Meus Melhores Erros
9 Oito
Notas iniciais
Oito
...♛...
“Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.”
Sarah Westphal
[Três anos atrás]
Acordo com o barulho da porta da sala sendo aberta. Assustado, tento me levantar, mas um peso sobre o meu corpo me faz lembrar que eu não estava sozinho. Suspiro ao ver que Ashley dormia em cima de mim no sofá do meu quarto, enquanto Josy ocupava a minha cama inteira, onde dormia profundamente.
O som de passos na escada se torna mais altos conforme se aproximavam de meu quarto. Suspiro e tento sair de baixo de Ashley, mas a garota tinha a mania de dormir abraçada e só largava quando acordava.
— Ash... acorda. – Sussurro, acariciando a cabeça da garota. Ela resmunga e se remexe, mas continua a dormir. – Tem alguém em casa. Eu preciso ver quem é.
— Manda ir embora. – Resmunga, se aconchegando mais em mim. Rio e suspiro, ouvindo batidas na porta do meu quarto.
— Pode entrar. – Digo, enquanto eu continuo no meu árduo trabalho de acordar Ashley.
— Gusta? – Anderson abre a porta e coloca apenas a cabeça para dentro do quarto. Ele parecia surpreso por me ver deitado no sofá com Ashley e parece ficar sem graça. – Desculpa atrapalhar, mas você tem notícias da Josy? Achei que ela tivesse dormido na casa da Juliana, mas quando eu liguei para ela agora de manhã, disse que a Josy não tinha aparecido na casa dela e que também não estava atendendo as ligações.
— Ela está deitada na cama. – Respondo, apontando para a minha cama. Ele suspira aliviado e entra no quarto, indo até a minha cama para conferir o estado da irmã caçula. Finalmente consigo acordar Ashley, que boceja e se senta no sofá e encara Anderson sem entender quem era ele.
— O que aconteceu? Ela parece péssima. – Comenta o mais velho com preocupação.
— Bryan. – Digo, sentindo uma certa repulsa ao proferir o nome daquele babaca. Anderson me encara com insatisfação e parece entender que o namorado maldito de sua irmã havia aprontado mais uma vez.
— O que ele fez? – Questiona Andy entredentes. Ash solta uma risada irônica e se levanta, indo em direção ao banheiro.
— É mais fácil perguntar o que ele não fez. – Comenta a garota do batente da porta do banheiro. – Ele embebedou sua irmã menor de idade, a traiu e ainda brigou com o Gusta. Sinceramente, o que foi que ela viu naquele idiota?
— O quê...? – Balbucia Andy e não demora para que sua expressão se tornasse furiosa. Ashley se tranca no banheiro e eu suspiro, vendo o rapaz se aproximar de mim a passos pesados. – O que ela disse é verdade?
— Acho que você já sabe a resposta. – Resmungo, ainda sentindo meu rosto doer pelo soco que eu havia levado do babaca. Minhas mãos também não estavam nas melhores condições.
— Desgraçado! Eu vou destruir a cara dele! – Exclama Anderson com uma fúria que eu nunca tinha visto antes.
— Não se preocupe. Eu já fiz isso por você ontem. – Conto, erguendo minhas mãos. Ele arregala os olhos ao ver como meus punhos estavam machucados. – Eu geralmente não sou a favor da violência, mas depois de ver tudo o que ele fez e ainda receber um soco, eu não consegui me controlar e acabei descontando nele toda a raiva que eu sentia.
— Isso explica o roxo no queixo. – Comenta Andy, pegando em meu queixo com cuidado para virar meu rosto e observar melhor o local onde eu tinha sido atingido. – Felizmente, não deve ser algo que deva ficar por mais do que uma semana. Apesar disso, eu tenho certeza de que a tia Ana vai enlouquecer quando ver que seu amado bebê se machucou.
— Cala a boca. – Resmungo, afastando a mão de Andy, enquanto ele ri. – E eu farei o meu melhor para que ela não veja isso. Talvez eu passe um tempo dormindo no seu quarto.
— Vou pensar no seu caso. – Ironiza o rapaz, dando uma fraca risada. Ele suspira e me encara com preocupação, enquanto se senta no sofá do meu quarto. – Mas, obrigado, Gusta. De verdade. Obrigado por cuidar dela. Eu sei que não tem sido fácil.
— Desculpa por não ter evitado que ela chegasse nessa situação. – Lamento, balançando o rosto da direção de Josy, sentando-me ao lado dele. Suspiro e bagunço meus cabelos, frustrado por me lembrar como eu a encontrei na noite anterior.
— A culpa não é sua. – Garante Andy, colocando a mão sobre o meu ombro. Ele suspira mais uma vez. – O que eu queria entender é o motivo dela ter mentido. Josy mentiu para mim antes. Por que ela disse que ia dormir na casa da Juliana, quando na verdade foi sair com aquele imprestável? Ela só tem quinze anos...
— Exatamente. – Digo com humor e Anderson me encara confuso. – Com a idade dela, você me pagava com balinha para mentir para os seus pais para ir se encontrar com as garotas da sua escola.
O mais velho ri e bufa, sabendo que não poderia argumentar contra isso. A diferença de idade entre nós é de quase seis anos, mas eu sempre me dei muito bem com o irmão mais velho de Josy. Era como se na verdade, ele também fosse o meu irmão e eu sempre recebi seu apoio para ficar com Josy. Andy provavelmente era uma das pessoas que mais torcia para que ficássemos juntos.
— Como foi que ela chegou nessa situação? Minha irmã pode ser lerda, mas ela jamais faria algo tão idiota quanto beber e ir para uma festa que claramente não era para as pessoas da idade dela. – Resmunga Andy, visivelmente decepcionado com Josy.
— Sinceramente, eu não sei. – Respondo, encarando Josy. – Não estávamos tão próximos. Bryan era um babaca ciumento e controlador que não permitia que ela se aproximasse de mim. Por estar apaixonada por ele, ela nem mesmo dava ouvidos ao que eu tinha a dizer. E ontem, enquanto estava na casa de Ash, eu recebi uma ligação de Josy, implorando para que eu fosse ajudá-la. Bryan havia a levado para uma festa que ela nem mesmo sabia dizer onde estava. Pelo tom de voz e o choro intenso falando sobre o maldito ter a deixado para ficar com outras garotas, eu tinha certeza de que ela estava bêbada. Por sorte, Ash ouviu falar sobre a festa que um dos amigos de Bryan ia dar, então acabamos descobrindo a localização dela.
— Desgraçados! – Andy fecha os punhos em fúria. – E vocês acabaram brigando na festa?
— Ele não queria me deixar ir embora com a Josy. Eu o ignorei, porque estava mais preocupado com o estado de Josy do que com as provocações dele. Só que no instante em que ele me deu um soco, eu perdi completamente a razão. Eu fiquei tão furioso, que foi como se tudo o que eu guardei desde que ele e Josy começaram a namorar fosse colocado para fora de meu peito, enquanto eu batia nele. – Respondo, encarando minhas mãos. – Mas ao contrário do que eu pensei que aconteceria todas as vezes em que eu me imaginei quebrando a cara daquele maldito, eu não me sinto feliz.
— Gus...ta... – O sussurro sofrido de Josy, faz com que eu levantasse meu rosto e encarasse minha cama. Josy se remexe e se levanta cuidadosamente. Ela choraminga e leva as mãos a cabeça, reclamando de dor.
— Eu vou preparar alguma coisa para ela comer e pegar remédio para amenizar a ressaca dela. – Aviso a Anderson, que encarava a irmã com seriedade. – Pode ficar de olho nela e avisar a Ash que eu estou na cozinha. Pede para ela descer. Na atuação das duas, eu acho que é melhor que elas não conversem ou acho que elas vão acabar se matando.
— Tudo bem. Não se preocupe. Eu vou ficar de olho nelas. – Garante Anderson, levantando-se para cuidar da irmã. – Obrigado pela ajuda.
— Não foi nada. – Respondo, encarando Josy pela última vez antes de deixar o quarto.
Por sorte, meus pais só voltariam para casa próximo ao horário do almoço, isso se minha avó não os prendesse até o fim do dia, então eu não precisaria ficar dando explicações. Respiro fundo e encaro o céu nublado pela janela da cozinha. Eu me sentia exausto. Não tinha dormido muito, pois passei a noite inteira cuidando de Josy e velando seu sono, temendo que ela acabasse passando mal durante a madrugada.
Ashley também não havia dormido muito. Com a minha inquietude, ela acabou sendo a minha companhia e a responsável por banhar e vestir Josy, o que foram tarefas quase impossíveis, levando em consideração a teimosia triplicada de minha melhor amiga sob efeito de álcool. Ela e Ash definitivamente não se davam bem. No entanto, nada disso impediu que Ashley só fosse se deitar quando tivesse a certeza de que Josy estava devidamente cuidada.
Suspiro e passo a preparar uma salada de frutas e um café forte para dar a Josy. Ela provavelmente não estaria muito disposta a comer alguma coisa, uma vez que está lidando pela primeira vez na vida com a ressaca. E por estar tão concentrado em preparar o café da manhã para Ashley, Josy, Anderson e eu, nem mesmo noto que o tempo havia voado e que Ash não havia aparecido na cozinha, assim como eu havia dito para Andy orientar a garota quando ela saísse do banheiro.
No entanto, eu apenas me recordo desse fato quando estou subindo as escadas e escuto os gritos raivosos de Josy e Ashley. Respiro fundo, tentando equilibrar a bandeja com o café da manhã de Josy, e me preparo para enfrentar a tensão entre as garotas.
E assim como eu imaginava, no instante em que entro no quarto, observo Andy entre as duas garotas, pedindo para que acalmassem os ânimos. Por alguns instantes, ignoro o que elas diziam e levo a bandeja até a penteadeira do meu quarto. Suspiro e finalmente tento entender o motivo de tanto alvoroço.
— ... Não cabe a você me dizer o que eu devo ou não fazer! – Responde Josy, parecendo irritada com as palavras de Ashley.
— Tem razão! Não deveria mesmo! Mas você continua a agir como uma criança, quando já está prestes a fazer dezesseis anos. Até quando pretende abusar da boa vontade das outras pessoas? – Questiona Ashley com a voz carregada de sarcasmo.
— Meninas, por favor. – Pede Andy, suspirando cansado. – Já chega de brigas.
— Eu não estava abusando da boa vontade de ninguém! Você que sempre se mete onde não é chamada. – Retruca Josy, aproximando-se mais de Ashley. A tensão entre elas era quase palpável.
— Muito bem. Já chega vocês duas. – Chamo atenção de Josy e Ashley, batendo palma. Por alguns instantes, elas parecem realmente se conter, mas logo voltam a se encarar com fúria. – Nada de brigas. Eu preparei o café da manhã. Vamos comer lá embaixo, enquanto Josy e Andy conversam, Ash.
— Tudo bem. – Concorda Ashley, aproximando-se de mim. Ela envolve seus braços no meu e me arrasta para fora do quarto. Nem mesmo parecia que segundos atrás ela quase estava voando no pescoço de minha melhor amiga. – Estou ansiosa para saber o que você preparou para mim.
— Espera, Gusta... – Josy me chama, parecendo envergonhada. Posso ver seus olhos brilhando em arrependimento. Suspiro e me aproximo da loira, ignorando o olhar repreendedor de Ashley. – Eu sinto muito.
— Não se preocupe. Nós conversamos quando você estiver se sentindo melhor. Agora, apenas coma e tente se recuperar. Você deve estar fraca e com dores pelo corpo, já que vomitou bastante na noite passada. Apenas coma e tome os remédios que eu trouxe. Tudo está naquela bandeja. Andy vai cuidar de você agora. Eu vou lanchar com a Ash e depois vou para a casa dela. Meus pais só devem chegar na parte da noite, então não precisa ter pressa para ir embora. – Respondo, tentando soar o mais suave possível.
A verdade é que eu ainda não estava confiante de encarar Josy. Eu passei dos limites na noite anterior e me sentia um pouco frustrado por toda a situação. Uma parte que eu odiava, me alertava que não importava o que tivesse acontecido, Bryan ainda era o dono do coração de Josy nesse momento.
— Por quê? – Sussurra Josy, quando eu volto a me aproximar de Ashley. Paro de andar e a encaro por cima do ombro. – Por que você foi me salvar? Eu odeio isso, mas... bem... ela tem razão. Eu fui uma péssima amiga. Desde que eu comecei a namorar com o Bryan, tudo... tudo o que eu tenho feito foi te magoar. Então... por quê? Por...
— Porque eu te amo. – Declaro, virando-me para encarar a garota. Andy parece surpreso com a minha abordagem direta. Josy chorava com intensidade. – Eu te amo, Josy. É por isso que mesmo estando magoado, não importa quantas vezes eu lute e diga a mim mesmo que deveria te ignorar assim como você tem feito comigo nos últimos tempos, no fim, eu sou incapaz de ignorar você. Porque não importa quantas vezes você esteja em perigo, eu sempre foi correr ao seu encontro sem pensar duas vezes. Eu amo você e infelizmente não há nada que eu possa fazer.
— Você... é o melhor amigo do mundo. – Responde Josy aos prantos. – Eu também amo você, Gusta. Me... me perdoa por ser uma amiga horrível!
Um sorriso cansado escapa de meus lábios e eu acabo fechando meus olhos, enquanto ela levava as mãos ao rosto para esconder seu estado Mais uma vez, Josy não havia entendido o significado do meu “eu te amo”. E sendo sincero, eu nunca me odiei tanto por amá-la como naquele momento. Era evidente que sua mente estava totalmente focada em Bryan. Não importava o quanto eu gritasse para ela os meus sentimentos, para Josy, tudo não passaria de uma declaração de amizade.
— Você é patética! – Acusa Ashley, aproximando-se de Josy com fúria. Surpreendendo a todos, ela agarra a gola de minha camisa que a loira usava e a balança furiosamente. – Você não merece o Gusta! Por que continuar a quebrar o coração dele, mesmo sabendo exatamente o que ele sente por você? Como você pode ser tão cruel?
— Já chega, Ash! – Tento tirar a garota de cima de Josy, mas ela parecia ter ganhado forças além do que eu imaginei que ela seria capaz. – Solta ela, Ashley!
— Sai de cima de mim, sua louca! – Grita Josy, empurrando a garota com todas as suas forças, mas por estar fraca pela ressaca, sua ação não surte efeito algum.
— Merda! – Exclama Andy, parecendo confuso sobre o que deveria fazer.
— Você não o merece! Por que não some de uma vez por toda da vida do Gusta? Seria um enorme favor que você estaria fazendo. – Ataca Ashley, surpreendendo-me.
— Ashley! – Repreendo a garota, finalmente conseguindo tirá-la de cima de Josy.
— Por que você não sai da vida dele? Você ainda não percebeu que não é bem-vinda? – Retruca Josy com fúria.
— Josy! – Andy repreende a irmã e me encara em busca de alguma solução para aquela loucura.
No entanto, antes que qualquer um dos dois tivesse alguma reação, Josy e Ashley passam a rolar no chão, enquanto uma puxa o cabelo da outra, enquanto gritavam enfurecidas. A situação era tão ridícula que eu demoro alguns segundos para entender o que acontecia. Andy parece compartilhar da mesma surpresa que eu, pois apenas corre na direção da irmã para puxá-la para longe de Ashley, quando eu já tentava afastar a morena para longe de minha melhor amiga.
— Vocês enlouqueceram? – Grito irritado, assim que Andy e eu conseguimos separar as duas. – O que vocês são? Animais selvagens?
— Foi essa maluca quem começou! – Acusa Josy, apontando para Ashley.
— Não importa quem começou! – Exclamo, impedindo que a Doosse retrucasse a resposta de Josy. – Vocês por acaso têm alguma noção do quão ridícula é essa situação?
— Você tem razão. Isso é ridículo. – Afirma Ashley com a voz carregada de mágoa. Ela suspira e me encara, segurando as lágrimas. – Eu estou cansada.
— Ash... – Sussurro, vendo a mágoa presente em seus olhos.
— Eu vou embora. – Anuncia a garota, dando as costas para mim. Sem nem mesmo se importa que estava usando as minhas roupas folgadas em seu corpo, ela corre para fora do quarto.
Encaro Josy mais uma vez e corro atrás de Ashley. Ainda consigo ouvir os chamados de Josy, mas pela primeira vez na vida, eu os ignoro e acelero meus passos para alcançar Ashley. Felizmente consigo chegar a tempo de me jogar na frente de seu carro no instante em que ela se preparava para ir embora. A morena para o carro de maneira brusca e me encara assustada com o rosto banhado de lágrimas.
— Sai da frente! Eu quero ir embora! – Grita Ashley, buzinando várias vezes.
— Vamos conversar! – Grito em resposta, sem me importar com as pessoas da vizinhança aparecendo para ver o que estava acontecendo.
— Nós não temos nada para conversar. Me deixe ir embora ou eu vou atropelar você! – Ameaça Ashley, mas faço questão de permanecer onde eu estava.
— Por favor, Ash! – Imploro e ela morde o lábio inferior, enquanto as lágrimas continuam a cair com intensidade.
Por alguns minutos, tudo o que fazemos é nos encarar. Permaneço determinado a não deixar que ela saia de minha casa daquela forma afobada, antes que conseguíssemos conversar. Por fim, Ashley desliga o carro e faz sinal para que eu me sentasse ao lado dela no carro. Respiro fundo e entro no carro.
— Eu sinto muito. – Lamento, depois de alguns minutos de silêncio constrangedor.
— Por que está se desculpando? – Indaga, depois de fungar.
— Porque eu machuquei seus sentimentos mais uma vez. – Respondo, puxando o rosto dela para limpar as lágrimas que marcavam a pela face alva. Ela não me responde. Sorrio e suspiro, acariciando o rosto de Ashley. – Eu sou um idiota.
— Sim. Você é. – Concorda a garota e eu acabo dando um riso anasalado. Ela suspira e desvia o olhar. – Eu pensei que fosse capaz de lidar com essa situação. Como eu disse na primeira vez que nos vimos, eu confessei meus sentimentos ciente de que não seria correspondida. Permaneci ao seu lado durante esse tempo, mesmo sabendo que você nunca olharia para mim da mesma forma que você olha para ela. Eu não sou mais uma garotinha. Ano que vem irei para a faculdade, enquanto você ainda permanecerá na escola por mais um tempo. Então eu pensei que depois de me aproveitar um pouco da sua bondade, eu seria capaz de finalmente esquecer meus sentimentos por você, mas cada dia que se passa, mais difícil tem sido.
— Ashley...
— É frustrante observar essa situação. Ela continua a se fingir de idiota e a te manter preso nessas correntes invisíveis. Ao mesmo tempo em que ela não assume que também gosta de você, ela não permite que você vá para longe. E mesmo ciente do que acontece, você continua a insistir nesses sentimentos. – Ashley me encara com decepção. Encolho-me no banco do carro. – Você sabe que você é o verdadeiro culpado dessa situação. Ao invés de colocar um ponto final, você continua a insistir nesse sentimento nada saudável.
— Eu sei disso. – Respondo, sentindo o gosto amargo da verdade em minha garganta.
— Eu estou cansada. – Sussurra Ashley, demonstrando toda a sua frustração. Ela encosta a cabeça no vidro da janela do carro e com os olhos fechados, ela permite que um suspiro doloroso escape de seus lábios. – Cansada demais.
— Eu...
— Vamos parar de nos ver por enquanto. – Pede Ashley, encarando a frente do carro. Sua voz sai vazia e melancólica. – Seis meses. – Ela finalmente me encara. – Por seis meses, eu vou me dedicar completamente aos meus estudos e em entrar em uma boa faculdade na Irlanda como sempre foi o meu sonho. Durante esse tempo, espero ser capaz de anular qualquer sentimento romântico por você. Então, quando eu finalmente for capaz de lidar com isso, voltaremos a nos falar. Como amigos.
— Tudo bem. – Concordo, sentindo meu coração se apertar.
Eu gosto de Ashley. Ela é a pessoa que mais me faz sorrir e sabe como me fazer esquecer de meus sentimentos por Josy. No entanto, eu sabia que não era justo continuar a envolvê-la nesse caos que é o meu relacionamento com a loira que provavelmente continuava e meu quarto. Ashley merece alguém que possa se dedicar por completo a ela e não alguém que não é capaz de desistir de sua melhor amiga, mesmo depois de seis rejeições.
— Obrigada. – Ela sussurra, desviando o olhar mais uma vez.
Naquele momento, parecia que havia muito mais a ser dito do que fomos capazes de proferir. No entanto, estava na hora de deixar Ashley voar. E eu precisava decidir o que fazer quanto aos meus sentimentos, afinal, eu não podia continuar andando em círculos para sempre.
Seja para dar continuidade ao meu objetivo de conquistar o coração de Josy ou desistir de uma vez por todas de nossos sentimentos, o fato é que depois de Bryan e Ashley, nós definitivamente não somos mais os mesmos de antes. E sendo sincero, eu também estou exausto. Assim como todos a nossa volta, eu não tenho mais tanta certeza se consigo continuar ao lado de Josy dessa forma.
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