Mil Vidas
1 Capítulo 1
É e não é,
Dar-se para a facada,
Dar-se de mãos dadas,
Sangrar de amor,
Chorar de dor;
Pois de ti morri e me jogaste na lama
Não senti nojo, tristeza ou fúria
Já fui dilacerada pelos monstros,
Os monstros que moram de baixo da minha cama
Do pó, respiro a pele
A mesma que veio de ti
Quando tocou minha alva fronte
E quando me separei, vi
Vivi mil vidas
Das quais jamais lembrarei
Derrubei veneno, ácido
Sobre o teu leito
E lá deitei
Morri junto, com desprezo e prazer
Saliva suja, sangue-ruim,
Olhos sem brilho
Mente doente
Amanhece o dia
Teto limpo, normal
Se o sol não fosse um inferno
Do qual tenho ódio (medo?) mortal
Engoli meu próprio ácido
Nele me apaziguei
Sofro das minhas próprias escolhas
Principalmente da que mais amei
"Tu és suja, como uma porca no barro
Me desgosto de ti como desgosto do alho
Fedes como gente morta, teu olhar
é para minha repulsa"
Sonho-me nova,
Linda, vinda do ventre jovem
Do choro que eu darei
Na minha próxima vida
Já que das mil que vivi,
500 me foram tristes
400 me deram raiva
90 sofri de doença
9 de castidade
Mas só uma última foi de amor.
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