Midnight Sun

3 Capítulo 3 - Nosso lugar secreto


Notas iniciais
Obrigado a todos que estão acompanhando principalmente yuri4ever que esta sempre comentando os capítulos , estou tentando postar todos os dias, caso tenham alguma sugestão ou critica fiquem a vontade !

Estava tudo pronto, finalmente havia terminado, fiquei a noite toda ocupada com esse feitiço, mais agora que ele estava pronto eu precisava testar se ele realmente funcionava, não podia por Lucy em perigo sabendo que talvez tudo desse errado, por isso fiz o feitiço em 2 anéis, daria um para alguém e se a pessoa não morresse em uma semana eu daria o outro a ela. Sei que isso não era muito ético de se fazer, mas que outra escolha eu tinha? Todos que entrassem na minha vida iriam morrer de uma forma ou outra, então decidi seguir com meu dia normal sem evitar ninguém como eu normalmente faria e deixaria o destino agir, eu não me via escolhendo alguém do orfanato para morrer pois eu já estava cansada de tantas mortes, então decidi que o destino iria agir, que cruzasse meu caminho hoje seria a pessoa que portaria o primeiro anel.

Me vesti normalmente com as roupas do orfanato e fui para a primeira aula do dia, tínhamos aulas 4 vezes durante a semana no período da tarde, houve um tempo em que o orfanato levava os órfãos a uma escola da região, mas como a verba dos últimos anos tinha sido cortada pela metade o orfanato teve que cortar custos e vendeu a van, então acabaram decidindo que um professor viria 4 vezes durante a semana e assistiríamos as aulas direto do orfanato, na maioria das vezes temos aula com o Sr Wender de português, matemática, ciências e física , mas as vezes quando o Sr Wender não podia vir ao orfanato a Srta Delacort vinha e nos ensinava sobre filosofia e artes, ela era bastante religiosa e as vezes nos contava sobre muitas historias que quando como nos ela havia crescido em um colegio de freiras na Nova Zelandia.

Hoje a aula seria com o Sr Wender ,me sentei na ultima cadeira como sempre fazia, olhei pela sala , pensando em quem seria a pessoa que ficaria com o primeiro anel, não tinha a minima vontade de me aproximar de nenhum deles, todo esse tempo sendo forçada a me manter afastada me deixou um pouco anti-social, resolvi esperar a aula acabar e depois procurar por alguém no refeitório.

A aula passou mais lentamente que os outros dias, quando o Sr Wender finalmente nos liberou sai correndo da sala, vi que alguma das crianças repararam em meu comportamento pois normalmente nem demostro minha presença nos lugares ficando sempre em silencio ate a aula terminar e depois sempre me levanto e vou direto para o meu quarto onde passo o resto do tempo ate o jantar, onde como e já volto a me isolar.

Fui ate o refeitório e peguei um dos pratos servidos pelas cozinheiras do orfanato que devo dizer eram incríveis em sua função, sempre quis elogia-las mas sabia que um simples elogio custaria caro a elas, então nunca falei nada mesmo achando aquela comida maravilhosa. Mas ao invés de me sentar na mesa dos fundos como sempre fazia escolhi uma mesa de dois lugares mais ao centro do refeitório, esta mesa normalmente ficava vazia também, mas pensei que chamaria mais atenção la do que onde sempre me sentava.

Comi em silencio e percebi que a maioria das crianças já havia pegado seus pratos e se sentado com seus amigos, as vozes no refeitório aumentaram e pude ver que eles estavam falando sobre vários assuntos, aquilo estava me incomodando, não gostava muito de barulho, mas me senti triste pela primeira vez em muito tempo, pensei em Luana , a orfã que havia me chamado para almoçar com ela e depois havia sido encontrada naquela arvore, meu estomago revirou e descobri que mesmo adorando aquela comida não iria conseguir comer mais nada naquela hora.

Me levantei e lavei meu pratos e os talheres, os sequei e guardei nos armários, assim que me virei vi que havia alguém parado atras de mim me encarando.

— Então, você deve ser a Mary não é mesmo? — Disse ele sorrindo e esticando a mão pra mim — Eu sou o Eric muito prazer

Fiquei encarando sua mão sem conseguir formular uma resposta, eu tinha certeza que estava parecendo muito idiota o encarando sem falar nada.

— Er, então — Disse ele puxando a mão de volta e a colocando nos bolsos da calça — Eu percebi que você sempre comia sozinha, e normalmente você sempre some quando acaba de comer, mas como você se sentou em um lugar diferente hoje pensei que sei la, poderia tentar falar um oi — Reparei que as bochechas dele estavam levemente avermelhadas o que me fez corar também, eu sabia que precisava falar alguma coisa mas minha mente estava travada, isso era algo novo pra mim, ter que interagir com alguém.

— É, sou eu sim — Disse forçadamente tentando esboçar um sorriso que mais parecia uma cara de dor, mas ele pareceu se alegrar ao ouvir minha voz então acho que eu estava fazendo certo

— Então você fala, ufa, já estava aqui pensando que deveria ter falado em braile- E deu uma risadinha seguido de um tapa na própria cabeça como se estivesse se perguntando o que estava fazendo, mas isso me fez dar uma risada e relaxei um pouco

—É , eu não costumo conversar muito

— Acho que todos do orfanato ja perceberam isso — Quando ele disse isso pude perceber que todos no refeitorio haviam se calado e estavam observando a nossa conversa, fiquei corada novamente e quis mais que tudo um lugar onde pudesse me esconder e sumir da vista de todos aqueles olhares.

— Então, quer dar uma volta? Acho que aqui esta cheio demais — Disse já puxando ele pra fora do refeitório e pude ver que todas as pessoas nos encaravam enquanto saiamos e os sussurros viraram quase gritos a medida que nos afastávamos do refeitório

— Acho que eles ficaram surpresos de você ter conversado com alguém — Disse ele enquanto tentava não tropeçar enquanto eu o puxava em direção ao jardim, como não respondi ele apenas se deixou arrastar ate que parássemos perto ao laguinho no centro do jardim.

— Entao, Eric, a quanto tempo esta aqui? ? — Tentei puxar assunto mas a cada minuto que passava eu só conseguia pensar que ele iria morrer e que essa ideia foi absurda, eu nunca deveria ter conversado com ele.

— Já fazem uns 4 meses — disse chutando uma pedra e colocando as mãos nos bolsos enquanto falava — Eu sei que não vou ser adotado, eles sempre escolhem os mais novos, na verdade acho que sou um dos que estão aqui a mais tempo, a unica pessoa que estava aqui a mais tempo que eu era a .. bem

Ele não precisou terminar a frase pra saber que ele estava falando da Luana, a orfã que tiverá o azar de cruzar em meu caminho algumas semanas antes.

— Entendo, também não acho que serei adotada tao cedo, mas acho que é melhor assim — Comentei sendo totalmente sincera com o que falava

— Bom , pelo menos podemos ser amigos então né? — Disse ele sorrindo e colocado uma das mãos atras da cabeça — Já que parece que não vamos a lugar nenhum

Sorri mentalmente pensando que as palavras dele podiam ou não ser verdade, tudo dependia daquele único feitiço. Assim que lembrei disso coloquei a mão sob o bolso da minha calça e senti la dentro o anel de ferro que havia pertencido ao meu avô, um dos poucos itens que levei para o orfanato quando me mudei.

— Acho que sim — respondi — mas se você quiser ser meu amigo você vai ter que confiar em mim

Ele parou de sorrir e pareceu me examinar com o olhar tentando decidir o que falar , então ele respirou fundo e disse:

— Tudo bem, o que eu preciso fazer? — Fiquei surpresa que ele concordasse, mas isso adiantaria um pouco as coisas, coloquei a mão no bolso da minha calça fazendo uma prece silenciosa para que aquilo funcionasse, eu não queria mais mortes, e sabia que se isso não desse certo, eu jamais poderia falar com ela .

— Na verdade não muito — tentei sorrir para passar a ele uma confiança que eu não estava sentindo naquele momento, mas parece que funcionou já que ele sorriu de volta — Eu , er.. você foi a primeira pessoa que falou comigo aqui no orfanato, e antes de vir pra cá eu também não tinha muitos amigos, meu avô sempre se preocupou muito com isso então antes dele falecer, eu prometi a ele que caso eu encontrasse alguém que fosse meu amigo , entregaria esse anel a ele — Estiquei a mão mostrando o anel a ele.

''Droga- pensei — não tem como ele acreditar nessa historia, prometi ao meu avô? Não tinha nada melhor pra falar não Mary , você acabou de estragar tudo''

Mas pra minha surpresa ele estava sorrindo, ele esticou a mão e pegou o anel o colocando em seu dedo, ele esticou a mão para admirar o anel .

— Olha nada mal, jurava que você ia mandar eu provar alguma coisa, tipo roubar algo da cozinha ou sei lá, mas um anel é muito melhor que vários cascudos da Srta Svencen — Disse ele rindo.

Fiquei bem aliviada quando vi o anel em sua mão e não consegui deixar de rir de volta, era uma sensação gostosa poder conversar com alguém, uma parte de mim tinha medo que na manhã seguinte, ou em uma semana achasse o corpo de Eric em algum lugar, e eu saberia que seria mais uma morte que iria me aterrorizar, pensar nisso fez um calafrio percorrer meu corpo.

— Ei esta tudo bem? — Disse ele me observando

— Esta sim

— Então , eu não trouxe muita coisa quando vim para o orfanato, meus pais morreram em um incêndio então boa parte das nossas coisas queimaram, mas — Disse ele tirando um colar que estava escondido por dentro de sua camisa — Este colar foi meu pai que me deu, se você vai me dar algo importante pra você nada mais justo que eu te dar algo em troca.

— Eu não posso aceitar , esse colar era do seu pai — Disse olhando para os lados, senti meu estomago revirar, nunca havia ganhado algo antes e ainda mais algo com um valor sentimental tão grande assim

— Esta tudo bem — Ele chegou perto de mim e passou o colar pelo meu pescoço enquanto eu prendia a respiração e serrava os punhos, eu sabia que meu rosto estava bastante vermelho e isso não me ajudou a me acalmar, se ele percebeu não demonstrou apenas soltou um risinho baixo enquanto se afastava — Pronto , não doeu não é?

Olhei para o colar em meu pescoço enquanto tentava regular as batidas do meu coração , meu rosto estava quente e vermelho , nunca havia ficado tao próxima a alguém antes .

— Então acho melhor voltarmos, já esta escurecendo e teremos problemas se nos pegarem aqui fora tao tarde

Comecei a segui-lo mas parei quando ouvi o barulho do balanço, quando olhei para trás la estava ela novamente naquele balanço , encarando o local a sua frente, quis me aproximar mas ainda não era a hora, era arriscado demais . Me virei e segui Eric para dentro do orfanato.