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Olhei pela janela do jatinho, enquanto subíamos e a gigantesca cidade de Los Angeles diminuía ate se transformar em pequenos pontos de luz ao longe, à luz do anoitecer.  Escolhemos viajar nesse horário, pois assim não perderíamos muito tempo e conseguiríamos chegar pela manhã. Planejávamos tirar o dia seguinte pra descansar e se preparar para os shows. Ver a adorada Cidade dos Anjos do alto me trazia uma nostalgia, e me fazia lembrar de quando cheguei aqui, vindo do Hawaii, e vi esta paisagem pela primeira vez. Los Angeles continuava linda. Deixei minha mente derivar pelas lembranças que vinham e sorri com as boas, aprendi novamente com as não tão boas e ao me lembrar dos primeiros sucessos, tive certeza que faria tudo de novo. Lembrei das mulheres, de todas elas, maravilhosas…. Tenho que admitir, meu fraco são as mulheres, de preferência as bonitas e boas de cama. Ate me permiti um sorriso, ate que a lembrança da….da….DELA me assaltou. Bloqueei meus próprios pensamentos. Não podia me permitir pensar nela. Tinha prometido à Presley e aos caras que não sofreria mais por ela. Suspirei e aumentei o volume do fone. Deixei o bom e velho Elvis invadir minha cabeça e me impedir de pensar.

***

Acordei com o Ryan me chamando, havíamos chegado. Fazia um calor infernal, eu estava com fome, cansado, e tinha sonhado a noite inteira com a Jessica. Merda. Será que eu nunca vou conseguir tirar ela da cabeça? INFERNO! Toquei a tela do celular pra ver o horário, mas ele tinha descarregado durante o vôo. Serio? Puta que o pariu, hoje não tem como ficar pior, mesmo. Puta merda, eu preciso de umas horas de sono. De verdade. Mas sono numa cama confortável, um ar condicionado e escuro total. E SEM SONHOS COM VAGABUNDAS TRAIDORAS..Ainda bem que teríamos um tempo de descanso antes de ter que lidar com qualquer coisa ou pessoa.

Saí do avião e entramos no carro de luxo que esperava. Coloquei os óculos de sol pra esconder as olheiras e os olhos inchados. E também pra não ter que enfrentar e nem olhar pra ninguém.

Menos de dez minutos de carro e chegamos. Aonde? Sei lá. Era lindo o lugar. Com uma fonte no centro, com várias pessoas correndo de um lado para o outro parecendo cheias de afazeres. Se eu n tivesse tão mal humorado, teria sorrido com a estranha familiaridade. De uma maneira estranha, me lembrou minha infância, no Havaí, com minha mãe e as mães dos vizinhos correndo de um lado para o outro, fazendo os afazeres, enquanto eu e meus amigos zoávamos.

Um homem com um sorriso acolhedor e um jeito bonachão estava esperando pra nos receber. Droga, ter que pagar o superstar gente boa realmente não tava nos meus planos agora.

— Olá, rapazes, fico muito feliz em recêbe-los em minha humilde morada. Espero que se sintam aqui como se sentiriam em suas próprias casas. Á propósito, eu sou o Muhammad.

Pera aê. Aquilo tudo era uma casa só? De um cara só? Puta que pariu, eu pensei que fosse um espécie de villa. Sorri educado e acenei mechendo no chapéu. Ryan percebeu que eu não tava no meu melhor mood e falou por nós.

— A gente que agradece, mano. Pode deixar que a gente já tá se sentindo em casa.

O jeito espaçoso e bem havaiano do Ryan chegava ser exagerado as vezes, mas eu revirei os olhos por baixo do óculos.

Os caras foram entrando, seguindo Muhammad na direção dos nossos quartos. Respirei fundo aliviado. Um pouco de descanso de verdade, finalmente.