Já percebeu que todo poema que começa com uma indagação

É fadado a ser um bom poema?

Droga, comecei mesmo com uma pergunta, não?

Droga, fiz mais uma pergunta, será isso um problema?


Enfim, depois de quatro linhas

Percebi que ao menos uma vez na vida

Escrevi sobre algo que não fosse o amor

Mas fracassei na linha anterior

E trouxe a tona o que tem tudo a ver com a dor


Eu sei, eu sei, pra muita gente esse assunto é chato

Mas pro resto é como algo raro

Mesmo sendo muito comum e corriqueiro

Nem sempre tudo acontece tão claro


Sim, por mais que você me explique, nada nunca faz sentido

Na boa, sempre depende do mood, quente ou ardido

Como pode dois antônimos seguir tão unidos?

É, só ele mesmo consegue fazer isso

Só mesmo o amor consegue ser tão bandido


Mas aí logo me vem a mente

Sobre aquelas noites não tão quentes

Em que o que você sempre quer é que o seu lado não fique assim tão, ausente

Na boa, sinto falta da minha inocência

Em que na infância não era tudo só carência

Como pode, quando não sou eu, é o outro nessa inconsciência.


É, não é muito fácil entender os problemas

Mas não é só isso que esperamos nesse dilema

Afinal isso aqui é um poema

Na qual juro não entender, como tudo acaba no escuro

Sendo que tudo começou num cinema