Notas iniciais
OI GENTE!!! Bom, trouxe aqui o primeiro cap dessa história. Ela não é uma longfic mas vai render uns bons capítulos... Ao terminar a leitura, deixe seu review ou favorite a história pra saber qual será o retorno da mesma. Por enquanto é isso, bjusss e boa leitura!

Itálico: Flashback.

Inglaterra, Bolton 1999

"O cheiro chamuscado dominou o prédio inteiro, se ouvia os gritos das freiras em tentar evacuar os quartos e salvar o máximo de crianças possíveis. O orfanato humilde agora estava tomado pelo fogo.

Senti meu corpo travar ao ver um pequenino corpo caído no chão e sendo possuído pelas chamas, esbugalhei meus olhos e os gritos já não passava de ecos. Era uma mistura de agonia com terror, e tudo o que eu mais desejava naquele momento era acordar daquele terrível pesadelo.

- Georgia, Georgia! — A voz ia se aproximando de mim e senti uma mão se fechar ao redor de meu pulso. — Vem, corre!

E assim fui puxada, correndo pra achar um lugar para se esconder. Descemos pelo lado oposto onde as freiras e crianças estavam lutando entre pânico para sair.

- Ben, acho melhor irmos para o lado das irmãs... — Reconheci aquelas pessoas, eram meus melhores amigos, Ben e Louise.

- E morrer queimado? Prefiro não correr esse risco. — Ele segurava meu pulso com força e sua mão transpirava. Percebi que segurava Louise também. — Corre Louise, já basta a Georgia sendo molenga.

Saímos as pressas do orfanato pela porta dos fundos e segundos depois, houve um enorme estrondo. O orfanato explodiu numa intensidade que nos obrigou a forçar ainda mais nossos fôlegos; Louise por um momento ao olhar para trás, tropeçou entre seus pés e não conseguiu se levantar pelo pânico, o calor das chamas ficava cada vez mais próximo de nós.

- Continue correndo, Georgia! Não olhe pra trás.

- Louise! — Foi tudo o que eu consegui dizer, sem parar de correr e sentir a mão de Ben me soltar, ambos desaparecendo entre a enorme mata."

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Inglaterra, Londres 2015

- E o que mais me assusta, é que não me recordo se são lembranças ou apenas um pesadelo. — Suspirei, tentando relaxar meus membros sobre o imenso divã vermelho.

Psiquiatra era como uma segunda casa para mim, necessariamente o consultório da Doutora Victoria Morgan. Ela mantinha um bloco sobre seu colo enquanto anotava algo. Ela tinha uma calma que me deixava inquieta, suspirei mais uma vez, conseguindo a atenção da doutora.

- E como você chegou a essa conclusão? — Sua voz era fina, franzi minha testa em resposta.

- Não sei onde esse orfanato ficava, não me lembro do formato dos rostos de Ben e Louise e quando tento me aproximar, o rosto deles se transforma... — Fechei meus olhos tentando me esquecer das imagens daquelas crianças queimadas.

- Mas alguns fatos afirmam que isto realmente aconteceu. — Ela pegou uma pasta com informações e fotos minhas. — Você foi encontrada com algumas queimaduras e desmaiada por policiais na rota entre Bolton e Londres aos 8 anos, adotada semanas depois pela família Forbes.

- E Ben? E Louise? Não há nenhuma informações sobre eles... Procurei durantes esses anos todos, mas nunca encontrei nada sobre eles, nem sobre o orfanato.

- Georgia. — Doutora Victoria afastou seus óculos do rosto e me encarou. — Você sofre de insônia desde o tempo que se consulta comigo, você carrega um enorme trauma que não consegue superar. Tem tomado os remédios que te receitei?

- Você duvida de mim?

- Não, estou querendo te manter ciente que insônia causa curtos sonos, seja de olhos abertos ou fechados, seja dia ou noite. Você tem tomado seus remédios?

Sustentei meu olhar no dela, ela parecia tão firme ao fazer seu julgamento que por um momento temi que meu caso poderia ser algo grave.

- Posso ainda ter dúvidas sobre algumas lembranças mas algo dentro de mim diz que vivi naquele lugar e com aquelas pessoas. Vou te provar isso e continuar procurando. E não, não ando tomando meus remédios. — O relógio próximo dela apitou. — Nosso horário acabou, até mais.

Apesar desse meu pequeno surto, eu me sentia incrivelmente bem. Peguei a cartela de remédios ao chegar em casa enquanto jogava meus pertences sobre a mesa; tomei dois comprimidos de uma vez e deitei sobre o sofá afim de dormir por séculos mas como sofro desse mal de não conseguir, fiquei com os meus pensamentos me rondando...

...

"O dia estava nublado e reunia todos os órfãos no grande pátio. Usávamos um uniforme, meninas e meninos usavam um blusão branco com o brasão do orfanato, a diferença eram as saias e calças azuis marinho.

Me sentei embaixo de uma enorme árvore, suas sombras era as melhores e ficava melhor ainda quando eu podia ler — mesmo com um pouco de dificuldade na leitura — meu livro preferido.

Mas mal consegui me concentrar na leitura, havia uma inquietação entre o pessoal, para ser direta, entre as meninas. Ouvi algo como "foi achado numa cena de um crime." e a partir disso não soube de mais nada. Mal conhecia as pessoas dali então não fazia diferença.

- Faça silêncio. E não se mova. — Me assustei com a voz infantil e inesperada presença. — Só mais um pouquinho...

Era um menino, nunca tinha o visto. Ele tinha cabelos espetados da cor ébano mas seu rosto estava embaçado, porém eu sabia que seu olhar estava fixo em algo além de mim; se debruçou em minha frente e vez ou outra se arrastava. Eu estava assustada com as atitudes daquele menino e me encolhi para me proteger, e foi então que ele avançou e não contive em soltar um grito fino. Fui acalmando ao escutar a risada alta dele, emburrei com o ato.

- Você é uma bobona por gritar a toa.

- Não gritei a toa, você que é bobão por se arrastar no chão. — Eu disse firme, ele parou de rir e esticou suas mãos fechadas em formato de concha.

- Tinha um grilo do seu lado, quer ver? — Neguei prontamente, e ele continuou: — Gosto de grilos, são a comida preferida dos meus lagartos.

- Você tem lagartos? — Minha boca se formou um "O" de surpresa.

- Sim, tenho três! — Ele sorriu e encostou na árvore. — Como é que você se chama?

- Georgia e você?

- Ben. — Ele desencostou da árvore e se afastou sem ao menos se despedir. Foi aí que descobri quem foi a inquietação das meninas, era o caçador de grilos. Era Ben."

&~&

Acabei dormindo com os olhos abertos e abri um sorriso terno pela lembrança. Aquela sensação era muito forte para ser ilusão. Ben... A pronuncia era tão certa em meus lábios assim como no meu coração.

Passei uma de minhas mãos em meu rosto, despertando-me aos poucos. Tirei meu celular do bolso e levei até meu rosto, observei meu reflexo nele. Meu cabelo aderiu uma tonalidade acastanhada, semelhante a mel e graças a essa cor, disfarçava e escondia minhas profundas olheiras por baixo de meus olhos verdes, meus traços se afinaram com o passar dos anos e não tinha resquícios daquela Georgia menina.

Será que ele está por aí caçando grilos? Que ainda se lembra de mim ou já procurou saber de mim, de meu paradeiro? Ou será que ele está com Louise, no céu? Balancei minha cabeça afim de espantar aqueles pensamentos.

Morava sozinha à três meses, e tranquei meu curso de Direito sem que meus pais soubessem. Tudo por causa de uma obsessão. Eu era profundamente grata por tudo o que meus pais adotivos fizeram por mim, mas tenho certeza que não me apoiariam nessa busca pelo passado.

Levantei com a intenção de ir a cozinha mas parei no caminho, havia um envelope laranja jogado por baixo da porta do meu apartamento. Peguei com receio e abri a porta de casa, encontrando o corredor vazio.

Voltei meu olhar para o envelope que só continha meu nome. Tirei de dentro um pedaço de papel com uma caligrafia boa, e com os dizeres: "Me encontre em frente a torre sangrenta* se tiver coragem."

Bom... Eu deveria ficar assustada?

Notas finais
*Torre sangrenta: Torre de Londres, um lugar turístico onde ocorria assassinatos de príncipes.

Então, esse cap foi mais pra apresentar a personagem principal. Espero que vcs tenham gostado! Até o prox.