Meu vizinho favorito
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Taiga-nee, eu sei que agora vc é uma mulher casada e sem tempo, mas essa fic eh para você!!! Sabe que te adoro!!!! Kisskiss
AVISO: A fic contém pequenos traços de insinuações de bissexualidade, já avisei lá em cima e estou falando novamente, se sente-se ofendido com isso, por favor, não leia. Mas garanto que isso foi levado muito mais a comédia do que para qualquer outro lado. Não quero ofender ninguém, nem suas crenças, então por favor, se for seguir com a leitura, não leve tão a sério.
Kisskiss
Cana Alberona estava sentada sobre uma das mesas com seu barril fiel companheiro observando a guilda, realmente de uma hora para outra brotaram casaizinhos, essas coisas parecem epidemia. Depois do primeiro casal a dar o impulso aparentemente os outros apareciam feito pipoca.
Colocou o queixo sobre seu fiel companheiro e suspirou.
Queria namorar também, não que faltasse companhia em sua vida, mas era diferente. Nunca tinha tido um namoro assim todo fofo e legal como as amigas, não que também fosse uma romântica incorrigível, mas um pouquinho de amor não seria ruim, assim só para saber como é.
Nesse momento, Macao deu uma olhada expressiva para si, mal sinal! Já tinha se envolvido com ele e no final o que ganhou foi ficar de babá enquanto ele saia com outra. Não precisava desse tipo de coisa de novo. Fingiu que não viu o olhar dele e foi quando viu uma certa conhecida entrando.
Longos cabelos ferrugem, meias grossas, botas, o vestido vermelho mais lindo que já viu com um casaco arrasador. Muitos rapazes quase perderam o equilíbrio ao vê-la passar só que infelizmente para os solteiros, a gata sentou na mesa da Alberona.
- Oi, Cana!
- E aí, Ems! Chegou arrasando em.... – riu –
- Você sabe que eu curto uma atençãozinha, mas então, vamos dar uma volta? Tá meio caído aqui hoje e não estou vendo ninguém aqui te fazendo companhia.
- Ow... Você é direta em, garota!
- Eu sei o que quero, você nunca mais apareceu em nenhuma festa e com essa época de fim de ano tá todo mundo comprometido... Vamos baby, tá fazendo dois graus, mas nós duas podemos fazer a temperatura subir!
Nesse momento Cana viu Gajeel na outra extremidade do bar cuspisse fora sua bebida, essas audições de Dragão podiam ser bem constrangedoras, Natsu aparentemente estava perguntando para Lucy que mudou drasticamente de cor... Oh, ainda bem que Wendy a essa hora já estava na Hills no décimo soninho.
Olhou em volta e realmente estava meio caído por ali naquela noite e também se ficasse com certeza Macao viria, não tava afim de correr risco da carência terminar num ‘sim’ e Emily era uma boa para conversar além de outras coisas.
Sorriu para a ruiva que entendeu na hora o recado.
- Okay, Ems! Só vou pegar meu casaco, na minha casa ou na sua?
- Sua casa é mais perto.
Nesse instante, Gajeel estava tendo terríveis hemorragias e olhava muito constrangido para Levy que não entendia nada.
***
A morena abriu os olhos e espreguiçou. Foram alguns minutos até estar plenamente acordada. Do seu banheiro saiu uma garota ruiva enrolada numa toalha e aparentemente tremendo de frio.
- Ohayo... – disse deitada de bruços –
- Bom dia, bela adormecida! Espero que não se incomode, eu sabia onde ficavam as toalhas e peguei...
- Sem problemas, Ems! Já tá tarde assim?
- Na verdade ainda não passa das sete, mas é que meus pais estão chegando na cidade e eu preciso estar em casa... Devia ter ido ontem, mas não rolava enfrentar o frio da madrugada.
Ela falava enquanto soltava a toalha e ia procurando suas roupas, realmente era uma bela cena de se admirar. Uma coisa que Cana muito gostava nas garotas com quem saiu foi a sinceridade, se elas queriam só uma noite, te contavam, não faziam como os caras que acham que tem que te prometer mundo e sumir na manhã seguinte.
- Oh certo, mamãe e papai tem que saber o mínimo possível...
- Com certeza, acho que eles até aguentam os caras, mas uma belezinha igual você é demais para eles. Mas me fala, o que foi? Parece meio deprê...
A Alberona rolou ficando de costas na cama, olhou para seu dossel de lenços e sorriu.
- Estou naquela fase deprimente de querer um relacionamento sério sabe... Deve ter a ver com todo mundo da guilda estando vivendo seu amor de algodão doce!
- Oh... Eu já passei por isso, mas passou graças a Kami. Eu já namorei, quase casei e sinceramente não ganhei nada com isso. Quando acontecer de novo a gente vive, mas não vou procurar não...
- Eu sou meio carente. – disse rindo e arrancando uma risadinha –
- Você faz o tipo que curte todas, mas está mesmo a fim é de um fofo para chamar de seu e ter três pirralhinhos!
- Não exagera, Ems, eu só queria saber como é sabe... Você já viveu isso e sabe que não quer isso agora, mas eu queria pelo menos saber.
- Relaxa, baby, essas coisas rolam quando a gente menos espera. Devidamente apresentável, me leva até a porta?
- Não vai querer nem um café?
- Eu tomo indo para casa, já fiquei tempo demais!
- Okay, só me dá um minuto!
***
Um moletonzinho roxo, um short e meias listradas depois Cana estava levando a amiga até a porta. Obviamente que Emily não iria embora sem um belo beijo de despedida porque bem... ela era uma mulher intensa.
- Se não achar o amor da sua vida até nosso próximo encontro a gente brinca mais.
Dito isso, a morena abriu a porta para a outra sair. Recostou-se no batente da porta enquanto a via esperando o elevador quando a porta da frente se abriu. Seu vizinho estava pegando o jornal e era nada mais, nada menos, que Laxus Dreyar. E com certeza aquela não foi a primeira vez que ele viu alguém sair da casa dela pela manhã, assim como ela em muitas vezes viu pessoas entrando no apartamento dele.
Graças a Kami, o loiro era bastante discreto, mas foi bem engraçada a cara que ele fez quando viu Emily mandar-lhe um beijinho antes do elevador fechar. Mordeu o lábio inferior e deu uma risadinha.
- Bom dia, garotão.
- Bom... Bom dia, Alberona.
Tentando quebrar o clima meio estranho que se formou, Cana fechou a porta atrás de si e caminhou descalça até ele tomando-lhe sua xícara de café.
- Isso é café? Hum... Que delícia!
Os dois entraram no apartamento do mago indo diretamente para cozinha onde a mesa ´-para o café estava devidamente posta.
- Sabe, Laxus, acho uma gracinha essa sua mania de arrumar sempre a mesa de café! – disse pegando um pedaço de bolo e indo sentar sobre o balcão de mármore –
- Eu gosto de manter um ritual... – passou a mão pelos cabelos e pegou outra xícara no armário – Mas então, faz tempo que não aparece para tomar café comigo... Pelo amor de Kami, desce daí e senta na mesa igual uma pessoa normal.
A morena riu, mas não se mexeu. Ele, por sua vez, sentou-se na cabeceira da mesa para tomar seu café.
- Você toma café cedo demais, preciso acordar quase sem dormir para poder filar seu café... Hum... A tribo vem hoje? A mesa está posta para mais gente.
- Daqui a pouco, vamos conversar de uma missão, hoje eu dormi demais cheguei só agorinha da minha corrida matinal.
- Tarde? Em que mundo vive? Não são nem sete e meia ainda! – pulou do balcão e pegou um pouco de leite e pão quando ia voltar ao balcão recebeu um olhar reprovador que a fez puxar uma cadeira como uma mocinha e sentar-se –
- Gosto de aproveitar meu dia...
Cana riu.
- Sim, Laxus, eu dormi com a Ems. De vez em quando eu curto mudar de opções...
O mago do raio deu uma engasgada e riu depois.
- Hum... Não sabia desse seu lado... Tipo, isso faz de você bi?
- Não sei, eu só fico quando rola um clima, não fico pensando em rótulos. Que diferença faz se é um cara ou uma garota? Não me olha assim, não estou falando desse tipo de diferença, é só que todo mundo faz um escândalo sobre preferencias e talz, eu só curto o clima.
- Hum, faz sentido... Ou não. Enfim... Ela é bonitona.
- Eu tenho bom gosto, neah? Sabe como é...
Os dois riram e Laxus reparou em como ela colocava uma mexa do cabelo atrás da orelha, chacoalhou a cabeça e bebeu um grande gole da sua vitamina de proteína, que pensamentos mais estranhos.
- Pelo menos com garotas, porque que dedinho podre tem para homens!
- Hey! Eu não tenho culpa se os cafajestes me perseguem! Mas eu continuo tentando, talvez uma hora eu acerte... Ou então desista e vire lésbica de vez, garotas pelo menos tem a sensibilidade de serem sinceras se querem um caso ou uma noite.
Laxus cuspiu toda a vitamina que tinha no chão arrancando uma gargalhada da outra.
- Porra, Alberona, isso não é coisa que se fale!
- Eu só disse que pode ser que eu desista dos caras, foi você que deve ter imaginado eu e a Ems fazendo alguma coisa.
- Não seja idiota, você só não achou um cara legal, eles existem. – disse enquanto buscava um pano para limpar a sujeira na área de serviço –
- Bem, minha vida amorosa horrenda a parte, vou indo, a tribo deve estar chegando e não quero atrapalhar as confabulações de missão de vocês. O café estava ótimo!
Dito isso, deu um beijo na bochecha do mago que usava um rodo para limpar sua sujeira do chão e foi embora com as meias listradas tocando o chão. Sem querer o pescoço masculino se torceu para ter um melhor ângulo do escondo-mostra que o moletom dela fazia com o mini short.
***
Passava pouco das seis quando Laxus voltava para casa, a guilda estava um pandemônio e ele precisava de um pouco de paz. Esticava e contraia dos dedos das mãos que estavam gelados, estava considerando realmente usar as luvas que Evergreen lhe dera, colocou as mãos dentro do grosso casaco e já avistava seu prédio quando avistou outra coisa.
Da direção oposta a sua vinha Cana Alberona. Sorriu sem mesmo notar. Ultimamente sempre gostava de encontrar com ela. Apertou um pouco os passos e chegou até ela que trazia uma grande sacola de pano cheia de compras.
- Hey garotão, bom te encontrar, carrega para mim!! – disse sorrindo –
- Folgada você em!! – disse enquanto pegava a sacola – Então, compras de sobrevivência?
- Que nada! Vou cozinhar!
- Hum... Você cozinha? Faz dois anos que sou seu vizinho e nunca vi isso!
- Porque você não repara, eu cozinho sempre! Oh my... – disse baixando a cabeça – Droga!! Droga!!
- O que foi? – indagou preocupado –
Estavam terminando de subir as escadas da portaria do prédio.
- Lembra aquele cara que bebeu comigo no último concurso da guilda? Ele está me perseguindo! Sério... é assustador! E ele tá bem ali na portaria... Og droga ele me viu, ele me viu! Será que dá para correr?
O Dreyar soltou uma risadinha sob o fôlego e com a mão livre puxou Cana pela cintura fazendo com que ela batesse lateralmente contra seu corpo, baixou levemente e disse que ia resolver o assunto para ela.
Assim que estavam no meio do saguão o cara levantou e veio todo serelepe pimpão em seguida fazendo cara feia para a proximidade do casal.
- Hey Cana-chan, tudo bem? Vim te chamar para gente beber uma...
- Hey cara... – Laxus chamou atenção da criatura – Eu não gosto que fiquem chamando minha namorada para sair e nem que fiquem perseguindo ela. Então se faça um favor e vaza antes que eu perca a paciência.
- Na-namorado? Como assim? Você não disse que estava namorando, Cana-chan?
- Ela não te deve satisfação e pare de chama-la de Cana-chan! Vai rodando que seu filme só tá ficando queimado!
O rapaz parecia ter mais o que dizer, mas quando pequenas frações de eletricidade começaram a pairar sobre o Dreyar ele resolveu salvar seu pescoço, afinal, todo mundo sabia quem era o mago que derrotou o humano mais forte do reino. Em menos de trinta segundos, saiu correndo, quase que literalmente.
Cana arregalou os olhos e piscou algumas vezes.
- Wow... Você fez em dois minutos o que eu venho tentando em dois meses! Valeu, garotão!!
E então ela sorriu daquele jeito mais sincero e alegre, quase parecia uma criança na manhã de natal. Puxou sua mão para baixo fazendo-o curvar-se levemente dando um beijo estalado na bochecha.
- Vai jantar comigo hoje! O que acha? Você me livra do mala assustador e eu te faço um jantar!
- Okay, Alberona...
Respondeu ainda meio bobo enquanto entravam no elevador.
***
Cana estava debruçada sobre o tampo do balcão enquanto olhava o cara de dois metros lavando a louça que ela havia sujado fazendo uma bela lasanha que estava assando e um bolo de chocolate bem gordo. Ele insistiu em fazê-lo, já que segundo as regras auto-ditadas dele, se ela estava cozinhando ele lavava a louça.
A blusa de mangas longas roxa estava dobrada até os cotovelos e os músculos das costas se mexiam conforme ele esfregava/enxaguava/punha para secar as vasilhas e talheres. Nesses dois anos em que foram vizinhos Cana acabou por se aproximar do garotão. Tudo começou com ela pegando o jornal dele emprestado às vezes antes dele ler, de vez em quando ela também acordava cedo.
Apesar de ser um chato, implicante, convencido, Laxus era no fundo um cara legal. Teve a chance de conviver com ele e a tribo descobrindo a amizade mais bizarra que já viu. Jogaram vídeo game. Beberam juntos. Conversaram abobrinhas. Se zuaram mutuamente... Tinham chegado naquele ponto de amizade de dar pitaco na vida amorosa um do outro.
Gostava dele... E... Melhor não pensar mais no assunto.
***
Nesse momento estavam sentado no sofá grande da sala e Laxus estava reparando, só tinha estado ali no apartamento dela umas duas vezes muito rapidamente, geralmente era Cana quem invadia sua casa.
- Então, big boy, meu dotes culinários estão aprovados?
Disse enquanto levava um pedação de bolo a boca.
- É... Eu me surpreendi, dá pro gasto, garota. – disse rindo e ela deu um chutinho em sua coxa –
- E você comeu até virar o olhinho! Mas não vai mesmo comer mais bolo? Só aquele pedacinho? Eu fiz um bolão para você comer só um pedacinho!
- Eu tenho certeza que você vai ser muito feliz comendo todo aquele chocolate!
A morena usava uma leging preta e uma blusa de mangas longas com decote canoa – não que Laxus soubesse o que era um decote canoa, a autora está contando para você que era um decote canoa que deixava um pouco dos ombros dela a vista – de onça e agora uma inusitada meia listrada de verde.
- E vou ficar parecendo uma porca... Mas quem liga? É inverno!
O loiro riu.
- Então já que estamos aqui conversado abobrinha posso perguntar uma coisa que sempre quis saber?
- Perguntar não mata, se vou te responder é outra história.
- Okay... Você e a Ever já tiveram alguma coisa? Sei lá, tipo... No inicio ela era uma fanática por você com belo par de peitos... Eu sou capaz de apostar que pelo menos um amasso já rolou!
O mago deu aquela tossidinha básica de quem recebe aquela pergunta indigesta.
- Teria ganhado dinheiro se tivesse apostado. Eu e a Ever já tivemos um caso, mas isso foi há muito tempo e teve um dia que notamos que não rolava mais. Mas resolvemos tudo para não ficar um clima ruim... Hoje é só amizade, eu só não falo que é como se fossemos irmãos porque eu já dormi com ela e seria estranho.
- Eu sou um gênio! Agora você pode me fazer uma pergunta que sempre quis fazer!
O mago parou, deu um gole na cerveja que estava na mão direita, e depois olhou bem nos olhos da morena.
- Você já dormiu com caras e com garotas, qual deles é melhor na cama?
Ela comeu um pedaço de seu bolo e sorriu.
- Nossa não tem um que é melhor, cada gênero tem um tipo de experiência para oferecer, assim como tem uns caras que são uns idiotas a cama, tem umas garotas que não sabem nem onde estão. Entretanto, eu raramente achei um rapaz que soubesse usar a boca tão bem quanto a maioria das garotas...
- Bem, é um tanto quanto injusto, uma mulher conhece melhor outra mulher...
- Eu não estou julgando, só constatando uma coisa minha, mas eu gosto muito do que os homens têm a oferecer. Nunca pensou em tentar uma coisa diferente?
- Nunca nem duvidei da minha preferência por curvas arredondadas, sério... Por que eu ia preferir um cara que tem tudo o que eu tenho, ao invés de uma gracinha tipo você?
- Okay, eu respeito sua opinião! E valeu pelo elogio indireto!
***
Laxus estava sentando em casa, a tribo estava lá, Bixlow e Fried jogando vídeo game enquanto Ever fazia comentário para irritá-los. Estava um pouco longe pensando em Cana para variar. Ultimamente vinha fazendo muito isso.
Gostava da companhia dela, de conversar, beber junto, ela tinha uma mão ótima para cuidar de pequenos ferimentos, o sorriso sincero parecia iluminar ao redor, a sinceridade com certeza era um ponto forte, sem dizer o despojamento... Okay, nem tudo são flores, odiava o fato dela beber muito mais que si mesmo, a mania de fugir para não lidar com certas coisas, a tenacidade, a falta de organização com certas coisas, a mania pessimista a respeito de relacionamentos...
- Oe, Laxus!! – uma almofada o acertou –
O mago piscou algumas vezes e olhou para os amigos.
- Hum... O que foi?
- Sua vez! O Bixlow perdeu... De novo!!! – Fried fez uma cara maligna –
- Hum... Não quero jogar. Estou pensando numas coisas!
- Numas coisas ou na Cana? – Ever indagou com aquele tom de ironia e piadinha –
- Cana? Por que eu ia estar pensando nela?
- Ah boss, não somos bobos, desde que mudou para cá é Caninha para cá, Caninha para lá. Café da manhã juntinho. Ela joga seu vídeo game, você ajuda ela a chegar em casa em dias de álcool em excesso, ela quem cuida dos seus machucados em missões, você ficou dois meses fazendo trabalhos com ela até ela ficar confiante de fazer missões S sozinha... Sem dizer as caretas quando os caras chegam nela lá na guilda. Esqueci alguma coisa?
- Os presentinhos, vive comprando coisinhas para ela quando estamos em missão, a não ser que use pulseiras, brincos, tornozeleiras e tops. Deu até um perfume uns três meses atrás... E eu sei que foi para ela porque te vi entregando um dia lá na guilda e eu ainda ouvi com muito custo você dizendo que o novo perfume que ela estava usando não combinava.
- Owwww... Não sabia dessa não! Mas a Cana, Laxus? Sei lá, a gente notou suas atenções para ela, mas não parece ser seu tipo. Ela é meio sem classe, convenhamos!
Ever e Bixlow olharam para Fried assustados.
- Credo! Quero morrer seu amigo, velho!
- Com certeza! O que fala de mim pelas costas? – Ever ralhou mais de brincadeira – Eu concordo que a Cana não é nenhum exemplo de like a lady, mas até acho que combinam, pensem... O casal mais brega da guilda!
O trio caiu na gargalhada e o loiro rolou os olhos, por fim, levantou-se e foi saindo.
- Hey boss, vai onde?
- Para longe dessa língua de trapo de vocês.
- Isso é o novo eufemismo para: vou me enfiar na casa da Cana? Vê se dessa vez acerta essa situação logo e você vá para parte divertida dos relacionamentos, boss!
***
Cana abriu a porta com uma pequena garrafa verde de cerveja na mão, usava uma camisa de hóquei no gelo e shorts. Fez umas caretas engraçadas e depois sorriu.
- Posso entrar?
- Uai, hoje não é o dia do vídeo game? O que foi? Tomou um sabão de um deles?
- Não, mas eles falam abobrinhas demais... E você, fazendo o quê?
- Assistindo um Reality Show de jogadores de hóquei no gelo.
Os dois sentaram no sofá e Laxus pegou uma cerveja no balde com gelo em cima da mesinha de centro.
- Nossa, que programa de índio!
- Como assim? Um monte de caras num lugar só cheio de competição, exercício físico, briga e sem camisa... Gente é o paraíso!
- Isso é bizarro!
- Olha o cara loiro da direita, ele brigou com aquele que está puxando ferro, foi muito louco!
- Você é bizarra!
- Oh sim, se fossem duas garotas de biquíni numa batalha de lama seria muito melhor?
- Mas é óbvio!
O loiro gargalhou.
Cana olhou para companheiro e sentiu aquelas estranhas borboletas no estômago. Aquilo estava ficando muito estranho. Esfregou um pé no outro o que chamou atenção do mago.
- Cara, quantas cores de meia listrada você tem? Tem dois anos que eu nunca te vi repetir uma cor de meia listrada.
- Você nem me vê tanto de meia assim, e eu tenho as de bolinha, lacinhos, rendinha, brancas... Tenho muito frio nos pés. Não tenho essa temperatura de 37º sua, 365 dias por ano não importa quão frio esteja.
- Mulher sente um frio que eu sinceramente não entendo, gente acho que pé gelado é uma característica da espécie! E é um saco quando te acorda a noite.
- Ajoelhou, tem que rezar. Achou bom usar o corpinho lindo para ficar felizinho, nada mais justo que esquentar o pezinho da garota.
- Mas é incrível como alguém debaixo de cobertas consegue ter o pé frio!
- Eu sei, já fiz de tudo, mas não adianta.
***
E teve um dia que as coisas saíram de controle.
Era só mais uma noite em que tinham comido juntos e estavam assistindo a algum programa bizarro da TV fechada. Um pouco de bebida. E quando os olhares se cruzavam havia uns rubores, e de repente começaram a ficar desastrados, os toques meio que esquentavam demais...
- É, eu vou lá dentro pegar um cobertor...
- Okay.
Dois minutos depois ela voltou com uma coberta de onça.
- Dá para sentar no outro sofá? Eu queria deitar.
- Não... – riu – Deita aí, Alberona, relaxa.
- Não quero colocar meus pés frios em você, sabe como é, eu sou uma criatura que mesmo de cobertas tem os pés congelando e você não tem a obrigação de me ajudar nisso.
- Mas posso ter.
E naquele momento, aquela frase não teve o tom de brincadeira com duplo sentido. Na verdade, soou muito sério. Laxus se deu um tapa mental e Cana meio que estava em choque.
- Okay, isso foi estranho. Vamos voltar pro filme e fingir que o contexto dessa conversa não teve um sentido completamente diferente do que deveria?
Bem, já que a coisa estava indo pro brejo, que fosse de uma vez.
- Ou a gente poderia entender completamente o que dissemos e fazer algo a respeito.
- Isso não seria estranho?
- Relacionamentos são estranhos.
- Está me propondo um relacionamento? Isso está ficando mais estranho!
- A gente já saiu, bebeu, tomou porre, pagou mico, comeu um na casa do outro e eu acho que a única parte de um relacionamento que não temos é a mais divertida dele.
- Agora você está me propondo sexo? O grau de estranheza está subindo.
- Cana vamos parar com essa conversa estranha, eu sei que tem algo rolando, você sabe, nós dois fingimos que não notamos e o resto do mudo faz piada da gente. Vamos resolver isso?
- E como resolveríamos isso?
- Eu penso em pelos menos três maneiras.
- Qual delas é a melhor?
- Depende...
Cana viu um sorriso que nos próximos tempos indicaria uma tempestade em sua vida.
***
Estava frio.
Muito frio.
Oh kami-sama, para que temperaturas tão baixas? A morena rolou na cama ainda de olhos fechados e colocou o rosto entre as omoplatas de suas companhia, pouco tempo depois ele virou-se e então pôde se acomodar como deveria. Já fazia uns três dias que não dormia em sua própria cama... Mas é que ali estava sempre tão mais quentinhos... Suspirou.
- O que foi? – sentiu o peito do mago vibrar –
- O que foi o que?
- Você deu um suspiro de exasperado e ainda nem saímos da cama, o que foi?
- Eu só estava pensando que faz tipo uns três dias que não durmo em casa.
- A gente pode dormir lá hoje.
- A gente? – sorriu –
- A previsão do tempo indicou que vai nevar, por isso acho que vai fazer um frio fora de série.
- Eu aceito a proposta.
- Interesseira.
- É mais forte do que eu...
Os dois estavam quase dormindo novamente quando o celular de Cana retumbou no criado mudo fazendo ambos gemerem em frustração.
- Ninguém me liga a essa hora se não for sério. Pega meu celular aí...
- Hum... – o mago tateou a mesinha e pegou o aparelho que ainda se esgoelava – Manda ir pastar.
Cana atendeu ainda um pouco zonza de sono.
- Moshi, moshi...
[- Hey gata, está fazendo o que?
- Ems? Oh Kami, caiu da cama? Está morrendo?
[- Que nada, estou patinando aqui no parque, vem para cá.
- Pirou, Ems? Nesse frio? Cruzes! Vai dormir, mulher!
[- Aí Cana, larga de ser chata, eu sei que você não está mais na pista, mas vai me abandonar assim? E tudo o que vivemos juntas? Eu não mereço nem uma manhã de patinação para jogar conversa fora?
A Alberona riu.
- Okay, sua chantagista, me dá uns quarenta minutos.
[- Certinho, estou te esperando aqui e manda um olá pro seu bonitão, fala para ele que não vou tentar te seduzir... Pelos menos essa não é a minha primeira intenção.
A risada da ruiva fez Laxus contrair o rosto em uma careta.
- Okay, Ems, até agorinha.
A morena desligou o celular e sentou-se no colchão.
- Você não vai correr hoje?
- Óbvio, estava esperando só dar um horário mínimo para tentar te levar comigo, mas aparentemente já tem planos.
- Eu correr com você? Meu Kami, a gente ia fazer caminhada? – a maga riu animadamente – Sabe que não dou conta do seu ritmo, você é praticamente um atleta.
- Todo mundo começa de um jeito... Mas de boa, a garota aí é louca, mas é sua amiga, vou fazer o que?
- Não seja bobo, eu só saia com a Ems, na verdade de todos os encontros que tivemos acho que só um décimo deles foi como um casal. Eu gosto é de você.
- É óbvio que gosta de mim, eu sou tudo o que podia querer! – sorriu presunçoso e levou um tapa no ombro – Agora vem cá... – disse puxando-a de volta pro colchão – Você disse quarenta minutos? Eu acho que temos um tempinho ainda!
- Laxus!?
- Relaxa, baby, você sabe que odeio atrasos... – disse enquanto rolava por cima dela –
Owari...
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