Meus últimos dias, quero passar com você
3 Capítulo. 3
Notas iniciais
Às vezes parecia
Que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro
Mas percebo agora
Que o teu sorriso
É indiferente
Quase parecendo te ferir...
No Capítulo anterior...
– Mama...Sobre oque eu te falei sobre o Kai, ele é parecido com o papai, né? -Perguntei vendo mamãe pensar e papai se aproximar do carro.
– Bem...embase sim...mas uma coisa tinha de diferente. -Disse sorrindo sapeca.
– O que? -Perguntei animada.
– No primeiro dia que seu pai foi estudar na mesma faculdade que eu, já foi amor a primeira vista ele vivia me olhando de canto. -Ela disse rindo, provavelmente lembrando das cenas.
– Bons tempos...-Disse papai aparecendo atrás de nós, vi mamãe ficar super corada.
– PAPAAAAAAIIII..... -Disse gritando e pulando no colo dele.
– G-Gaara....-Falou minha mãe, ela se virou devagar, meu pai sorria e eu estava me divertindo com a situação...
Agora...
( Ayame POV)
–papai que saudade!- eu disse no colo dele abraçando bem apertado
–também senti sua falta gatinha- ele disse beijando minha cabeça e me colocando no chão-olá Ino- ele disse com um sorrisinho muito suspeito no rosto, minha mãe corou e respondeu
–oi Gaara... tudo bem?
–melhor agora- ele disse e piscou pra mim, me fazendo rir
–vocês... estavam falando dos tempos de faculdade?- ele pergunta olhando pra mamãe
–bom... não exatamente... é que...- mamãe tentava se explicar, mais acabou se enrolando nas palavras e eu como sou uma boa filha resolvi “ajudar”
–mamãe tava me falando de como vocês se apaixonaram a primeira vista- eu digo pra ele sorrindo, mamãe me olha estranho, acho que eu não deveria ter falado isso, mais parece que papai gostou de ouvir
–a é? E o que mais a sua mãe falou?- ele pergunta se abaixando pra ficar da minha altura
–ela disse que o senhor vivia olhando pra ela... é verdade?- eu perguntei e a mamãe corou... não entendo por que. Ela disse isso, não disse?
–hum... é sim filha, bom, não tinha como ser diferente... como não se apaixonar por aqueles olhos?- ele falava pra mim, mais mamãe ouvia e ficava ainda mais nervosa. Era engraçado ver ela assim
–bom...- disse mamãe limpando a garganta- o que você tá fazendo aqui Gaara?
–hum...- papai pareceu pensar um pouco- Sasuke queria falar comigo e como ele tá de plantão hoje... eu vim aqui.
–hum- disse mamãe
–mais e vocês? O que estão fazendo aqui? Estão doentes?- ele pergunta preocupado
–não papai! Viemos visitar a vovó Naomi... ela tá dodói- eu digo um pouco triste de repente
–é?... o que Naomi tem Ino?- papai se levanta e pergunta pra mamãe
–ela foi internada a algumas semanas por causa de uma gripe, mas... bom, os médicos não dão muitos detalhes... Sakura disse que iria fazer alguns exames pra saber se a gripe evoluiu pra algo mais serio- mamãe disse meio triste
–ela vai ficar bem Ino... Naomi é uma mulher forte- disse papai segurando levemente o ombro da mamãe... ELES FICAM TÃO KAWAII JUNTOS!
–obrigada Gaara- mamãe agradece meio sem jeito- bom Ayame... acho melhor nós irmos, antes que a hora da visita acabe... e também, seu pai deve tá cheio de coisa pra fazer, certo?
–ah, mais já?!- eu resmunguei, não quero ir! Quero ficar mais tempo com o papai!
–sua mãe tem razão gatinha... o hospital tem horários e não se pode quebra-los, é melhor vocês irem- disse papai olhando pra mim
–agente vai se ver de novo papai?- eu pergunto com a voz triste. Tenho medo de não ver ele de novo, papai trabalha tanto que eu quase nunca vejo ele, e ele tá demorando de mais pra responder, será que não vou mais ver meu pai?
– claro gatinha! O mais rápido possível!- ele disse se abaixando na minha altura de novo
–promete?- eu pergunto sorrindo e ele faz que sim com a cabeça- jura de dedinho?- eu pergunto levantando o dedo mindinho pra ele
–de mindinho- ele responde rindo e entrelaçando o mindinho dele no meu, eu sorri e pulei nos braços dele o abraçando bem apertado e ele fez o mesmo
–te amo papai!- eu digo quase chorando... sou chorona, qual o problema?
–também te amo filha...- papai disse se separando de mim e beijando a minha testa-...muito. mais agora eu tenho que ir... Temare já deve ter quebrado as teclas do celular de tanto me ligar
–ah, eu queria ver a tia Temare!- eu digo
–claro querida, assim que possível eu te levo pra ver a tia Temare e o tio Kankuro- diz papai, eu só dou um sorriso pra ele
–hum... vamos filha?-chama a mamãe- tchau Gaara
–tchau Ino-papai fala olhando pra ela
– O QUE?!- eu grito chamando a atenção deles- só isso? “ tchau Gaara”- eu digo imitando a voz da mamãe- “tchau Ino”- imito a voz do papai- qual é! Vocês já foram casados! Pelo menos um beijinho na bochecha, ne?! Aff!- digo fazendo birra. Cruzo os braços, faço bico e viro de lado, não olhando pra eles-vamos! A vovó tá esperando!
–ãhn... ok- disse papai ainda surpreso. Mamãe arregalou os olhos kkk’... foi engraçado!
–o que?!- ela pergunta surpresa
–é só um beijo na bochecha Ino... não vou te morder e muito menos te agarrar!- papai diz e chega perto dela, ele da um simples beijinho na bochecha dela... foi rápido, mais deixou a mamãe muito sem graça e me fez rir- satisfeita piolhinha?!- ele pergunta rindo e me beijando- você é uma pestinha muito esperta!- ele sussurrou no meu ouvido e eu ri
–vamos Ayame...- mamãe pegou a minha mãe e saiu me puxando kkk’, ela tá corada! Eu olhei pro papai e pisquei pra ele de novo, e ele fez o mesmo. Entramos no hospital e mamãe foi falar com a tia Sakura
... Às vezes parecia
Que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto
Até chegar o dia em que tentamos ter demais
Vendendo fácil o que não tinha preço
Eu sei, é tudo sem sentido
Quero ter alguém com quem conversar
Alguém que depois
Não use o que eu disse
Contra mim...
Gaara POV
Depois que eu saí do hospital quase fugido quando soube da minha doença Sakura me ligou umas trezentas vezes, tá... foram nove, mais acho que ela cansou e Sasuke assumiu o árduo trabalho de me fazer atender a droga do telefone.
De noite, quando eu já tinha digerido o fato de que eu vou morrer, eu resolvi atender e Sasuke queria falar comigo, ele insistiu tanto que eu acabei topando, seria o melhor, eu realmente precisava conversar com ele e Sakura, pedir que não falem sobre o meu câncer com ninguém. Não quero que fiquem sabendo... nem Temare, nem Ino, nem minha mãe, nem nenhum dos meus amigos e muito menos a Ayame. A verdade é que eu sou covarde de mais pra lhe dar com a reação da minha filha ao saber que vai perder o pai. E não quero passar os meus últimos dias sendo motivo de pena pros outros
“Olha só o Gaara... pobrezinho, tem uma bomba na cabeça e ela vai explodir a qualquer momento!”- Hump!
Pois bem, eu fui falar com eles e expliquei que não era pra ninguém ficar sabendo, depois de muito reclamar eles aceitaram com a condição de que eu iria me tratar direito... tomar todos os remédios e tal
Sasuke quase me amarou na cadeira pra que eu ouvisse sobre a cirurgia, ele tinha a esperança de que eu mudasse de ideia, mais tudo que ele me disse só fez confirmou o que eu já queria fazer.
Ele disse que seria uma cirurgia arriscada...é perigoso e eu teria no máximo 36% de chances de sobrevivência e se eu sobrevivesse desses 36% ainda teria 20% de chance de eu sair da sala de cirurgia com alguma sequela, ou seja, eu posso ficar cego, mudo, posso perder o movimento de alguma parte do meu corpo como perna ou braço, ou simplesmente posso entrar em coma e não sair nunca mais!
Eu não quero isso! As poucas chances de sobrevivência já me apavoram, imagina as sequelas! Prefiro aproveitar o tempo que me resta concertando as cagadas que eu fiz na minha vida
Quando eu tava saindo do hospital eu vi Ayame e Ino, fui até elas e nós conversamos um pouco, foi divertido e ali eu percebi que eu sou o homem mais tapado da fase da terra! Eu perdi a minha família por uma besteira... bom, pelo menos eu sei que Ayame sente a minha falta, talvez assim fique um pouco mais fácil eu me reaproximar da minha filha.
Então resolvo tomar uma atitude, só preciso de duas ligações... primeiro liguei pra Temare e pedi pra que ela cancelasse todos os meus compromissos pra amanhã e os que não desse pra cancelar ela que desse um jeito, ela ficou surpresa e me perguntou o que eu iria fazer amanhã o dia todinho que não iria trabalhar e eu com toda a educação que mamãe me deu simplesmente desliguei na cara da minha irmã. Depois eu disquei o outro numero e ele chamou, chamou, chamou, até que...
–Ino!- eu digo
–sim... Gaara?!- ela pergunta meio surpresa
–é... bom, eu queria saber se amanhã a Ayame poderia passar o dia comigo-pergunto meio incerto, não tenho certeza se Ino deixaria
–amanhã? É que... Gaara, amanhã a Ayame tem aula- ela responde
–eu sei! Eu sei!... na verdade eu tava pensando em depois da aula... tipo, eu poderia ir busca-la no colégio, ai levaria ela pra almoçar e a noitinha levaria ela pra sua casa
–a noitinha?- ela pergunta
–humrun- eu digo.
–antes do jantar?- ela pergunta desconfiada
–bom, se você quiser assim!- eu digo dando de ombros . ela suspira e responde:
–ok... tudo bem Gaara. Você pode ficar com a Ayame amanhã
–tá... obrigado Ino- eu digo mais aliviado
– não precisa agradecer Gaara... Ayame sente a sua falta- ela diz
–eu também sinto a dela Ino... muito- eu disse sentando no sofá
–tá então... você vai busca-la na escola amanhã e a trás pra casa antes da hora do jantar- ela falou não como uma pergunta, tava mais como uma afirmação
–hunrum-eu confirmo
–tá bom então...até amanhã Gaara- ela disse com a voz um pouco afetada
–até amanhã Ino- depois que eu disse isso ela desliga e eu suspiro—é Gaara, você pode até se reaproximar da sua filha... mais a sua mulher você perdeu-depois desse momento de monologo eu me levantei e fui dormir. No outro dia eu me levantei, fiz a barba, me arrumei e fui pro escritório... eu não iria, mais se não fosse agora iria ficar pensando besteiras até a hora de ir buscar a Ayame na escola e ela só sai umas onze horas.
Fiquei trabalhando até umas dez e meia, Temare no meu pé perguntando por que eu não viria a tarde, até que eu canso e falo pra ela que vou passar a tarde com Ayame. Ela ficou feliz por isso e disse que assim que terminasse com o trabalho iria até a minha casa para ver a sobrinha.
Depois de organizar algumas coisas e assinar algumas obras, eu fui buscar Ayame. No pátio do colégio tinha muitos pais que estavam ali para buscar seus filhos. Falei na portaria quem eu tinha vindo buscar e o homem que ficava lá avisou a professora dela por um walkman, e mais ou menos uns cinco minutos depois eu pude ver Ayame e Hana, filha do Neji, saindo pelos portões da escola, demorou um pouco até ela me achar, mais depois de um tempo Hana apontou na minha direção e Ayame olhou pra mim com seus olhinhos arregalados e com um imenso sorriso e lágrimas nos olhos ela gritou correndo até mim, a coisa mais linda!
–PAPAI!- ela disse e pulou nos meus braços
... Nada mais vai me ferir
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui
E com a minha própria lei
Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais
Como eu sei que tens também.
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