Meus sentimentos por você
6 Zelo
Lucy acordou cedo, ou melhor, foi acordada cedo por uma ruiva curiosa que parecia muito animada para saber como foi a noite dos loiros.
— Anda, Lucy! Quero saber como foi, o que rolou, o que ele fez, o que ele falou… – ela simplesmente não parava de falar.
— Tá, tá… Mas vou me arrumar primeiro e aí a gente toma café e eu te conto enquanto vamos pra guilda, ok?
Ela concordou a contra-gosto.
O café da manhã foi em um clima pesado. Erza e Lucy pareciam felizes e animadas – principalmente a loira –, enquanto Natsu estava visivelmente irritado, Gray indiferente e Happy feliz em devorar todo peixe possível.
No caminho para a guilda, as magas foram um pouco à frente, conversando.
— Ele me levou pra jantar. Foi muito bom… A comida deliciosa.
— Tá, mas e aí? E ele? – a ruiva parecia animada.
— Depois a gente foi pra uma praça e ele me colocou sentada no colo dele e… Meu Deus, Erza! Ele foi tão carinhoso, terno e… quente. – a maga celestial disse suspirando e se abanando ao se lembrar dos eventos da noite anterior. — Ele parecia tão devoto a mim, sabe? Fazia questão de dizer o quão linda eu estava, o quanto adorava meu cheiro e sobre como sou viciante.
Erza estava tão feliz pela amiga. Ela sabia que a amiga já estava em uma idade que precisava começar a dar seguimento à vida amorosa. Antes ela não se preocupava tanto com isso, porque ao menos tinha certeza que hora ou outra rolaria algo com Natsu, mas com o recente namoro dele, ela ficou preocupada que a amiga ficasse presa a isso e jogasse qualquer oportunidade de relacionamento pelo ralo.
Ela estaria mentindo se dissesse que não chegou a ficar preocupada quando soube que o novo affair da amiga era o dragão branco da Sabertooth. Todos conheciam a fama de como ele era avassalador entre as mulheres. Ela chegava até a se questionar se ele já conseguia ser mais mulherengo que Laxus, mas ela acreditava que ele ainda não tinha chegado em tal extremo – ainda. Mas agora, depois do relato da amiga sobre o encontro dos dois, ela abanou para longe todas essas preocupações, pois Sting não se comportava com Lucy como se ela fosse apenas mais uma conquista, ele realmente parecia se importar e desejar profundamente ela. E ela ficava feliz. Para ela, toda mulher deveria experimentar ao menos uma vez na vida uma paixão tão quente e destruidora assim, que a deixasse de pernas bambas, vistas turvas e cabeça confusa.
Mais atrás, vinham os rapazes.
— Que cara de merda é essa, boca de maçarico? – Gray tentava implicar com o amigo, como sempre.
Mas recebeu como resposta apenas silêncio, o que era estranho.
Ele começou a reparar no amigo. Ele andava em passos firmes, sem pressa. Em seu ombro, Happy dormia profundamente – inclusive roncando. Entretanto, o que mais chamou atenção, foi o rosto de Natsu, sua feição. Seu olhar, que se direcionava para Lucy, exalava preocupação e talvez um pouco de irritação e o moreno percebeu que só via esse tipo de olhar no mago em situações extremas e, coincidentemente, sempre eram também para com a maga celestial.
— Natsu, o que está acontecendo? Você tem andado estranho esses dias. – ele disse sério.
— Lucy está saindo com Sting. – Natsu disse após um longo suspiro.
Sim, Gray conseguia deduzir isso depois de ver como o loiro olhava para a loira e como ele tentava sempre estar próximo a ela ou tocá-la.
— Ontem eles foram em um encontro e eu segui eles. – o mago do fogo continuou.
— Você o quê? Por que caralhos você seguiu eles, cabeça de fósforo? – Gray parecia confuso.
— Eu estava preocupado com ela, e com razão. – ele olhou para o amigo, que parecia curioso. — Sabe, outro dia ela apareceu na guilda cheia de chupão, e ontem, depois de jantarem eles ficaram se pegando em uma praça vazia. Quando eu vi ele enfiando a mão embaixo do vestido dela e ela gemendo… Me deu tanta raiva!
Não, sério. Não era possível que Gray tinha ouvido aquilo realmente. Seu amigo tinha atingido um nível de idiotice impossível de ser mensurada. Ele se sentia muito irritado com a infantilidade dele no momento.
— Natsu, e por que você está tão puto com isso? Não é como se você e Lisanna não fizessem isso também, não é?
— Mas a Luce é minha! – ele exclamou. — Aquele babaca não deveria tocá-la. É tão óbvio que ele está usando ela só pra me atingir… Não sei como ela tá sendo tão cega e burra de não enxergar isso!
O mago de gelo parou de andar, o que fez o dragon slayer do fogo imitá-lo.
— Você é tão idiota assim? – o moreno começou. — Sério. Lucy não é sua. É legal você se preocupar com ela, mas ela já é mulher, sabe se virar, então você ficar querendo controlar a vida dela enquanto você segue com a sua sem interferência, é bem hipócrita da sua parte. Além de que ela é uma mulher inteligente, interessante e muito bonita. Se você não conseguiu enxergar isso antes, Sting conseguiu. Então apenas supere isso. – ele suspirou ruidosamente e voltou a andar. — Natsu, pode ser chocante pra você essa informação, mas o mundo não gira ao seu redor. Nem tudo é sobre você.
Ambos não falaram mais nada, apenas seguiram até a guilda em silêncio.
A guilda ainda estava praticamente vazia. Apenas Sting e seu time estavam ali. O loiro estava sentado no bar, descontraído e, quando viu o grupo de fadas chegando, puxou a loira que passava por si pelas mãos, para que ficasse próxima a ele, entre suas pernas. Ele acariciava os dedos dela, sem pressa ou qualquer outra intenção além de carinho.
— Espero que tenha dormido bem. – ele sorriu ao receber um sorriso dela em resposta.
— A noite ontem foi muito boa, obrigada.
— Estava só esperando você chegar pra te ver, tenho muito trabalho pra fazer hoje. – ele disse.
Em seguida, ele deu um singelo beijo na têmpora da loira e se despediu, subindo as escadas que levavam à sua sala.
Lucy ficou ali com um sorriso bobo, enquanto os demais tigres tentavam entender que porra era aquela que tinha acabado de acontecer.
Todos os magos da Fairy Tail foram então se sentar à mesa com os tigres ali presentes. Uma imensidão de assuntos surgiram um em cima do outro, ao mesmo tempo e Lucy tentava acompanhar tudo aquilo quieta e Rogue apenas a observava.
Era intrigante como essa garota conseguiu mudar tanto seu irmão, positivamente. Sting sempre foi muito fechado com seus sentimentos – não que Rogue também não fosse –, mas pela personalidade extrovertida do loiro, era esperado que ele não fosse recluso com esse tipo de coisa. Ele sempre tentava manter as coisas separadas. Tanto que por mais que ele ficasse com várias mulheres, ele nunca, definitivamente nunca, ficava com elas na guilda. No máximo falava para encontrá-lo na hora da saída e finalizavam aquilo em um hotel qualquer – nunca na casa dele também. Era quase como se existissem três vidas distintas para ele. Uma na guilda como mestre, uma fora da guilda como mulherengo e outro em casa, onde ele – que o conhecia – sabia que era o Sting real.
Mas aquela garota estava começando a misturar essas coisas e isso era bom. Afinal, estava ali agora a pouco Sting demonstrando carinho e afeto a uma garota na guilda, na frente dos amigos dele e dos dela. Ele ficava feliz e queria entender mais sobre essa garota.
— Então você e Sting… – ele disse indo direto ao ponto.
Lucy engasgou, ficou vermelha e sorriu.
— Ahn, estamos só nos conhecendo…
— Você gosta dele, não é? Dá pra ver nos seus olhos.
Ela arregalou os olhos em surpresa e depois desviou o olhar para o chão, envergonhada.
— É, eu gosto mesmo daquele idiota. Estranhamente esse sentimento parece ter começado a sair do meu controle, mais do que eu gostaria. – Lucy o encarou e finalizou sorrindo. — Mas ele tem me feito tão feliz! Quero poder fazê-lo também.
— Fro acha que Fada está apaixonada pelo Sting! – o gatinho disse.
— É claro que ela está apaixonada por ele. Todas se apaixonam pelo Grande Sting Eucliffe! – Lector exclamou orgulhoso, o que arrancou uma risada da loira.
Rogue jurava que essa loira estava envolvida com o dragon slayer do fogo, mas agora que ele via esse sorriso dela ao falar do seu irmão e o quão feliz ela ficava, ele só conseguia pensar que o Natsu era um idiota por não ter conseguido fisgar uma garota tão incrível e ficava muito feliz pelo seu irmão ter tido a inteligência de não estragar tudo com ela – ainda –, mas ele se certificaria de fazer o possível para que ambos os loiros continuassem assim: felizes.
Era uma relação engraçada que surgia ali entre Rogue e Lucy. Viraram amigos, mas, mais que isso, Rogue se preocupava com ela como se fosse um irmão e, ao mesmo tempo, julgava-a se era boa para Sting como um cunhado criterioso. Mas o óbvio é que ambos estavam próximos graças ao loiro.
Eles passaram a maior parte da tarde conversando. Ora sobre Sting, ora sobre missões.
Ah, é claro que Lucy também não deixou de notar que o mago das sombras tinha um verdadeiro penhasco pela maga celestial da Sabertooth, Yukino. Pelo o que ele contou, eles já se relacionavam desde a metade dos jogos mágicos, pouco depois dela ter sido expulsa da guilda, mas que ele ainda não teve coragem de dizer as famosas três palavras – e nem ela – e nem tinham tornado tudo isso oficial para os amigos, mesmo todos já suspeitando.
Lucy o incentivou a dizer logo o que sentia, antes de perder a oportunidade e de assumir logo o relacionamento também.
— Olha, por mais que vocês já façam tudo que namorados fazem… – ela corou bastante ao dizer isso. — Acredito que deve ser bem melhor e mais prazeroso poder fazer tudo isso com todos sabendo que é você que está com ela e ela que está com você. – ela viu ele arregalar os olhos como se aquela informação tivesse mexido com ele, de verdade. — Ah, vamos lá. Sou amiga de um dragon slayer faz anos e estou… me envolvendo, com outro agora. Sei que vocês tendem a ser possessivos e que mostrar toda essa posse é um motivo de prazer. Portanto, não abra mão disso por bobagem. Acredite, ela também adoraria saber que é tão desejada assim.
Rogue agradeceu pelo conselho e garantiu que ia pensar sobre isso, o que já foi suficiente para Lucy sorrir.
Ambos seguiram conversando por grande parte do dia, quando Sting sai de sua sala para pegar algo pra beber e vê aquela cena: Lucy risonha conversando com seu irmão que também sorria. Ambos pareciam bem próximos e felizes. Rogue o olhou e Sting parecia tentar entender que porra era aquela ali, apenas pelo olhar. Não conseguiu.
— Rogue, minha sala. – falou sério, voltando o caminho.
Rogue em seguida subiu também.
— Sting… – ele disse cumprimentando o amigo ao entrar.
O loiro estava sentado em sua cadeira, sério.
— Rogue, o que você e a Lucy tanto conversavam?
Permaneceu um silêncio absurdo por um tempo na sala, até se escutar uma baixa risada escapar de Rogue.
— Você está com ciúmes?
— O quê? Claro que não! – Sting disse se levantando e começando a andar nervoso pela sala. — Eu sentir ciúmes da Blondie? Deixe de ser idiota.
Naquele momento, Rogue teve certeza que, por sorte, Sting parecia estar tão envolvido naquilo quanto Lucy demonstrou estar. Ou seja, com sorte aquilo parecia ter grande chance de acabar bem.
— Sting, você está gostando dela?
Silêncio. O loiro estava simplesmente parado, com as mãos no bolso e olhando para o chão. O moreno então suspirou.
— Tanto faz… Só queria saber mais sobre a garota que estava te fazendo tão bem. – Rogue disse dando as costas para sair. — Ah, Sting, – ele virou o rosto para encarar o amigo. — não a machuque.
Sting ainda pensava sobre a conversa com Rogue. Machucá-la? Claro que não faria isso. Nunca. Pelo contrário, ele queria curá-la. Queria que aquele sorriso radiante ficasse no rosto dela o máximo de tempo possível. Então, sem pensar muito, ele desceu até ela, que estava à mesa conversando.
A guilda estava cheia já, e todos pareceram parar para prestar atenção no que estava acontecendo ou que ia acontecer.
O loiro a pegou pela mão e a levou até sua sala, sem dizer nada. Todos ficaram confusos, incluindo a própria Lucy. Eles entraram na sala e ele fechou a porta. E ela o olha curiosa.
— Não consigo mais ficar tanto tempo sem seus beijos, Blondie. – ele disse manhoso, enquanto roubava um beijo dela, que sorria durante o carinho.
— Sting, nós nos beijamos nessa madrugada mesmo, bobo! – ela tentava retrucar, mas ele não largava os lábios dela.
— Ah, Blondie… Faz muito tempo! – a beijou novamente. — Você tem que alimentar meu dragão interior. Ah, e ele está faminto!
Ele a olhou cheio de malícia e a levantou, fazendo-a enroscar as pernas em sua cintura, o que a fez rir e a levou para sua mesa, a sentando ali. Ele ficou em pé em frente ela, entre suas pernas e voltou a beijá-la, como se nunca se cansasse disso.
Ele já estava tão duro e necessitado que começou a friccionar sua ereção na virilha da loira enquanto beijava o pescoço dela.
— Você me deixa doido, Blondie.
Ele abaixou uma das alças da blusa, beijando os ombros dela e descendo para o busto. Lucy sentia aquele volume grande e rígido pressionando contra sua intimidade e isso a fazia se sentir tão quente! Ela só não queria que Sting parasse aquilo.
O loiro estava ficando cada vez mais excitado, principalmente quando sentia o cheiro afrodisíaco da excitação da maga atingir suas narinas. Isso o deixava mais e mais necessitado, roçando com ainda mais força sua excitação nela. Seus lábios se revezavam entre os lábios e o busto quase despido da maga e isso arrancava suspiros e gemidos manhosos dela, implorando por cada vez mais.
— Sting… – ronronava a maga no ouvido do loiro, que como resposta rosnava e mordia os lábios da loira para em seguida voltar a beijá-los ferozmente.
Enquanto isso, no andar de baixo, quase todos pareciam conversar tranquilamente. Sim, quase todos. Porque dois dragon slayers nesse momento praguejavam os sentidos apurados que o poder do dragão lhes deram.
Rogue, de olhos fechados e braços cruzados, apenas balançava a cabeça negativamente ao sentir o cheiro e ouvir os baixos gemidos da jovem. Realmente Sting estava mudado, porque até pouco tempo atrás, era inconcebível para ele fazer qualquer coisa do tipo ali na guilda.
Já Natsu, estava possesso! Mas que porra! Ele nem conseguia pensar em nada sobre o que poderia estar acontecendo naquela sala. Ele simplesmente só conseguia enxergar vermelho e queria acabar com aquilo e proteger sua Luce. Ele saiu correndo em direção à sala do mestre e fonte dos gemidos. Os magos que estavam na mesa com ele – fadas e tigres – o tentaram impedir, mas lentos demais.
Foi questão de segundos para que a porta da sala fosse escancarada por Natsu que entrava e dava de cara com aquela cena, sendo seguido pelos amigos de ambas as guildas.
Lucy, ainda sentada na mesa de Sting, possuía o rosto vermelho, com a cabeça jogada para trás, enquanto Sting beijava-lhe o pescoço com afinco. Uma das alças de sua regata estava abaixada, baixando também o decote – que já era generoso. Em pé, em frente a ela e entre suas pernas, estava Sting já sem camisa e com as costas marcadas de arranhões, provavelmente causados pelas unhas da maga, que ainda repousavam ali. E os corpos? Ah, próximos demais.
— Mas que porra é essa? – Natsu gritou puto. — Sai de perto da minha Luce!
Sting riu, ainda de costas para ele, se afastou, ajudando Lucy a descer da mesa e depois se aproximando de novo, a abraçando por trás.
— Me afastar dela, hein? – em seus lábios agora estava aquela risada sarcástica e repleta de escárnio que esteve presente nos Grandes Jogos Mágicos. — Me pergunto quem é você para dizer o que eu posso ou não fazer com minha namorada. – ele finaliza deixando um beijo repentino no pescoço de Lucy, que se arrepia.
Todos ali – exceto Rogue, Erza e Gray – pareciam surpresos com a informação. Ok, nem quem sabia sobre o envolvimento dos dois imaginava que eles estariam namorando. Sting achou graça da reação dos amigos e apenas sorriu, abraçando Lucy mais forte e cheirando seu cabelo, como se aquilo servisse o suficiente de confirmação sobre a informação que ele jogou como uma bomba.
— Por sinal, Natsu, – ele agora olhava sério para o mago do fogo. — eu já estou de saco cheio de você ficar como um cachorro a rondando querendo marcar território. Ela não é sua. Ela é minha.
Fale com o autor