Meu ultimo ano
6 A ligação
Acordo com uma música tocando no último volume, pego o celular: Melanie!
— Alô. – Minha voz sai com certa dificuldade, meio rouca.
— Mei! – Ela grita, afasto o celular do ouvido no mesmo instante. – Preciso de você aqui, é urgente, venha logo.
— O que acon... – Ela desliga, não me deixando concluir.
Vou no banheiro, jogo agua fria no rosto para acordar, escovo os dentes e visto um vestido amarelo que estava na mala, já que ainda não tive tempo de arrumar todas as coisas no armário. Farei isso quando voltar para casa, por enquanto só tenho que comer e ir na casa da Mel, que, inclusive, eu não sei onde mora.
Olho as últimas mensagens, a mais recente é da Melanie, abri o whatsapp e vi o endereço dela, agora só me resta pegar algo para comer e sair. Desço para a cozinha, abro a geladeira e tomo um suco de laranja, pego uma bolsa que tinha deixado em cima do sofá e em seguida saio de casa, após conferir o endereço noto que não daria para ir a pé, ela me pediu para ser rápida, portanto, ou terei que pegar um taxi ou ir para a parada de ônibus.
Mas eu não faço a menor ideia de que ônibus pegar, além disso a estação mais próxima ainda fica muito longe daqui, não preciso nem olhar para o mapa da cidade, morei aqui por muito tempo... tempo suficiente para saber que existe uma estação de metrô próxima ao Kane!! Só me resta saber qual pegar para ir à casa da Mel, mas posso me informar quando chegar lá, se nada der certo pegarei um taxi. Corro até a estação, entro, pego o tíquete e desço para a plataforma de embarque, ainda são cinco da manhã, isso explica o porquê de tão poucas pessoas estarem sentadas nos bancos.
— Com licença. – Começo a falar, me dirigindo a um homem de, aparentemente, cinquenta anos. – O senhor saberia me dizer qual metrô devo pegar para chegar nesse endereço? – Mostro o celular a ele.
— Desculpe querida, mas eu não sei, não moro aqui, estou só esperando uma pessoa.
— Tudo bem, obrigada mesmo assim.
— De nada. – Ele responde e na mesma hora uma senhora bem elegante sai da ala dos banheiros, o cumprimenta e eles saem da estação.
Tá bom, eu ainda posso perguntar a moça que está comprando salgadinhos...
— Desculpa. – Um garoto diz ao se esbarrar em mim.
— Tudo bem. – Respondo em seguida.
Ele tem o cabelo liso, bagunçado e loiro, olhos verdes e parecia ser da minha idade, só um pouco mais velho; talvez ele possa me ajudar.
— Você saberia me dizer qual o metrô devo pegar para chegar aqui? – Aponto para a tela do celular.
Ele olha o endereço fixamente.
— O próximo que vai passar, daqui a uns 10 minutos, vou pegar esse também.
— Ótimo, obrigada.
Eu e ele nos sentamos no banco, me mantenho calada, até a Melanie ligar de novo.
— Mei, onde você está? Preciso de você aqui.
— Não se preocupe, eu estou chegando, não sabia onde ficava a sua casa, tive que pedir ajuda, você pode me dizer o que está acontecendo?
— Venha logo. – Ouvi umas vozes cochichando antes que ela desligasse.
Ela está começando a me assustar, mas pensando bem, se ela estivesse de fato passando mal teria ligado para o hospital e não para mim. Suspiro. Não sei o que pensar, só espero que não seja nada grave.
— Aconteceu alguma coisa? – O garoto me perguntou.
— Minha amiga me ligou hoje mais cedo, desesperada, e me pediu para ir na casa dela. Mas eu não...
— Não faz a menor ideia do porquê.
— Exatamente.
— Não fica preocupada, não deve ser nada grave.
Concordei com a cabeça, poucos minutos se passaram e o trem chegou.
— É esse, vamos.
Entro no vagão logo após ele e me sento em um dos últimos acentos, durante o caminho nós não conversamos, no momento em que decido puxar assunto o metrô para.
— Se descer aqui vai faltar pouco para chegar naquele endereço. – Ele profere.
— Obrigada pela ajuda.
Saio do metrô e corro para fora da estação, quase lá, agora só preciso achar a casa dela.
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