Mi Rosa...

5 Não precisa me enganar...


Mais tarde naquele dia eu estava em casa terminando de desempacotar e guardar minhas roupas quando escuto batidas na porta. Sigo ate a sala onde abro a porta para ver de quem se tratava

— Tcharam! – Para minha surpresa era Maribel, Isabela e Luiza segurando uma travessa com cupcakes decorados. – Viemos te visitar!

— Camillo disse que tinham terminado de arrumar tudo então viemos ver com nossos próprios olhos – Isabela já estava dentro da casa espalhando vários vasos de cerâmica, em alguns colocava flores, em outros plantas coloridas e super diferentes. – Eu vim dar meu toque também.

— Fico feliz meninas... mas onde está Dolores? – Digo pegando um dos bolinhos e levando a boca.

— Ela está um pouco enjoada com a gravidez — Luiza entra e fecha a porta atras delas deixando os bolinhos em cima da bancada que separava a sala da cozinha.

Passamos um bom tempo conversando até que elas se preparam para voltar para o jantar na Casita. As levo até a porta me despedindo com a promessa de logo mais fazer outra noite do Pijama, porem dessa vez em minha casa.

Poucos minutos depois escuto batidas novamente na porta e olho para a porta com um aspecto de indagação “quem mais seria?”

Me aproximo da porta e para minha surpresa me deparo com Mirabel na porta. Travo por um momento. Mirabel estava na minha casa a alguns momentos atras junto com as meninas então estranho ter voltado tão rapidamente e sozinha.

— Oi Rosa, o Camillo disse que você já tinha terminado então eu vim te visitar... – Ela sorri gesticulando bastante. Eu gesticulo para ela entrar, mas ela para na porta e fala — Deve ter sido um dia cansativo, que tal tomarmos um sorvete?

Penso por um momento no que poderia estar acontecendo ate perceber que ela estava se comportando de uma forma...diferente.

— Ah sim, um momento. – Entro rapidamente para o quarto para pegar uma blusa de frio e saio ao lado dela.

— E então... como foi seu dia? – Ela fala tentando puxar assunto já que o clima parecia estar um pouco... forçado? – O que fez de bom com Camillo?

Rio internamente já entendendo tudo. Aquela não era Mirabel.

— Foi um dia muito bom. – Sorrio olhando para os olhos dela e aponto para um carrinho de sorvete no centro da cidade, me aproximo e coloco a mão no bolso para pegar algumas moedas.

— Ei! Eu que fui te tirar de casa, eu pago! – “Ela” diz tirando algum dinheiro e entregando pra o dono do carrinho – O de baunilha ainda é o seu favorito, não é?

— É sim. – Pego o sorvete de sua mão e fico uns segundos a fitando até que aponto para uma área da praça mais afastada que tinha algumas mesinhas com cadeiras altas. – Vamos sentar ali para comer.

“Ela” apenas acena a me segue. Sento na cadeira e ela senta ao meu lado. Vendo que ele quer continuar nessa brincadeira me aprofundo mais fingindo que estou 100% sendo enganada.

— Sobre aquela noite, você não contou nada pro Camillo né?

“Ela” me olha meio incrédula e rapidamente balança a cabeça em negação, fingindo que sabia do que eu estava falando.

— Claro que não! Sabe que pode contar o que quiser para mim... – “Ela” diz me oferecendo um pouco do seu sorvete de chocolate o qual eu nego, mas agradeço.

— Fico feliz por poder confiar em você Mirabel... se ele soubesse eu ficaria arrasada.

“Ela” me olha mais uma vez morrendo de curiosidade, mas disfarça novamente, voltando a atenção a seu sorvete.

— Mas qual parte exatamente ele não pode saber? Para que eu acabe não deixando escapar sem querer – Ele percebe que o que disse foi estranho e tenta concertar – Digo, tem Dolores também! Posso pedir pra ela não contar pra ele sabe, irmão dela né, as vezes ela conta as coisas sem querer.

Olho para “Ela” quase gargalhando, mas contenho o riso.

— Ah você sabe Mirabel...

— Eu sei que... – “Ela” fala, me incentivando a continuar falando

Olho para ele e aproximo mais a cadeira, eu teria que dar o troco por ele estar tentando me pregar uma peça.

— Para Maribel... sobre nós duas... – Seguro o queixo dele, que tem um arrepio aparente. Me aproximo quase tocando meus lábios nos “dela”.

Olhando para seus olhos que estavam quase fechados esperando o que viria começo a rir muito alto, gargalhando e quase caindo da cadeira.

— Isso é tudo culpa sua – Digo tentando conter a risada e aponto para ele. — Quanto tempo mais você vai ficar fingindo que é a Maribel Camillo?

Seus olhos se arregalam, descrente que eu havia o pego no flagra. Seu rosto muda para sua aparência real e ele fica boquiaberto.

— Sua imbecil! Por um momento quase acreditei que tinha descoberto algo que não era da minha conta! – Um misto que frustração com desespero e raiva transparece na expressão de Camillo.

— Você não gostaria de me ter na sua família Camillito? – Digo me arrumando na cadeira e dando uma ultima mordida na casquinha em minha mão.

— Não é esse o ponto... – Ele fica com uma cara emburrada, que parece um bebe quando pede algo e a mãe se nega a dar – Isso não teve graça... porque não disse antes que sabia que era eu?

Olho pra ele que também termina seu sorvete e me fitava impaciente pela resposta.

— A pergunta de verdade é... – Chego mais próxima dele para falar baixinho em seu ouvido – Por que você não me chamou para sair como Camillo Madrigal, ao invés de fingir ser sua prima?

Ele me olha incrédulo, como se eu tivesse acabado de tocar em uma tecla que ele ainda não estava preparado para assumir.

— Você... – Ele parece formular algo em sua mente, mas não consegue colocar em palavras. – Você teria aceito sair comigo como Camillo?

Apenas sorrio para ele e lhe estendo a mão, o qual ele segura com cuidado, como se as demais vezes não tivessem o mesmo significado.

— Foi um ótimo encontro Camillo Madrigal, poderia agora me deixar em casa? – Ele suspira contrariado consigo mesmo, mas aperta minha mão e me puxa pela rua

— Seria um prazer Rosa...

O caminho até minha casa é silencioso, nenhum de nós se atreve a falar mais nada após tudo que aconteceu. Chegando na porta de minha casa fico de frente pra ele, que parece relutante em largar minha mão.

— Ei... isso não é nenhuma brincadeira sua é? – Eu pergunto, parecendo que não acreditava muito no que ficou sub entendido nessa noite.

— Eu entendo você... – Ele me fala pausadamente, fazendo um breve carinho em minha mão antes de solta-la – Também não quero estragar tudo entre nós... pra mim todos esses anos de amizade significaram muito. – Eu escuto atentamente, como se estivesse digerindo palavra por palavra para não compreender nada erroneamente. – Sempre te vi assim como as meninas... uma companheira, uma amiga leal..., mas já faz alguns dias que não consigo mais te tratar da mesma forma.

Ele me olha, procurando uma resposta, tendo medo de que o que disse me afastasse de certa forma.

— Eu entendo você... e também está sendo difícil para mim fingir que nada mudou... – Os olhos dele agora estavam fixos no meu, como se tivéssemos congelado o tempo e só existisse nós dois. – Percebi a pouco tempo que a forma que eu te vejo não é mais como antes. Eu quero estar com você, mas não quero apenas sua amizade. – Coloco a mão na frente da boca e minhas bochechas ficam vermelhas e quentes como se estivesse com febre.

Ele pega a mão que cobria minha boca e a segura com ternura. Com a outra mão ele acaricia meu rosto depois sobe para arrumar uma das mechas de meu cabelo.

— Não consigo mais estar com você e viver imaginando que um dia não vou mais ter sua companhia e ainda mais ter que aguentar ver você segurando a mão de outra pessoa. — A essa altura nossas bochechas já estavam molhadas com algumas lagrimas. De onde aquele sentimento havia surgido? Como havia crescido tanto sem que percebêssemos.

— Acho que agora já é tarde... a única mão que quero segurar é a sua.

Ficamos ali um tempo, apenas apreciando a companhia um do outro e surtando individualmente em nossas mentes.

— Então... – Ele fala esperando que eu me posicione

— Acho que você sabe o que vem agora..., mas para nosso bem e para o bem da nossa amizade vamos fazer isso da maneira certa... devagar e...

A frase e interrompida por um puxão repentino. Eu estava nos braços dele. Como que aquela criança que cresceu comigo agora era tão forte? Tão...apaixonante? Ele me puxou e com os dedos entrelaçados em meus cabelos nossos lábios se tocaram, meus braços abraçaram o pescoço dele quase por reflexo. Por um breve momento nada mais importava. Eu disse que era para irmos devagar? Então porque parece que esse era o momento que eu mais esperava em toda minha vida?

O contato foi quebrado em questão de segundos. Não havia sido um beijo apaixonante de novela, mas o simples contato com os lábios dele foi o suficiente para sentir todas as borboletas amarelas de encanto brincarem dentro de minha barriga. Nossos olhos se encontraram novamente de forma tímida.

— Desculpa... você não sabe o quanto eu tenho esperado por isso... – O olhar dele, tão diferente de todas as vezes que brincava e me fazia rir agora me fazia arrepiar só de lembrar de sua feição.

— Obrigada Camillo... – Abro a porta de casa, soltando o outro braço de seu pescoço lentamente, como eu queria ficar com ele para sempre parada naquele momento... — foi um dos melhores dias de minha vida...

Ele estende o braço, fazendo minha mão correr toda sua extensão até finalmente nossos corpos não estarem mais em contado.

— Boa noite mi Rôssa... – ele disse enquanto me via entrar dentro de casa e fechar a porta lentamente.

Notas finais
Isso tudo foi apenas um selinho seguido de uma declaração de ambas as partes... ainda tem muito chão pra que esse casal fique junto. Mais uma coisa... estarei usando informações e personagens que não aparecem no filme mas sim no livro de arte do filme em alguns próximos capítulos. Escrevi esses primeiros capítulos hoje, vamos ver se vocês gostarem eu escrevo mais!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.