Midoman
2 Capítulo 02 - Poder verde... Surge um novo herói...
Caverna do Desespero... Coração da Amazônia...
Uma linda mulher loira de cabelos cacheados e trajando um vestido verde, estava atarefada, seu corpo é deveras voluptuoso, tendo: fartos seios e bunda avantajada, além de belas pernas, a mulher tem o corpo que homem nenhum botaria defeito.
A caverna em sua entrada era muito escura ao ponto de desencorajar a entrada de qualquer índio ou garimpeiro ilegal, na entrada do local a sensação de ser observado é grande, como se monstros ou demônios estivessem em espreita na escuridão, mas ao fundo era muito iluminada com tochas e velas que ornam o local. Afinal, ela precisava de espaço e luz para trabalhar. Seu local de trabalho é composto por um enorme caldeirão negro, potes de vidro com: olhos, patas e asas de toda sorte estão expostos nas prateleiras de madeira nos cantos da caverna. Garrafas com líquidos das mais variadas cores e viscosidades em cima de toras de madeira a frente da bruxa. Alguns dos líquidos borbulhavam, alguns dos olhos piscavam e patas se retorciam dentro dos potes. O fogo do caldeirão no centro da caverna oscilava a cada ingrediente que era jogado nele.
A mulher que estava tão ocupada parou naquele instante e ficou lá com uma expressão incrédula e amedrontada, o local começou a tremer, as estalactites do alto da caverna se desprenderam em pequenos pedaços, caindo em torno do caldeirão. Os frascos que estavam em suas mãos foram ao chão de pedra e quebraram. Os líquidos agora derramados soltaram fumaças e ao se misturar derreteram um pouco o chão, como que lava fosse arremessada ao solo. A mulher levou sua mão ao peito, ainda com seus olhos arregalados disse com a voz apavorada:
— Ela despertou...
Agora... Localidade desconhecida...
— Mas eu não acredito...
Maurício piscou e simplesmente desapareceu do Museu, lá estava ele em uma sala, sala essa tão branca que parecia brilhar.
Maurício sequer percebeu que não trajava mais suas roupas pretas, ele agora estava totalmente nu.
Um véu de luz verde apareceu na frente de Maurício. Por ela atravessaram cinco pessoas que pareciam flutuar um pouco acima do chão, ou do que ele atribuiu por chão. Os cinco pararam em pé a sua frente. Duas mulheres com belos corpos músculos, mas femininos de quadris lardos e três homens extremamente musculosos, um mais alto à frente e dois mais baixos ao lado, sendo aquele a direita do grandalhão um velho pequeno e o outro um jovem de cabelos longos.
Todos usavam algum tipo de penugem ornamentando suas cabeças, como cocares. E colares em seus pescoços, isso era o máximo que Maurício conseguia ver, formas negras sendo engolidas pela luminosidade verde e branca, e a luz refletindo fortemente seus olhos.
As restas eram visivelmente índios.
— Jovem, como se chama? – Disse a silhueta mais musculosa de todos ali presentes. Ele carregava um machado nas mãos e estava no meio e a frente dos outros quatro.
No inicio as frases eram estranhas, mas depois Maurício conseguiu entender o que ele falava, aos poucos as frases pareciam fazer sentido.
Após um pequeno pigarro, Maurício respondeu a pergunta e a mulher que estava com um arco na mão começou a falar:
— Se nossos poderes foram despertados. – Ela também fala à língua que Maurício entendia, mas não conhecia. – Creio que uma grande responsabilidade caiu sobre seus ombros, jovem rapaz.
— Do que eles estão falando? É o sonho mais maluco que tive? – Ele se questionou mais falando sozinho do que com as figuras a sua frente.
— O mal voltou para Pindorama. – O mais velho de todos falou, uma figura baixa com uma barba tipo mestre louva-a-Deus de um filme de kung-fu. – Nos sacrificamos para selá-lo, mas não fomos fortes o suficiente para contê-lo. Mas... Agora que Tupã lhe agraciou com a joia, você será capaz de proteger esta terra de todo mal que irá a afligir.
— Vocês falam dessa joia? – Maurício ainda tinha a joia da coroa em uma de suas mãos. Ele a estende e os índios menearam a cabeça positivamente. Ele recolhe seu braço e disse: – Olha, eu não sei que sonho maluco é esse, mas eu não recebi nada de ninguém. Eu roubei essa pedra do museu e acho que ela vale muit...
— Impossível! – A outra mulher o interrompeu, está segurava uma lança enquanto vociferava. – Como um ladrão ousa carregar a pedra de Tupã?
— Se ele está aqui é porque ele tinha que estar. O poder da pedra se manifesta a todo aquele que tem um coração bom e puro. – Disse o mais magro.
— Nem tão puro assim... – Ela retrucou.
Quando a outra mulher iria falar algo ela foi interrompida por um tremor e o véu de luz ficou falho.
— Tudo lhe será ensinado. – Disse mais velho enquanto retornava ao véu de luz verde. – Seja forte e tenha coragem. – Todos, menos a acusadora de Maurício começaram a flutuar.
— Tainá irá guiá-lo nessa batalha. – Disse a mulher do arco e flecha.
— Raoni! – Tainá chama por ele. – Espere... –A figura ainda não havia se revelado, mas o som de liquido caindo no chão, mostrava que ela estava chorando.
— O que eu tinha de fazer em Pindorama já foi feito. – O homem musculoso respondeu. – Cabe a você, minha irmã, proteger nossa terra.
— Tainá, nós sempre estaremos contigo. – Disse o homem mais magro de voz suave.
O véu de luz verde se desfez e a luz branca brilhou mais forte.
Forte das Cinco Pontas... Recife...
O local outrora branco se desfez, Maurício notou que estava vendo tudo um tanto esverdeado. O homem de cartola tinha uma expressão de espanto e o ser que lhe acompanhava deu um passo para trás. Maurício levou as mãos ao rosto, mas não conseguiu tocá-lo. Um som um tanto metálico fez-se ouvir quando ele tocou algo que o impedia de sentir sua face, esse era o rosto do que descobriu ser seu capacete.
— Mas que merda... – Ele olhou para as próprias mãos e viu que estava vestindo um tipo de armadura.
— Apura, destrua-o! – O homem da cartola gritou e a criatura que o acompanhava foi para cima de Maurício.
— Perai cara... Não, isso é um mal entendido.
No momento de medo, Maurício recuou para trás, escondendo o rosto por trás dos braços na intenção de se proteger. A criatura lhe acertou em cheio pela esfera/mão da criatura, mas ele não sentiu dor e sequer sentiu o impacto.
Se defenda, rapaz!
Uma voz feminina, jovial e suave soou dentro da cabeça de Maurício.
— O QUE TÁ ACONTECENDO?!?! – Maurício gritou com certo medo e espanto.
Não dá pra explicar agora. Apenas se defenda ou nós dois vamos morrer.
Apura tomou acerta distancia com passos pesados e deu um salto acima da cabeça de Maurício. No ar, a criatura tomou uma forma esférica semelhante a uma bola de bilhar de metal, a esfera começou a girar enquanto ia rumando na direção de Maurício.
Faça algo, agora!
Maurício abaixou sua defesa e cerrou seu punho, dando um soco na esfera com toda sua força, a esfera não só parou o seu curso, mas foi redirecionada como uma jogada de vôlei, diretamente de volta ao homem de cartola, a figura de cartola segurou seu chapéu e girou o corpo em um movimento rápido para a direita , desviando do imenso projétil.
— Criatura imunda! – O homem de cartola ficou enfurecido e levantando Apura com uma das mãos disse: – Traga de volta a pedra ou o Fogo Fátuo será o menor de seus problemas, imprestável! – Ele faz uma reverencia com a cartola e sumiu no ar em uma nuvem de fumaça.
—Si-Sim, chefe! – Respondeu Apura para o homem da cartola enquanto ele se dissipava no ar. Assim que ele sumiu, virou-se para Maurício e dizendo: – Eu vou esmagar você de uma vez por todas, guerreiro!
Vamos derrotá-lo agora de uma vez. Pressione a joia por um instante até ouvir um som e um forte brilho, e prepare um golpe final
Maurício obedeceu sem pestanejar. Apura se fez esférico de novo, dessa vez no chão, vindo em direção a Maurício como um rolo compressor. Maurício saltou e ao fazer isso quase atravessou o teto. Ele flexionou o joelho esquerdo, paralelo a sua perna direita estendida. Maurício vem pelo ar em queda e seu pé foi coberto por um tipo de energia verde. Apura é atingido pelo chute certeiro. Ele se desfaz da forma de rolo compressor e começa a brilhar. Uma explosão de luz e o mostro se desfez em pequenos flocos luminosos, como se a neve caísse alaranjada. Maurício se virou para onde a criatura estava e então falou com a voz que conversava com ele dentro daquela roupa:
— Será que dá pra você me explicar o que aconteceu agora?
Tudo bem.
A armadura começou a brilhar mais forte e um pouco mais intensamente, sumindo. Maurício estava como quando começou o roubo, de roupas pretas. A joia da coroa brilhou em cor branca e ela se tornou um foco de luz que saiu da mão de Maurício e se materializou em uma linda jovem a sua frente, uma índia, sem nada cobrindo sua pele, exceto por tinta, penas e adereços, tinta circulando seus seios, formando desenhos paralelos no seu abdômen, braços rosto e coxas, o estranho comportamento dela em estar nua de frente a um homem foi indiferente e levantou questionamentos na cabeça de Maurício.
— Eu sou Tainá, a guardiã dessa terra. Eu sou a fonte de poder que lhe deu capacidade de lutar com aquele fol-kear. E sobre você caiu à responsabilidade de defender Pindorama. Você terá que aprender a ser um herói.
Maurício olhando para ela, tentando digerir as informações, mas ainda sem entender nada ele questionou em desespero:
— QUE MERDA TA ACONTECENDO?
Continua...
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