O desembarque no Aeroporto de Incheon parecia uma cena em câmera lenta. Assim que Antonella atravessou as portas automáticas, o ar gelado da Coreia a atingiu, mas o frio foi imediatamente esquecido. Parado ali, sem seguranças ao redor, vestindo um sobretudo cinza que o fazia parecer um modelo de revista, estava Ji-hoon.

Ele não esperou. No momento em que seus olhos se cruzaram, Ji-hoon rompeu a distância. Antonella largou o carrinho de malas e se jogou nos braços dele. O abraço foi apertado, um encontro de dois mundos que passaram dias separados por telas de celular. Ali, no meio do saguão movimentado de um dos aeroportos mais sérios do mundo, eles se beijaram — um beijo que carregava toda a saudade de Maceió e a promessa de uma nova vida em Seul.

— Você está aqui. Finalmente — ele sussurrou contra o rosto dela, segurando-a como se ela pudesse desaparecer a qualquer momento.

— Eu disse que vinha, não disse? — ela respondeu, sorrindo entre as lágrimas de cansaço e felicidade.

Ji-hoon fez questão de que a primeira noite dela não fosse apenas sobre descanso, mas sobre encantamento. Eles deixaram as malas no apartamento e saíram para desbravar a metrópole. Seul à noite era um espetáculo de luzes neon, tecnologia e história.

O Passeio por Seul:

Myeong-dong: Eles caminharam pelas ruas vibrantes, onde o cheiro da comida de rua coreana se misturava ao perfume novo de Antonella. Ji-hoon fazia questão de segurar a mão dela o tempo todo, entrelaçando os dedos com firmeza.N Seoul Tower: Ele a levou até o topo da montanha Namsan. De lá, a vista de Seul era infinita. Eles colocaram um "cadeado do amor" na grade, um ritual clássico que Ji-hoon sempre achou bobagem, mas que agora fazia todo o sentido do mundo.Rio Han: Para encerrar a noite, eles caminharam pela beira do rio. O reflexo dos prédios na água criava um cenário futurista.

— É muito diferente de Pajuçara — Antonella comentou, observando a imensidão de concreto e vidro.

— É sim — Ji-hoon concordou, parando para olhá-la. O rosto dela estava corado pelo frio, emoldurado pelo cachecol que ele mesmo tinha ajudado a arrumar. — Mas com você aqui, Seul parece ter mais cor. Sabe, Antonella, eu morei aqui a vida toda e nunca tinha reparado como essas luzes são bonitas. Acho que eu precisava de um par de olhos brasileiros para me mostrar a beleza do meu próprio lar.

Eles pararam em uma ponte iluminada. Ji-hoon a abraçou por trás, protegendo-a do vento gelado.

— Amanhã o trabalho começa, as reuniões com meu pai e a faculdade. Mas esta noite... esta noite é só nossa. Bem-vinda ao seu novo lar, Mascarenhas.

Antonella encostou a cabeça no peito dele, ouvindo as batidas do coração do seu herdeiro. Ela sabia que os desafios seriam enormes, mas enquanto caminhassem juntos por aquelas ruas iluminadas, nenhuma distância e nenhum iceberg seriam capazes de apagar o calor que eles trouxeram de Maceió.

Ao entrarem, o ambiente era silencioso e impecável. Diferente da casa de Antonella, onde todos falavam ao mesmo tempo, ali os garçons se moviam como sombras, servindo pratos que pareciam obras de arte.

Antonella, usando um dos seus vestidos novos e o perfume que escolhera com tanto cuidado, sentia-se uma verdadeira protagonista de dorama. Ji-hoon, do outro lado da mesa, não conseguia tirar os olhos dela.

— Espero que seu paladar esteja pronto para algo diferente do cuscuz — brincou ele, enquanto o primeiro prato de Hanwoo (carne coreana de altíssima qualidade) era servido.

— Eu sou uma psicóloga em formação, Ji-hoon. Estou pronta para analisar até os sabores — ela respondeu, retribuindo o sorriso.

Ji-hoon explicava cada prato com paciência: o kimchi fermentado, os pequenos acompanhamentos (banchan) e a sopa delicada. Antonella experimentava tudo com curiosidade, mas em um certo momento, ela parou e olhou para o luxo ao redor.

— É tudo maravilhoso, Ji-hoon. Mas sabe o que é o mais engraçado? — Ela tocou a mão dele sobre a toalha de mesa de linho. — No restaurante mais caro de Seul ou comendo macaxeira frita no sofá da minha mãe, o jeito que você olha para mim é exatamente o mesmo.

Ji-hoon segurou a mão dela e a beijou suavemente.

— Porque o cenário mudou, mas o que eu sinto por você é a única constante na minha vida. Eu passei anos jantando aqui sozinho ou com pessoas que só queriam fechar negócios. Ter você aqui faz este lugar parecer... real.

O jantar seguiu regado a um bom vinho e conversas sobre o futuro. Ji-hoon contou que já tinha organizado o escritório dela na empresa e que a matrícula na universidade estava confirmada.

— Meu pai quer nos ver amanhã — Ji-hoon disse, o tom de voz mudando levemente. — Ele sabe que você chegou. Ele organizou um jantar formal na residência da família.

Antonella respirou fundo, lembrando-se do conselho do seu pai em Maceió. Ela ajeitou a postura, o brilho de determinação voltando aos olhos.

— Então amanhã ele vai conhecer a mulher que fez o filho dele cruzar o mundo. Não se preocupe, "pinguim". Eu trouxe um pouco do sol de Alagoas na mala, e acho que seu pai está precisando de um pouco de luz.

Eles brindaram ao futuro, sabendo que a noite seguinte seria o verdadeiro teste. Mas ali, sob o brilho da lua de Seul e o sabor da Coreia, Antonella sentia que não era apenas uma visitante. Ela era a nova força que estava prestes a mudar o destino da dinastia Kang.

O encerramento dessa jornada não poderia ser em outro lugar. Ji-hoon queria que o primeiro contato de Antonella com a moradia em Seul fosse cercado de cuidado, privacidade e um luxo que a fizesse se sentir como a rainha que ele via nela.

Ele a levou para a suíte presidencial de um dos hotéis mais icônicos da cidade, localizado nos andares mais altos da Lotte World Tower. Aquele seria o lar dela pelos próximos meses, até que a reforma do apartamento definitivo ficasse pronta — um refúgio acima das nuvens.

A primeira semana de Antonella em Seul foi um sonho. Acordar naquela suíte luxuosa, ter o café da manhã pronto e ver o Ji-hoon saindo do banho de terno, pronto para o trabalho, mas parando só para dar um beijo de "bom dia" nela, era surreal.

Mas a realidade bateu na porta em forma de um envelope cinza-chumbo deixado na recepção do hotel. Não era do Ji-hoon. O papel tinha o timbre oficial da residência do Patriarca da Família Kang.

"O jantar de amanhã não será apenas um encontro familiar. Teremos convidados da diretoria e a família Choi. Traje: Formal. Não se atrase."

Antonella leu e sentiu um frio na espinha. Ela sabia quem eram os Choi. Eram os donos de uma rede de tecnologia concorrente, e a filha deles, Choi Hana, era a mulher que a mídia coreana sempre apontou como a "noiva perfeita" para o Ji-hoon.

Quando Ji-hoon chegou em casa naquela noite, ele viu o convite sobre a mesa. O rosto dele travou.

— Meu pai está jogando pesado — ele murmurou, jogando a pasta de trabalho no sofá. — Ele chamou os Choi. Ele quer transformar o nosso jantar de apresentação em uma emboscada política.

Antonella se levantou, cruzando os braços. Ela não estava com medo; estava era com o "sangue subindo".

— Ele acha que eu vou me sentir intimidada por uma herdeira coreana e um bando de diretores de terno? — Antonella deu um sorriso de canto, aquele que ela usava quando estava prestes a ganhar uma discussão na faculdade. — Ji-hoon, seu pai quer um show? Pois ele vai ter. Mas quem vai dar o espetáculo sou eu.

Ji-hoon olhou para ela, admirado.

— Antonella, a Hana fala quatro línguas, toca piano clássico e foi criada para ser a esposa de um CEO. Ela é... impecável.

— E eu sou brasileira, futura psicóloga e sobrevivi a três períodos de faculdade integral trabalhando em hospital — ela rebateu, aproximando-se e ajeitando a gravata dele. — Ela pode ter o piano, mas eu tenho o gogó e a inteligência. Amanhã, você não vai me apresentar como sua "namorada estrangeira". Você vai me apresentar como a mulher que vai revolucionar a sua empresa.

O clima no jantar, que já estava pesado, virou um verdadeiro campo de guerra. O Sr. Kang deu um sinal com a mão e, para a surpresa de todos, uma mulher elegantíssima, vestindo um Chanel clássico, entrou na sala. Era Lee Sora, a ex-namorada de faculdade de Ji-hoon e filha de um magnata dos transportes.

Ji-hoon ficou pálido. Ele e Sora tinham terminado anos atrás de forma amigável, mas o que o pai dele estava fazendo era uma distorção perversa da realidade.

— Antonella, creio que você não conhece a Sora — o Sr. Kang disse, com um sorriso de satisfação que gelaria o sangue de qualquer um. — Ela é a mulher que esteve ao lado de Ji-hoon enquanto ele construía quem é hoje. Na verdade, para nós e para a sociedade de Seul, eles nunca deixaram de ser o casal ideal.

Sora cumprimentou a todos com uma elegância ensaiada, sentando-se em uma cadeira que parecia já estar reservada para ela.

— Ji-hoon, querido, você demorou a voltar do Brasil — Sora disse, com uma voz doce e venenosa, ignorando completamente a presença de Antonella. — Seu pai me contou que você se envolveu com... aventuras locais para passar o tempo.

O Sr. Kang soltou uma risada seca e olhou diretamente para Antonella.

— Vamos ser francos. Ji-hoon é um homem jovem, longe de casa, em um país exótico... é compreensível que ele tenha tido uma amante para se divertir. Mas agora que ele voltou para a realidade, você deveria saber o seu lugar. Você foi uma distração de férias, nada além disso. A verdadeira namorada, a que tem o sobrenome e o nível para estar nesta mesa, é a Sora.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Ji-hoon se levantou, a cadeira arrastando no chão com um barulho violento.

PARE COM ISSO AGORA! — ele gritou, a voz ecoando pelas paredes da mansão. — Sora é passado. E você, pai, está ultrapassando todos os limites da decência!

Mas Antonella não baixou a cabeça. Ela sentiu o sangue ferver, mas lembrou-se de quem era: uma mulher que estudava a mente humana. Ela viu o jogo do Sr. Kang: ele queria que ela chorasse, fizesse um escândalo ou fosse embora humilhada.

Antonella tomou um gole calmo do seu vinho, colocou a taça na mesa e olhou primeiro para Sora, depois para o Sr. Kang.

— É curioso, Sr. Kang — Antonella começou, com uma calma que assustou até o Ji-hoon. — O senhor fala de "nível" e "sobrenome", mas a sua tática é de uma pobreza emocional gritante. Usar uma mulher do passado para tentar diminuir uma mulher do presente é o sinal mais claro de que o senhor não tem argumentos reais contra a minha capacidade.

Ela então se virou para Sora, com um olhar de compaixão que foi como um tapa.

— Sora, deve ser muito humilhante para você ser usada como uma peça de xadrez por um homem que não é o seu namorado, para tentar reconquistar alguém que já te esqueceu. Como psicóloga, eu diria que você merece mais do que ser o "plano B" de um sogro desesperado.

Sora perdeu a cor na hora. O Sr. Kang bateu na mesa, furioso.

— Você é apenas uma oportunista! — ele esbravejou. — Uma amante que se aproveitou da solidão do meu filho!

Antonella se levantou devagar, com toda a dignidade que trouxe de Maceió.

— Amantes se escondem, Sr. Kang. Eu atravessei o oceano, entrei na sua casa e olhei nos seus olhos. Se o senhor acha que uma mentira dessas vai me fazer soltar a mão do Ji-hoon, o senhor não conhece a força de uma mulher brasileira. O senhor pode ter os prédios de Seul, mas o coração do seu filho? Esse o senhor acabou de perder de vez.

Ela olhou para Ji-hoon e estendeu a mão.

— Ji-hoon, o jantar acabou para mim. Eu vou estar no hotel. Você decide se fica aqui com o passado do seu pai ou se vem comigo construir o nosso futuro.

Notas finais
GENTE, QUE PISÃO! 👠💥 A Antonella não só se defendeu, como ainda deu um diagnóstico psicológico na ex e no sogro! O Sr. Kang tentou queimar a imagem dela, mas acabou saindo como um manipulador barato.