Miku In Musicland
5 You Are A Monster. I Don't Like You
O ônibus que era o meu era um ônibus todo rosa.
Agradeci por não termos dinheiro suficiente, pois Luka ficaria chateada se não pudesse vir. Afinal, estava estampado quase como um tapa que aquele ônibus era particular.
Entrei no ônibus e sentei na primeira cadeira.
O ônibus era lindo por dentro, tanto quanto era por fora. Ele tinha três andares, bancos espaçosos, beliches, dois banheiros, salas com tv. Era um sonho.
Coloquei minha bolsa me sentindo mal. Todas as outras garotas levaram malas e malas de roupas, já eu tinha apenas minha mochila da escola.
Fui para o quarto com os beliches. Coloquei minha bolsa em um beliche na parte de cima e peguei meu celular. O ônibus, na verdade o motorista, nos comunicou sobre a saída da cidade.
Desliguei meu telefone. “Quando estivermos longe o suficiente para minha mãe não acionar Deus e o mundo atrás de mim, eu ligo para eles.” – pensei.
Acabei dormindo no beliche e só acordei, doze horas depois, pois estava com muita fome. Liguei o celular. Mais de cem chamadas. Cinquenta da Luka, cento e cinquenta da minha mãe, uma do Mikuo, e duas da polícia. Mordi os lábios.
- Me ferrei. – murmurei.
O beliche de baixo fez barulho mas achei ter sido só impressão.
Primeiro para a pessoa mais importante. Minha mãe. Não seria louca de ligar pra polícia.
- Alô. – atendeu minha mãe em uma voz desesperada e chorona. Me surpreendi.
- Ahn, mãe?
- Miku! Onde você está? Por que fugiu? Por que quis obrigar sua amiga a fugir? Por que quis tirar também o Mikuo de mim? Está louca? O que eu fiz? Você não era assim. – disse ela.
Mordi os lábios para não chorar. Era isso que eu temia. Minha mãe, magoada comigo.
- Eu estou bem mãe. Desculpe-me. Eu, eu apenas quero ser uma cantora. Uma cantora de sucesso. – falei.
Silêncio do outro lado da linha.
- Eu suspeitava que você ia do mesmo jeito. – falou, soltando um suspiro. – Querido, vá ligar para a polícia e falar que achamos a Miku. – gritou ela, para meu pai.
- Então, por que não deixou? – perguntei.
- Eu queria testar sua determinação. – falou ela.
Eu não acreditava.
- Mãe, are you on crack? – perguntei.
- Me respeite Miku, ou senão eu mesmo rastrearei esse ônibus e vou bater em você. – disse ela.
- Desculpa. Então, você deixa? – perguntei.
Novamente silêncio.
- Tudo bem! Desisto! – falou ela. – Eu deixo. Mas se inventar de fugir de novo vou arrancar o que você chama de rosto da sua cabeça.
Amo minha mãe.
- Sim senhora. – falei. – Mãe agora tenho que desligar, manda um beijo para papai e Mikuo. Tchau.
- Tchau querida, te amo.
- Eu também mamãe. – falei, desligando o telefone.
Mandei uma mensagem para Luka e recebi a resposta imediatamente.
“SUA BAKA! ME DEIXOU DESESPERADA! A POLÍCIA VEIO ATRÁS DE MIM E FOI SUA MÃE QUE ME DEFENDEU DIZENDO QUE EU NUNCA FARIA NADA DE MAU COM A FILHA DELA!!!!! E EU TIVE QUE FALAR QUE VOCÊ TINHA MANDADO EU IR COM VOCÊ POR CAUSA DO SEU IRMÃO TONTO!!!! O QUE ESTAVA FAZENDO QUE NÃO RESPONDIA MINHAS LIGAÇÕES E MENSAGEMS???”
Enviei a resposta e recebi uma recheada de palavras que eu não sabia que nerds como a Luka conheciam.
Desliguei o telefone novamente e fui descer o beliche.
Quando desci, vi uma garota com orelhas de gato. Dei um berro. A menina-gata deu também.
- Você é uma gata???? – perguntei.
A menina deu gargalhadas.
- Não, são fones. – disse, mostrando-os para mim. Suspirei.
- Que susto você me deu. Imaginei que estivesse ficando louca.
A menina gargalhou novamente. Ela não ria baixinho como Luka, ou alto parecendo que está morrendo como eu. Até seu riso era diferente.
- Sou SeeU. – disse ela, estendendo a mão. Seus cabelos eram loiros e ela usava um conjunto branco com detalhes vermelhos.
- Oi, sou Miku. Não mico de mico, o macaco, nem mico de cair depois de pisar em casca de banana, nem carne (N/A Miku em japonês pode ter o significado de carne também. De acordo com o meu amigo, se não for, joguem pedras nele, não em mim. Se jogar em mim também, o usarei como escudo u.u). Ah, acho que você entendeu. – terminei minha explicação sem lógica. A garota riu novamente.
Como eu, ela também só trazia uma bolsa.
- Fugiu também? – perguntei. SeeU não parecia muito bem com isso.
- Pode se dizer que sim. – falou ela no tom de bitch não reparou que eu não quero falar sobre isso? Deixei para lá para dar espaço a ela.
- Tudo bem SeeU, não se sinta pressionada. – falei. Ela sorriu tristemente.
- Não é isso. Ah, é difícil. Bem, depois eu conto. – falou ela. Dei de ombros.
- Vamos comer então. – falei.
Nós duas descemos e abrimos a geladeira pegando comida. Todas as garotas já tinham vindo, pois todos os beliches estavam ocupados.
Enquanto comia, pensei que poderia passar o resto dos meus dias assim. Dormindo, comendo, viajando, e cantando.
A maioria das garotas estavam na sala. Uma menina de cabelos verdes e com a aparência fofa veio nos chamar.
- Oi meninas, vocês querem cantar? – perguntou ela.
- Sim! – respondemos em uníssono.
No karaokê foi legal, e percebi que a maioria das garotas cantavam mal. Sei que não posso julgar ninguém, mas sou bem capaz de saber o que me faz querer mandar calar a boca.
As únicas concorrentes minhas eram SeeU, que cantava muito bem e a menina de cabelos verdes, que também cantava bem. As duas eram como a Luka. Bonitas e talentosas, apesar de diferentes uma da outra.
De repente, no meio do karaokê (gracias), o ônibus parou bruscamente.
Todas nós ficamos encarando a porta. Meiko e uma mulher loira e baixinha entraram.
A maioria das meninas saiu correndo atrás de Meiko, mas eu fiquei lá parada, a olhando como vai encarar? junto da menina de cabelos verdes e SeeU.
A menina de cabelos verdes apenas falou.
- Não gosto dela.
SeeU assentiu.
- Somos duas.
- Três. – eu disse.
Meiko estava se sentindo com toda a atenção voltada para ela. E então, ela me olhou.
- O que ela está fazendo aqui? – perguntou Meiko.
- Foi votação Meiko. Ela entrou. – disse a mulher baixinha.
- Eu falei que ela não podia vir aqui. – gritou Meiko.
- Você pode ter popularidade, Meiko. Mas não manda aqui. – disse a mulher.
Fiquei sorrindo descaradamente.
- Você está se achando boa não é? Cante alguma coisa então. – ordenou Meiko.
- Vamos competir no Karaokê? – perguntei. Meiko pegou um microfone.
- Você vai se arrepender. – disse ela.
Meiko escolheu uma música dela.
Eu cantei como se estivesse em meu próprio show. Meiko não me dava medo.
Quando terminamos, eu tinha tirado 100% e ela 97%.
- Está comprovado. – sussurrou SeeU para a menina de cabelos verdes. – Miku é mil vezes melhor que Meiko.
Sorri para SeeU.
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