiser! Mas o Scott vai te quebrar ao meio depois.

Ele suspirou, enquanto o inglês o ignorava e voltava a dedilhar sua guitarra fervorosamente. Francis tinha que admitir, apesar de não apreciar muito aquele tipo de música, Arthur tocava bem.

Eles estavam em um salão com varias cadeiras móveis, algumas mesas e um palco, onde Arthur se encontrava tocando animadamente. O francês, que antes estava sentado na beira dessa mesma construção, levantou e se encaminhou para a primeira fila, sentado logo lá e bufando irritado.

Ficou ali assistindo aquele show particular. Nunca admitiria, mas estava adorando. Arthur pulava no palco e cantava animadamente enquanto seus dedos moviam-se quase como mágica. Não conseguia imaginar como ele tocava tão rápido. Mas o que mais encantava-o eram aquelas orbes verdes focadas em si. Enquanto tocava o inglês não desviava aquele par de esmeraldas de seus olhos azuis. Francis sentia leves arrepios só com aquele olhar, desafiando-o a algo que ele não sabia o que era.

Não sabe quanto tempo passou, mas pareceu ser uma eternidade e nem um segundo ao mesmo tempo. Estava encantado como show daquele inglês, com os olhos verdes que não desviavam de si nem por meio segundo. Sentia-se em outro planeta, em outra dimensão, onde só ele e Arthur existiam, onde seu coração batia com o ritmo daquela guitarra. Nem sabe como o casaco do inglês foi parar em seu colo.

Lembrando-se desse dia, ele não pode deixar de se perguntar por que Arthur tinha olhado-o daquela maneira. Estava desafiando-o a que?

Mas acabou, ainda estavam na terra afinal. Madeleine entrou correndo, sendo acompanhada por uma garota da idade de seu irmão mais velho. Era bonita a tal, mas Francis não se lembrava de nada sobre ela.

- Irmão! Essa sua... sei lá o que ela é sua, tá me enlouquecendo!

Madeleine não era muito diferente em seus 14 anos, tinha a mesma personalidade enérgica, mas era muito mais infantil e ainda tinha cara de criança.

A tal “sei lá o que” de Francis riu e andou até perto do dito francês, sentando em seu colo. No palco, Arthur errou totalmente um acorde e logo um som desafinado e ensurdecedor saiu daquele instrumento. O amplificador foi desligado enquanto o inglês ia mexer nos fios, claramente muito irritado.

- Sua irmã é uma exagerada, querido.

- Deixa ela...

Eles começaram a se beijar, enquanto a dita exagerada fazia careta e ia encontrar o outro no palco. Francis ouvia claramente a conversa dos dois, mas estava... ocupado demais para prestar atenção naquele momento.

- Atrapalhei algo, Arthur?

- Por que atrapalharia? Eu estava só ensaiando.

- Sei...

-Cala a boca mad Mad.

- Você vai mesmo entrar nesse concurso?

- Vou. E tenho certeza que vou ganhar!

- Vamos fazer uma aposta?

- Aposta?

- Sim, se você perder ou se o Scott não te mandar para o hospital caso você ganhe, você fala com ele. E Se você ganhar e sair inteiro dessa eu faço tudo que você quiser por um dia inteiro.

Aquilo não fazia muito sentido aparente, mas entendeu tudo.

- Você tá em vantagem nessa aposta. O Scott com certeza vai quebrar minha cara quando eu voltar para casa depois de gastar todo o dinheiro do meu premio com tudo que eu quiser sem ter que dar satisfação para ninguém!

- Essa é a minha intenção, eu tenho que ganhar!

- Não vai não garota.

O inglês voltou a olhar para o casal, em sua opinião, inconveniente. O beijo deles já estava bem... animado.

- Dá pra vocês pararem com isso? Se querem ficar se pegando, vão pra outro canto! Porra, que coisa chata.

Francis, a contragosto, largou a tal garota de quem o nome não lembra, mas não a deixou sair de seu colo, ganhando um olhar de ódio e um resmungo do inglês, acompanhados de um rolar de olhos de sua irmãzinha.

Não lembrava muito de como tinha sido o tal concurso, só sabia que no final Arthur ganhara e tinha conseguido a sorte de Scott ter viajado naquele dia, não tendo ciência, assim, do ocorrido. Como bônus ainda tinha uma lista de desejos a fazer para Madeleine, premio de sua aposta.

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Francis não entendia por que tinha lembrado daquele dia, mas o lado punk de Arthur era algo interessante a se pensar. Ele era realmente estranho naquela época, como se tivesse algo a esconder e ao mesmo tempo quisesse gritar aquilo para todos.

- Um arruaceiro mesmo...

Levantou. Iria conseguir seu inglês de volta! E já tinha um plano... ou quase isso.

Já começava a se animar com suas ideias quando ouviu alguém bater na porta. Foi até lá abrir, dando de cara com um estadunidense nada feliz.

- Alfred...?

O garoto estava simplesmente assustador. Francis quase saiu correndo

- Vai começar a tentar inventar desculpas ou eu já posso quebrar a sua cara?

Notas finais
Já que o mundo não acabou, cá estamos nós! #apedrejada
Eu odiei esse cap com todas as minhas forças... *depre*
E de novo não tive tempo de betar, então se um anjo notar algum erro, avise, por favor!
bem, sem muito a comentar aqui... Espero que alguém tenha gostado dessa coisa.
Ah, e a cada dia fico mais perdida nessa história, aceito sugestões#apanhaatéamorte