Midnight Memories - Repostada
9 "Insuportável"
Notas iniciais
O almoço, que não teve um clima tão agradável, finalmente acabou, e seguimos para nossas aulas. Gina juntou-se aos amigos da sua turma de quintanistas e eu, Rony e Harry fomos para a próxima aula. Sentei ao lado de Harry, e Rony sentou-se na carteira ao lado, com Neville. Recebemos uma tarefa para fazer. Eu e Harry estávamos conseguindo dar conta, e nos divertimos bastante. Às vezes eu olhava para Rony enquanto ríamos, e o pegava retribuindo o olhar para mim. Ele parecia estar com ciúmes. Eu queria que Rony sentisse esse gostinho, depois do que fez, mas ao mesmo tempo não queria que ele ficasse de mal com Harry.
A aula acabou, entregamos o nosso trabalho, e recebemos elogios. Rony cruzou os braços quando recebeu uma reprovação pelo seu trabalho, que estava um pouco bagunçado. Ele se juntou a nós novamente, mas ficamos em silêncio. Harry porque estava pensativo, e eu e Rony, porque não queríamos conversar.
POV Harry
Eu estava pensativo no caminho para o Salão Comunal, preocupado com algumas coisas, e porque a próxima aula com Slughorn estava chegando, e eu quero conquistar sua confiança, para executar a tarefa de Dumbledore. Chegamos, Hermione andou até a escada que dava para os dormitórios e virou-se para nós:
—Gente, vocês vão querer fazer os deveres hoje?
—Sim. – Rony respondeu
—Harry?
—Ah... Pode ser.
—Eu estou exausta. – Hermione falou meio desanimada. – Podemos fazer depois de eu tirar um cochilo?
—Claro – respondi
—É... – Rony parecia estar tentando procurar as palavras certas. – Boa soneca! – Dava para ver que ele estava arrependido, e ele tende a puxar o saco de Hermione quando quer reconquistá-la.
—Obrigada. – Ela tentou responder friamente, mas deu para notar que ela tinha amado aquilo.
Ela subiu as escadas e logo a perdemos de vista. Ficamos sentados no sofá. Rony estava inquieto, e começou a andar para lá e para cá.
—Aconteceu alguma coisa? – Perguntei meio confuso com a atitude de Rony.
—Nada. – Estava mentindo. Estava nervoso e não queria falar.
—Não precisa contar se não quiser, mas caso você precise...
—Harry! – ele parou e se virou para mim. – Eu preciso saber se... É que...
—O que? Tenta se acalmar e fala, está me assustando!
—Você e a Hermione estão ficando?
—O que?! – Travei e em seguida comecei a rir. – Por que você acha isso?
—É que vocês às vezes se divertem juntos, e também teve um dia que você segurou a mão dela.
—Rony, ela é minha amiga. Nossa amiga. Tem momentos que estamos mais próximos, mas isso acontece com nós três. Já pensou se a Hermione pergunta se eu e você estamos ficando, porque um dia eu coloquei minha mão no seu ombro? – E comecei a rir, e ele logo em seguida.
—Desculpa, deve ser paranoia minha. É que eu pisei na bola com ela hoje, e queria me desculpar, mas vocês estavam tão próximos, que eu me senti excluído.
—Claro que não, Rony. Ela me contou o que aconteceu, e eu conversei com ela, disse para ela ter paciência com você e ir na seleção.
—Sério mesmo! Você é meu herói!
—Só que agora você tem que fazer sua parte, e falar com ela.
—Eu sei. Eu tenho que tentar falar, porque ela nem quer olhar para mim direito.
—Rony, na boa, vocês se amam e ainda não sabem disso. É questão de tempo para vocês estarem agarrados e discutindo de novo. Ela com certeza vai na seleção. – Ele novamente ficou nervoso. – O que houve agora?
—A seleção. – E começou a andar para um lado e para o outro novamente.
—Ronald, eu já falei que você vai se sair bem. Se ficar nervoso, só vai piorar as coisas. – E se sentou e começou a tremer a perna direita. – Se você quiser, podemos treinar na quinta-feira. O campo vai estar vazio, mas temos que ir bem cedo.
—É sério? – Ele pareceu mais calmo, pelo menos não estava tão pálido e sua perna estava parada. – Valeu Harry! Você é o melhor!
—Ok. Agora você pode adiantar seus deveres, para impressionar Hermione. – Ele pareceu desanimado. – Está bem, eu te ajudo!
Mais ou menos uma hora depois, Hermione juntou-se a nós. E ficou surpresa ao nos ver fazendo os deveres.
—Não precisam mais de mim? – E riu.
—Claro que precisamos! – Rony pulou da cadeira.
O resto do tempo que tínhamos antes da janta foi silencioso. Às vezes, eu trocava sorrisinhos com a Hermione quando Rony ficava um pouco nervoso. Da mesma forma incentivava Rony para continuar tentando. Quando acabamos, fomos jantar. Eles conversaram um pouco. Depois fomos para os nossos dormitórios.
*****
No dia seguinte, o dia passou no mesmo ritmo: Eles se falavam, mas Rony ainda estava meio envergonhado, arrependido. À noite, quando íamos subir Rony se manifestou, e puxou Hermione:
—Eu posso conversar com você?
—Eh... Claro. – Eu fui na frente, pois sabia que ele queria ficar a sós com ela. Sorri, torcendo para que desse tudo certo. Quando eu ia entrar no quarto, ouvi alguém sair do dormitório feminino: Gina. Estava com os olhos vermelhos, até que me avistou:
—Harry? – Ela rapidamente secou os olhos. – Você viu a Hermi...
—Shhh! – Fiz sinal para que ele não continuasse
—Mas o que...? – Eu a puxei e fiz ela se esconder atrás da parte de pedra que interligava o caminho dos dormitórios. Rony e Hermione estavam sentados no sofá, de costas para nós, por isso não notaram nossa presença. Então ouvimos:
—Eu queria te pedir desculpas por ontem.
—Rony, está tudo bem. Eu...
—Não Mione. Eu errei, e errei feio. A questão é que eu gosto muito de você, e que eu coloquei o Quadribol na frente de uma das pessoas mais importantes para mim. – Quando eu ergui um pouco a cabeça para vê-los, percebi que Hermione sorriu. – Me perdoa? – Ela não respondeu, apenas abraçou o amigo.
—Agora, eu vou deixar uma coisa bem clara: Se você disser que eu “encho o saco” mais uma vez, eu te derrubo da escada.
—Tudo bem, sua chata.
—Insuportável. – E os dois riram e conversaram mais um pouco.
Juntos, eu e Gina viramos de costas para a meia-parede e nos encostamos aliviados.
—Finalmente! – Ela disse
—A Hermione te contou?
—O Rony contou, na verdade. – E ficamos nos olhando por um tempo.
—Está tudo bem?
—Sim. – Ela desviou o olhar para baixo.
—Tem certeza? – Ela não respondeu, apenas se encostou em meu ombro e em seguida me abraçou escondendo o rosto. Acariciei seus cabelos ruivos. Entrelacei meus dedos no emaranhado de fios lisos. Ela voltou a me olhar:
—Obrigada Harry. – Apenas sorri e ficamos nos olhando.
—O que vocês estão fazendo aqui? – Rony perguntou. Gina se separou de mim e abaixou a cabeça. Pude ouvir um “O que houve?” de Hermione. Elas se despediram e foram para o dormitório abraçadas.
—E aí? Deu tudo certo? – Perguntei
—Sim. Aconteceu alguma coisa com a Gina?
—Eu não sei. Ela queria muito falar com a Mione, mas não sei porque.
—Entendi... – Espero que ele não tenha ficado enciumado de me ver com a Gina. – Vamos dormir, estou cansado.
—Vamos. – E fomos para o dormitório.
POV Hermione
—O que aconteceu?
—Eu e Dino brigamos de novo. – Ela disse deixando uma lágrima escorrer.
—Mas vocês não tinham terminado?
—Sim, mas eu fui atrás dele esclarecer as coisas, mas ele retribuiu com grosserias e tudo mais.
—Por que você ainda vai atrás dele? Quando há melhores que gostam muito mais de você.
—Eu não sei. Medo talvez. – Ela limpou os olhos e sorriu. – Mas agora esquece isso e me conta: Você e o Rony estão juntos?
—Ai Gina! – E rimos. – Apenas nos reconciliamos, não estamos nos pegando, calma!
—Ainda bem! Não quero você se engraçando para cima do meu “irmãozinho”. – Foi assustador a maneira que ela imitou as feições de raiva do irmão. Começamos a rir. – Brincadeira!
—Eu sei! Se não fosse, eu saia correndo. Dois Weasleys ciumentos são demais para mim.
—Mas você acha que rola alguma coisa?
—Gina! – fiquei vermelha.
—Ah! Por favor, Hermione. Desde que eu conheci a famosa “Mione”, percebi que vocês se gostavam.
—Ele me chamava assim?
—E chama!
—Achei que ele me chamava assim, apenas quando queria me agradar, ou quando queria consertar uma burrada comigo, como agora pouco.
—Mas não, ele sempre se refere a você assim n’A Toca.
—Que fofo! – Não aguentei
—Olha só! Então temos uma revelação!
—Quem é fofo? – Lilá entrou como uma louca no dormitório.
—O Rony. – Gina respondeu meio sem graça.
—Ele sempre foi fofo! E lindo... E meu! Então não pense em chegar perto dele!
—Não sei se você sabe, mas ele é meu irmão.
—Mesmo assim!
—E ele não é seu. Ele namora. – Falei meio indignada.
—Ele está mentindo. Não está pronto para mim, e por isso inventa desculpas.
—Eu conheço a namorada dele. – Gina disse e olhou para mim com um sorriso sarcástico.
—Conhece? – perguntei retribuindo o sorriso.
—Quem é? – Ela arregalou os olhos de um jeito estranho.
—Uma garota da Corvinal, não lembro o nome.
—Eu vou descobrir amanhã!
—Tenta entrar no Salão comunal deles e pergunta, berre se for preciso! – Gina falou. Lilá assentiu com a cabeça e foi dormir com cara de determinada.
“Como você é cruel! ”, sussurrei para Gina e tranquei o riso. Mais meninas chegaram, e em seguida todas nós fomos dormir.
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