Meus contos
1 Entre monstros e pessoas
O mundo era diferente para mim, eu via monstros. Eu comecei a ver logo que comecei a minha vida adulta. Eu pegava o ônibus para ir trabalhar e via alguns desses monstros. Até no mesmo ambiente de trabalho ou lazer. Tinha pessoas também, mas elas não pareciam se preocupar se eram monstros ou não, até interagiam com eles. Eu não comentava com ninguém, como medo de pensarem que eu era um maluco ou qualquer coisa do tipo. Eu comecei a perceber que esse número de monstro aumentava cada vez mais, mas nunca me importei porque não me incomodavam. E assim vivia a minha vida, em meio de monstros e pessoas.
Até que conheci duas pessoas, meio sem querer. Duas meninas. Eram bem divertidas as nossas conversas, mas por meio delas eu as fui conhecendo, e algumas coisas me agravam e outras desagradavam. Mas mesmo assim queria está ali com elas, para que o meu dia ficasse mais alegre e menos monótono, estava cansado de prestar atenção nos monstros.
Os meses foram se passando, e elas se tornaram minhas melhores amigas. As conversas ficaram mais intimas, então as conhecia intimamente também. Muita coisa me desagradava, as conversas não eram típicas de se ter com um homem. Me desagradava saber com quem elas dormiam e como gostavam de ter dormido com o tal cara, não queria ser tão íntimo assim. Talvez fosse ciúmes, pois eu gostava de uma delas.
Foi em um dia que eu entendi tudo. Estava só eu e a pessoa a qual eu gostava, estávamos conversando e rindo. Eu segurava a mão dela, como se fossemos namorados. Era um dia quase perfeito, até ela fazer um comentário infeliz e eu virar o rosto. E ao olhar para ela novamente e dizer o que me desagradou, eu vi uma figura magricela, alta e toda deformada, a qual eu segurava a mão. Era um monstro como os outros, como todos os outros.
Ali compreendi. Me ajoelhei e chorei. Pedi a Deus que me devolvesse a pessoa que amava e que não transformaria mais as pessoas em monstros e aceitariam como elas são, me desagradando ou não.
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