Sting estava morto. Não literalmente, mas era quase. A reunião tinha sido desgastante e irritante, mas o pior, é que depois ele teve que pegar o trem de madrugada e dormiu apenas umas duas ou três horas antes de ter que ir para a guilda.

Ele olhava aquelas cartas do concelho e diversos papéis para ler e assinar e resmungava. O que ele realmente queria era acordar numa cama macia junto de uma certa loira com cheiro e gosto de morango pra poder ver todas aquelas marquinhas que ele deixou nela e, talvez, deixar mais. Que inferno! Ao invés disso, ele estava ali resolvendo a merda de um problema ridículo.

Olhava pela janela de sua sala, que dava visão para o salão da guilda, ele aguardava alguém chegar para que pudesse ter uma conversa importante, mas nada ainda. Se bem que ainda estava cedo demais.

Ao contrário do loiro, Lucy acordou bem mais tarde do que o normal. Ela estava estranhamente relaxada. Levantou se espreguiçando e foi em direção ao banheiro. Se despiu e decidiu tomar um relaxante banho de espuma. Colocou a banheira para encher com seus sais preferidos e se olhou no espelho, não deixou de sorrir ao olhar.

As marcas que Sting lhe deixou no dia anterior estavam bem mais visíveis, um tom de roxo-avermelhado, enquanto a que Natsu lhe dera, no pulso, já estava em um tom estranho de verde. Ela suspirou. Realmente aquele tigre irritante tinha razão. Dois tipos distintos de marcas deixavam dois tipos distintos de sentimento nela. O hematoma que Natsu lhe causou, lhe dava medo e insegurança, mas os chupões de Sting… Ah, deixavam-lhe completamente boba de alegria e extasiada de desejo de continuar aquilo…

Simplesmente a sensação de ter a boca dele na pele sensível dela, a beijando, lambendo, mordendo e, finalmente, chupando-a, era surreal.

Ela acabou deixando um gemido escapar ao se pegar imaginando se esses toques dele seriam ainda melhores se fossem feitos em partes mais… íntimas.

— Merda, Lucy! No que você tá pensando?

Ela suspirou, fechou a torneira da banheira e entrou, instantaneamente relaxando. Não sabe quanto tempo ficou ali, mas julgou ser o suficiente. Se enxugou e seguiu todo seu ritual de beleza – pós Sting – agora oficial. Escolheu hoje uma camisa de botão, pois provavelmente o colarinho ajudaria a esconder as marcas no pescoço, assim como as do ombro e busto, vestiu uma mini-saia, calçou suas botas, finalizou com seu cinto com chaves e chicote e foi em direção à guilda, cantando alegremente com seu amigo Plue ao lado.

O caminho foi curto, e ao chegar, se despediu do espírito e se dirigiu ao balcão do bar. Hoje a guilda parecia estranhamente mais barulhenta e bagunçada.

— Oi, Mira! O que rolou hoje aqui na guilda? Parece mais estranha que o normal. – ela questionou rindo.

— Oi, Lucy! Ah, é que Natsu acabou de anunciar que está namorando com a Lisanna… – ela disse em um tom inseguro, quase como se tentasse falar de uma forma que doesse menos na loira.

Mas era difícil. Lucy olhou para o meio daquele bolo de gente e os viu. Ambos sorriam e gritavam coisas aleatórias e tinham as mãos juntas. Lucy se sentia mal por saber que há alguns dias atrás ela tinha a esperança que aquilo aconteceria com ela, mas tudo mudou.

Seus olhos se encontraram com os de Natsu e ela desviou, virando-se para a maga no bar disse:

— Mira, me traz um suco de morango por favor?

A moça concordou e saiu para prepará-lo.

Lucy suspirou lembrando de seu “namoro” com Sting e sorriu. Talvez daqui uns dias eles estejam anunciando isso aos amigos. Ok, diferente do de seu amigo e amiga, o relacionamento dela era apenas questão de um acordo.

Ela levou um susto e quase caiu da banqueta quando percebeu seu amigo ali, quase em cima dela.

— Hm… Luce… Seu cheiro está estranho.

Ele se aproximou, vindo mais pra cima dela, passando o nariz pelo pescoço dela, fazendo-a arfar ao sentir a respiração quente dele em sua pele.

— Mas que porra é essa, Luce? – Natsu perguntou, irritado.

Ao que parece, ao se aproximar do pescoço da loira para poder sentir melhor o cheiro, ele acabou vendo de relance uma marca no pescoço, e então, em um ato impensado, ele puxou a lapela da blusa para o lado, estourando cerca de três botões. E, agora, Lucy tinha ali totalmente exposto seu pescoço, ombro e boa parte dos seios. O mago encarava aquilo possesso de imaginar que alguém, não, Sting, tinha colocado aquela boca nojenta dele na pele da Luce dele. Nos seios dela!

— Que merda, Natsu! O que pensa que está fazendo? – ela disse irritada enquanto o empurrava para longe e tentava fechar a camisa ou ao menos tampar os seios quase expostos.

— Luce, foi Sting que fez isso? – ele perguntou sério, a olhando nos olhos, mas depois do silêncio, ele continuou. — Eu vou acabar com esse idiota por te marcar! – ele possuía as mãos já envoltas em fogo.

Lucy riu com escárnio.

— Engraçado, pois foi a mesma coisa que ele disse quando viu a marca no meu pulso. – ela disse olhando nos olhos do mago.

Os olhos dele se alargaram e depois estreitaram, estavam tristes, mas Lucy não ligava dessa vez. Natsu se lembrou da noite em que causou aquela marca nela e sentiu toda aquela culpa de novo. Ela gemendo de dor e chorando por ele a ter machucado. Ele perdeu o controle e causou aquilo. Ele se sentia tão culpado… Exatamente por esse motivo que ele tinha seguido o pedido dela e não tinha voltado à casa dela mais.

— Luce… – ele começou, olhando para o chão, ele não se sentia digno de olhá-la nos olhos agora. — Me desculpe de novo por isso… Você sabe, eu nunca te machucaria de propósito. Eu me preocupo com você, Luce!

Mirajane voltou trazendo o suco gelado da maga, que deu um belo gole e depois estalou a língua.

— Sabe, Natsu, não se preocupe comigo, se preocupe com sua namorada. Eu já tenho quem cuide de mim. – ela disse calma e suave, enquanto levantou e foi se sentar em uma mesa com suas amigas.

Lucy estava ali sentada com as meninas, elas falavam muito sobre várias coisas, mas ela definitivamente nem ouvia nada. Ela ainda segurava sua blusa fechada, ela teria que trocar de roupa antes que mais alguém visse os chupões ou isso renderia uma conversa enorme e desagradável. A mente dela ainda vagava enquanto ela brincava com o canudo no suco. Natsu estava namorando Lisanna, mas mesmo assim ele parecia sentir tanto ciúme dela, parecia às vezes ser mais possessivo com ela do que com a própria namorada.

Ela queria tanto parar de se sentir afetada por ele como se sentiu quando ela sentiu o nariz dele em seu pescoço…

Lucy suspirou fundo e bebeu o resto do suco.

— Ei, Lucy… Você parece distraída hoje. – Erza sussurrou para ela, parecia preocupada. — Você está bem? Sabe… Com essa história do namoro do Natsu com a Lisanna…

Lucy suspirou fundo, de novo. Estava cansada disso. Ok, sim, ela gostava do Natsu e isso deixava ela triste, mas a vida dela não se move ao redor dele, ao menos não mais. Entretanto, ainda assim, Erza era como uma uma irmã para a loira, então ela merecia sua sinceridade.

— Na verdade? Isso me baqueou um pouco, mas, sabe… Das merdas que ele tem feito comigo ultimamente, essa foi a que menos me machucou.

Erza estava surpresa. Sua amiga estava ali, com um olhar tão triste, e ao que parece, o que ela achava que era o motivo, na verdade era apenas mais uma coisa ridícula em uma pilha de acontecimentos grotescos, e, de alguma forma, ela se sentia mal por não saber o que tem acontecido com ela esses dias.

A última coisa que ela sabia foi que Lucy havia se declarado para ele e ele havia correspondido o sentimento, mas que eles não tinham avançado em nada na relação deles.

Naquela manhã, quando Natsu anunciou o relacionamento com a Strauss mais nova, ela ficou chocada. Ela realmente não imaginava aquilo e simplesmente não fazia o menor sentido. Como pode ele ter dito que amava Lucy e na semana seguinte começava a namorar Lisanna? Ela queria chegar para falar com ele sobre, mas ela não sabia se Natsu estava ciente sobre seu conhecimento acerca dos acontecimentos entre ele e Lucy.

— Lucy… – a ruiva dizia com preocupação. — Precisamos conversar. Quero saber o que tem acontecido com você. Esses dias eu tenho visto você oscilando tanto, ora tão feliz e radiante e ora tão triste e ofuscada…

Lucy apenas concordou e levantou-se para ir para casa. O clima da guilda depois dessa conversa estava pesado demais para si e ela ainda precisava trocar de roupa. Mas, assim que estava chegando na porta, o mestre apareceu e chamou seu time todo para a sala dele.

Agora, ela, Erza, Natsu, Happy e Gray estavam em pé na sala de Makarov confusos e curiosos sobre qual seria o motivo daquilo.

O pequeno mestre estava em pé em cima de sua mesa repleta de papéis. Ao lado da mesa, estava o famoso espírito da Primeira, ela observava tudo com um sorriso incrivelmente fofo no rosto.

— Bom, pirralhos, vocês devem saber que ontem fui a uma reunião de mestres de guildas, não é? – fez basicamente uma pergunta retórica e continuou. — Foi um porre de reunião, como sempre, mas foi necessária para tratar um assunto que estava preocupando o concelho: a rivalidade entre as guildas. Assim como Fairy Tail e Sabertooth não se bicam, as outras também parecem ter suas próprias picuinhas entre si, e isso tem irritado os velhos do concelho, que têm notado uma destruição maior nos locais onde membros dessas guildas acabam se encontrando. – ele suspirou derrotado, lembrando de todos os gastos que esses encontros das fadas com os tigres causavam aos cofres da guilda. — Eles nos intimaram a resolver isso, de qualquer jeito, mas resolver. Então a reunião ontem foi sobre isso.

Todos pareciam surpresos.

— E então, Mestre? O que decidiram? – Erza perguntou.

— Decidimos uma espécie de “intercâmbio” de membros. Basicamente trocaremos, temporariamente, um membro de cada guilda com a outra. Ontem mesmo eu e o Mestre Sting já começamos a acertar isso. Ainda hoje ele nos enviará Yukino para passar uns dias conosco e ele solicitou que fosse enviada Lucy para lá.

Natsu parecia próximo a explodir e gritar de raiva, bradando o quão contra tal ideia ele era, enquanto isso, Lucy não conseguiu impedir um singelo sorriso de surgir em seu rosto – o que não passou despercebido pelos outros.

Makarov apenas acenou com a mão para que Natsu se acalmasse para que ele continuasse falando.

— Ele argumentou que Lucy foi uma das mais afetadas pela hostilidade da Sabertooth e mais aberta a perdoar e criar laços com as pessoas, assim como Yukino já possui certo vínculo com algumas fadas, além claro, de ambas terem a mesma magia. Mas eu admito que fiquei com um pé atrás de mandar Lucy sozinha para lá. Não que eu ache que eles a vão machucar nem nada do tipo, mas não sei… Então propus que ao invés de ir apenas dela, fosse o time todo dela, e, surpreendentemente, ele aceitou.

Todos estavam com a boca completamente aberta em surpresa. Eles achavam que Sting seria uma pessoa mais difícil de lidar e argumentar e que ele provavelmente não abriria mão do que queria e como queria, mas estavam enganados. Ao que parece, ele estava disposto o suficiente para o acordo de paz entre guildas para aceitar quatro intrusos irritantes em sua guilda além de quem ele realmente pretendia receber.

— Portanto, vocês devem partir ainda hoje, devem chegar lá ao entardecer, mas é bom para já adiantar as coisas. Agora saiam daqui!

Enquanto os magos saíam, eles conseguiram escutar Mavis sussurrar com o Mestre:

— Hm… Sinto que esses dias vão render uma baita dor de cabeça. – ela sorria divertida, enquanto Makarov apenas pôs-se a chorar.