Mi Mundo
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Pov. Angie
Passei o dia com German. Almoçamos, conversamos, caminhamos no parque e comemos maçãs carameladas. Estávamos muito felizes juntos. Eu me sentia tão livre, tão bem, por não estar mentindo, por estar com quem eu amo. Eram seis e meia quando fomos para o carro.
— Que foi? – perguntei encostando-me no carro.
— Nada – ele falou sorrindo chegando mais perto.
- Então por que me olha assim?
- Porque te amo e por que...
Se isso fosse um livro seria a hora em que a mocinha diria: “Cala a boca e me beija”, mas eu não precisei. Ele me prendeu encostada no carro e me beijou.
- Você precisa parar de fazer isso – falei sorrindo.
- Por quê?
- Por que se não, meu coração não aguenta. — E dessa vez eu o puxei para perto e o beijei. Nunca me cansaria de fazer isso.
Chegamos na mansão dos Castillo mais de sete e meia da noite, por causa do transito. German saiu do carro e abriu a porta para mim.
- Obrigada. – falei saindo do carro. Entramos na casa de mãos dadas pela porta da frente.
- Angeles! – Olga me abraçou. – Quanto tempo!
- Olguinha... – Olha ainda me abraçava. – Ai, ai, Olga...
- Desculpe, foi à alegria de te ver! O jantar está pronto.
- Você pode servir, eu vou chamar a Violetta.
- German, eu posso fazer isso? – Perguntei olhando para ele. – Eu quero conversar com ela.
Ele encostou os lábios no meu e depois disse:
- Não demorem...
Olga os encarou com aqueles grandes olhos verdes e voltou para a cozinha. Olhei sem graça para German. Ele sorriu e me beijou mais uma vez. Antes que eu não conseguisse, virei de costas e subi as escadas. Bati na porta do quarto da Violetta.
- Pode entrar – ela falou lá de dentro.
- Licença Vilu...
- Angie! – ela falou fechando o diário e sorrindo. – Eu precisava conversar com você. Quer dizer, você precisa conversar comigo! Papai e Angie, Angie e papai! Eu nem consigo acreditar! Eu estou tão feliz por vocês...
Sentei na ponta da cama dela e esperei que ela terminasse, quando ela terminou, eu disse:
- Violetta, você não está chateada comigo?
- Com você Angie? Por que eu estaria?
- Você não se sente traída? – Estava olhando em seus olhos e ela percebeu que eu estava falando algo sério. – Eu sou sua tia...
- Angie... – ela tentou falar algo, mas eu senti uma lágrima escorrendo pelo meu rosto. Ele me abraçou sem dizer nada. Eu me sentia tão fraca, como uma criança.
- Eu não sei Violetta...
- Não sabe o que Angie? Não sabe se ama o papai?
- Não é isso. Violu eu amo seu pai, mas...
- Mas nada! Alguém me disse uma vez que o amor supera qualquer coisa!
Ela sorriu radiante. Tentei sorrir mas não sei se foi convincente.
- Falando em amor, como vão as coisas no seu coraçãozinho?
- Agora não é hora disso, outra hora conversamos sobre meus amores.
Rimos. Quase tinha me esquecido por que eu tinha subido.
- Vamos jantar?
- Vamos sim.
Descemos juntas as escadas conversando sobre o Studio e chegamos na mesa rindo. German e Ramalho já estavam sentados, em seus respectivos lugares. Estava indo me sentar no meu lugar de sempre, quando Violetta segurou meu braço.
- Não Angie, você senta ali. — Ela apontou para o antigo lugar de Jade. A olhei por um momento e ela disse: — Senta logo que eu estou faminta.
Olhei para German, que sorriu e concordou com a cabeça. Violetta já estava sentada e todos me encaravam. Evitando prolongar os olhares sobre mim, me sentei no antigo lugar da Jade.
- Prontinho. – Olga chegou colocando a lasanha na mesa. – Com licença.
Ela saiu da sala e foi para a cozinha. German pegou o prato da Violetta e a serviu. Quando ele soltou a colher, estiquei o braço para pega-lá, porém ele fez o mesmo e acabamos encostando nossas mãos. Tirei minha mão rapidamente, batendo no copo que estava ao lado e derrubando suco na minha roupa. Levantei o copo e afastei minha cadeira da mesa.
- Você está bem? – German perguntou levantando-se.
- Sim – falei olhando para minha roupa. – Só estou cheirando a laranja.
Eles riram.
- Olga! – German chamou
- Pode deixar que eu limpo. Podem ir jantando.
Sorri e fui para a cozinha. Depois de lavar as mãos prendi o cabelo e fui pegar os panos para limpar. Quando voltei para a sala, Violetta e Ramalho estavam comendo, mas German estava me observando. Limpei o suco que havia derramado no chão e tirei o excesso de suco da mesa.
- Vem jantar, Angie. Depois...
- Já estou acabando Vilu.
Peguei os panos e voltei para a cozinha.
- O que foi Angeles?
- Nada não, Olguinha. Só derrubei um pouco de suco mas não foi nada.
- Onde foi?
- Na mesa, mas eu já limpei.
- Então volte a jantar antes que esfrie.
Sorri agradecida e soltei meu cabelo. Quando voltei a mesa, German me serviu. O silêncio pairava no ar.
- Angie, o que você está pensando em fazer no Resto?
Era estranho estar falando sobre música na mesa, mas era algo que com o tempo se tornaria normal.
- Eu queria que vocês voltassem para o palco, que mais uma vez, vocês pudessem sentir como é estar na frente do público. E mesmo o Resto não sendo um teatro, tem um palco e tem o público. É mais do que o suficiente para vocês sentirem.
- Angie, você fala tanto sobre sentir diferentes coisas no palco, mas você nunca falou das suas apresentações.
Olhei para o meu prato e senti minhas bochechas corarem. Sabia que os três estavam me olhando. Abri a boca para falar quando um celular começou a tocar.
- Desculpem-me. – Ramalho falou tirando o aparelho do bolso. – German, são os brasileiros.
- Ah claro, vamos atender. – German acariciou minha mão que estava sobre a mesa e disse. – Não nos esperem.
Quando escutamos eles fecharem a porta do escritório, Violetta perguntou:
- Por que você ficou daquele jeito quando perguntei sobre suas apresentações?
- Daquele jeito como Vilu?
- Por que você não fala pelo menos sobre uma? Por favor Angie! Como você se sentiu da primeira vez que esteve na frente do público?
- Está bem, eu te conto, mas não aqui.
Não sei o que German sabia, até onde ele queria relembrar. Mas não era uma boa ideia, eu contar ali. Terminamos de jantar sem German. Levantei e fui para sala.
- Angie, pode me contar agora? Por favor!
- Contar o que? – German chegou por trás colocando a mão na minha cintura.
- É... A Vilu quer...
- Eu queria saber como foi a primeira vez que Angie se apresentou.
Senti German ficar tenso atrás de mim. Com certeza ele pensou a mesma coisa que eu.
- Vilu, depois eu te conto – olhei para ela, torcendo para que ela entendesse o que eu estava querendo dizer.
- Tudo bem, eu vou para meu quarto. – Ela sorriu ao ver que minha cabeça estava encostada no peito de German.
- Você não quer jantar? – perguntei a ele.
- Aquela ia ser sua primeira vez, não ia?
- Na verdade foi.
- Maria queria tanto ter visto. Quando ela embarcou ela disse que voltaria para ver uma sessão, nem que fosse a última.
Olhei para ele. German não parecia desconfortável em estar falando sobre Maria.
- Eu lembro que ela tinha me prometido. Eu estava tão feliz que iria seguir seus passos, que eu podia ser como ela. Eu podia ter uma chance de mostrar quem eu sou sem o peso do meu sobrenome... — German me deu um beijo, impedindo-me de continuar. Simplesmente retribui. – Você não vai jantar?
- Não, preciso resolver uns assuntos.
Estava indo em direção a escada, quando German pegou meu braço e me puxou para perto. Olhei para ele sorrindo e quando percebi, estávamos nos beijando. A única coisa que eu queria é que esse momento durasse para sempre.
Notas finais
Beijos
Dudabi
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