Meu Ébano
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Histórias pós guerra focada na nossa diva Tsunade. A música usada é "Meu Ébano", da Alcione. Aqui vai o link para quem quiser acompanhar escutando: https://www.youtube.com/watch?v=zAHL93ikq1Y
Ela foi feita para o desafio Narutp: pagodão na laje, que reúne várias fics de Naruto com músicas de pagode e samba mas, tirando essa, todas estão sendo postadas no Spirit. Se quiserem conferir as outras, só dar um pulo por lá!
Boa leitira!

É!
Você um negão
De tirar o chapéu
Não posso dar mole
Senão você créu!
Me ganha na manha e baubau
Leva meu coração...
Turrão. Cabeça-dura. Impaciente, irritadiço, desbocado e com força além da média normal de um shinobis. Com apenas esses adjetivos, ninguém saberia dizer se estavam falando da Godaime Hokage, Tsunade, ou do Yondaime Raikage, Ay.
A coisa é: os dois eram tudo isso e muito, muito mais.
Com a aposentadoria dos cargos de Kage, os cinco shinobis resolveram tirar férias conjuntas para aproveitar um pouco mais esse novo mundo de paz. Circularam pelo país do Chá, das Fontes Termais, dos Rios e dos Demônio. Nesse último, fizeram uma parada maior a pedido da sacerdotisa do país, Shion.
E não se sabe se foi essa semelhança irritante, se foi a guerra ou os “elogios” trocados a cada momento oportuno e inoportuno que culminou na aproximação das duas explosões ambulantes, apenas sabe-se que aconteceu.
Por conta disso, Killer B ganhou uma nova inspiração para as rimas, Shizune ganhou mais tempo de folga e Tsunade... Bem, Tsnunade entrou na maior negação de sua vida. Como estava permitindo tal aproximação em sua vida? Certo, era algo aparentemente inofensivo, mas por favor! Sabia que de “inofensivo” esse Raikage não tinha era nada. Nenhum dos dois era algum adolescente que ia sair para um encontrinho e trocar dois beijinhos envergonhados.
A situação que se encontrava era, sem a menor dúvida, a maior das traições à memória de seu amado Dan.
É!
Você é um ébano
Lábios de mel
Um príncipe negro
Feito a pincel
É só melanina
Cheirando à paixão...
Agora cá estava ela, andando de um lado pro outro no quarto do ryokan sem saber a porra do que fazer porque o merda do Ay a intimou para uma saída em um dos vários bares de Tanzaku, a cidade dos jogos de azar do país do Fogo. Se não fosse a raiva que sentia até poderia aproveitar o ambiente um pouco mais.
O quarto (que mais parecia um mini apartamento) tinha o chão de tatame e a decoração simples, contanto apenas alguns vasos com folhagens nos cantos. À esquerda da entrada fora feito uma cozinha simples para a comodidade dos hóspedes contando apenas com um fogão duas bocas e um frigobar. No centro do quarto, em frente a porta, ocupava uma mesa tradicional baixa e algumas almofadas no entorno para sentar-se. Já à direita, apenas dois futons de solteiro, um para si e outro para Shizune, que se metera sabe-se lá Kami onde. Além de, é claro, uma porta que dava acesso ao banheiro e uma grande janela perto da mesa baixa. Ter sido Hogake tinha que ter algum privilégio, afinal.
Mas nada disso aplacava a ira da loira. Era um tremendo de um atrevido, esse Raikage dos infernos!
Onde já se viu? Ela, Tsunade Senju, neta de Hashirama “Deus” Senju, Sannin Lendária, Godaime Hokage, maior iryo-nin do mundo ninja, sendo intimada pelo pedacinho de bosta do Yondaime?
Ainda ia fazer aqueles dentes branquinhos e perfeitamente alinhados voarem daquela boca estupidamente carnuda, ah se ia!
Estava fula da vida, e pouco não era!
É!
Será que eu caí
Na sua rede
Ainda não sei!
Sei não!
Mas tô achando
Que já dancei!
Na tentação da sua cor...
Por fim, desistiu de tentar fazer um buraco no chão e foi tomar um banho para sair. Não porque o coisinha havia intimado-a, nada disso. Era a cidade dos jogos, claro que não ia ficar em casa parada “curtindo” a aposentadoria, ainda mais se quem pagaria as apostas que ela iria fazer durante à noite seria o Raikage.
Quem convida, paga, não é mesmo? E como cavalo dado não se olha os dentes, quem seria ela para reclamar de uma noite de jogatina grátis e sem Shizune reclamando do dinheiro gasto?
Shizune essa que ainda não sabia onde tinha ido parar. Estava desejando internamente que o “vá se foder” mental que enviava para a pupila a cada segundo que passava estivesse sendo recebido e sentido pela traidora de mestras. Pois era isso que a ninja dos venenos era por deixa-la só em uma situação desse calibre. Para interromper seu amado momento com o sake no escritório ela chegava rapidinho, agora para chutar o Raikage de perto ela corria para longe.
Banho tomado, dinheiro no bolso (porque homem é bicho que não se pode confiar totalmente, afinal), o relógio marcando 19h e lá foi a Sannin para um dos vários cassinos ilegais da cidade.
O primeiro de muitos da noite.
Pois é!
Me pego toda hora
Querendo te ver
Olhando pras estrelas
Pensando em você
Negão, eu tô com medo
Que isso seja amor....
Dados, roletas, cartas, bingo, sake.... As luzes dos jogos piscavam e as pessoas a sua voltam gritavam suas apostas. Roletas giravam e cartas eram postas na mesa.
Que horas seriam? Não sabia. Em que casa estavam? Muito menos. E o jogo? Já havia desistido de pensar a muito tempo. Só sabia que queria mais sake e que, talvez, fosse a hora de dar uma maneirada na dose. Disso ela já estava começando a ter absoluta certeza.
O porquê? Bem, já fazia algumas horas que Ay não parecia tão insuportável e, em alguns momentos, a companhia dele era até boa. Isso era algo extremamente preocupante para a sua sanidade mental. Além de, é claro, estar pagando todos as várias apostas que a mesma estava fazendo. E olha que não eram poucas.
Podia até admitir que ele estava começando a ficar bonito...
“Bonito não, gostoso! ” Corrigiu a parte sã -ou nem tanto- sua mente.
Visualizava-o ao seu lado, sorrindo com aqueles dentes estupidamente brancos e perfeitos a cada carta do BlackJack que era posta a mesa e criando o par perfeito com aquela bocona que só ele tinha.
“Uma tentação”, pensou. E logo balançou a cabeça se recriminando por tais pensamentos. Esqueça o maneirar na dose. Precisava de mais sake, urgentemente.
A quem estava querendo enganar? Aceitou aquela saída já consciente do que queria. Seu amor a Dan nunca foi o problema, muito pelo contrário. Ele, do jeito altruísta e carinhoso que um dia fora, seria o primeiro a dize-la para seguir em frente e ser feliz. Coisa que ela se negou a fazer por muitos anos, até mesmo com Jiraya. Não deveria cometer o mesmo erro que com o grisalho, não dessa vez.
Moleque levado
Sabor de pecado
Menino danado
Fiquei balançada
Confesso
Quase perco a fala
Com seu jeito
De me cortejar
Que nem mestre-sala...
Mandando seu resto de sanidade as favas e decidiu que daquela noite não passaria. Se concentrou no jogo e observou suas duas cartas e o resto da mesa. Dava para ganhar e, mais do que isso, ela ia ganhar. A partir dessa noite, ela mudaria sua sorte. A partir dessa noite, ela mudaria sua vida. Poderia até, futuramente, bater palmas para aquele negão de tirar o chapéu que fez cair por terra seus conceitos mais profundos – tanto para o amor como para os jogos. Poderia não dar certo? Poderia. Mas se desse.... Ah, ela faria de tudo e mais um pouco para nunca perder esse jogo.
Meu preto retinto
Malandro distinto
Será que é instinto
Mas quando te vejo
Enfeito meu beijo
Retoco o batom
A sensualidade
Da raça é um dom
É você, meu ébano
É tudo de bom!...
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