Notas iniciais
Boa leitura ;)

POV Duke

– Desculpa! – falou Shane assim que entrou pela porta, e eu me surpreendi com ele se desculpar, pois pelo pouco que o conheço ele se demonstra bastante orgulhoso.

Não esperei por mais que isso, nem pude falar nada, apenas o beijei como desejava fazer desde que me assumi para a imprensa. E o beijo foi se intensificando cada vez mais.

– Então você me perdoa? – pergunta Shane com um sorrisinho torto no rosto.

–Só se você me perdoar também. – falo lhe dando o mesmo sorriso e ele me beija.

POV Amy

Eu estou no banho, com os olhos fechados pensando em tudo o que aconteceu, sentindo a água quente no meu corpo enquanto imagens e perguntas passam pela minha cabeça. Karma é o centro de tudo, e eu a amo, mas estou decidida a esquecer deste sentimento bobo para poder ter minha melhor amiga de volta. E em seguida tem a Reagan que pode ser tudo o que eu preciso, alguém para seguir em frente, para me fazer esquecer a Karma, mas não é só isso, ela me faz tão bem e sinto que posso mostrar à ela cada pedaço de quem eu sou, que posso confiar e amá-la. E o Liam. Sim, o Liam, que por muito tempo o julguei como superficial ou até sem coração, talvez por ciúme ou por não o conhecer como hoje conheço. Tenho plena certeza que foi por ele que Karma, seus pais e eu saímos da prisão, mas não deve ter sido fácil, eu conheci o pai do Liam e ele não é exatamente a pessoa mais adorável que existe.

– Saí logo, Amy. Eu preciso me arrumar de verdade e não só entrar em uma roupa qualquer como você faz! – gritou Lauren batendo na porta.

– Cuidado, Lauren. Pessoas que se estressam de mais acabam com rugas. – falei me enrolando na toalha e destrancando a porta. E Lauren entrou esbarrando em mim.

– Saí logo daqui! – falou ela apontando para o meu quarto.

Saí rindo da Lauren, e fui me vestir. Coloquei uma calça jeans e uma blusa moletom cinza, calço meu all star, coloco meu colar da amizade, imaginando se um dia a Karma voltaria a usar o dela. Vou até minha penteadeira e passo um batom vermelho que a Karma esqueceu aqui. Respiro fundo, decidida a falar com ela quando chegar à escola, e coloco o batom na mochila para devolver. Desço as escadas e fico sentada no sofá esperando pela Lauren.

– Amy? – Chama Bruce.

– Oi, Bruce o que foi? – pergunto tentando soar o mais simpática que eu poderia.

– Então, a Lauren só vai fazer 18 anos no inicio do ano que vêm. E você já tem e ontem nos mostrou já ser madura e responsável. Por isso quero te dar isso. – Falou, me entregando a chave do carro, que tinha um chaveiro com uma foto do casamento deles, em que estamos eu, a Lauren, minha mãe e ele, todos sorrindo. Lindos sorrisos antes de ser rejeitada pela Karma e dormir com o Liam, que foi onde toda a confusão começou. Na verdade começou quando eu aceitei aquele plano ridículo de fingir ser lésbica, e mesmo com todos os pensamentos ruins não consigo evitar um sorriso ao ver a foto, e ver como aos poucos estávamos nos tornando uma família.

Lauren teve uma crise quando soube que eu teria a chave do nosso carro, mas logo se conformou dizendo que seria legal ter uma motorista particular. Eu tive de rir da situação, e me surpreender em como cantamos juntas I love it do Icona Pop e fomos até a escola em completa paz. Chegando a escola, visualizei Karma e fui falar com ela.

POV Karma

– Eu conheço esse batom. – falei com um sorriso sem graça.

– Eu o trouxe para te devolver. – disse Amy tirando o batom da mochila e me entregando.

– Obrigada! – falei sem jeito. É estranho como não temos mais intimidade, nem assunto.

– Por nada! – falou ela ficando desconfortável também.

– Então... – fala Amy , tentando quebrar o silêncio.

– Beleza! Eu tenho que ir agora. – falo saindo e imaginando se não fui muito rude, mas é impossível ser simpática, ainda estou muito magoada.

Ando pelo gramado me sentindo só e recordando dos momentos em que tive Amy comigo, os planos para a formatura eram os melhores, a ideia boba dela de ir com o mesmo vestido e dançar a nossa música na frente de todos é a coisa mais hilária que eu poderia fazer, mas me vi fazendo planos e incentivando essa ideia boba.

Nós sempre fomos tão unidas e logo um garoto nos separou, parece bobo e muitos me aconselhariam a escolher a amizade ao invés do relacionamento, mas me escolhi, escolhi dar um tempo para mim mesma, o que não tem dado muito certo. E pensar que compartilhamos a primeira ida ao colégio, a primeira quase reprovação, o primeiro dez que, diga-se de passagem, colamos uma da outra, a primeira viagem de turma, o primeiro beijo onde ela esteve presente, pois eu estava nervosa demais para ir sozinha e eu a ensinei a beijar no espelho do quarto dela, pois no dia seguinte eu que veria o primeiro beijo dela e até a nossa primeira vez, onde compartilhamos o mesmo cara.

Dizem que o amor amigo cura as feridas que o amor de um amante causa, mas o que fazer quando o machucado é causado por ambos? Perdoar eu perdoei, mas esquecer parece impossível ao mesmo tempo que é inacreditável que esse seja o fim da minha amizade com Amy, mas se eu preciso fazer algo neste momento, é ficar sozinha e não meter os pés pelas mãos, preciso do colo da minha mãe que pode não ter os melhores conselhos, mas quando sabe o que dizer, ela diz exatamente aquilo que eu preciso no momento.

POV Amy

Liam sai da escola apressado, vou atrás dele da forma mais discreta possível e o vejo o pai dele esperando encostado no carro, paro atrás de uma árvore que fica bem ao lado do lugar onde eles estão.

– Primeiro dia hein, filho! Não sabe como esperei por esse dia, juntos sei que podemos aprender muito mais um com o outro. – Ele diz batendo no ombro de Liam.

– Sim, pai. Podemos ir agora? Não quero chegar atrasado. – Liam sorri nervoso.

– Ah não se preocupe com isso, você está com o que manda naquele lugar, chegar alguns minutos atrasados é uma cortesia, mas não faça isso em reuniões. – Ele abre a porta e Liam entra no carro.

Uma ideia louca passa pela minha cabeça, sigo ou não? Claro que sigo! Pego as chaves do carro e vou atrás deles, meu celular toca e eu fico em dúvida se atendo, vai que levo uma multa logo no primeiro dia com o carro? Lá se vai aquela imagem de “adolescente responsável e madura” que Bruce criou de mim. Atendo e coloco no viva voz.

– Amy, se tiver algo para fazer pode ir, vou ficar na escola e resolver as coisas para o grêmio, me pegue em 30 minutos. – Disse Lauren e desligou.

Reviro os olhos, como uma garota tão pequena pode ser tão cheia de autoridade? Mas isso não importa, só espero que dê tempo de fazer o que pretendo. Olho para o celular, tenho esperado mensagem da Karma, mas também da Reagan, não sei se consegui disfarçar o meu desconforto depois do sonho que tive no acampamento, só sei que desde aquele dia não nos falamos muito, ela só diz estar ocupada demais com o trabalho e nada mais, o que é estranho da parte dela, mas já que ela pede para eu entender, eu entendo, até porque Reagan sempre foi muito sincera e direta, então se tivesse algo que a incomodasse ela me diria, né?

O carro onde Liam está entra em um estacionamento privado e eu tenho que procurar por uma vaga e logo encontro, ainda bem! Desço do carro com pressa e entro na grande empresa, percebo que muitos funcionários estão saindo para almoçar então imagino que o Liam vá também já que não pararam em nenhum restaurante, sigo a instrução da placa e vou para a praça de alimentação, onde vejo Liam acompanhado de seu pai que logo aperta a mão dele, como se fosse um sócio e não um filho, e sai. É minha chance, vou em direção à mesa onde Liam está e ele se surpreende quando apareço na frente dele com as mãos apoiadas na mesa.

– Amy? O que você está fazendo aqui? – pergunta ele com cara de assustado.

– Eu tenho a mesma pergunta a você. Alguma explicação? Porque eu já estou tirando minhas próprias conclusões. – falei já concluindo que ele vai trabalhar aqui como uma troca de “favores” com o pai, que deve ter pago nossas fianças.

– Pode tirar suas conclusões porque eu não te devo nenhuma explicação. Pode pensar que abandonei meus princípios, que sou apenas mais um capitalista, assim como meu pai. Eu não me importo! – falou ele, com tom de deboche, mas notei o olhar triste. Ele foi se levantando para sair e eu segurei seu braço.

– Pois eu acho que você está aqui porque o mundo é capitalista e não você! Porque pagar quatro fianças não deve ser barato e tem de ser pago de alguma maneira.

– Como? — eu notei que ele iria perguntar como eu sabia e o interrompi já respondendo.

– Ah, Liam. Acho que já posso dizer que te conheço, não? – falo e noto uma lágrima teimosa caindo, e percebo como ele está se esforçando para não chorar e não consigo evitar ao impulso de abraça-lo.

Ele apoia a cabeça no meu ombro e abraça forte a minha cintura, e noto como está tremulo e evitando o choro. Eu percebo como internamente eu estou exatamente como ele. Tremula, e sinto um frio na barriga, ao pensar no que aconteceu da última vez em que compartilhamos do mesmo sentimento. Mas antes que eu tomasse qualquer atitude para afastá-lo, meu celular tocou.

– Amy, já pode vir me buscar. Você já está dez minutos atrasada!– falou Lauren antes mesmo de me cumprimentar.

– Eu já estou indo. – falei e desliguei.

– Eu tenho que ir. Bom trabalho! – falei com um sorriso tímido e quando estava saindo ele me chamou.

– Amy?

– Oi? – perguntei.

– Só uma última pergunta. – ele fez uma pausa, como que para tomar coragem e perguntou – A Karma está bem?

– Bem que eu queria saber a resposta. Mas sei tanto quanto você: Nada! – respondi e sai.

POV Reagan

Estou arrumando turnos extras para me ocupar. Aliás, recentemente estou sendo garçonete na área de alimentação da empresa do pai do Liam. Preciso manter minha mente ocupada, porque recentemente tenho sido paranoica. O que sempre acontece quando estou apaixonada. Tive uma linda noite de amor com Amy no acampamento e notei que ela estava diferente na manhã seguinte, e criei mil questões na minha cabeça. Desde perguntas como “Será eu, só uma fase na vida da Amy?”, “Será que ela fingiu o orgasmo?” até “Será que ela gosta de mim como eu gosto dela?”.

Penso em mandar uma mensagem para ela, mas avisto Liam abraçado com uma loira no meio da lanchonete e eles estão tão envolvidos no abraço deles que parece que não há mais nada ao redor. Eu me pergunto se devo dizer à Karma, mas me imagino atrapalhando o relacionamento de alguém, e tiro essa ideia da minha cabeça. Eu deveria voltar ao trabalho, mas a curiosidade é maior e fico observando a cena e quando a loira se vira para ir embora, me surpreendo ao ver o rosto de Amy e toda a minha paranoia retorna, mas agora com motivo, um Booker motivo!

POV Karma

Chego em casa exausta e completamente acabada emocionalmente, aguentar isso tudo e prestar atenção em aulas não tem sido uma tarefa fácil, não tenho ficado sozinha, algumas garotas que apoiam o Shane para presidente do Grêmio Estudantil me pediram ajuda para fazer uns cartazes e apesar da exaustão achei melhor do que ficar aqui em casa pensando em milhões de coisas que no final me levam a lugar algum, mas agora eu só preciso do colo da minha mãe. Entro no quarto e sou surpreendida pelos meus pais sentados na cama, ambos olhando para mim com seus olhos cheios de preocupação.

– O que estão fazendo aqui? – Pergunto entrando e deixando a mochila na cadeira.

– É uma parte da casa também, Karma. – Fala minha mãe rindo, mas quando vê que eu não a acompanho ela para.

– Disso eu sei, só queria saber o porquê de estarem aqui no meu quarto, sentados na minha cama quando geralmente me esperam lá na sala.

– Queremos conversar contigo, querida. Queremos conversar sobre o que tem acontecido entre tu e a Amy. – Fala meu pai.

– O que tem acontecido entre eu e a Amy? Absolutamente nada! Nos já nos desculpamos naquele dia na cadeia e vocês viram. – Dou de ombros sentando na cadeira e esperando parecer tranquila.

– Então por que não a vemos mais aqui em casa? Vocês têm prova daqui duas semanas e vocês costumam estudar juntas, mas não a vejo aqui e nem você vai visita-la. Nós já vimos muito dessa amizade, Karma, e a vimos crescer junto com vocês duas, então nós sabemos quando as coisas estão ruim. – Fala minha mãe.

– Ela ficou com o Liam na noite em que ele descobriu que eu estava mentindo para ele, nessa mesma noite Amy se declarou pra mim e disse que me ama, mas eu não soube reagir a isso porque eu não a amo dessa forma. – Digo com os olhos já cheios de lágrimas.

– Karma, querida... – Meus pais abrem os braços para mim, sento no meio dos dois e eles me abraçam.

– Filha, nós recebemos aquilo que damos e ao fingir ser lésbica você colocou suas vontades e os seus interesses acima de tudo e usou da boa vontade da Amy para conseguir o que queria, desde o inicio não foi sincera com aqueles que estavam contigo e não procurou perceber o que Amy estava sentindo mesmo conhecendo-a tão bem. Depois esse garoto, Liam, mentiu para ele também.

– Obrigada por me fazer sentir como se eu fosse uma bruxa má que não pensa nos outros, apenas nela mesma. – Falo chorando.

– Seu pai não quis dizer isso, Karma. Ele apenas quer mostrar que isso aqui é consequência das suas atitudes de decisões mal pensadas. A Amy ter ido pra cama com o Liam não tem justificativa, até porque ambos sabem do valor que tem na sua vida, mas já parou pra pensar que cada um tem uma parcelinha de culpa nesse problema todo e que se cada um se empenhar pra acertar isso, as coisas vão se ajeitar. Já vi você e a Amy brigarem e sempre voltarem a se falar , você sempre foi a mais orgulhosa, mas sempre cedia e talvez seja a hora de você ceder, porque sabemos que vocês só perdem estando separadas.

Eu não consigo parar de chorar, tudo isso poderia ter sido evitado se eu não tivesse pensado tanto em mim e no que eu queria, não mudaria pois talvez assim eu não teria conhecido o Liam, mas deveria ter olhado mais para o lado da Amy, minha melhor amiga, que hoje mais parece uma desconhecida. Não posso deixar as coisas assim, eu tenho culpa nisso também então devo ter atitude para resolver e fazer a minha parte.

Notas finais
Comenta aí o que achou :*