Mi Mundo
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Mi Mundo
Capitulo 9.Angie saia chateada da sala do diretor. Antonio não tinha autorizado a apresentação no Resto. Ele dissera que tinha outros planos, mas por que não contou ainda?
A loira andava chateada pelo Studio até chegar à sala de canto. Todos os alunos estavam sentados conversando, porém quando eles perceberam sua entrada, se calaram.
- Bom dia – Angie falou tentando sorrir.
- Bom dia – eles responderam animados.
- Então Angie, você conseguiu falar com o Antonio? – Violetta perguntava sorrindo.
- Consegui e ele não autorizou.
- Mas por quê?
- Como assim?
- Ele nunca fez isso antes!
Todos falavam ao mesmo tempo e a professora não entendia nada.
- Calma gente. Ele falou que não era o momento oportuno.
- Como assim Angie? – Nathy perguntava confusa.
- Eu também não sei. Antonio pediu para que vocês esperassem. Bom, se não iremos fazer uma apresentação vamos trabalhar. Acredito que vocês já tenham aquecido a voz, certo? Então vamos começar a aula.
Pov. Angie.
- Então é isso. Por hoje acabamos não se esqueçam de estudar as partituras para a próxima aula. – Falei finalizando a aula. – Então bom final de semana a todos e nos vemos segunda-feira.
Eles começaram a pegar suas coisas e saíram da sala me desejando um bom final de semana.
- Vilu, eu posso te encontrar depois da aula do Beto? – Escutei Leon falando com Violetta.
- Claro meu amor. Vou indo. – Ela pegou sua bolsa e me disse: — Angie não precisa me esperar para voltar para casa. Vou voltar com Leon.
- Você chega para o jantar?
- Chego sim.
- Leon por que não janta na casa dos Castillo? – Perguntei.
- Isso – Violetta se animou com a ideia. – Por favor!
- Se seu pai não se importar.
- É claro que ele não vai se importar – Violetta falou beijando sua bochecha. – A Angie o convence, não é Angie?
- Fica tranquilo Leon, pode ir jantar lá.
- Então eu vou indo – Violetta falou sorrindo e saiu da sala.
Leon esperou Violetta fechar a porta para vir falar comigo.
- Angie, eu posso te fazer uma pergunta?
- Pode sim Leon. – Ele respirou fundo e me olhou por alguns segundos. – Por que essa cara Leon?
- Olha Angie, eu sei que você é minha professora e eu não sei se eu devia te perguntar isso. – Ele parou de falar por um momento e eu percebi que Leon sabia de alguma coisa séria. Larguei as partituras e o encarei. – Agora mais do que minha professora, você é a tia da minha namorada e eu não quero... Eu não quero falar de mais e acabar contando algo que eu não devia...
- Leon do que você está falando? – Eu não estava entendendo eu não mentia mais para a Vilu.
- Angie, eu sei que é difícil, mas...
- Leon seja direto! – eu estava começando a me estressar.
- Eu quero saber até onde a Violetta sabe da sua primeira peça. Quero dizer, eu preciso saber o que você contou para a Violetta.
- Eu contei o que ela queria saber.
- Violetta me falou que você não respondeu uma pergunta. E eu sei a resposta.
- Leon o que você está querendo dizer com isso?
- Angie, você sabe muito bem. Você não respondeu a pergunta da Violetta. Você não respondeu por que parou de se apresentar. – Como Leon sabia? Ele não devia saber tudo. – Angie você sabe que não é verdade, sabe que não é...
- Leon. Por favor, não agora. Está tudo tão bem, a Violetta não precisa saber disso. Você pode imaginar o que ela vai pensar de mim se souber?
- Angie, mas está ai a questão. A culpa não foi sua, não foi culpa de ninguém...
- O que você sabe Leon? Como você sabe Leon?
Eu estava me esforçando ao máximo para não chorar, não podia deixar parecer que isso me atingia.
- Minha família conhece sua mãe, minha tia conhecia Maria. Mesmo você não sabendo, minha tia te conhece de quando você era pequena.
- Leon você precisa ir. Você tem aula agora e não pode chegar atrasado.
- Angie – Pablo entrou na sala. – Está pronto o... Estou interrompendo alguma coisa?
Pov. Angie Off.
Pablo procurava Angie para passar o resumo da aula de canto em que ela não estava, mas quando entrou na sala a professora não estava sozinha, Leon estava lá.
- Estou interrompendo alguma coisa? – Pablo perguntou curioso.
Leon não tirava os olhos de Angie, era um olhar preocupado, já a professora estava olhando para o teclado que estava a sua frente. Leon se dirigiu a porta para sair da sala.
- Espera Leon. – Pablo falou bloqueando a saída. – Conheço Angie, ela não vai me contar o que está acontecendo, você pode fazer esse favor para mim?
- Pablo, a história não diz respeito a mim. Apenas a Angie. – Leon diminuiu o tom de voz de modo que apenas Pablo escutou seu último comentário. – Violetta quer saber por que Angie nunca mais se apresentou.
Pablo ficou perplexo por um momento e Leon saiu da sala. A primeira coisa que o diretor fez, foi abraçar a loira, que continuava olhando para o teclado.
- Angie... – Ele começou a dizer sem saber ao certo o que falar. Eles já tinham conversado sobre isso tantas vezes no passado, que desenterrar essa história agora, parecia idiotice.
- Pablo a Violetta vai me odiar. Eu não posso contar para ela a verdade, muito menos posso mentir.
- Shh – Pablo falou percebendo que a amiga iria começar a chorar. Eles a abraçou e eles ficaram em silêncio por algum tempo. – Angie, há 12 anos, tivemos essa mesma conversa. Você não é a culpada pela morte da Maria. O que aconteceu...
- Foi minha culpa, Pablo.
- Não diga isso. Nunca mais, está entendendo?
- Licença – Camila bateu na porta e a abriu. – Pablo, o Antônio pediu para chamá-lo.
- Sabe qual é a urgência?
- Chegou um homem aqui no Studio procurando por vocês. Parece que ele é o represente do teatro.
Pablo não queria deixar a amiga naquele estado, mas ele a conhecia. Fazia doze anos que ele tentava convencê-la de que foi um acidente e por mais que algumas vezes Angie percebesse que realmente foi um acidente, ela nunca mais voltou para os palcos.
- Vamos terminar essa conversa mais uma vez e quantas vezes mais forem preciso para você entender que nessa história não existe culpados.
Pablo abraçou Angie e saiu da sala.
- Precisa de alguma coisa Angie? – Camila perguntou preocupada.
- Não – Angie sorriu. – Vou aproveitar que tenho esse horário livre e vou tomar um café.
Tentando disfarçar Angie continuou sorrindo e saiu da sala. Camila percebeu que alguma coisa séria estava acontecendo e parou por um momento para pensar se devia perguntar a Vilu. “Melhor não” pensou ela “vai que Violetta não sabe de nada, não sou eu quem deve contar”.
Quando Angie chegou na sala dos professores pegou seu celular e ligou para sua mãe.
— Angie! – Angélica atendeu o telefone ansiosa. – Como você está minha filha?
- Ai, mamãe nem sei por onde começar... Aconteceu tanta coisa. Você passou a noite ai em casa?
- Não, não. Eu sabia que você estava bem. Quer dizer, pensei que você estava bem, só que bem com o Pablo...
- Mamãe...
- Ele me avisou, que... Bom, você se acertou com o German.
- Sim, nós nos acertamos. E Violetta não está chateada comigo, eu me sinto tão bem.
- Fico feliz com isso minha filha. – O tom de Angélica não soava convincente.
- Mamãe, até quando você vai continuar achando que o German é uma má pessoa?
- Angeles eu preciso ir. Estou em um evento beneficente e preciso ajudar. Se cuida filha, beijos.
Angélica desligou o telefone. “Até quando minha mãe vai continuar agindo assim?” Angie pensou chateada com o comportamento da sua mãe. Ela olhou o relógio e se espantou com o horário. Pegou suas coisas e voltou dar sua aula.
Pov. German
Angie tinha me ligado um pouco depois do almoço falando que Leon viria jantar conosco. Não gostei muito da ideia, mas Angie disse que seria bom para meu novo recomeço. Assim que terminei a chamada com ela, liguei para Violetta, porém ela não atendeu. Isso já fazia duas horas, agora ela deveria estar saindo da classe.
- Papai? – Violetta atendeu a ligação. – Aconteceu alguma coisa?
- Não, não Vilu – Falei tranquilizando-a. – É que eu preciso da sua ajuda.
- Da minha ajuda? Para que papai?
- É que eu quero comprar um presente para Angie e não sei o que escolher.
Notei que Violetta ficou muito feliz.
- Sim, claro que te ajudo...
- Ótimo, posso passar te pegar no Studio agora?
- Agora? Por que não compramos amanhã?
- Por que eu quero dar para ela amanhã. Vilu eu preciso dar para ela amanhã.
- Amanhã? Mas o...
Antes que Violetta continuasse a interrompi.
- Violetta precisa ser amanhã por que amanhã faz um ano. Faz um ano que voltamos para Buenos Aires...
- Então amanhã faz um ano que um anjo chamado Angie apareceu em nossas vidas. – Ela completou minha frase.
- Então posso passar ai te pegar?
- Papai eu tenho mais duas aulas...
- Mas vai ficar muito tarde e as lojas vão fechar. Alguma aula é com a Angie?
- Não. Espera um pouco. – Percebi que ela afastou o telefone da boca e começou a falar com alguém. – Meninas será que o Beto deixa que fale a aula dele?
- O Beto sim, mas o G... – não entendi o que aquela menina disse provavelmente era uma das amigas da Violetta.
- Vilu vai lá. Seu pai precisa da sua ajuda. – Reconheci a voz do Leon. Talvez ele não seja uma pessoa tão má quanto eu estava pensando.
- Então eu vou. Marcamos a sete lá em casa?
- Pode ser.
- Acho que o Gregório nem vai notar que eu não fui para a aula. E se Beto perguntar, digam...
- Vilu relaxa, a gente explica para ele que seu pai...
Por que sempre “seu pai?” Será que ninguém tinha percebido que eu havia mudado?
- Papai – Violetta voltou a falar comigo pelo telefone. – Então pode ser. Vou te esperar aqui no Studio e vamos juntos comprar alguma coisa para Angie.
- Certo. Estou saindo de casa.
Desliguei o telefone e sai do escritório. Eu queria comprar alguma coisa que Angie realmente gostasse e ela e Violetta eram muito unidas. Violetta saberia qual é o presente perfeito.
Pov. Leon.
Sai da aula de dança correndo. Fui para o vestiário e troquei de roupa, precisava falar com Angie antes que Violetta e German chegassem na mansão. Fui até a sala de canto, mas ela já estava vazia. Bati na porta da sala dos professores. Beto apareceu na porta.
- Essa música... Essa batida... – ele imitou minha batida na porta.
- Sim ,sim Beto, muito linda – não tinha tempo para isso. – A Angie ela está ai?
- Angie? Angie? Isso me lembra a panquecas, estou com fome... Mas não, a Angie não está aqui. Agora se me da licença preciso de panquecas...
Droga, Angie não estava lá. Nem pensei duas vezes, sai do Studio e fui em direção a casa dos Castillo. Duas quadras a frente a encontrei.
- Angie! Pedi para que ela me esperasse.
- Leon, o que faz aqui?
- Eu queria conversar com você.
- Vamos caminhando – ela disse e continuou seguindo ao meu lado.
- Angie quando aconteceu o acidente, minha avó...
- Leon, por favor não.
- Sei que não sou da sua família, mas aquele dia que você escutou que você foi a culpada você entendeu errado.
- E como você sabe?
- Minha avó estava lá.
Pov. Angie
Lembro-me como fiquei depois que soube da morte da Maria. Foi Pablo quem me ajudou a seguir em frente. Nunca me esquecerei de suas palavras.
- Se não quer se recuperar por você, se recupere por mim, seja forte pela sua mãe e faça Maria ter orgulho de você mais uma vez.
Depois disso achei coragem para levantar da cama. Desci as escadas pois queria um abraço da minha mãe, quando escutei umas vozes.
- Então Maria estava voltando para ver a apresentação...
A partir daquele momento soube que a culpa pela Morte de minha irmã foi inteiramente minha.
- Leon – falei olhando distante. – Eu sei que minha irmã estava voltando para assistir minha apresentação.
- Angie não quero parecer grosso, mas acorda para vida. Maria estava voltando por que te amava, porque cuidava de você e que estava orgulhosa da sua irmã mais nova! O que eu sei; e você não sabe é que Maria teria que voltar de qualquer jeito.
- O que você quer dizer Leon?
- Maria iria ficar mais uma noite, mas ela estava passando muito mau e o pessoal da organização a mandou voltar para Buenos Aires.
Chegamos na mansão e fomos terminar nossa conversa na sala.
- Isso não muda muita coisa Leon.Se não fosse a minha apresentação... Não muda o fato de que sou a culpada pela morte da Maria.
- Angie! – Me assustei quando German e Violetta entraram pela porta. Eles chegaram tão silenciosamente que acho que nem Leon percebeu. Não conseguia olhar para eles, não queria nem pensar em que Violetta estava pensando nesse exato momento.
- Leon o que você está fazendo aqui? – German perguntou confuso.
- Senhor German, me desculpe. Sei que não sou da família, mas eu preciso conversar com a Angie.
- Não Leon. – Tomei coragem e falei olhando para ele. – Não posso fazer isso. Não sei o porquê você veio conversar comigo sobre esse assunto, se foi por causa da Violetta, ótimo ela já sabe. Agora se você conversou com o Pablo, perdeu seu tempo. Essa decisão está tomada há doze anos, nenhuma história vai fazer com que eu volte. Não posso voltar aos palcos.
- O que está acontecendo? – Violetta perguntou desnorteada. Baixei meu olhar com medo de qualquer reação que ela fosse tomar. – Angie, o que você estava falando quando eu cheguei...
- Sim, Violetta é verdade – olhei para ela, mas não consegui ler sua expressão. – Sua mãe morreu por minha causa, esse, esse é o motivo pelo qual não volto aos palcos.
German me abraçou rapidamente, não havia notado que ele tinha se aproximado. Encostei minha cabeça em seu peito e ele disse:
- Você não é a culpada, meu amor...
Pov. Angie Off.
Angie não chorava, mas não retribuiu o abraço. Continuou imóvel. German olhou para Leon sem entender muita coisa. Violetta estava tão imóvel quanto sua tia. “Que história era essa?” ela pensava confusa.
- Angie – Leon falou calmamente. – Maria tinha uma consulta marcada. Ela estava feliz por que ia te ver, mas não voltou por sua causa...
- Leon nada que você diga vai mudar o que aconteceu. Maria morreu querendo assistir minha apresentação.
Angie estava cansada. Foi para seu antigo quarto de quando era governanta, pois Precisava de um tempo para pensar.
Na sala German encarava Leon enquanto Violetta continuava confusa.
- Angie pensa que mamãe morreu por causa da apresentação...
- Senhor German eu não queria trazer problemas. Pelo contrário eu queria ajudá-la. – German mantinha o olhar sobre Leon. – Pensei que se ela soubesse que Maria tinha outros motivos para voltar, não se sentiria culpada e até voltaria a cantar.
- A culpa não é sua, Leon. Vou falar com a Angie.
- Papai, me deixa falar com ela...
- Não Violetta. Depois, no jantar, conversamos.
German saiu da sala, indo atrás de Angie. Ele estava mais preocupado do que qualquer outra coisa. Violetta ficou chateada e olhou para Leon.
- Agora você vai me contar essa história inteira.
- Você tem certeza, pequena?
- Tenho sim. Preciso ajudar a Angie, e só vou poder ajudá-la se souber da verdade, de toda a verdade.
Pov. German.
Não bati na porta para entrar, sabia que não teria resposta. Abri a porta e encontrei a mulher que amo, deitada na cama abraçando um travesseiro. Deitei ao seu lado e a puxei para mais perto, ela acomodou a cabeça no meu peito me abraçando. Não sabia exatamente se ela queria conversar, mas não podia vê-la sofrer.
- Meu amor – falei enquanto acariciava seu cabelo. – Você sabe que...
- German, por favor. Não me fale que não sou a culpada.
- Você sabe que você tem talento, não sabe?
Acho que a surpreendi, pois ela ficou em silêncio por um tempo.
- German eu não posso...
- Não Angie. Você pode; você consegue e eu vou te apoiar sempre. Se você não quiser voltar a cantar eu vou entender, eu só quero o que for melhor para você.
Ela me olhou por um momento, mas não resisti. Puxei-a para perto e a beijei, a beijei para ela ficar calma, a beijei para ela perceber que eu estava ali ajudando ela, a beijei para ela perceber que sempre estaria com ela, a beijei por que eu a amo.
Notas finais
Então, comentem, julguem, xinguem, apenas escrevam pelo menos um: "eu li" por que isso faz uma diferença enorme para mim.
Meu twitter é @hunger_potter estou lá das 5:30 até quando eu tiver sono, então fiquem a vontade.
Obrigada por tudo mesmo... Beijoos ♥3
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