Migalhas no caminho
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Depois de ler a história do que seria meu primeiro encontro com o Márcio, você pode estar julgando-o como um idiota, ou a mim. Eu não o vejo assim, e exatamente por isso que a atitude dele me magoou tanto.
Vou explicar melhor esse contexto, apresentar-nos a você leitor. Meu nome é Giovanna Teles. Eu tenho 22 anos, sou formada, moro sozinha desde os 20, há aproximadamente 40 km da casa dos meus pais. Minha família é bastante humilde, mas hoje eu tenho um bom emprego, meu carro, minhas coisas, e moro em um bairro razoavelmente bom, apesar de ser aluguel. Eu costumava ser o tipo de pessoa rodeada de amigos no meu antigo bairro, porém não é raro sentir-me solitária atualmente. Basicamente minha amiga das redondezas é minha irmã, Elis, que é casada e mora há uns 20 minutos de carro, em um bairro próximo.
Poucos meses após minha mudança, conheci o meu primeiro namorado, Davi Ferraz, ele era um cara excepcionalmente comum. Nós demos certo por muito tempo, até que começamos a dar errado. O Davi não cedia às minhas vontades nunca, e pra piorar ele me traiu duas vezes. Eu terminei, voltei, terminei de novo ... viramos ficantes e nesse meio tempo eu conheci o Márcio.
A verdade é que eu conheci o Márcio de uma forma bem despretensiosa. O Davi gostava muito de academia e eu embarquei nessa onda (foi uma coisa muito boa que ele me deixou). Quando eu comecei, não conhecia ninguém e aleatoriamente contratei o Bernardo pra ser meu personal. Depois o Márcio começou a se aproximar de mim e eu quase mudei de professor, mas em vez disso eu preferi fazer outras aulas com o Márcio e ter o acompanhamento dos dois.
O Márcio é um homem de uns 40 anos, que parece meio rústico e jamais me chamaria atenção em condições normais. (Não falo isso de uma forma preconceituosa, é que eu era conhecida como a papa anjo entre minhas amigas). Eu comecei a fazer as aulas com ele, fomos nos aproximando, eu comecei a achar que ele me estava interessado em mim, contei pro Davi, mas o Davi tinha muita segurança de que eu era extremamente apaixonada por ele, com razão. Por isso, o Davi só me zoava e na época eu ria, porque na minha cabeça era algo impossível de acontecer da minha parte.
O tempo passou, Davi e eu chegamos a um ponto final. Às vezes eu tinha vontade de chamá-lo pro "abate", mas estava resistindo, enfiando-me cada vez mais na academia, e me aproximando cada vez mais do Márcio. Foi aí que comecei a perceber como aquele abdômen é gostoso, como eu queria agarrar aqueles bíceps musculosos. Comecei a imaginar como ele deve ser no sexo... Ele aparenta ter uma pegada sensacional, meio rústica, chucra, tipo homão mesmo... e deve ter uma senhora piroca. Ainda penso nisso... com menos frequência. Será que um dia eu vou ter essa oportunidade? Voltando ao que interessa... Eu me apaixonei pelo teacher com uns 20 anos a mais que eu.
Foram 9 meses com o Davi, uns 2 ou 3 na merda, mais uns 2 ou 3 viajando em fantasias com o Márcio, até que eu fui pra uma balada com a minha amiga e colega de quarto Luna Sesma, onde fizemos uma aposta. Por causa dessa aposta, eu tive que mandar mensagem pro Márcio chamando-o pra sair comigo. EEEEEE olhem vocês.
"Oi teacher, tudo bem? O que você acha de sair com uma aluna sua?"
"Oi, boa noite. Como assim?"
"É que eu te acho um cara interessante, e queria te conhecer melhor fora do ambiente de trabalho."
"Não vejo problema, já que somos amigos."
Foi um balde de água fria. Eu quase chorei, porque eu tinha certeza que dessa vez eu tinha acertado. Todo aquele flerte não podia ser ilusão minha. Aparentemente era, ainda assim, eu tinha que fingir que nada aconteceu. Pra minha sorte era fim de semana, o que me deu uma folga. Eu tive uns 3 dias sem olhar pra cara dele e me recuperar da vergonha que eu senti.
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