Mi Mundo
15 Capítulo 15
Notas iniciais
O casal retornou a mansão, uma hora e meia após sua saída. A casa estava em perfeita sintonia com o lindo dia que estava começando lá fora. German e Angie adentraram na mansão de mãos dadas, ela ainda pensando no ocorrido com a senhora Gutierrez e temendo a conversa que viria a ter com sua mãe, e ele, preocupado com sua amada.
Angie não dissera mais nada sobre isso, mas German sabia que esse assunto ainda a preocupava. Por parte, ele tinha que admitir, tinha medo. Medo de a sociedade conseguir acabar com o sentimento mais puro que já sentira. Medo de a sociedade acabar com o amor. Ele pensou em dizer alguma coisa, contudo, sabia que ela precisava de espaço.
— Senhor German – Olga os recebeu na porta – Quantas pessoas vêm almoçar?
— Acho melhor perguntar para Violetta, ela já acordou?
— Pelo menos a pequenina ainda não saiu do quarto.
— Muito bom. Vamos? – a pergunta foi dirigida a Angeles.
Eles entrelaçaram suas mãos e subiram as escadas. German não tinha a intenção de espiar sua filha, Angie nem deixaria. Porém, antes deles baterem na porta, escutaram a voz de Violetta vindo de dentro do quarto.
— Obrigada, também te amo.
Assim que German distinguiu o “te amo” não pensou duas vezes, entrou no quarto sem bater.
— Papai?! – Violetta exclamou surpresa.
— Queria ser o primeiro a te desejar parabéns, mas pelo jeito eu não consegui. – German falou disfarçando um sorriso e entregando à Violetta o buque de flores. A menina deixou o presente no criado-mudo e levantou-se para abraçar seu pai. – Parabéns minha filha.
— Obrigada, papai.
— Eu e Angie temos mais um presente para você.
Angeles que até aquele momento não havia se afastado da porta, aproximou-se de sua sobrinha e entregou a caixinha que continha a pulseira.
— Feliz aniversário Vilu!
A morena abriu a caixinha com cuidado e quando viu do que se tratava o presente, seus olhos brilharam de alegria. As duas se abraçaram e sorriram.
— Quem escolheu o presente foi... – Angie começou a falar, mas foi interrompida por German.
— Foi ideia da sua tia.
— É perfeito – Violetta falou para Angeles a abraçando novamente.
Vilu abraçou seu pai e sussurrou baixinho para que só ele pudesse escutar.
— Obrigada papai, por tudo.
— Então, vamos tomar café?
— Vou me arrumar e já desço.
Angie saiu do quarto em silêncio. German olhou preocupado para a atitude de sua noiva e olhou para Violetta. Eles não falaram nada, mas ambos estavam receosos. Ele deixou o quarto de sua filha e desceu as escadas com um pouco de pressa.
Pov. German.
Violetta também estranhou o comportamento de Angie. Desci as escadas e a vi sentada no sofá. Ela brincava distraidamente com a aliança de noivado enquanto olhava para o nada. Aproximei-me em silencio e me sentei ao seu lado. Coloquei a mão em seu ombro o que a fez despertar de seu transe.
— German – ela exclamou confusa. Quando meus olhos encontraram os seus, notei que ela estava prestes a chorar. Instantaneamente a abracei e disse em seu ouvido:
— Tudo vai ficar bem, meu amor. – A abracei mais forte.
Depois, quando voltei a olhar em seus olhos, eu tentei dizer algo, mas Violetta apareceu na sala.
Pov. German Off.
Angie olhe – ela esticou o braço para mostrar a pulseira nova.
Ficou linda. Vilu, você pode vir aqui comigo, um pouco?
Angie falou levantando-se e fazendo menção a sair da sala.
- Está tudo bem, meu amor? – German perguntou preocupado.
- Sim, mas...
- Vamos, Angie – a aniversariante falou sorrindo e saiu acompanhando sua tia.
As duas passaram pela cozinha e por sorte Olga estava na sala servindo o café da manhã a Ramalho. Angie conduziu Violetta, até seu quarto de governanta. A menina sentou na cama, enquanto a loira procurava por algo no guarda-roupa.
— Cadê? – Ela pronunciava para si mesma.
— Cadê o que Angie? – Violetta estava curiosa. Por que sua tia estava fazendo tanto mistério?
— Aqui! – Angeles exclamou e se virou. Em sua mão, ela tinha um porta-retratos. Angie foi com passos lentos até sua sobrinha e se sentou na frente dela.
— O que é Angie?
O porta-retratos estava apertado no peito de Angie. Ela se concentrava em achar as palavras corretas, e utilizava suas forças para não chorar.
— Eu quero que você fique com isso Vilu, — ela virou o porta-retratos mostrando uma foto tirada há anos atrás. – Foi a última foto que tirei com sua mãe.
Violetta reconhecera sua mãe, que segurava uma maça caramelada no parque. Na frente dela, uma adolescente loira sorria abundantemente. Ela estava segurando outra maça e não olhava para a câmera. Olhava para sua irmã, com um olhar de admiração.
— Angie, eu não posso aceitar – Violetta falou fechando sua mão.
— Não Vilu, por favor. Aceite. Não é todo dia que fazemos dezoito anos, além do mais, eu quero que você fique com essa foto.
Sabendo que sua tia não aceitaria outra resposta, Violetta cedeu e pegou o porta-retratos. Por um minuto ficou observando e notou a semelhança entre a adolescente da foto e a mulher que se encontrava em sua frente.
— Você não mudou nada – Violetta falou sorrindo.
Angie esboçou um sorriso e olhou para Violetta.
— Você tem muito da sua mãe Vilu, mais do que imagina.
(....)
As duas chegaram à mesa sorrindo. Violetta ainda segurava o porta-retratos e Angie brincava com sua aliança de noivado.
— Minha pequenina – Olga apareceu. – Nem acredito que está fazendo dezoito anos. Está tão crescida!
Violetta era esmagada pela empregada. Ela gostava de seus abraços. Angie sentou-se a mesa, sem dizer nada. A loira tinha o olhar no porta-retratos que agora descansava sobre a mesa.
Depois que Violetta recebeu os parabéns de Olga e Ramalho, ela se juntou a família.
— Com licença – Ramalho falou levantando-se. – E mais uma vez, parabéns Violetta.
— Obrigada Ramalho.
— Então Vilu – German perguntou animado. – O que você quer para sua festa?
— Apenas a casa – o comentário de Vilu fez todos rirem. – Eu a Fran e a Cami, estamos resolvendo tudo.
(...)
O resto da refeição foi pacífica. Angie estava mais animada, mas seu coração ainda tinha um peso. Ela temia pela conversa que viria a ter com sua mãe. Dez horas a campainha tocou e o coração de Angie disparou. German, notando sua reação, acariciou a mão de sua princesa. Violetta levantou-se para atender a porta.
— Fran, Cami, Maxi!
— Feliz aniversário Vilu! – eles disseram em uníssono.
— Obrigada! – Vilu falou dando passagem para que eles entrassem. – Angie, só são as meninas e o Maxi!
— Bom dia meninos – Angie falou tentando ao máximo fingir um sorriso convincente.
— Bom dia Angie...
— Papai, esse é o Maxi, a Fran e a...
— Camila – German completou a frase, deixando todos abismados. – Sim, eu lembro.
— Bom dia senhor Castillo – Maxi tomou a iniciativa de quebrar o silêncio.
— Bom dia Maxi – German respondeu olhando para o garoto.
— Vilu, eu vou para minha casa, mas eu volto para o almoço.
— Por que, Angie?
— Eu preciso pegar umas coisas.
— Tudo bem, a gente vai para o jardim – Violetta falou saindo com seus amigos.
— Certeza, meu amor, que precisa ir para casa? – German perguntou, quando ficou só com Angie na sala.
— Sim. Preciso pegar umas coisas, não posso ficar aqui para sempre. Amanhã vou voltar para lá.
— Por quê? Vem morar aqui com a gente.
— Morar aqui? German, não acha que...
— Acho o que? Você já não morava aqui antes?
— Sim, mas era diferente...
— Está decidido, vamos a sua casa e pegamos todas as suas coisas. Minha rainha não pode viver longe do castelo.
Angie sorriu verdadeiramente e assentiu com a cabeça. Eles se aproximaram e se beijaram. Foi um beijo rápido.
— Meus alunos estão no jardim – Angie falou envergonhada.
— Mas eu te amo. Na frente de todo mundo. Não existem motivos para esconder meu amor por você.
Pov. Violetta.
Só tinha ido ao jardim para deixar papai e Angie conversando a sós. Ela estava muito estranha essa manhã, e tentava disfarçar com sorrisos. Fiquei muito contente quando os meninos chegaram. Eles foram meus primeiros amigos de verdade. Fomos ao jardim, cantamos, dançamos, tocamos, conversamos. Estava um dia bonito, tudo parecia ser perfeito. Não escutei quando a campainha tocou, apenas quando Olga abriu a porta.
— Dona Angélica, que bom que veio – Olga cumprimentou vovó.
— Olá, Olga. Violetta está?
— Claro, a pequenina está no jardim com uns amiguinhos.
- Estou aqui – falei entrando na sala.
- Violetta! Parabéns! Minha netinha, nem acredito que já esteja fazendo dezoito anos!
- Como nossa pequenina cresceu, não é mesmo? – Olga falou me olhando com orgulho.
- Sim, sim – disse Angélica. – Vilu, sua tia está em casa?
- Na verdade não vovó, tampouco papai. –Olhei-a desconfiada.
- Vilu – Camila entrou na sala, seguida por Maxi e Fran. – Nós já vamos.
- Sério meninos?
- Sim, só viemos te desejar os parabéns – Maxi falou me abraçando.
- Nos vemos amanhã no Studio?
- Claro.
Despedimos-nos e eles saíram. Ainda encarava minha vó, quando Olga saiu da sala cantarolando. Estava quase na hora do almoço e precisava ter uma conversa com ela.
- Aconteceu alguma coisa, Violetta?
- Aconteceu sim, vovó. – Fui sincera.
- Então me fala, posso te ajudar?
- Vovó, eu gosto muito de você e realmente entendo que a senhora não goste do papai.
- Violetta, se vamos falar sobre isso...
- Sim, nós vamos. E por favor, eu peço que você me escute. Não por mim, muito menos pelo meu pai, mas pela Angie. Eu juro vovó, juro que não te entendo. Por que ficar remoendo feridas do passado? Por que trazer ao presente, mágoas que foram resolvidas? Por que causar dores que poderiam ser esquecidas? Por que acusar o amor como um erro? Por que vovó? Você mesma disse para eu seguir meu coração. Porque culpar Angie por fazer o mesmo?
Pov. Violetta Off.
As palavras foram jogadas ao ar. Bateram no chão e por lá ficaram. Tinham forças o suficiente para fazer alguém entender do que se tratavam, mas Angélica resistia. Resistia àquela força, resistia aos seus pensamentos. Por um momento tudo se calou e o tempo pareceu parar. Violetta tinha os olhos fixos, no olhar de sua vó, enquanto Angélica tentava achar um jeito de explicar toda a situação para a garota. Contudo, o tempo passava e nem mesmo Angélica entendia o porquê de sua rigidez em relação a Angie. Não se sabe quanto tempo passou quando a porta da mansão se abriu e um casal irrompeu a porta. Eles entravam de mãos dadas e pela primeira vez no dia, o sorriso da moça, voltara a ser o mais belo de todos. O sorriso. Foi aquele sorriso que deu forças às palavras que foram largadas ao chão. Foi aquele sorriso que fez Angélica entender o quão injusta estava sendo com sua filha. Foi aquele sorriso, que a fez perceber o que realmente era melhor para sua família.
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