Notas iniciais
Obrigada a todos que comentaram, espero que gostem

Mia disse para Cherry e para a Mitsuko que a gente ia se encontrar com elas na sala, eu não entendi o porque, mas fazia ideia. Nos perdemos, por ironia ela encontrou a sala onde queria entrar.

– Tenho que falar com você! — ela nem bateu foi logo invadindo a sala dele. Eu fui junto para impedir ela de matar o meu irmão. — É melhor você explicar algumas coisas Ichiro. — Agora não restava qualquer dúvida, o cara sentado naquela cadeira era o meu irmão.

– Senhoritas Takami, têm algum assunto a tratar comigo?

– Ichiro, a Mia quer te matar por deixar a gente no escuro por um tempão, de boa, não provoca.

– Lamento, mas se estão se referindo a um assunto que não é referente a escola peço que se retirem — Nós três nascemos com os cabelos ruivos da minha mãe, mas o Ichiro era o único com os olhos negro azulados do papai, aqueles olhos encaravam a gente frios e sem expressar nada.

– Eu não sei se fizeram lavagem cerebral em você — Mia disse agarrando a gravata dele e olhando fundo nos olhos dele com olhar psicopata — Mas, espero que umas boas pancadas resolvam.

Ele não demonstrava surpresa, isso me fez ter certeza de que ele lembrava da gente, nunca batemos no Ichiro, sempre fomos incapazes disso. E ele sabia.

– Lamento, mas vocês deviam estar se dirigindo para a sala 2-f, peço que se apressem ou vão perder aulas. — A Mia soltou ele e sorriu para mim como se tivesse um plano.

– Claro, vice-diretor só queríamos tirar uma dúvida — acho que agora ele ficou surpreso, a Mia começou a falar em um tom doce e simpático — Existe alguma ocasião em que os pais possam vir para a escola?

– Infelizmente não possuímos reuniões, eventos abertos e também não permitimos visitas. Acho que só em caso de expulsão. — Entrei no jogo da minha irmã.

– Então vamos ser forçadas a sermos expulsas diretor, creio que você seria obrigado a ficar de frente com nossos pais nesse caso. — mesmo o melhor dos atores não suportaria quando a mamãe abraçasse ele em meio as lágrimas.

– Isso não deveria soar como uma ameaça?

– Ameaça? Não, é simplesmente uma afirmação, vamos ter respostas mesmo se tiver que ser na marra. — E saímos de lá.

– O quê vamos fazer, exatamente?

– Lembra quando no jardim de infância a gente fez alguma besteira e nos trancaram em uma sala toda cinza?

– Foi quando você guardava lápis de cor dentro do ursinho, e a gente pintou as paredes?

– É, vamos precisar de mais que lápis de cor, mas vai ser muito legal.

– Você e suas idéias. Eu tô dentro.

– Ok, fase um começou. — Trocamos um olhar cúmplice e fomos para sala. Encontramos a Mitsuko e a Cherry assim que entramos, a professora tava sentada em cima da mesa.

– Tem algum aluno novo? — nós duas e outras pessoas levantaram as mãos — Nomes?

– Break.

– Mia.

– Vickie.

– Shouko.

– Jade.

– Jin.

– Gente eu tô morrendo de sono, meu nome é Esther, o quê vocês querem fazer hoje? — Um garoto levantou a mão. — Fala.

– Dormir.

– Boa pedida deixa eu só entregar os celulares, para quem não sabe eu carrego os celulares na sala dos professores, é só pedir. — ela colocou uns celulares em cima da mesa e as pessoas foram buscar. — Durmam, escutem música e façam o quê quiserem, é a primeira aula e eu não tenho nada pronto, alguém contra? — Ninguém disse nada. — Como eu amo democracia, boa noite. — ela deitou em cima da mesa e começou a cochilar.

Eu olhei para a Mia e ela passou um papel para a Cherry que passou para a frente e assim foi até rodar a sala toda. Nele estava escrito: Qual sua cor favorita? Nome ao lado. E abaixo as respostas. Para tudo dar certo íamos precisar da ajuda da Esther, e das gravatas de todo mundo. A Mitsuko tinha amigos no primeiro e terceiro ano ela topou ajudar na hora sem nem perguntar o plano. Eu adormeci e acordei no final da aula, felizmente a Esther acordou também e eu fui falar com ela.

– Posso de pedir três favores?

– Claro.

– Me empresta alguns galões de tinta, passa esse bilhete para os outros professores e empresta uma chave da escola?

– Para quê?, tá bom, para quê?

– Não posso dizer, mas é muito importante.- Ela riu suspirou e respondeu.

– Tá bom, vai estar no seu dormitório quando você voltar, não faça eu me arrepender, ok?

– Claro, valeu.

O resto só ia dar para fazer de noite então o dia prometia ser normal, ou quase perto disso. Saímos da sala e fomos para o refeitório, a Mitsuko pediu para Mia ir na frente. Pouco depois da Mia sair uma mão me puxou e eu senti uma respiração próxima ao meu ouvido.

– Shhh...- ele colocou um dedo sobre os lábios pedindo silêncio, eu estava pronta para bater naquele maldito, mas ele apontou pro Will, que parecia meio perdido e procurando alguém, a Mia pegou o almoço dela e começou a procurar a gente. Eles acabaram se esbarrando e procuraram a gente juntos, acabaram almoçando sozinhos. E aí ele resolveu me soltar.

– De quem foi a idéia? — perguntei de cara.

– Green.

– Meu deus, ela conheceu ele hoje, parece que vocês querem que eles casem na próxima semana!

– Vocês uma vírgula, eu só topei porque eu ia almoçar com você para não atrapalhar eles dois.

– Você me conheceu hoje de manhã, qual é a dessa obsessão esquisita?

– Você foi a primeira garota a me ameaçar, e sem me conhecer ainda por cima. Isso me surpreendeu.

– Então se uma garota desesperada disser "Me ajuda a carregar ela ou eu arranco seus olhos" você começa a perseguir ela?

– Não, eu começo a acha-la interessante.

– Você é maluco.

– Talvez, eu não sei ao certo. Sua irmã parece bem. — Eles estavam conversando e ficavam absurdamente fofos juntos.

– Tá você é maluco, mas fez uma coisa legal. Cadê a Cherry? Acho que a última coisa que podemos ter agora é um cupido.

Eu acabei ficando com fome, passei almoço com a Mitsuko, a Cherry e o Setz. Quando fomos para a sala de física a Mia nem perguntou porque a gente sumiu, acho que ela já tinha até sacado. Depois de três tempos horrorosos de física, que eu passei dormindo, abriram os portões e fomos para o dormitório nos recuperar de um longo primeiro dia, e quanto a mim eu ainda ia ter uma longa noite pela frente.