Mil Pedaços de Vidro

12 Capítulo 12 - Contristado


Notas iniciais
Olá meu povo lindo, olha que deu o ar da graça. Pois é, eu sei que demorei, mas não desistam de mim, pq eu sempre volto, então não desistam de mim, ok? Vamos lá para mais um capítulo dessa historia cheia de sentimentos

Tony não queria sair de sua cama quentinha. Iria aproveitar que não teria aula para ter um dia de puro ócio. Ele desejava não ter que ver outra pessoa, não pensar. Naquela manhã de sábado, o herdeiro Stark estava sem vontade de existir. Sentia-se envergonhado por ter passado mal na noite anterior e estragado a diversão dos amigos, e incapaz por não conseguir controlar o fluxo de pensamentos.

Abriu os olhos castanhos se deparando com a baixa iluminação do quarto, não fazia ideia de que horas eram e não queria saber, tudo o que queria era sumir. Lágrimas embasaram sua visão, seu peito doía ao ponto de dificultar sua respiração. Parecia que seus esforços para se recuperar não estavam adiantando, todas as lembranças voltavam sem nenhum tipo de controle – a qualquer hora – e traziam consigo uma onda incontrolável de dor.

Não conseguia voltar a ser o que era.

Não tinha vontade de continuar a existir.

Queria parar com tudo, não estava dando conta de lidar com as memórias, e isso lhe causava uma enorme sensação de inutilidade, que estava sufocando-o. Ele não conseguia nem ao menos gritar, colocar para fora toda aquela dor presa em seu peito. Estava se afogando em si mesmo.

O jovem Stark se encolheu ao ouvir um barulho perto de onde estava deitado encolhido, o medo tomou o controle de seu corpo fazendo seu coração bater mais acelerado e tornando o ar mais difícil de respirar. Tony sentiu uma mão grande pousar em seu ombro e isso elevou seu nível de pavor, guiado por esse sentimento, o herdeiro Stark começou a se debater chorando e gritando suplicas, mas suas forças não eram o suficiente para se livrar das mãos alheias, assim como fora com ele.

Iria acontecer novamente...

Theodore que estava ali, pronto para lhe fazer mal, e Tony não queria sentir aquela dor novamente. Mas ele não o abraçava sem malícia ou sem tocar em partes que o deixavam desconfortável e ainda tinha a voz...

Conhecia aquela voz rouca de algum lugar, apenas não se lembrava de onde, mas não era a voz de Theodore.

— Tudo bem, meu filho. Está tudo bem, você está seguro. – Uma onda de alívio percorreu seu corpo quando, finalmente, conseguiu reconhecer a voz que soava em seus ouvidos, mas não foi o suficiente para afastar a dor, o medo e a vontade de chorar.

— Me ajuda papai, por favor – o mais novo sussurrou roucamente, agarrando a roupa de Howard com mais força do que seria necessário.

As palavras desesperadas e chorosas de Tony fizeram seu coração se partir em milhares de pedacinhos, como vidro caído no chão. Quando decidiu verificar o filho, que ainda não havia saído de seu quarto, o patriarca Stark não esperava encontrá-lo encolhido na cama em posição fetal, puxando os cabelos e aos prantos. Uma visão aterradora para qualquer pai que verdadeiramente amava e se importava com o filho.

Tony chorava agoniado, dolorido, desesperado, e Howard o mantinha preso contra o peito firmemente, com os olhos marejados e desejando ardentemente ter o poder de acabar com o sofrimento do filho ou trocar de lugar com seu pequeno menino.

Howard sentiu a alma sair do corpo quanto Tony se engasgou entre o choro e começou a sufocar, o desespero tomou conta de cada célula de seu corpo, acabando com o seu lado racional. Desfez o abraço sem saber o que fazer para contornar aquela situação, nunca em sua vida se sentiu tão inútil e incompetente, era considerado um dos homens mais inteligentes do mundo, mas não sabia o que fazer para ajudar o filho.

Agindo mais por instinto do que pela lógica – coisa muito rara de acontecer –, Howard abraçou o filho por trás, Tony movido pelo medo irracional começou a se debater enquanto tossia e chorava ao mesmo tempo em que buscava por ar, mas parou de lutar quando o mais velho começou a sussurrar em seu ouvido que tudo ficaria bem, que o ar estava entrando em seus pulmões, que apenas precisava apenas inspirar e expirar seguindo os movimentos de seu peito.

— Isso meu filho, faça como seu pai... Inspire e expire. Sinta como meu peito se enche de ar – Howard falava, com uma calma que não condizia com o batuque desenfreado de seu coração. Ou a agitação em seu cérebro ou o estômago embrulhado.

A senhora Stark estava sentada na ponta da cama, assustada, trêmula, pálida e aos prantos. Ela tinha entrado no quarto minutos antes de Tony se engasgar e começar a sufocar, mas preferiu permanecer em silêncio assistindo o marido consolar o filho.

— Maria, vai buscar um copo d’agua – Howard pediu a esposa, mas ela parecia estar em choque, o que o forçou a elevar a voz, isso fez Tony tremer em seus braços e tentar se afastar, mas funcionou para acordá-la de seu transe. – Tudo bem, filho, está tudo bem... Não estamos brigando, eu só me exaltei um pouco – o patriarca Stark sussurrou no ouvido do mais novo, depois encarou a esposa. – Maria, um copo de água e o calmante que foi receitado para ele.

A senhora Stark saiu do quarto aos tropeços, tirando os sapatos no meio do corredor para poder andar mais rápido. Ela desceu as escadas quase correndo, em seguida andou até a cozinha o mais rápido que seu elegante vestido tubinho bege permitiu, abriu a geladeira e serviu um copo de água notando como suas mãos tremiam, pegou o frasco de calmante e voltou apressadamente para o segundo andar.

Paralisou por alguns instantes na porta do quarto ao ver o filho encolhido, agarrado ao pai e chorando novamente. Caminhou até os dois e Howard fez Tony sentar-se, Maria lhe entregou o copo d’água ao filho, o mais novo tremia ao ponto de precisar ajuda para manter firme o objeto que tinha em mão. Um comprimido branco foi entregue ao herdeiro Stark, era um calmante forte demais para alguém tão novo, isso na opinião de Maria. Tony tomou o remédio sem relutância, estava cansado demais para se opor a algo, isso ajudou no efeito do remédio e em poucos minutos estava em sono profundo.

— O que aconteceu? – a senhora Stark questionou, acariciando a face levemente avermelhada e adormecida do filho, enxugando os últimos resquícios de lágrimas. Em seguida, tirou os cabelos que estavam grudados em sua testa ainda úmida devido ao suor.

— Eu não sei... Quando eu cheguei, ele já estava chorando e depois... Ele... – As palavras morreram nos lábios de Howard, um bolo em sua garganta o impediu de continuar.

Seus olhos estavam marejados, todo o seu corpo doía como se tivesse praticado várias horas de exercício, seu coração batia agoniado no peito. Tinha a sensação de que cada lágrima perdida de Tony era uma acusação muda de sua negligência; de sua ausência na vida do filho.

— Deveríamos ter escutado antes, ele pediu por nossa ajuda – Maria comentou, controlando a vontade de chorar. Ela nunca conseguiria se perdoar por não ter dado atenção ao pedido de socorro do filho.

— Meu menininho – Howard murmurou, atordoado.

Fora por Tony que ele trabalhou incessantemente durante anos, tudo para lhe deixar um legado... Mas Tony sempre foi e sempre será o seu maior feito. Infelizmente, teve que quase perdê-lo para entender isso.

A dor expressa na voz do marido chamou a atenção da senhora Stark, que olhou para o lado e não viu o empresário ambicioso, autoritário e rígido; ela também não conseguia enxergar o homem distante, frio que Howard tornara-se ao longo dos anos; muito menos via o cientista vaidoso e arrogante. Ela enxergava apenas um pai sofrendo pelo filho.

— Nós vamos achar uma maneira de ajudá-lo, Howard – Maria afirmou, entrelaçando os dedos com os do marido. – Mas temos que sermos fortes, o nosso filho precisa de nós e devemos isso a ele.

— Eu sei disso – ele avisou, olhando para o rosto adormecido de Tony, que agora parecia tão pacífico e sossegado. – É que... Doí vê-lo assim. Doí ainda mais saber que poderíamos ter evitado tudo isso.

Maria ficou surpresa com a confissão do marido, ela não imaginava que fosse ouvi-lo falar tal coisa, mesmo estando consciente de como ele estava sofrendo pela situação do filho. Howard nunca foi de expressar claramente o que estava sentindo, apesar de ser um exímio orador, quando o assunto era exteriorizar seus sentimentos, faltavam-lhe palavras. Ele era um homem de ação. Era nas pequenas coisas do dia-a-dia que Howard demonstrava seu amor, mas fazia alguns anos que ele apenas se preocupava com o trabalho e Tony fora quem mais sofreu com toda essa dedicação.

A senhora Stark encarou o marido de forma compreensiva e consoladora. Também doía nela ver o filho sofrendo e não conseguir fazer nada. Ambos dividiam a mesma culpa, ela também fora negligente e omissa, mas estavam juntos tendo um único objetivo: ajudar Tony a superar.

Os patriarcas Stark permaneceram no quarto do filho, zelando por seu sono, que para alívio de ambos, permaneceu tranquilo. Eles não sabiam por quanto tempo Tony dormiria, mas isso não importava porque permaneceriam ali até que acordasse.

Leves batidas chamaram a atenção do casal, não foi uma surpresa quando encontraram Bucky na porta do quarto claramente preocupado e um tanto quanto receoso por estar ali, pois se sentia um intruso dentro daquela família, mas queria informações sobre o amigo. Maria levantou da cama, andou até Bucky e o abraçou carinhosamente, arrependia-se por não ter insistido mais com Howard para terem um segundo filho.

— Eu sabia que você viria, meu querido – a senhora Stark sussurrou no ouvido de Barnes.

— Perdão por aparecer assim – o jovem falou, desfazendo o abraço.

Tinha saído do trabalho e ido direto para a mansão Stark, estava preocupado com Tony desde à noite anterior. Esse sentimento aumentou quando Jarvis avisou que seu jovem mestre não havia descido, e mesmo sabendo que ele estava acompanhado pelos pais, não conseguiu se livrar daquele sentimento de que tinha algo muito errado.

— Não precisa pedir desculpas, meu querido – ela avisou. Afinal, já imaginava que ele iria aparecer.

— Senhor Stark – cumprimentou, e o mais velho simplesmente acenou, não estava com vontade de falar. – Como ele esta? – questionou, olhando para Tony.

Bucky sentia-se responsável pelo herdeiro Stark desde o dia que o encontrou desacordado dentro do banho, com os pulsos cortados. Se perguntava se o sentimento de horror que sentiu ao ver àquela cena, fora o mesmo que Steve tivera ao encontrá-lo na mesma situação há dois anos atrás – em seu período mais negro.

Um pouco antes de sair daquele “depósito de crianças” que chamavam de abrigo para menores, Barnes se envolveu com uma turma barra pesada, uma gangue que atormentava cerca de quatro quarteirões. O álcool e as drogas passaram a fazer parte de sua vida. Conseguiu ficar limpo por um tempo, o suficiente para conseguir uma permissão judicial para sair do orfanato antes dos dezoitos. Depois de alcançar a sua tão sonhada “liberdade”, Bucky voltou para o mundo dos vícios.

Steve foi quem o forçou a sair desse caminho, ele o socou até ficar com o braço cansado – essa era a maneira estranha deles se entenderem – e o fez enxergar como estava indo para o buraco. Ficar limpo não havia sido fácil, houve períodos que não conseguiu suportar os efeitos da abstinência, e fora em um desses momentos – já cansado de tudo – que tentou acabar com o sofrimento no fio de uma navalha, e, mais uma vez, Rogers o salvou aparecendo antes que o pior acontecesse.

— Por enquanto, ele está bem, mas não sabemos como será quando acordar – a senhora Stark avisou, com pesar.

— Vocês precisam de ajuda? – Bucky questionou, mais por educação. Ele não estava se sentindo bem. Estava em um dia muito difícil para si, mas poucas pessoas sabiam de todo o peso e significado da data.

— Não precisa, querido – Maria avisou. – Você está bem, Bucky? – ela questionou, notando como ele estava pálido e tremendo.

— Sim, senhora, eu apenas não tomei café e ainda não almocei – Barnes avisou, esperando que ela não questionasse novamente. Adorava a família Stark, mas, hoje, vê-los tão unidos estava doendo.

— O que houve, garoto? – Howard também notou que o mais novo não parecia bem.

— Nada importante, senhor – ele respondeu, mas seus olhos estavam brilhantes com as lágrimas presas.

— Vamos, garoto, diga o que está havendo – o senhor Stark falou sério.

— É só... É que...

Notas finais
E aí meus lindos, o que acharam do capítulo? Como está o coração de vocês? Curiosos para saber o que está acontecendo com o Bucky? Digam para sua autora como estão sentindo. Quero deixar uma agradecimento especial para a CecySazs essa mulé que me ajuda muito com meus capítulos ... au au bjus meus xuxus lindos e tenham paciência comigo, até o próximo capítulos