Mil Pedaços de Vidro

2 Capítulo 02 - Retorno


Notas iniciais
Olá meu povo lindo, eu sei que demorei com atualização, me desculpem... Eu estava me dedicando a outra long que estou escrevendo, uma historia Thorki. Existe outro motivo para meu atraso, para quem me acompanha desde sempre e que já leu minhas historias do fandom Naruto, com certeza já notou que a maioria das minhas historias é usando a primeira pessoa... O que isso tem haver com a minha demora? Sou péssima escrevendo em terceira pessoa, serio, fico muito mais insegura usando esse tipo de escrita que quando escrevo na primeira pessoa. Tenho a sensação que não estou conseguindo transmitir todos os sentimentos to personagem, alem de ser mais lenta. Por isso peço paciência comigo, eu posso demorar a postar, mas nunca desistirei da historia.

Dizer que Steve Rogers estava feliz por regressar a Midtown High School era eufemismo, seu coração saltava descompensado no peito, tamanha era a sua euforia. A vontade de rever seus amigos estava fazendo seu estômago revirar em ansiedade. Ainda não acreditava que, depois de tudo o que aconteceu no ano passado, o diretor da escola o aceitou de volta com bolsa integral.

Desde que foi enviado – contra a sua vontade – para à escola militar, que não tem tido nenhum tipo de contato com seus amigos e a palavra saudade era pouco para definir a falta que sentia deles. Até tentou telefonar e mandar cartas, porém seu pai solicitou ao diretor que Steve não tivesse nenhum tipo de comunicação com outros além do próprio e de sua mãe. Sentia seu peito inflar de raiva ao lembrar-se disso e de quem causou toda essa confusão, esperava nunca mais vê-lo e torcia para que tivessem o expulsado da escola porque não saberia se conseguiria agir civilizadamente na presença dele.

Fazia uma semana que tinha voltado para Nova Iorque, mas só tentara se comunicar com seu melhor amigo, Bucky. Foi em sua casa, no entanto não havia ninguém e a vizinha da frente, uma senhora hispânica na casa dos setenta anos, comentou que ele não aparece há mais de um mês e isso era tão estranho...

Os pais de Barnes morreram em um acidente de carro quando ele tinha doze anos, e como não tinham nomeado um tutor legal para o filho e os bens da família, o Estado tomou conta de tudo, forçando Bucky a crescer num orfanato perto da casa dos Rogers. A amizade entre eles foi instantânea. Durante o primário, por sempre ter sido menor e mais franzino que os colegas de classe, Steve era constantemente alvo de bullying. Barnes não suportava injustiça e quando viu as agressões sofridas do outro, não conseguiu não se intrometer e ao salvar Steve de mais uma sessão de socos, os dois se tornaram grandes amigos.

Barnes conseguiu ser considerado legalmente responsável há quase três anos atrás, quando ele tinha dezesseis anos e pegou de volta tudo o que lhe pertencia. Não era uma fortuna a lá Stark, na verdade, nem se comparava, mas se economizasse um pouco o dinheiro daria para pagar seus estudos até o término da faculdade. Por saber que seu melhor amigo era sozinho no mundo, Steve ficou sem saber onde procurar sem estragar a surpresa de sua chegada.

[...]

Rogers entrou na escola sentindo o vento frio gelar até seus ossos, o choque térmico ao entrar no prédio foi inevitável, os corredores estavam vazios, chegou atrasado graças a mais uma briga que tivera com seu pai.

Desde que foi forçado a assumir sua sexualidade que ambos discutem sem parar e ficou pior quando se recusou a permanecer na escola militar; mas como faria dezoito daqui a um mês, seu progenitor não tinha muita escolha. Já a sua mãe rezava constantemente pedindo a Deus para que ele se “arrependesse de seu pecado e voltasse a ser homem”. Como se gostar do mesmo sexo me faz ser menos homem, tsc.

Steve abriu a porta da sala onde aconteceria a sua primeira aula, rapidamente pediu desculpas ao professor pelo atraso, passou os olhos azuis nos alunos em seus lugares e os reconheceu, sorrindo contente por reencontrar Natasha Romanoff, Clint Barton e T’Challa Prince, entretanto, seu sorriso estremeceu quando notou que o trio o encarava como se estivessem vendo um fantasma. Caminhou até eles com o cenho levemente franzido e clara confusão no rosto, sentou-se em uma cadeira que ficava ao lado da ruiva.

— Oi, gente! Tudo bem com vocês? – Rogers questionou receoso.

— Tu-tudo – Natasha gaguejou não acreditando no que seus olhos estavam vendo, mas não tinha como negar. Os mesmos fios loiros, mais curtos que o habitual, porém perfeitamente arrumados, os olhos azuis penetrantes e expressivos, o queixo forte, os ombros largos; era Steve Rogers sentado ao seu lado.

— Como vai, cara? Quanto tempo! – Barton chamou a atenção, notando que a amiga estava desconcertada com a presença do loiro.

— Pois é, cara, foi difícil voltar! Mas tenho quase dezoito, então meu pai não pode me manter na escola militar – Steve respondeu estranhando o comportamento da amiga, não era do feitio dela agir dessa maneira.

— É bom ter você de volta, cara – Barton comentou.

— Verdade – T’Challa acrescentou com um sorriso claramente forçado nos lábios.

— Sem conversas paralelas, por favor – a voz enfadonha do professor de geografia soou nos ouvidos do grupo de amigos, fazendo-os voltar a prestar atenção na aula.

Mas Natasha somente conseguiu tirar os olhos de Steve quando recebeu um cutucão de Clint. Ela desesperadamente pegou o celular e enviou uma mensagem para Bucky avisando da surpresa inesperada, somente ele poderia preparar Tony para o reencontro com Rogers. A Romanoff estranhou o fato do namorado não ter visualizado. Barnes não costuma demorar a responder mensagens, ainda mais se fosse as dela.

As aulas foram passando e com isso a apreensão de Natasha, Clint e T’Challa, crescia, eles temiam o que isso poderia causar ao herdeiro Stark. O trio tentou entrar em contato com qualquer um que estivesse próximo a Barnes – Steve e Tony não podiam se encontrar –, não agora quando o mais novo dos Stark estava tão fragilizado.

O horário do almoço chegou mais rápido do que o costume e essa foi a chance que Natasha encontrou para sair a procura de Bucky, deixando Clint e T’Challa com a tarefa de entreter Rogers; encontrou o namorado sentado sozinho na biblioteca fazendo um trabalho. Isso não é um bom sinal!

Tony não estava preparado psicologicamente para dividir o mesmo espaço com Steve, ele iria precisar de muita ajuda, por isso praticamente arrancou o namorado do lugar onde estava sentado estudando álgebra e o forçou a segui-la. Enquanto andavam, Romanoff contava a Barnes quem tinha chegado de surpresa na aula, e cada palavra que saía da boca da namorada fazia Bucky acelerar o próprio passo.

O casal chegou ao refeitório na metade do tempo normal, respiraram fundo para recuperar o fôlego perdido durante a corrida e para recomporem-se. Tony estava sentado na ponta da mesa brincando com a pera que tinha trazido de casa – era uma das poucas coisas que conseguia comer sem vomitar – enquanto escutava atentamente a conversa animada dos amigos, mesmo que não participasse ativamente. Gostava de ouvi-los, assim não pensaria em besteiras ou em tudo o que aconteceu.

As coisas agora seriam simples, eles apenas tinham que tirar o filho de Howard do refeitório. Veja bem, o casal não pretendia esconder Steve de Tony, Natasha e Bucky somente gostariam que isso acontecesse em uma situação controlada e quando tivessem a certeza que esse encontro não irá causar nenhuma crise no Stark. A última vez que Tony teve um mal-estar, sua traqueia fechou-se e ele ficou sem respirar, o que levou os três desesperadamente para à emergência do hospital, e queriam evitar isso a todo custo. Contudo, parece que a sorte não estava do lado deles pois Steve se aproximou da mesa antes que alcançassem o seu objetivo.

Para Tony, no instante em que a voz rouca de Rogers soou em seus ouvidos, foi como se seu cérebro tivesse entrado em pane. Não conseguia se mexer, nem desviar o olhar do loiro parado a poucos metros de si, o encarando com raiva não velada. Seu corpo começou a tremer, não confiava em suas pernas para sair correndo e tudo piorou quando Thor, na tentativa de acabar com o clima estranho que surgiu com o reencontro, chamou Steve para sentar-se com eles. Péssima ideia, Odinson!

O filho de Howard nem ao menos sabia se estava respirando quando Natasha e Bucky sentaram-se ao seu lado; seu coração batia tão forte no peito que parecia que romperia a caixa torácica e pularia para fora do corpo. Sua visão embaçou devido as lágrimas acumuladas, abaixou a cabeça na esperança de que sua luta contra a vontade de chorar não fosse percebida.

— E-Eu não posso – Tony sussurrou para si mesmo.

Stark conseguia sentir os olhos de Steve sobre si, queimando sua pele, questionando o porquê de ele estar ali no meio das pessoas que eram amigas dele. Todos os seus sentidos começando a se elevar e sua mente estava sendo engolida pelos seus piores pesadelos, todos os indícios de que acabaria tendo um ataque de pânico.

Tony levantou de seu lugar atraindo a atenção dos demais, a cabeça baixa os impediam de ver as lágrimas presas em seus olhos. Stark praticamente correu para fora do refeitório, Bucky tentou ir atrás, mas Natasha o impediu afirmando que cuidaria disso.

— O que está acontecendo? Por que o Tony e os amigos dele estão sentados conosco? – Steve questionou baixinho no ouvido de Barnes.

Não sentia raiva de tê-los por perto, tinha que dá o braço a torcer e admitir que eles eram legais e sentia-se mal por tê-los julgado sem os conhecer, estava apenas confuso. Afinal, Pepper, Wanda, Natasha, Thor e Loki não faziam parte do seu círculo social – ao menos até ser obrigado a frequentar à escola militar. Eles eram tipo, a nata de Midtown, “os reis do baile” e não se misturavam com os plebeus. Era muito estranho vê-los com seus amigos que são considerados os estranhos da escola.

Ninguém queria chegar perto deles, tudo porque Clint Barton tem TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e mesmo vindo de uma família rica, era chamado de anormal pelos riquinhos mimados; T”Challa Prince era intercambista, vindo de um país africano chamado Wakanda para cursar o ensino médio, meio antissocial e tão rico quanto os demais, mas não era nem um pouco esnobe ou arrogante; Bucky é um órfão que teve um passado obscuro; e Steve um bolsista, filho de uma dona de casa e um simples operário.

— Muita coisa aconteceu no tempo em que esteve longe, Steve – Barnes falou enigmático.

— Tipo o quê? – Rogers questionou o amigo.

— Não é hora e nem lugar para isso, depois das aulas a gente conversa e eu te conto as novidades. Mas eu te peço que tenha um pouco de paciência com o Tony, muita coisa aconteceu e isso o mudou.

Steve fez uma cara desgostosa, ele não tinha que ter paciência com Tony, foi por causa dele que sua vida se tornou um inferno. Já não era fácil, agora está insuportável! Estava até pensando em se mudar, ele não tinha mais paciência para dividir o mesmo teto com o pai.

Abriu a boca para rebater, mas desistiu de argumentar, não queria brigar com seu melhor amigo logo no primeiro dia de aula. Ao que parecia, todos os presentes na mesa sofreram algum tipo de lavagem cerebral, ou bateram a cabeça com força ou foram comprados, porque era impossível para Rogers acreditar que depois de tudo que o Stark fez, eles estivessem sendo amigos por livre e espontânea vontade.

Todavia, Steve não iria discutir com Bucky por causa de Tony, não estava com vontade de explicar todos os seus motivos para ficar com raiva e também porque queria que o amigo lhe desse abrigo – estava decidido a deixar a casa dos pais. Por isso, ele apenas revirou os olhos, levantou do banco e saiu resmungando um ‘tchau’ para os que ficaram.

Notas finais
Bom meus xuxus, deixem seus comentários para sua escritora amada, eu respondo direitinho e se por acaso ficar faltando a resposta para alguém, foi o Wattpad que não entregou a notificação. Lembrem-se que preciso está viva pra continuar. Quero agradecer a @CecyJarskey pela correção do capitulo. Bjus meus lindos