É e não é,

Dar-se para a facada,

Dar-se de mãos dadas,

Sangrar de amor,

Chorar de dor;

Pois de ti morri e me jogaste na lama

Não senti nojo, tristeza ou fúria

Já fui dilacerada pelos monstros,

Os monstros que moram de baixo da minha cama

Do pó, respiro a pele

A mesma que veio de ti

Quando tocou minha alva fronte

E quando me separei, vi

Vivi mil vidas

Das quais jamais lembrarei

Derrubei veneno, ácido

Sobre o teu leito

E lá deitei

Morri junto, com desprezo e prazer

Saliva suja, sangue-ruim,

Olhos sem brilho

Mente doente

Amanhece o dia

Teto limpo, normal

Se o sol não fosse um inferno

Do qual tenho ódio (medo?) mortal

Engoli meu próprio ácido

Nele me apaziguei

Sofro das minhas próprias escolhas

Principalmente da que mais amei

"Tu és suja, como uma porca no barro

Me desgosto de ti como desgosto do alho

Fedes como gente morta, teu olhar

é para minha repulsa"

Sonho-me nova,

Linda, vinda do ventre jovem

Do choro que eu darei

Na minha próxima vida

Já que das mil que vivi,

500 me foram tristes

400 me deram raiva

90 sofri de doença

9 de castidade

Mas só uma última foi de amor.

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