Mil e Dois Dias em Cilindra
3 Cap 3 - Quão difícil pode ser voltar para casa?
Notas iniciais
ZZZzzz...ZZZzzz...Hã?! Ah! Ops, eu devo ter cochilado no meio da história. Haha, perdão. Onde estávamos mesmo? Ah sim.
A mansão Dempsei. Ai ai... Eu esperava que essa hora não chegasse... Mas chegou ( e bem rápido! Damn! ) como todas as coisas que não queremos que cheguem: exatamente do jeito que esperávamos OU pior. No caso, pior.
Estávamos eu e a Mari quando, de repente e sem nenhum aviso, uma granada de fumaça caiu na nossa frente e enquanto nós pensávamos \"OMG!!! Morremos!\", alguém me deu um golpe de artes marciais para me derrubar e fui algemado num instante. Algemas machucam mais do que parece as vezes...
- O quê você pensa que está fazendo, Quino (leia Qüino)?! — Mari grita com o cara ninja que me algemou assim que a fumaça baixa — Esse é o Yoseph, meu convidado! Não faça uma coisa rude dessas!
- Perdão, milady. — o, acredito eu, Segurança Pessoal ( e Armada ) pede desculpas enquanto faz uma reverência e... quando as algemas saíram? — Mas eu devo lembrá-la das possíveis consequências de trazer estranhos para a mansão. Além disso, me preocupo com a sua segurança. Não fuja de novo.
Ela ignora o homem e vem me ajudar a levantar. — Desculpa por isso Yoyo ( desde quando ela me chama assim?! ), esse palhaço aí me segue desde a minha infância. E sempre foi rude com os meus amigos...
- Não tem problema. Por algum motivo, eu estou acostumado a algemas... ( valeu mãe! ). Mas... — que raios de SP deixaria a sua protegida fugir? Ele me pareceu bem habilidoso... A não ser que... é, esse sorriso escondido aí... Maldito! Ele estava nos seguindo desde o começo! Vou ficar de olho em você...
- Mas o quê? — ops, eu rebato rapidamente com um \"Nada não\" por reflexo — Bem, vamos entrar? — ela convida. WOW!
E eu achei que os portões da Cidade Livre eram ameaçadores! Esses aqui estão praticamente falando \"Vamos, não precisa ter medo! Você vai morrer antes de sofrer...\" e fazem a aura ameaçadora parecer tangível. Será que dá pra cortar com a mão?
- Senhorita Marina, estávamos aguardando a sua chegada. — um guarda armado com o tipo de rifle que o exército da maioria dos países apenas sonharia em ter diz quando nos recebe. Até então, ele estava calmamente apontando tal rifle para nós, esperando uma desculpa para atirar (até onde eu sei).
- Estávamos? Quem exatamente? A Alice, o Psi e a Sophie? — PELO AMOR DOS DEUSES, QUE NÃO SEJAM ELES! Por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor!!!!
- Não, não. Eles estão em alguma missão por aí. Você sabe como é. — parece que tem alguma coisa implícita aqui, mas eu não sei o que é. Só sei que: OS DEUSES EXISTEM!!! Eu poderia ficar de joelhos agora, se isso não fosse pegar extremamente mal, vocês aceitam isso, não é?
- Então só a Tia e o Tio mesmo? — quem serão esses?
- Sim, a antiga Madame Dempsei e o marido dela. Sua prima, Marie, também. Estão todos reunidos na sala de lareira. — se eu ouvi direito, se os rumores são verdadeiros e se os deuses realmente me ouvem, então eles são bem vingativos por fazer isso comigo só porque eu não me ajoelhei...
Eu espero muito que eles voltem a ficar felizes comigo rapidinho... Eu vou precisar...
- Ah, Yoyo. É melhor eu já falar algumas coisas previamente sobre como se comportar por aqui. A família Dempsei é afinal uma família nobre e nós damos valor à etiqueta e aos bons modos. — isso vindo da família famosa por sair atirando em tudo e todos? — DENTRO da Mansão, é claro. Você nem imagina o que aconteceria se nós nos comportássemos livremente o tempo todo... — na verdade, não é que eu não imagine, é que eu NÃO quero imaginar.
- Bom, eu vou começar agora... — se seguiram várias explicações condensadas de como me comportar e do que não fazer, mas é tanta coisa que eu tenho certeza que nunca vou conseguir lembrar antes dela chegar na metade! Então eu nem tento.
Enquanto a Mari fica explicando coisas ( como qual é a ordem dos talheres ), eu fico olhando em volta ou pura e simplesmente viajando. É incrível a quantidade de decorações espalhadas por esses corredores... Quadro pra cá, armadura pra lá... Mas o lugar é mais silencioso do que eu esperava. Achei que ia ser barulho de tiro o tempo todo...
- Você tá me ouvindo? — claro Mari, claro — E não se esqueça, o limite de erros é 3! Mais do que isso e você não sai daqui ileso! — pera, dá pra repetir isso? — Bem, agora é só respirar fundo e fazer o que eu falei! — talvez eu vá lembrar de tudo isso como um dos meus piores momentos... ( eu espero poder lembrar... )
Nós entramos na sala de lareira e eu vou ser forçado a não narrar cada detalhe. Sim, eu sei, vocês queriam saber tudo, e eu também. Mas eu fiquei tanto tempo ouvindo \"DANGER!!! DANGER!!! DANGER!!!\" na cabeça que eu só lembro bem de algumas cenas... Aqui vão elas:
Cena 1: Onde diabos eu sento?
- Por favor, sente-se, sr. Yoseph. — a ex-Madame Dempsei me disse e gesticulou de forma ambígua para três possíveis lugares: ao lado de Mari, num sofá; numa poltrona mais próxima do fogo; e numa cadeira ligeiramente afastada, de onde eu provavelmente teria dificuldade de ouvir os outros com clareza.
Onde eu sentei? Obviamente, na cadeira afastada. Não porque eu acreditava que isto seria uma coisa muito educada de se fazer, mas porque ela era, de um ponto de vista tático, o lugar mais seguro! Afastada, próxima de uma mesa que poderia ser tombada para se usar de cobertura e, acima de tudo, mais próxima à porta que eu poderia usar para a manobra CGCM, a manobra suprema ensinada a mim diretamente pelo meu pai, o grande mestre da coisa.
CGCM: Correr. Gritando. Como. Menininha.
Nada honrada ou corajosa, mas extremamente eficiente quando a coisa fica feia!
De alguma forma misteriosa, eu devo ter sentado no lugar certo, pois todos me olharam com um ar de satisfação e a Mari até me fez um jóia! Povo estranho...
Cena 2: O quê eu falo?
- Mas, me diga, sr. Yoseph, como você e a minha sobrinha se conheceram? — aw man, a Mari coçou a cabeça, mau sinal, indica que é melhor não contar a verdade... Só não me pergunte onde está o problema...
- Erm... — pensa seu elfo idiota, PENSA!!! Algo simples, algo comum, algo clichê! Uh! Perfeito! — Ah, nós nos conhecemos na Cerimônia de Abertura do ano letivo da Ave e -
- Ah, o sr. também está matriculado na AVE, sr. Yoseph? — HÃ?! Também?!
- É Tia! O Yoseph e eu nos conhecemos lá... qual era a sua sala mesmo, Yoseph? — Mari entra na conversa pra me comprar tempo e eu voltar meu rosto ao normal. Nice save Mari, valeu!
- Ah... me colocaram na sala... \"U\"... — por favor, não saibam o que isso significa! Todos param de repente, surpresos. Até mesmo a Ex-Madame Dempsei, que sempre pareceu perfeitamente calma ( e até mesmo se divertindo levemente com o meu nervosismo ) arregala os olhos um pouco.
- Não acredito! — a Mari é a primeira a falar — Achei que tinham proibido isso na última reforma do regulamento! — proibido? Por que precisaram proibir? Eu quero saber, é bem capaz que eu vá sofrer o que quer que tenha causado a proibição!
- Não, não. — a ex-Madame diz — No final, o pedido de proibição foi recusado, mas eles aumentaram os pré-requisitos para que alguém pudesse ser colocado na sala. Você deve ser bem especial, sr. Yoseph... — eu queria saber se o especial dela é do tipo que tem um belo futuro ou do tipo que se suja para comer e precisa ficar limpando baba de tempos em tempos...
Cena 3: Os Talheres...
1,2,3,4... 4 tipos de facas, mais as de sobremesa. Garfos idem. Colheres são apenas 2 e a de sobremesa. Eu lembro bem da Mari falando que esperar demais é ruim e que eles sempre esperam os convidados começarem a comer antes deles mesmos. Alguma coisa sobre serem bons modos.
E agora todos estão olhando para mim... Qual serão os talheres de salada? Os menores ou os maiores? Não faria sentido pra mim eles serem colocados no meio... Por quê nós não estamos numa mesa dos Numai? Lá é fácil, só tem uma faca, um garfo e uma colher e a faca fica de pé, fincada na mesa!
Mas eu não posso ficar viajando... Grande ou pequeno? Dentro ou fora? Por onde eu começo? Argh, essa tensão tá deixando o meu estômago dolorido... Me pergunto por que essa Marie ainda não está casada, ela é tão peit-er, bonita... PARA COM ISSO!!! Ok, seja o que os deuses quiserem!
Eu levo a mão aos talheres pequenos, mas paro imediatamente quando ouço alguém engatilhando uma pistola! Será que esse foi o meu primeiro erro? Deixa eu testar quase pegando algum talher que com certeza é errado... *GA-CLICK* É, isso é sinal de que eu errei mesmo! ANTA!!! Agora eu não posso errar mais! Oh man... ainda bem que eu estou morrendo de fome...
Dessa vez eu pego os talheres certos e todos começam a comer como se nada tivesse acontecido. Me pergunto quem é que estava brincando com a pistola... Mas eu acho que é aquele SP de antes... Eu sei que você tem algum tipo de rancor comigo... Não adianta esconder!
Felizmente, eu não erro mais nenhum talher. É simples, na verdade. É só acertar o primeiro ( que no caso eram os de fora e grandes ) e depois fazer o caminho para dentro. Não sei se é assim em todos os lugares, mas aqui era. E precisaria ser alguém REALMENTE idiota pra pegar os talheres de sobremesa na hora errada...
Fim das Cenas. Ufa.
Depois que toda a janta acaba, os Dempsei vão para a sala de estar e eu e a Mari vamos para o portão. Já está tarde e eu preciso voltar pra casa cedo ou tarde. No caso, tarde, mas que seja.
- Bom, Yoyo. — ela chega perto de forma acanhada, o quê deu nela? — Acho que chegou a hora, né? — agora ela me olha direto nos olhos. Quê foi? Algo errado?
Eu não falo nada e ela nem se afasta e nem chega mais perto. O tempo passa... Ela não poderia... Poderia? Meu deus, ela poderia!
- Er... Eu acho que nós nos vemos amanhã, né! — preciso sair daqui e rápido, já estou sentindo aquele SP maldito nos observando ( talvez ele tenha dado uns quinze segundos para ela e como ela não voltou, ele veio ) e eu acho que ele não desengatilhou a arma desde aquela hora!
- Ah, é. — ela parece perceber o meu nervosismo — Bom, obrigada por hoje. Nos vemos amanhã... — eu viro de costas um pouco lento demais e acabo ouvindo isso — Aahh!!! Que seja!
Antes que eu me afaste, Mari me segura pela blusa. Com a outra mão, ela saca a pistola ( que, diga-se de passagem, ela nunca tirou do coldre no cinto, mesmo em casa ) e atira bem onde eu acho que o SP está! WTF?! Eu ouvi um ARGH!!!
Ela me vira e ainda com a arma fumegante na mão, beija-me. Ei! Tudo isso por um selinho desses? Que desperdício!
- Numa outra oportunidade, Yoyo... — ela diz sorrindo — Você REALMENTE deveria ir agora... — o sorriso fica mais... do mal. Gostei disso.
Enquanto o elfo corre...
- Quino, você está bem, não?
- É claro, milady.
- Que pena. — *BANG!* — Preciso melhorar muito ainda...
Enquanto a pistoleira \"brinca\" com seu SP...
Me pergunto o que meu pai falaria do que aconteceu... Minha cabeça ainda está meio nas nuvens... Ela é bonita, nada mal para meu primeiro beijo eu acho. Pera, não tenha pensamentos do mal assim! Vamos pensar outra coisa. Hmm, o resto da família parecia, ahn, bem-dotada... Será que ela ainda vai crescer muito? Seria interessante... Ei! Você não está melhorando muito as coisas aqui!
Vamos ver, não sei se meu papi diria \"Você não sabe com o que está mexendo, filho\" ou se ele diria \"Boa, garoto!!!\"... Mas eu me pergunto se ela realmente gosta de mim ou se é só uma rebeldia contra um ambiente opressor... Espero que — EI! Quem apagou as luzes?!
- Adivinha quem é, senhor \"Herói\"...
Ah, qual é! Não existem limites para quanto azar eu posso ter em um único dia?! — E eu não sei o seu nome...
- Ah! Você tem razão, \"Herói\"!
- Dá pra você parar com essas \"\"? Meu nome é Yoseph, sabia? — to ficando puto com tudo isso cara! Meu limite já foi estourado hoje! ( e a arma que eu usei também... )
- Yoseph? Não, não. Seu nome é Sindarin Júnior, não é? — ÊH?! Como ela sabe? — Se você quer saber, eu olhei na lista oficial dos alunos. Aquela que contém vários dos nossos segredos... — ela finalmente solta meus olhos e eu me viro, puto. E logo surpreso.
- Você parece... diferente. — antes ela estava com o uniforme oficial da escola. É um uniforme comum, é só imaginar aí. Ok, ok, eu falo como é! ( preguiçoso... ) É um daqueles uniformes típicos de animes japoneses, aquele casaco com calça pretos para os homens ( e não me pergunte como vamos sobreviver no verão ) e aquele \"sailor uniform\" para as mulheres, com a saia, camiseta de manga comprida e até o laço fofinho.
- Gostou? — agora ela está vestida num vestido ( perdão, perdão ) preto peça única e com um chapéu preto. Aquilo é uma carinha feliz no chapéu? Também tem botas e luvas. Uma típica bruxa, eu acho.
- Eu diria que bate melhor com a sua personalidade.
- Obrigada! Mas me diga, o que você está fazendo pelas ruas numa hora dessas? Pedindo para ser assaltado?
- Claro que não! Quem faria uma coisa dessas? Eu estou indo pra casa! — começo a andar quando meu já muito cansado instinto me diz meio tardiamente que nós deveríamos ter ficado ... que hoje é um dia amaldiçoado!
- Eu faria — ela diz ao mesmo tempo que três assaltantes pulam das sombras para nos emboscar. Qual é o problema dos assaltantes dessa cidade? Só andam em três!
- Ok, pivetes. É a bolsa ou a vida, sacou? — nenhum deles está armado com mais do que facas...
- CALA A BOCA!!! — dou uma voadora no meio da cara do palhaço mais próximo! É isso mesmo! Eu tô puto!!! Os outros ( a loira inclusa ) ficam surpresos. Ótimo! Isso me dá liberdade para dar um chute no saco do que ficou de boca aberta. Que tal ISSO de motivo pra abrir a boca, eim?! O terceiro vem me esfaquear enquanto o primeiro já está se levantando.
Usando uma arte marcial de nome engraçado qualquer, eu seguro o pulso do homem quando ele chega para a estocada, torço, desequilibro ele e termino arremessando-o em cima do que acabara de levantar. Chega de elfo bonzinho!
- Hah! Isso é tudo que vocês têm? — ei, eles tão fugindo! Que da hora!
- Impressionante! — a loira diz, com aquele sorriso do mal na cara
- Falando em impressionante, acho impressionante que eu ainda não saiba o seu nome...
- É Catherine. E você prefere \"Yoseph\", não?
- É, e pare com esses \"\"! E você quer alguma coisa comigo ou posso continuar minha vida?
- Ok, ok... E, na verdade, eu estava pensando que eu fui muuito cruel com você hoje e queria compensar isto de alguma forma... — acho que nem preciso dizer para vocês o quão suspeito foi tudo isso... — Nós poderíamos, por exemplo, garantir que você seja conhecido como Yoseph, ao invés de Sindarin. Ia facilitar a sua vida, não?
Argh... Pegou onde eu sou vulnerável... Ia ser realmente mais conveniente... E ela parou com as \"\"... Sinda, você realmente não tem jeito, né? Você ainda vai se fud... Acho que você já se fudeu! E vai se fuder mais!
- Hehe, por aqui então... — tch, ela não precisa falar com essa voz de vilão que enganou um pobre coitado... — Mas não vá se arrepender depois...
Por quê eu iria me arrepender? Eu acho que já estou me arrependendo...
Na AVE, figuras em conversas misteriosas
- Então, senhor Wilson, qual você acha que deve ser a postura em relação ao \"U\"? Acha mesmo que deveríamos ressucitar essa classificação? — o diretor diz, de forma calma e não-condizente com o seu usual.
- Não vejo porque não. Ele com certeza tem os requisitos. E se alguém pode aguentar, eu acho que ele é essa pessoa. — Wilson confirma, com determinação nos olhos. — Ele não tem medo de agir. Não tem medo de falar a verdade. Está pronto para arcar com as consequências!
- Pronto para arcar com as consequências, não? — Cala a boca, maldita!
- Essas cozinheiras deveriam estar aqui? — Wilson se pergunta internamente... — Acho que recrutamos gente demais, não as reconheço...
- Ah! — o diretor bate as mãos em expectativa — Minha gelatina de cérebros! Obrigado, meninas! — ele sorri para as duas, quebrando qualquer receio do professor.
Elas logo deixam a sala...
- Hm, o doce sabor de gelatina com cérebro...
- Nós realmente precisávamos fazer isso, Catherine?! — meu coração tá pulando pela boca quase! De verdade cara!
- Calma, JOSEPHINE. Nós cumprimos o objetivo, não?
Hmph. A maldita tem razão, mas isso não me deixa mais feliz... Isso foi TÃO humilhante! Ok, nem tanto assim, mas me disfarçar de cozinheira não é exatamente o que eu tinha em mente quando aceitei vir com ela... Embora, o uniforme das cozinheiras daqui da AVE seja bem interessante... Do tipo que sairia da mente de um designer estilista. Ou um pervertido. Tanto faz.
- Talvez aquela história dos elfos seja verdade... Você parece estar se divertindo assim, JOSEPHINE. — ô mina irritante... parou com as aspas e achou outro jeito de me zoar...
Bem, o que aconteceu foi o seguinte:
Depois de um caminho bem sossegado entre a rua onde achei a Catherine e a AVE, nós pegamos uma entrada não-ortodoxa. Uma janela meio quebrada ( não tranca ) no segundo andar na área de serviço, que dava acesso a um vestiário para as funcionárias. Grifa FUNCIONÁRIAS. Obviamente, só haviam roupas de mulher lá. Obviamente, a Catherine contava com isso e só me deu um \"Eu acho que essa vai ficar linda em você!\" e começou a me despir. Sim, ME DESPIR!!! Eu me senti muito violado, por sinal. Aqueles olhos rosas escondem muitas coisas... Coisas doentias...
O próximo passo era nos esgueirar até onde estava o registro oficial ou como quer que se chame o bagulho, roubá-lo temporariamente, alterar umas coisas aqui ou ali, devolver o bagulho e sair à francesa.
Eu só não sabia que o Wilson ainda estava por aí. E pra piorar, o diretor também! E o diretor é um cara bizarro, para dizer o mínimo. Não sei quem é o ser demente que coloca um ZUMBI de professor. Tudo bem que o Zuuz não é um zumbi normal, mas mesmo assim. É bizarro. Ainda mais se ele é fã de rock ( e toca bem! ).
De qualquer jeito, a Catherine sabia e já tinha preparado uma saída. Nós fomos ENTREGAR a comida do Zuuz na sala dele ( cara, eu suei ) e ela roubou o livro enquanto isso. É incrível o quão calma ela está em meio a tudo isso...
- Bom, como você quer que fique? Yoseph McLovin? — ela me pergunta, preparando alguma bruxaria para alterar os escritos sem deixar provas... Ela me explicou antes, mas eu não dei muita atenção e também não confio muito nela.
- Não. — Não, não vou fazer isso tão simples. Mesmo que queira, não posso abandonar minha origem — Deixe Yoseph Sindarin Galanodel.
- Bem élfico, eu diria. Galanodel é de onde? — ela pergunta enquanto habilmente altera as informações ali presentes.
- É da minha mãe e meu também. Nome de família.
- Hm. E do seu pai? Não há nome de família? — ela acaba o ato um pouco antes da pergunta.
- Não. — não falo mais do que isso. Assunto de família, não posso sair falando pra qualquer um. Muito menos para alguém que usaria isso no futuro contra mim... É deprimente. Depois disso, nós não falamos mais muita coisa. Ela parece perceber que tocou num assunto que não deveria.
Com tudo acabado ( sim, acabado. Quer saber como devolvemos o livro? Resposta: NÃO devolvemos, ela disse que não daria problema deixá-lo ali mesmo ), eu acompanho ela até onde ela diz morar ( sim, eu SEI, fraco, idiota, tanto faz ) e eu FINALMENTE volto para casa. Ainda bem que eu tinha uma chave comigo. Nem sinal de vida por aqui.
Agora, finalmente, chegamos onde eu comecei essa história sobre o meu dia: na cama! Boa noite para vocês e não esqueçam de tirar as botas!
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