Mia & Vickie
4 Primeiro Dia
Notas iniciais
O quarto é completamente beje, as camas, dois beliches de madeira com lençóis brancos, não tem computadores, nem televisão, nem wi-fi (trazer o notebook se mostrou completamente inútil) e nem livros! O que é isso? Um sanatório? Só tem duas camas, um guarda-roupa, o interruptor e o banheiro! Não tem nem janelas!
– Me explica de novo. O celular é...
– Completamente proibido, o quarto é exclusivamente para dormir e trocar de roupa, ninguém pode sair do dormitório antes das 6:00 e nem entrar antes das 18:00. Sem comida no quarto e se tentar sair da área da escola é expulso.- Nós duas estávamos de boca aberta tentando assimilar isso.
– Que tipo de prisão é essa?
– Dizem que essa era uma escola normal, até que ele chegou.
– Ele?
– Mitsuko para com isso!
– Com o que? Só vou contar para elas como é o nosso querido vice-diretor. O idiota responsável por todas as regras ridículas desse lugar, como o diretor está sempre viajando ele cuida de tudo aqui.
– Não exagera! Ele não é tão mal! Ele... bem... no fundo ele é uma boa pessoa e ele... se esforça?
– Ok então você pode dizer uma coisa boa que ele fez.
– Eu posso!
– Então diga.
– Ele já... ele... Clubes! Ele permitiu os alunos a formarem clubes! — Ela disse com o peito estufado de orgulho.
– É eu acho que isso seria uma coisa boa, se não fossem as regras dos clubes. — O orgulho da Cherry murchou com uma super velocidade — Querem ouvir?
– Claro.
– Para começar o máximo de alunos por clube é de quatorze pessoas e o minimo é de dez. Independentemente do tema do clube ele deve entregar um relatório por semana, para criar um clube você tem que ter aprovação de três professores e se três membros tirarem uma nota abaixo da média o clube é eliminado.
Nós três olhamos para a Cherry esperando ela dizer alguma coisa, ela abriu e fechou a boca desistindo de contestar aquilo.
– Você tá brincando, né?
– Eu queria estar.
– Ele faz tudo pelo bem dos alunos!
– Nota mental: você é muito otimista — Adoro quando minha irmã dá notas mentais em voz alta, todas rimos.
– Gente, já são seis horas estão prontas para amanhã?
– O que tem amanhã? — Eu senti que não ia gostar da resposta.
– Amanhã começam as aulas!
– Hã? — Eu e a Mia perguntamos juntas.
– Relaxem — Mitsuko disse bocejando — o uniforme de vocês deve estar no armário.
– Isso é informação demais para processar, Mia você arruma nossas coisas eu vou dormir.
– Já está tarde, acho melhor todas dormirmos, não é Mitsu... ko?
– Ela apagou.
– Então boa noite Vi... ckie?
– Ela também.
– Boa noite Mia.
– Boa noite Cherry. — Algum tempo depois... — Parece que ela já dormiu, o que você quer?
– Como esperado de você Mia.
– Que bom que você sabe, agora fala.
– Vai me dizer que não estranhou o pai e a mãe nos largarem aqui sem dizer nada?
– Claro que eu achei estranho, mas não é só isso que você quer falar.
– A mamãe ganhou?
– Isso depende da gente e como somos nós duas eu sei que não.
– Ok, durma bem.
– Você também.
Dia seguinte 4:00
– Vickie, acorda, Vickie...
– Deixa comigo. — E então alguém colocou uma música super alta no meu ouvido e eu pulei da cama.
– O que foi? Tá escuro lá fora!
– E daí? A Cherry tá no banheiro, depois sou eu e depois é você.
– E a Mitsuko?
– Eu tomei primeiro.
– Por quê você não me acordou na minha vez?
– Porque, acho que eu só estava afim de te acordar. — Ouvimos um barulho da porta do banheiro e a Cherrie saiu de lá de roupão.
– Bom dia gente! — Ela disse com sua alegria contagiante, mesmo sendo quatro da manhã. — Quem é a próxima? Dormiu bem Vickie?
–Defina bem.
– Sem pesadelos e com sonhos coloridos!
– Acho que nunca dormi bem na vida.
– Nem eu.
– Eu não sonho.
– Eu vou tomar banho, Vickie você...
– ...volta para cama e dorme bem? — Ela me olhou como se dissesse "Sério?"
– Ter esperança é necessário sabia? — A Cherry e a Mitsuko riram.
– Isso riam da destruição da esperança de uma pessoa com sono! — Agora elas três riram, e a Mia entrou no banheiro ainda rindo.
– Que horas são?
– Quatro e dez.
– Me expliquem, por quê estamos acordadas de madrugada?
– Porque temos que nos preparar para a aula.
– Que tipo de motivo é esse? Ninguém acorda essa hora!
– Todo mundo acorda essa hora, aqui.
– Vocês estão me deprimindo. — Eu fiquei olhando para a cama por um tempo, ela queria que eu dormisse e eu queria muito dormir. Mas eu estou dormindo? Não eu estou acordada as quatro da manhã! — Me deixem dormir um pouco, por favor.
– Se for só um pouco...
– Não, a Mia disse para de deixar longe da cama.
– Você é cruel Mitsuko!
– Eu concordo isso é maldade com as pessoas preguiçosas do mundo.
Não sei quanto tempo ficamos discutindo, mas nem ouvimos o barulho da porta do banheiro.
– Vai para o chuveiro irmãzinha! — Mia chegou do nada igual a um fantasma e me empurrou para o banheiro.
Eu não vou descrever o banheiro porque ainda estou com sono e nem reparei muito nele. Joguei uma água rápida, me enrolei numa toalha e fui me trocar. O uniforme era preto com detalhes brancos e com uma gravata azul-marinho. Eu coloquei meias pretas e uma sapatilha. Demorei meia-hora com o nó da gravata, mas acabei conseguindo.
POV Mia
A Mitsuko ajudou.
POV Vickie
Ela tira meu sono e tira minha auto-estima, tô ferrada com você maninha. Enfim todas estávamos prontas e saímos do quarto, fomos para a entrada do dormitório onde já bastante gente reunida.
– Que horas são Cherry?
– Quatro e quarenta.
– Cherry, olha só quem está ali. — Mitsuko disse apontando para uma garota loira cercada por um bando de outras garotas.
– Aubrey! Vamos falar com ela?
– Se você quiser, por que não? — Nos aproximamos e antes que a Cherry dissesse qualquer coisa ela disse:
– Green, você por aqui. — Ela disse num tom tão arrogante que me deu náusea — Quem são, essas? — Ela perguntou apontando para a gente. Bastou olhar para minha irmã para perceber que ela não devia ter dito aquilo.
– Mitsuko, quem é isso? Qual a relação disso como a Cherry? E caso me irrite posso bater nisso?
– Como sempre direta Mia, mas senhorita isso pronomes demonstrativos são irritantes.
– Como se atreve?
– Pessoal vamos nos acalmar, sim? — A Cherry entrou no meio. — Mia, Vickie essa é Aubrey Becker. Aubrey elas são Mia e Vickie Takami e Mitsuko Takeda...
– Como esperado de você Green, seu gosto para companhias é detestável. — Eu quase pudi ver a paciência da minha irmã voando dali.
– Mitsuko, responda as perguntas anteriores, por favor.
– Claro, Aubrey, as famílias delas se conhecem e com certeza se quiser eu te ajudo.
A senhorita is... quer dizer a Aubrey ficou vermelha de raiva e a Cherry ficou olhando de um lado para o outro se saber como reagir a situação. Eu peguei elas dali dei tchauzinho para a Aubrey que continuava morrendo de raiva enquanto as lesadas ao redor dela tentavam entender o que tinha acontecido.
– Por quê tirou a gente de lá?
– Obrigada Vickie!
– De nada Cherry. E Mia eu não quero arrumar confusão com ninguém, até encontrarmos o diretor tirano.
– Qual o problema daquela garota?
– Eis a questão.
– Como você conhece ela Mitsuko?
– Nos esbarramos por aí e a Cherry contou algumas coisas sobre ela. A Cherry e a Aubrey são de famílias muito importantes em Londres.
– Se bem que... por quê vieram para cá?
– Porque foi o único lugar que aceitou a gente. É que nosso histórico escolar não é dos melhores.
– Entendo — A atmosfera ficou um pouco pesada — A maioria das pessoas aqui, não queria estar aqui, eu, Mitsuko e Aubrey somos exemplos disso. Eu sou da família Green uma das famílias mais influentes e importantes de Londres, tenho cinco irmãos mais velhos todos eles aptos para continuar o legado da família eu sou considerada, como posso dizer, eu sou desnecessária. Meus pais me mandaram para cá para escolherem um noivo para mim durante minha ausência, provavelmente eu vou me casar assim que sair daqui.
– Cherry...
– Tudo bem,é assim que deve ser. E eu gosto daqui apesar de tudo.
– Comigo não é tão diferente, meus pais são os diretores e fundadores de duas multinacionais em Tóquio eu nasci por que eles queriam um herdeiro, só que eles eram ocupados demais para cuidar de mim, por isso meu avô me criou. Faz dois anos que ele morreu, quando voltei para casa dos meus pais eles tinham tido outro filho, um menino, o herdeiro deles. Me mandaram para cá para se livrarem de mim. — Ficamos caladas por um tempo assimilando aquilo, felizmente a Cherry quebrou o silêncio:
– E quanto a Aubrey, ela está aqui pelo noivo dela.
– Noivo?
– Vincent Walker, presidente do clube de esgrima, principal clube da escola e herdeiro da família Walker, expulso de muitas escolas por péssimo comportamento.
– Clube de esgrima?
– Falso clube de esgrima, quase todos os membros usam outros tipos de espadas de katanas até sabres.
– Que demais. Quais são os outros clubes?
– Não são muitos, quase nenhum clube suporta as regras, acho que são só o de culinária, o de química, o de informática e os...
– Espera aí, informática?
– Não tem internet Vickie.
– Que tipo de clube de informática não tem internet?
– Reclama com o diretor.
– Já são cinco horas os portões devem estar se abrindo!
– Não eram seis horas?
– Como hoje é o primeiro dia vai começar mais cedo.
– Eu estou ficando realmente deprimida quanto a esse lugar.
– Bem na hora, estão abrindo. — eu não tinha reparado no portões quando entrei mas eles são enormes, de vidro e sem trancas. Se abrem sozinhos. Esse lugar realmente não é normal em qualquer escola normal pelo menos dois grupos de garotos sairiam correndo quando os portões se abrissem, aqui não, todos caminham vagarosamente sem um empurrando o outro, quase sem nenhum som.
O prédio da escola era quase igual ao do dormitório por dentro e por fora só que maior, todos seguiram por uma escada larga, aos poucos eu ouvia mais vozes e isso melhorou o clima. Chegamos a uma grande sala com muitas mesas e cadeiras, um refeitório onde já se formava uma fila, eu fui logo para lá com a Mia e a Mitsuko, a Cherry ficou guardando uma mesa. Eu peguei dois sanduiches e um copo de suco de uva, Mia pegou o mesmo que eu, a Mitsuko umas frutas e um café para ela e três copos de gelatina para Cherry. Nos sentamos e eu olhei em volta, acabei parando meu olhar em um garoto de cabelos castanhos claros e olhos castanhos claros, ele estava olhando para minha irmã de um jeito tão fofo que eu fiquei com pena dele, afinal minha irmã iria mata-lo se visse ele encarando ela.
Infelizmente eu chamei a atenção dela.
– Vickie, o que foi? — Ela olhou na direção em que eu estava olhando e seus olhos viram os dele, eu estava me preparando para qualquer coisa, mas ela me surpreendeu, minha irmã fez a coisa mais estranha possível se tratando dela ela simplesmente corou e desviou o olhar rapidamente, o garoto fez o mesmo. Eu peguei a mão dela e arrastei ela até um banheiro, chegando lá eu medi a temperatura dela chequei o pulso dela e apertei as bochechas dela.
– O que você tá fazendo?
– Vendo se você está doente.
– Por quê?
– Porque você corou pela primeira vez na vida, eu tô preocupada! — Ela corou de novo quando eu disse isso.
– Eu não, tô doente.
– Ai, droga! Você gostou dele! — Eu não sabia como reagir a aquilo a Mia não namora ninguém a tanto tempo que eu tinha esquecido que isso era possível, mas ela nunca tinha corado.
– Vickie! — Ela disse corando uma terceira vez.
– Foi mal, a mamãe me treinou para essa situação. Você não pode provocar qualquer dano físico a ele e ele não pode dormir com você e ...
– Vickie! — Ela disse apontando para um garoto que estava saindo de um dos banheiros.
– Aqui é o banheiro masculino. — Ele disse.
– Tá bom a gente não veio usar o banheiro estamos numa emergência. — eu disse logo em seguida virando para minha irmã, que fez uma cara de raiva e me puxou dali de volta para o refeitório, acabamos nos perdendo.
– É tudo culpa sua!
– Não fui eu que assustei minha irmã me apaixonando por um desconhecido! E não ouse corar agora!
– Não fui eu que te levei para o banheiro masculino!
Estávamos tão ocupadas discutindo que a Mia acabou batendo em alguém, a primeira coisa que vimos foi uma plaquinha onde estava escrito Vice-diretor, depois reparamos no rosto daquela pessoa...
A Mia desmaiou e eu cai de joelhos para segurar minha irmã, sem desviar os olhos daquela pessoa. Estou confusa estou vendo o meu querido irmão depois de tanto tempo, por quê não estou feliz?
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