Mil e umas maneiras de escrever PruHun
9 Celular
Notas iniciais
Lá vinha Elizabeta andando em as suas sapatilhas esverdeadas, as sacolas que carregava cheias de compras do mês estavam todas na sua mão direita, enquanto a esquerda mexia no celular a lista de reprodução favorita. Os cabelos castanhos esvoaçavam levemente, uma das mechas estava sempre presa com uma presilha no formato de uma flor rosada. Parou em uma esquina, esperando o sinal abrir para seguir seu caminho; uma rajada de vento veio do nada e a saia de seu vestido, que vinha até os joelhos, levantou um tanto, mostrando o que não era para ser mostrado. Um jovem que passava ao seu lado no momento fez questão se segurar a barra da saia da moça; esta, no susto, virou já pronta para dar com o celular na testa do indivíduo, seu olhar endureceu mais ainda e deu uma tapa na mão dele.
–O que fazes aqui, Gilbert? – o pobre celular fora apontado para a cara do jovem. As bochechas ganharam um tom de rosado mais visível – Quer levar esse celular na testa?
–Só te ajudei sua ingrata, ou queria ter o vestido levantado de novo só para pegar um vento melhor e…
Gilbert é um jovem rapaz alemão de cabelos brancos e olhos avermelhados, culpa do albinismo, enfim, possuía um pequeno passarinho amarelo que o seguia seja lá para onde fosse; mas agora, esse se encontrava agora no chão ao lado de seu dono, bicando-lhe a cabeça. Abriu os olhos, sentia-se atordoado e não fazia a mínima ideia de como havia ido parar no canteiro coberto de cerca viva. Só lembrava-se de ter visto o celular indo em sua direção. Curiosos rodearam para saber o que havia se passado, ajudaram-no a se levantar.
O celular de Elizabeta estava a alguns centímetros dali, todo espatifado. Ela não estava para brincadeiras quando disse que “levaria na testa”.
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