Meus sentimentos por você
3 Ternura
Lucy acordou surpreendentemente tarde. Seu corpo inteiro doía, provavelmente por ter adormecido no chão, sentada. Ao lembrar do que havia acontecido na noite anterior, ela voltou a chorar, ela ainda ficava muito surpresa em perceber o que Natsu lhe fizera. Seu pulso parecia latejar de dor e a marca parecia estar num tom ainda mais profundo de roxo.
Ela suspirou.
Ao menos hoje ela veria Sting, portanto, ao invés de ir à guilda, decidiu se dar um tempo de relaxamento e beleza. Foi ao chuveiro e lavou os cabelos, enquanto a banheira enchia com sais calmantes e cheirosos.
Depois de entrar na banheira, ela soltou um gemido de satisfação por sentir aquela água morna relaxar todos os seus músculos. Ela se permitiu ficar ali, deitada de olhos fechados apenas relaxando, por minutos, ou talvez até horas. Isso a deixou melhor, mais leve. Ela suspirou e saiu da banheira, se secando com uma toalha e se enrolando nela.
Em frente ao espelho, penteou seus cabelos ainda úmidos, hidratou seu corpo com algum creme cheiroso e aplicou seu perfume usual. Torcendo para que não tenha exagerado, ela sabe o quão sensível é o olfato de um dragon slayer, mas ela queria ter certeza que ele se lembrasse do cheiro dela.
Em seguida, escolheu algumas roupas para usar. Cores claras, uma saia curta e uma regata justa, como o normal, colocou brincos com pingente de estrela e um colar combinando, nos pés, suas botas que chegavam até a coxa. Ela se olhou no espelho novamente e estava linda, exceto pela marca roxa e horrível que possuía no pulso. Ela ficou observando o hematoma, pensando em como resolver aquilo. Se ela colocasse bandagens, deixaria Sting curioso ou – talvez – preocupado, maquiagem não seria capaz de cobrir direito, já que ela nem tem tanta habilidade mesmo com isso.
Ela começou a vasculhar o closet procurando por algo, e então achou.
Ok, era uma munhequeira preta. Ela havia ganho isso de alguém e nem se lembrava quando, porque realmente não curtia muito esse tipo de coisa, mas colocou e ela tapou perfeitamente a marca, então pra ela foi bom o suficiente.
Olhou para o relógio e se surpreendeu por já estar quase no horário de encontrar Sting. Ela pegou suas chaves, seu chicote e correu para a estação, estava animada em vê-lo.
Sting tinha acordado cedo demais para o gosto dele. E começava a se perguntar qual o problema dele. Ele odiava com todas as forças andar de trem, e ao invés de fazer uma única viagem para a reunião, ele simplesmente fez questão de dividi-la em duas, apenas para ver aquela loira de sorriso bonito e lábios gostosos.
O dia anterior havia sido particularmente difícil para ele. Após enviar a carta ainda de manhã, ele tinha passado o dia na guilda. O problema é que aparentemente as meninas de Crocus pareceram combinar se encontrarem na Sabertooth para lhe atormentar o sossego da mente, e hoje não foi diferente.
Sting sempre fez muito sucesso com mulheres, mas depois que se tornou mestre de guilda e começou a aparecer mais vezes na revista, não parava de chover garota o querendo, e normalmente ele não recusava, pelo contrário, quanto mais melhor! O dragão interior dele clamava por isso e ele atendia.
Mas agora a situação era diferente. Ele estava namorando e, mesmo que fosse um relacionamento parcialmente fictício, ele respeitava-a o suficiente para não a magoar. Então deu logo um jeito de despachar as meninas de sua sala e do salão da Sabertooth – o que surpreendeu muitos membros.
— O que é isso, Sting? Está fazendo celibato? – Rufus perguntou.
— Fro não sabe o que é celibato. – o pequeno exceed disse confuso, olhando para todos esperando por alguma resposta.
— Celibato quer dizer que o Sting está fazendo jejum de mulher… – Orga começou a explicar, fazendo carinho na cabeça do gato. — Mas não se preocupe, não deve durar muito tempo, em breve ele deve voltar a comer essas meninas.
Todos ficaram chocados com o jeito que Orga explicou para Fro, mas o pequeno pareceu entender – de certa forma.
— Ah, então Fro acha que Rogue não faz celibato porque Rogue come a Yukino toda noite.
— Frosh! – Rogue e Yukino exclamam ao mesmo tempo, ambos vermelhos como pimentão, enquanto os outros riam com a declaração inocente do gato cosplay.
— Tá, tá… Não é como se fosse segredo que Rogue e Yukino se pegam desde os Grandes Jogos Mágicos. – ele disse abanando a mão, como se o assunto fosse desnecessário. — Bem, minha relação ou falta dela com mulheres não diz respeito a nenhum de vocês, mas, bem, Rogue, tenho uma reunião de mestres e preciso que você cuide da guilda por hoje, já estou indo pra tentar pegar o próximo trem.
Ele saiu correndo, mas antes conseguiu ouvir Rogue dizer:
— Mas a reunião é apenas à noite…
A maga celestial já estava na estação, mas aparentemente ele ainda não havia chegado, ela se sentou em um banco qualquer e se colocou a esperar. Suas pernas tremiam de nervosismo, ela não sabia como reagir quando ele chegasse. O abraçaria? O beijaria? Diria só um oi?
Lucy desde que perdeu sua mãe, gostava de poder saber o que iria acontecer ou ao menos ter planos concretos de como agir em cada situação. Ela era tão pequena, mas ainda se lembra o quão sem chão ficou ao perder sua amada mãe. Foi tão repentino, uma verdadeira surpresa e ela percebeu que não se dava bem com surpresas. Então, a partir daquele ponto, ela sempre tentava controlar as coisas nos mínimos detalhes para não ser tão negativamente surpreendida. Ela suspirou ao lembrar que isso vinha acontecendo com certa frequência nesses últimos dias, o que deixava ainda mais ansiosa e nervosa com essa situação toda. Ela estava entrando em um relacionamento fictício com um cara que ela mal conhece, sem saber o que esperar, apenas na esperança de curar um coração ferido.
Ela sorriu.
Isso daria um ótimo enredo para um próximo livro. Fake dating é um de seus clichês favoritos.
Finalmente ela sai de seus devaneios com o apito do trem se aproximando da estação. Ela continuou sentada, afinal, ela ainda tinha um pé atrás se ele realmente iria aparecer. E então ele aparece, tão glorioso como um tomate estragado no fim de feira.
Lucy soltou uma alta risada.
Afinal, no fim Sting era um dragon slayer e seu rosto esverdeado mostrava o quão enjoado ele tinha ficado com isso.
Se levantou para recebê-lo e o abraçou. O abraço no início desengonçado – pela fraqueza do tigre – ficou firme, forte e possessivo. Sting passava seu nariz pelo pescoço da maga, que suspirava ao sentir a respiração dele em sua pele sensível.
— Seu cheiro é simplesmente inebriante. – a voz dele era baixa e rouca. Em seguida ele a olhou, segurou o queixo dela e a beijou, um beijo calmo. — Sua boca é deliciosa e seu beijo é viciante. – ele a olhou corar com seus comentários e sorriu. — Isso me lembrou o porquê de eu decidir dividir minha torturante viagem de trem em duas torturantes viagens de trem.
Lucy sorriu também. Estava feliz.
Sting segurou a mão dela e começaram a andar.
— E então, Blondie… Onde você vai me levar? – ele indagou.
— Eu?
— É claro, você que conhece a cidade. – ele disse. — Claro, que se quiser que eu sugira algo, eu rapidinho acho um hotel com uma cama grande e confortável pra gente.
Ele riu e Lucy também, enquanto batia de leve no braço dele. De uma forma estranha, ela se sentia bem com essa personalidade avassaladora dele, quase como se ele fizesse questão de que ela não tivesse absolutamente nada de negativo para pensar sobre ele, que ele se tornasse o melhor homem na vida dela. É, realmente isso é a cara dessa personalidade narcisista dele.
Eles seguiam andando de mãos dadas, quando Lucy começa a correr apontando para um lugar em específico.
— Ai meu Deus! Eu amo o sorvete deles! Vem! Você tem que provar!
Ela parecia tão animada que Sting nem reclamou por estar sendo arrastado. Ela estava com um sorriso reluzente, e, naquele momento, ele viu o quão babaca Natsu era por, não só, abrir mão de um sorriso desse, como também tirá-lo do rosto dela. E Sting prometeu a si mesma fazer que ela ficasse mais vezes assim, principalmente com ele.
— Eu quero um de morango, por favor, e você, Sting? – ela perguntava.
— Hm… Pode ser menta com chocolate.
Após receberem e Sting pagar pelos sorvetes, eles agora caminhavam lado a lado, Sting a abraçava pelos ombros.
— Realmente, muito bom o sorvete. – o loiro disse enquanto provava e sentava-se junto à maga sob a sombra de uma árvore no parque.
Lucy o olhou com uma cara estranha.
— O que foi? Que cara é essa, Blondie?
Lucy revirou os olhos com o apelido. Mas ela admitia que achava fofo e gostava que ele tivesse pensado em um apelido único para si.
— Sabor estranho que você escolheu. – ela disse.
— Estranho nada, quer provar? – ele ofereceu uma colherada, que ela aceitou.
Ela pareceu surpresa, mas depois deixou a face neutra.
— Hm, até que não é tão ruim.
— “Não é tão ruim”, hein? – ele zombou. — Pode admitir que gostou.
Ela revirou os olhos e concordou.
— Ok, é gostoso sim… Mas ainda prefiro o de morango! – ela disse colocando uma colher de sorvete rosa em sua boca e sorrindo.
— Realmente, morango é muito melhor. – ele falou com a voz rouca, enquanto limpava com o dedo o canto da boca da loira.
— Hm… Quer um pouco? – ela perguntou-lhe oferecendo o pote.
— Sim.
Mas ele não pegou o pote de sorvete, ele a beijou, pegando Lucy desprevenida. A verdade é que desde o primeiro beijo que deu nela, ele se viciou no beijo gelado com sabor de morango que apenas ela podia lhe dar. Ah, e se dependesse dele, ele provaria o dia inteiro.
Eles ficaram ali, apenas trocando beijos por um tempo. Lucy estava extasiada e Sting adorava vê-la assim e, melhor ainda, era saber que era ele quem causava isso nela. Sting a beijava docemente, mas com total controle da situação, e a loira o acompanhava perfeitamente. E ele pensava em quão rápido ela aprendia.
Ele descia suas mãos pelos ombros dela, acariciando o braço dela até os pulsos. Ele separou o beijo e olhou aquilo em um dos pulsos dela. Era uma munhequeira preta que não fazia sentido. Ele olhou para a roupa dela e constatou que não combinava com ela e nem com a personalidade da maga. Ela pareceu nervosa ao notar a atenção repentina dele pelo acessório, e tentou afastar o braço dele, que foi inútil.
Ele retirou aquele acessório e ficou surpreso, depois chocado e finalmente com raiva. Tinha a porra de um hematoma enorme e horrível ali. Ele subiu o olhar, para questionar ela sobre isso e agora sentia preocupação. Ela estava com um olhar triste e parecia segurar lágrimas.
— Blondie, quem fez isso com você? – ele estava sério e preocupado.
Ela parecia tentar segurar as lágrimas com todas as forças, mas ainda algumas escaparam. Ela suspirou fundo, tentando saber como começar a contar o desastre de ontem.
— Lucy, quem fez isso com você? – ele repetiu, agora mais sério e sem o apelido carinhoso.
Lucy percebeu naquele momento que preferia que ele usasse o apelido, mas viu também que ele estava realmente preocupado com ela.
— Natsu…
— Mas que porra? Eu vou matar aquele bastardo de merda! – ele estava levantando, exalando raiva, mas Lucy segurou sua mão.
— Não, Sting… Fica, por favor.
Ele suspirou e se sentou de novo.
— Blondie… Me conta o que aconteceu. – ele perguntou.
Ela suspirou e desviou o olhar dele.
— Ontem ele estava na guilda quando a carta chegou, ele tomou ela de mim e começou a ler. Eu consegui tomar dele, mas ele ficou muito possesso. Ele falou um bocado de merda pra mim e eu não aceitei, bati de frente com ele e fui embora. Quando cheguei em casa, ele estava lá. Ele estava com tanta raiva, que estava assustador… Eu tentei sair correndo, mas ele segurou meus pulsos com força e ficou falando que era pra eu me afastar de você porque eu era “dele”. – ela disse fazendo aspas com os dedos e revirando os olhos. — Eu falei que ele estava me machucando e ele me soltou. Quando ele viu a marca, ele pareceu arrependido e até pediu desculpas.
— Blondie… Isso é imperdoável. Ele te machucou!
— Não, Sting, não tem problema, sabe. É só eu ignorar também, não é como se isso fosse me matar. – ela disse dando um sorriso fraco.
— Blondie, para com isso, sério. Assim como você merece que Natsu te respeite, você também merece se respeitar. Pare de aceitar tão pouco, sendo que você merece muito mais.
Lucy deixou escapar mais algumas lágrimas, que logo Sting enxugou.
Ele a beijou carinhosamente e disse:
— Hoje vou te deixar marcas também. Muitas marcas. Quero que você as veja depois e pense se elas lhe fazem se sentir igual à que o Natsu lhe deixou. – ele beijou o pescoço da maga. — Quero que repare, Blondie, que existem duas formas de te tratarem, e a do Natsu é a errada.
Ele a beijou novamente. O beijo era ávido e sedento. Em seguida, ele desceu os beijos para o pescoço da maga, distribuindo chupões por onde passava, arrancando gemidos da loira. Sting percebeu que amou ouví-los. Cada vez mais ele descia com os beijos e chupões. Pescoço, ombro, até finalmente chegar à parte dos seios que estava exposta pelo decote.
Tinha começado a chover, as gotas os molhavam, mas eles não ligavam, já eram os únicos ali e Sting estava excitado demais para parar aquilo por algo bobo como chuva. Os seios dela eram macios e ele queria tanto arrancar a blusa dela ali mesmo e sugar os mamilos dela… Por sinal, eles já se mostravam evidentes pelo relevo na blusa justa. Ele beijou-a novamente na boca. Estava quase na hora de ir embora, então ele afastou e olhou-a.
Ela estava linda. O olhar triste foi substituído pelo olhar de desejo, as bochechas estavam tão vermelhas quanto seus lábios inchados, e por todo pescoço, ombro e busto, via-se pequenas marcas também vermelhas – que em breve ele sabia que se tornariam mais evidentes –, ele sorriu abertamente ao pensar que outros veriam as marcas, mas que apenas ele poderia fazer aquilo nela.
Ele estava excitado. Não estava acostumado a ir tão devagar com uma garota, mas sabia que ela merecia isso. Ele queria que isso tudo fosse tão bom pra ela quanto está sendo para si e, com sorte, ela nunca o esqueceria.
Ele continuou a olhá-la e percebeu algo que estava implorando para que ele perdesse o controle. A regata branca dela estava agora molhada, começando a apresentar sinais de transparência, e ele sabia que se começasse a prestar atenção demais àqueles seios deliciosos, ele avançaria mais do que queria naquele dia. Ele a abraçou e disse que era melhor saírem da chuva. Caminharam abraçados, lentamente e em silêncio para a casa da loira, onde se despediram com mais um beijo.
Lucy entrou em casa já tirando a roupa molhada para já colocá-las para lavar. Logo após, ela foi para o quarto e viu a janela aberta, um arrepio passou por seu corpo, se lembrando da noite anterior e decidiu fechá-la. Tomou um banho rápido de chuveiro, a água morna aquecia seu corpo anteriormente gelado pela chuva.
Ao se secar, em frente ao espelho, ela admirou as marcas que pareciam cada vez ganhar mais cor. Era quase como um histórico, para que quando olhasse aquelas marcas, ela lembrasse passo-a-passo o que Sting lhe tinha feito nessa tarde e como ela se sentiu bem com isso. Sim, ela se sentiu bem durante essa tarde com ele, e se sentia bem vendo aquelas marcas, diferente da que Natsu lhe deu. Natsu a tinha assustado e, mais do que isso, abalado sua confiança. Seria ela capaz ainda de confiar sua vida na mão do mago que lhe machucou por tão pouco?
Ela suspirou.
Permitiu-se admirar o próprio corpo. Ela se achava bonita, sempre teve certa confiança em sua aparência, mas desde que começou a interagir com o loiro, ela se sentia como se fosse uma escultura de arte renomada que deveria ficar em um museu para que todos apreciassem. Provavelmente Sting não gostaria disso.
Ela riu.
Era engraçado como em tão pouco tempo ela conseguia enxergar mais traços da personalidade dele que antes ela sequer imaginava. Antes, ela apenas o via como alguém narcisista, arrogante e egocêntrico. Mas ela agora enxergava certa doçura, carinho, preocupação e até um pouco de possessividade que ela achava adorável.
Ainda pensando sobre a tarde que teve, não demorou muito para que ela pegasse no sono.
Enquanto isso, Sting se derretia no assento do trem. Odiava ter essa merda de enjoo em transportes e, pra piorar, ainda tinha cerca de três horas de viagem pela frente e sozinho isso parecia muito pior.
Era estranho admitir, mas talvez gostaria que ela estivesse com ele ali. Provavelmente ela tagarelaria sem parar, e, se ele fosse sortudo, talvez ganharia algum carinho dela no caminho.
Ele não era muito sentimental ou de se apegar às pessoas, mas ela o deixava diferente. Ele sabia que ela o fazia uma pessoa melhor, menos introspectivo, mais expansivo. Mais feliz talvez? Ele não sabe quanto tempo duraria esse tal acordo, mas queria que se um dia acabasse, que eles ao menos continuassem amigos.
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