Meus sentimentos por você
9 Conforto
A noite foi longa. Sting passou o tempo todo ao lado de Lucy. Erza chegou bêbada e curiosa pelo o que aconteceu para que sua amiga estivesse chorando, mas o pouco de senso que lhe sobrava, gritava para que ela ignorasse isso agora e fosse dormir. O que quer que tenha acontecido, hoje, Eucliffe cuidaria disso.
O loiro abraçava a namorada e acarinhava os fios dourados e macios de Lucy, vez ou outra sussurrando que tudo ficaria bem e que ele estava ali com ela.
Naquele momento ele percebeu o porquê de odiar se envolver com as pessoas. Ele estava se sentindo tão mal ao ver sua loira ali, quebrada. Cada lágrima que caía dos olhos dela, era mais um som do coração dele trincando. Se ele pudesse, ele tomaria todas as dores dela pra si, apenas para que ela pudesse manter sempre aquele sorriso radiante no rosto. O sorriso que ele tanto ama e anseia ver de novo.
Ele não dormiu nada, mas, felizmente, ela conseguiu por algumas poucas horas, porém mesmo assim não foi o suficiente.
Com o raiar do sol, Sting beijou a testa de Lucy, que acordou confusa e disse:
— Preciso ir à Magnólia resolver essa situação de uma vez. Vou tentar voltar o quanto antes por você. – ele dizia manso, enquanto acariciava-lhe o rosto com afeto. — Enquanto isso, me promete uma coisa?
Ela apenas acenou positivamente com a cabeça, sem desviar os olhos achocolatados dos belos olhos céu-noturno.
— Não chore. – ele pediu. — Eu já me sinto mal por sair e te deixar aqui, mas eu ficarei ainda pior em imaginar que você estará triste e eu não poderei enxugar as suas lágrimas.
Ela sorriu docemente.
— Quando eu ficar triste, vou lembrar de quão bobo você é, Abelha. Certeza que vou morrer de rir. – ela brincou com ele, que sorriu por vê-la rir, mesmo que seja às custas dele.
Depois ela ficou serena, suspirou com os olhos fechados e o olhou no fundo dos olhos.
— Não vou chorar, eu prometo! – ela disse estendendo o dedo mínimo para o loiro que o entrelaçou com o próprio, selando uma promessa entre ambos. — E magos celestiais nunca quebram suas promessas!
Sting se despediu com um breve roçar de lábios e um afago na cabeça da namorada e saiu, pela janela mesmo.
Ele suspirou.
O assunto era sério, a situação era séria, mas mesmo assim ele andava vagarosamente até a estação. Afinal, não é como se ele estivesse animado em enfrentar aquele monstro de metal para falar com o mestre das fadas algo que poderia ser feito por uma lácrima de comunicação. Mas ele sabia que apesar de poder ser tratado à distância, ele não devia tratar à distância.
Essa situação toda era surreal. Ok, ele começou esse lance todo de namoro com a Lucy para ajudá-la a ganhar confiança, experiência e, principalmente, para irritar Natsu e fazê-lo sentir o mesmo que ela sentiu. Mas tudo saiu do controle. Foram sequências de cenas ridículas de ciúmes de Natsu e ele respirava fundo e tentava se acalmar, pensando que aquilo era por Lucy e que ela queria ver o mago do fogo puto daquele jeito mesmo.
Mas ontem… Ontem Dragneel passou de todo e qualquer limite existente. Ele ofendeu Lucy e quebrou os caquinhos do coração dela que Sting estava tentando ajudar a colar e consertar. Ele não ficaria ali apático vendo ele fazer sua namorada chorar a noite toda sem fazer nada.
Quando chegou à cidade das fadas, o mal-estar deu lugar ao mau humor e à raiva. Ele andava pisando duro e mantinha o cenho franzido. Antes de passar pelas grandes portas de madeira da guilda, ele já conseguia ouvir toda aquela algazarra, mas foi apenas ele entrar que o silêncio reinou. Todos o olhavam, se perguntando o porquê do mestre dos tigres estar ali em meio a um intercâmbio acontecendo e, principalmente, o porquê dele parecer tão irritado.
Mas ele não ligava pra isso, ele apenas olhava para Makarov, que apenas suspirou sabendo que vinha merda. E foi ignorando todos – inclusive Yukino que lhe saudou as boas-vindas – que ele seguiu o velhote escadas acima para a sala do mestre.
A porta se fechou, Makarov se sentou e Sting também. Ambos suspiraram fundo.
— Eu e Lucy estamos namorando. – ele disse de supetão.
Ok, Makarov esperava um problema e não uma confissão de relacionamento. Mas, de qualquer jeito, ele estava feliz por ambos e se permitiu sorrir.
— Fico feliz por vocês!
— Pois eu não. – Sting cuspiu as palavras com raiva e Makarov ficou confuso. — Não estou feliz porque eu deveria estar lá com minha namorada, mas tive que pegar a merda de um trem para vir resolver um problema de um pirralho seu!
O velhote suspirou. Então era isso.
— Natsu?
— Sim. Natsu. – ele sibilava com raiva palpável. — Eu juro, Makarov, que eu me segurei e tentei ignorar aquele idiota e as ações idiotas dele, mas a partir do momento que elas passam a machucar minha namorada… – ele suspirou tentando se acalmar passando as mãos pelo cabelo, ajeitando os fios rebeldes.
— Sting, o que aconteceu? – o mix de curiosidade e preocupação dava as caras.
— Todo e qualquer momento meu com a Blondie o idiota vinha encher a merda do saco e interromper. Mas ok, eu relevei, devia ser ciúmes pela amizade longa deles. – ele parecia mais calmo. — Mas ontem… A gente estava em um momento íntimo e ele arrombou o quarto do hotel, foi insinuando como se eu estivesse abusando dela e, quando ela saiu em minha defesa, ele começou a despejar um monte de merda nela, empurrou, chamou de vadia… – ele estava de olhos fechados e punho cerrado.
Makarov conseguia sentir o fluxo de magia intensa que o loiro exalava e isso o fazia ter noção de quão ruim foi aquela situação.
— Ela ficou acabada, chorou a noite toda e eu tive que deixar ela lá, em frangalhos para vir arranjar um jeito de resolver o problema com esse idiota que ainda não percebeu que a Lucy não é propriedade dele. E, Makarov, – ele agora falava olhando no fundo dos olhos do mais velho. — se isso não acabar, a próxima vez que acontecer, eu que vou acabar com ele.
O grisalho limpou a garganta, nervoso, e respondeu:
— Compreendo… Acho que sei como resolver isso.
Nem fodendo que Lucy iria colocar os pés na guilda hoje.
Pouco depois que Sting foi embora, ela tentou voltar a dormir e até conseguiu, mas foi longe de ser um sono restaurador, mas foi o suficiente.
Faz cerca de meia hora que acordou de novo. E faz também cerca de meia hora que ela ouvia Erza e Gray gritar qualquer coisa para Natsu no quarto ao lado, enquanto ouvia Rogue conversar com o pessoal do hotel e ela arrumava suas coisas.
A situação é que Natsu tinha arrombado a porta do quarto, deixando ela totalmente destruída. Pelo visto as guildas teriam que pagar por esse prejuízo, e, provavelmente era isso que Rogue estava tentando resolver.
— Natsu! Isso que o Gray disse é verdade? – Erza gritava.
O mago do fogo estava sentado na cama de cabeça abaixada enquanto o mago do gelo e a maga das armaduras o encaravam em pé.
Naquele momento, o silêncio respondeu à ruiva algo que ela não queria que fosse confirmado.
— Eu falei com ele que ele passou de todos os limites! Aquela cena dele ontem foi nojenta e ridícula. Ele deveria sentir vergonha de dizer que é amigo da Lucy. – Gray disse.
— Natsu, os dois estão namorando. Você também namora! Não faz sentido você ficar se metendo no relacionamento alheio… – Erza começou.
— Eu só quero proteger a Luce…
— Gray também é amigo dela e não é por isso que ele sai invadindo o quarto interrompendo propositalmente a intimidade deles. – Erza suspirou e se sentou em uma cadeira de frente para ele. — Natsu, você tem noção do que fez? Você chamou a Lucy de vadia apenas por estar com o namorado dela fazendo coisas que você faz com a sua. E você, como amigo dela, está fazendo o possível para que todas as primeiras experiências dela com o namorado sejam desagradáveis. Ela já fez algo parecido com você e a Lisanna?
Ele pareceu sentir vergonha e se encolheu sabendo que estava errado.
— O pior não foi você ter atrapalhado o momento deles, mas sim você ter magoado sua amiga. Natsu… Ontem eu cheguei bêbada e mesmo assim eu fui capaz de ver o quanto ela chorava e chorava. Foi assim a noite toda e Sting não saiu do lado dela.
— Natsu, até pouco tempo atrás você era o cara que não queria ver ela chorando e que meteria a porrada em quem fizesse isso. Quando você deixou de ser o amigo da Lucy pra virar o algoz dela? – Gray perguntou sincero, mas não obteve resposta.
Nas ruas de Crocus andavam o dragon slayer das sombras ao lado da maga celestial. Ambos iam em silêncio e o moreno carregava as malas da loira.
Pouco tempo antes, ele tinha dito a ela que ele, Erza e Gray decidiram que seria melhor que Lucy ficasse na casa de Sting e que Erza fosse para um quarto só para si no hotel – e com porta inteira.
Lucy não estava bem, mas não choraria. Ela tinha prometido a Sting.
— Você sabe que você não fez nada de errado, não é? – Rogue perguntou ainda seguindo o caminho e sem encará-la, mas o silêncio o fez continuar. — O filho de Igneel é um idiota. Você e Sting são namorados. É esperado que vocês tenham momentos íntimos e ele te atacar verbalmente por isso é de uma imaturidade sem tamanho.
— Eu sei… – Lucy disse fracamente. — Quer dizer, eu sei, mas ao mesmo tempo eu não concordo com isso. Eu sinto como se ele estivesse certo. Talvez eu realmente seja uma vadia. Faz poucos dias que eu e Sting começamos a namorar e eu já estava fazendo aquilo com ele. Eu devia me dar mais respeito.
Rogue parou, deixou a mala no chão e a virou para ele, segurando-a pelos ombros, atraindo o olhar curioso dela para si.
— Não. Simplesmente não. Lucy, você é uma mulher! Você não está cometendo nenhum crime. E fazer sexo ou qualquer coisa do tipo não te torna uma vadia, seja com seu namorado ou com um cara que acabou de conhecer. – Rogue suspirou inconformado. — Na verdade, essa palavra é baixa. Ele apenas a usou pra te machucar porque sabia que não tinha mais nada que pudesse usar para fazer isso. Ele descontou a raiva e frustração dele por meio dessa palavra nojenta.
Ele tirou a mala do chão, pegou a maga pela mão e a puxou para uma sorveteria próxima. Ele se lembrava vagamente de seu irmão ter mencionado qualquer dia desses algo sobre ela gostar muito de sorvete e ele viu que era verdade quando ela abriu um sorriso enorme ao ter em suas mãos um belo sorvete de morango.
— Obrigada, Rogue. – ela sorria e descansava a cabeça do ombro dele.
Ele sabia que ela agradecia não só pelo sorvete, mas por tudo. Pela companhia, pelas palavras e pela amizade. E ele ficou feliz em poder deixar a namorada de seu irmão feliz, porque sabia que isso também deixava Sting feliz.
Depois de uma tarde de conversas, sorrisos e sorvete, Rogue agora deixava Lucy em frente a casa do dragon slayer branco, também conhecido como Mestre da Sabertooth.
Não era uma mansão, mas também não era pequena como seu apartamento em Magnólia. Mas era bonita e imponente. Chamava atenção com seus traços clássicos e simples. De certa forma, parecia perfeita. Grandiosa o bastante para O Grande Sting Eucliffe.
Ela estava nervosa e Rogue percebia isso.
— Não tem motivo para ficar nervosa.
— E se ele ficar bravo por eu estar aqui? – ela não desviava os olhos do imóvel.
Essa frase dela era tão inocente… Parecia que ela não se dava conta do quanto ela mexia com o loiro.
— Lucy, se dependesse dele, você estaria aqui na casa dele desde que pisou em Crocus.
Lucy o olhou curiosa e depois voltou o olhar para a porta de entrada. Rogue lhe entregou as chaves e a observou entrar na casa com a mala em mão, se permitindo ir embora apenas depois de se certificar que ela já estava dentro e segura.
A maga celestial entrou, fechou a porta e a trancou, encostando as costas nela suspirando ruidosamente.
Ela observava aquela casa impecável. Tudo limpo e arrumado e sentiu aquele cheiro gostoso de Sting. Era tão acolhedor quanto intimidador. No fim, ela se permitiu soltar um sorriso sincero, afinal, nem quando ela amava Natsu ela chegou a se sentir tão querida e confortável com alguém.
Amava.
Ela se surpreendeu ao perceber que não amava mais Natsu como antes, como homem. O amava ainda como amigo, mas o amor romântico, aquela paixão que lhe tira o ar dos pulmões, faz sonhar acordada e sentir o corpo formigar, agora talvez pertencesse a um certo loiro convencido.
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