Meus últimos dias, quero passar com você
1 O diagnostico
Notas iniciais
Gaara Pov
O céu esta bonito... um azul tão puro. As nuvens tão brancas que realmente parecem feitas de algodão.
Lembro como se fosse hoje da mamãe nos contando isso. Eu tinha uns cinco anos de idade e ela dizia:
–vocês estão vendo? Olhem lá pro céu... estão vendo as nuvens? Elas são feitas de algodão!- ela disse nos mostrando as nuvens.
–de algodão mamãe?! De verdade?-eu pergunto surpreso
–é sim querido, de algodão, você não percebe? Olhe melhor... elas são claramente feitas de algodão!- ela disse sorrindo
–pode ser algodão doce mamãe?- pergunta Temare, minha irmã gêmea , animada
–claro meu anjo! Elas podem ser de algodão doce sim!
–não são de algodão! Muito menos algodão doce!- disse Kankuro, meu irmão mais velho estraga prazeres- as nuvens são formadas por agua, não por algodão, é só agua em estado gasoso
–Hump! Falou o sabidão!- disse Temare desdenhando a inteligência de Kankuro- é nisso que dá, andar pra cima e pra baixo com o irmão sabe tudo do Sasuke!
– ei! O Itachi é legal! E eu não tenho culpa se vocês, bebes chorões vivem sendo enganados pelos adultos- disse Kankuro
–as nuvens são feitas de algodão! A mamãe quem disse- eu digo
–a mamãe mentiu pra vocês! Elas são feitas de agua!- ele disse
–hum... agora só falta ele disser que não é o papai Noel quem entrega os presentes de natal e que ele não existe!- eu digo zoando com a cara dele e Temare riu
–ele não existe!- diz Kankuro
–dãn! É claro que ele existe seu bobo! Então quem é que deixa os presentes na nossa arvore de natal todos os anos?- pergunta Temare
– o papai e a mamãe- ele responde sentando no sofá tranquilamente
–NÃO É NÃO! É O PAPAI NOEL! ELE EXISTE E ENTRA PELA CHAMINÉ!- Temare grita
– não entra não, se ele existisse e entrasse pela chaminé ele ficaria entupido nela, pois ele seria um velho gordo – diz Kankuro provocando
–eu vou te mostrar quem é o velho gordo seu idiota!- disse Temare pulando em cima de Kankuro fazendo ele cair deitado no sofá, ela começou a bater nele e ele pôs-se a fazer cocegas nela, que ria e batia nele. Eu pulei em cima dos dois fazendo com que caíssemos no chão e continuássemos com a briga.
Confesso que sentirei falta de brigar com eles. Não que ainda briguemos como antes, longe disso, já somos adultos, por favor... mais eu não vou poder escutar os gritos da Temare por muito mais tempo, minha mãe não vai mais contar suas historias mentirosas que faziam o mundo parecer melhor e o Kankuro não vai mais destruir as minhas fantasias infantis, se bem que ele já destruiu todas, eu sei que papai Noel não existe, que a fada do dente não é real, que debaixo da minha cama não tem o bicho papão, sim ele me convenceu de tudo isso, menos é claro de que coelhinho da pascoa não existe, isso eu sei que é verdade, afinal até hoje eu ainda ganho ovos da pascoa.... brincadeira, brincadeira... bom na situação que eu estou só me resta mesmo um pouco de bom humor certo? Fazer o que?
Pra falar a verdade eu ainda não cai na real... ainda não acredito que vou morrer!
Puff... você deve esta perguntando... “ como assim morrer Gaara?!” e eu respondo, sim, eu irei morrer, tenho pouco tempo de vida, na verdade... bem menos do que eu pensava. E como eu descobri isso? É claro que foi por culpa da minha irmã irritante e desocupada!
FLASH BACK ON
–Gaara marquei uma consulta com a Sakura pra você na terça, não esquece, ok?- disse Temare lendo uns papeis
– consulta pra que?-eu pergunto tirando os olhos da tela do computador pra olhar pra ela
– Ora pra que? Gaara essas dores de cabeça frequentes que você tem não pode ser normal!- ela diz
–essas dores de cabeça são por causa do trabalho! Você sabe que estamos cheios de coisas pra fazer aqui Temare, são muitos projetos e acabamos de fechar contrato com a prefeitura- eu digo
–tá... mais e a sua visão? O seu equilíbrio também não anda dos melhores não meu irmão- ela disse andando de um lado pro outro
– isso tudo é só estresse! Vai passar, você vai ver- eu digo soltando um pouco mais a gravata
–que seja, você fará esses exames nem que eu tenha que te amarar pra te levar pro hospital!-ela diz saindo da minha sala e me fazendo suspirar derrotado, quando ela fala assim é melhor não contrariar, não duvido que ela realmente me amarre pra me levar pro hospital.
Bom, eu fui, afinal não tinha outra opção... fiz uma grande bateria de exames. De sangue, urina, visão, raio-x, endoscopia, eletroencefalograma e eletrocardiograma, ressonância magnética, tomografia... bom, eu fiz de tudo Temare é realmente muito paranoica, pelo menos era o que eu achava antes de receber os resultados
Menos de uma semana depois fui ao consultório de Sakura, uma antiga amiga, buscar os resultados, eu achava uma besteira , só estava perdendo mais tempo. Enquanto eu poderia está trabalhando, fazendo algo de útil, eu estava ali, pegando aqueles malditos exames.
–iai mano- diz Sasuke- tá fazendo o que aqui? – ele tinha uma expressão meio surpresa
–vim pegar uns exames que eu fiz semana passada- eu disse e ele continuava com aquela expressão- surpresa por eu está em um hospital?
– não... tô surpreso por você ter saído daquele escritório! Tu não sai de la!- ele disse- eu e a galera estávamos discutindo sobre isso... e chegamos a conclusão de que você usa algum tipo de sonda na bexiga... só pra não ter que ir no banheiro.
–vocês são um bando de idiotas Sasuke. Você deveria passar menos tempo falando de mim e pedir logo a Sakura em casamento, antes que ela te chute e arrume outro.- eu digo
–cara, fala essa palavra feia não!- ele fez careta- olha- disse me mostrando o braço- só de ouvir essa palavra já fico todo empolado!
–que palavra? Chute?- eu pergunto
–não! Casamento!- ele faz uma careta muito estranha sempre que escuta essa palavra
– tu é muito é enrolão! Isso sim!- eu digo
–senhor Sabaku... a doutora Haruno vai atende-lo agora – diz a secretaria, eu a sigo e encontro Sakura sentada do outro lado da mesa falando ao telefone, assim que ela o vê na porta manda-o entrar.
– não Hina... é claro que esse cara que morra no prédio vizinho não quer te matar!- ela diz com a voz entediada
–COMO VOCÊ PODE TER TANTA CERTEZA?!- Hinata gritou desesperada do outro lado da linha
–vai por mim Hina, ele nem deve saber que você existe...- Sakura disse e escutou a resposta- tá Hina, vai lá
–CADÊ MINHA ARMA DE CHOQUE CASETE?!-ela gritou de novo e Sakura desligou
– Hinata tá dando ataque de novo?- eu pergunto
–humrum... sente Gaara- ela disse seria- ela colocou na cabeça que um cara de outro apartamento quer matar ela...de acordo com ela ele parece com um psicopata dos EUA que tinha uma tára por morenas de franja... ele estuprava as mulheres e as esganavam com a camisinha...
–ela tá cada dia pior- eu digo- mais Sakura... eu vim buscar os meus exames. Foi uma bobagem a Temare ter me obrigado fazer essas porcarias
–não Gaara... não foi- ela diz se ajeitando na cadeira e ficando muito seria de repente
–o que Sakura? Deu alguma coisa nos exames?- eu pergunto alarmado de repente
–Gaara...eu não vou dar rodeios, nos conhecemos des do colegial e não vou lhe enrolar com todo aquele papo de medico e...
–você já tá fazendo isso Sakura. Fala logo o que eu tenho droga!- eu digo exaltado mais quando percebo o que eu fiz eu respiro fundo me controlando- desculpe, acho que me deixou nervoso
–tudo bem... é só mais um dos sintomas da sua doença- ela diz e eu fico mais confuso ainda- Gaara... você tem câncer.
Ela foi tão direta que eu não tinha percebido a gravidade da doença... na verdade eu não tinha entendido ainda
– o que?- eu pergunto após um minuto de silencio
–é isso... você tem câncer... sinto muito- ela tinha a voz triste
–onde?- eu pergunto com a voz falha. Será mais um sintoma da doença, ou é só a ficha caindo?
– no cérebro- ela diz com pesar na voz
–no... cere... cérebro?- essa quase que não sai, eu tenho câncer no cérebro, tá entendendo? No cérebro!
–humrum... você tem um tumor agressivo, ele cresce relativamente rápido e está localizado na região do lobo frontal- ela me mostrou aquela região em algumas figuras na tela do computador, mais eu não prestava mais atenção, a única coisa que passava na minha cabeça era... eu tenho câncer!- o lobo frontal responde em parte pela personalidade, um tumor nessa região pode causar mudanças de comportamento; dependendo do local,provocar alterações na visão, audição e sensações. Tumores nesse lobo podem ainda provocar convulsões, tendo como consequências a essa crise, a perda da consciência, movimentos involuntários agitados etc. por ser um tumor agressivo, ele pode apresentar metástase em outro lugar- ela dizia com receio, mais Sakura sabia que antes de amiga ela era minha medica e não poderia negligenciar essas informações
–eu vou morrer Sakura?- eu pergunto com a foz fraca, essa pergunta não queria sair, pois eu tenho receio da resposta
–...- ela ficou calada por um tempo e eu tive a minha resposta- nã... não necessariamente! Você ainda pode tentar a cirurgia, a retirada do tumor é um processo complicado, mais... espera aqui... eu vou chamar o Sasuke-kun, ele como neurocirurgião saberá te explicar isso melhor do que eu... não sai dai!- ela disse
–espera!-eu a chamo, tenho que perguntar isso antes que eu perca a coragem- se eu não fizer essa cirurgia... quanto tempo eu tenho?
– bom... não é possível disser com clareza, mais... pouco mais de um ano... talvez menos- ela diz triste- mais ainda temos a opção da cirurgia, Sasuke vai te explicar Gaara, você vai ver- ela se levantou e saiu da sala em busca do Sasuke, mais eu não quero ouvir o Sasuke dizendo o que eu já sei que vai acontecer... eu vou morrer, só tenho que escolher... morrer agora, em uma mesa de cirurgia, ou morrer daqui a no máximo um ano, definhando em casa
FLASH BACK OFF
Saí daquela sala antes mesmo de Sakura e Sasuke chegarem, por que... naquele segundo, eu passei a analisar a minha vida... a me fazer perguntas, e não gostei das respostas, então decidi usar esse tempo restante de vida para muda-las.
Eu fui feliz?
Sim, não posso dizer que nunca fui feliz.. já faz tempo que eu não experimento desse sentimento, é verdade, mais o único culpado disse sou eu mesmo.
Eu fui um idiota nos últimos cinco anos, eu era um bem antes disso, mais minha idiotice chegou ao ápice nesse período de tempo.
Eu era casado... fui casado com Ino Yamanaka, uma loira esquentadinha que com toda a sua simpatia e carinho fez com que eu usasse as algemas da aliança de casamento por seis anos.
Quando eu tinha uns vinte e um anos e Ino vinte, descobrimos que ela estava gravida, então nos casamos , não foi bem um casamento forçado, agente se gostava, afinal fizemos um filho juntos, não foi?
Quando Ayame nasceu ela virou o xodó da família e dos amigos, até a Hinata foi visita-la na maternidade, mesmo com seu medo de algum médico serial killer a matar e vender seus órgãos no mercado negro. Minha princesinha parecia realmente com uma princesa, com seus cabelinhos ruivos e olhinhos azuis, ela tinha os olhos da mãe, sempre gostei dos olhos da Ino, antes eu dizia que tinha me apaixonado primeiro pelos olhos dela, e depois por ela.
Por causa da Ayame, Ino parou de estudar, ela trancou o segundo semestre da faculdade de moda e passou a ser dona de casa. Ela cuidava das coisas da casa e da nossa filha. Eu continuei na faculdade, cursei arquitetura e consegui um estagio assim que me formei, com 23 anos.
Tava tudo perfeito de mais na minha vida, minha filha já tinha quase três anos ela estava saldável e eu finalmente tinha conseguido abrir a minha própria empresa de arquitetura, tendo como sócia a minha irmã Temare. Mais ai é que eu começo a fazer besteiras. Passava a maior parte do dia no escritório, trabalhando, eu tinha como desculpa o fato de tá começando agora e Ino ainda aguentou isso por mais um ano e meio.
Ayame tinha quatro anos quando Ino pediu o divorcio, naquele tempo eu a culpei, disse que ela estava sendo egoísta por não entender que eu fazia aquilo por ela e por nossa filha... mais hoje, olhando pra trás eu percebo que o egoísta da historia sou eu...Ino largou a faculdade pra cuidar da nossa filha e de mim... não tinha mais jeito, ela estava decidida ao divorcio.
Depois que eu me separei de Ino, eu me casei com meu trabalho, passava horas, dias trancado dentro daquele escritório. Esqueci de tudo, em quatro anos eu transformei aquele pequeno escritório no maior e mais requisitado escritório de arquitetura da região.
Mais o preso? Eu me esqueci da minha filha, não tinha tempo pra ela, só pro trabalho, não escutei a Ayame chamar pai pela primeira vez, eu não a acompanhei no primeiro dia de aula... nada, eu só tinha tempo pra essa droga de empresa... e pra que? Agora eu vou morrer e tudo que eu carrego dessa maldita vida é um imenso arrependimento por ter perdido minha família.
Ino está namorando um almofadinha preguiçoso e ela parece realmente feliz com ele.
Ayame já é uma mocinha, já deve está beirando os seus sete anos de idade... será que eu também a perdi?
Sinto falta da minha filha... eu a quero de volta... quero seu afeto, seu carinho, quero escuta-la me chamando de papai.... quero passar os meus últimos dias de vida do lado dela.
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