Meu touro
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Frio. Dois cavaleiros avistaram uma cabana e não pensaram duas vezes era ali onde passariam a noite. A tempestade estava ficando forte a cada minuto e seguir com a missão dada por Atena naquelas condições era inviável. Um dos cavaleiros sorriu ao verificar a dispensa cheia e ao se virar viu o seu companheiro de armas acendendo a lareira.
- O Camus ia amar esse friozinho. – falou o taurino colocando a armadura num canto da cabana.
- Iria. – falou o outro após acender o fogo. – Porém andar no meio da tempestade e com a visibilidade zero não é para qualquer um. Acho que nem mesmo ele iria prosseguir.
- Kanon. – o marina o fitou. – Você queria mesmo vir comigo nessa missão?
Suspirou o marina e como explicar a situação.
- Sei dos boatos que rolam sobre mim...
- Mentira! – o marina se reprendeu por quase ter gritado. Acreditava que tudo que ouviu era mentira. O brasileiro sempre foi uma boa pessoa e nunca faria mal a ninguém. – Desculpa... – fez uma pausa envergonhado com sua conduta. – Eu sei o quanto bondoso você é Aldebaran e eu não acredito que você traiu o Mu.
- Obrigado.
Vendo o silencio reinar o marina foi ver as providências da cabana, pois a fome estava batendo a porta.
- Vou preparar algo. – disse o grego. – Quer algo especial?
- Hum... Surpreenda-me.
Vendo aquele sorriso como não poderia surpreender aquele cavaleiro? Diferente de si que enganou, traiu e tentou contra vida de algumas pessoas estimadas, Aldebaran é a imagem do bom, do justo, do fiel, do leal...
Aldebaran a algum tempo virou mais do que isso, se transformou na sua paixonite platônica. Vê-lo com Mu e feliz o deixava ao mesmo tempo triste por não tê-lo e feliz por vê-lo feliz. Até saber dos boatos que o taurino traiu Mu.
Ah! Shaka, Camus e até Afrodite defenderam o brasileiro até a morte porque nunca ele fazia tal ato. O lemuriano ficou com a fama de bonzinho, mas o grande Aldebaran...
- Foram brigas. – falou ao ver o outro mexendo algo no fogo. – Mu é muito ciumento e possessivo. – o taurino mexeu na lareira. – Depois que Kiki arrumou um namorado e cresceu indo para os Estados Unidos estudar Mu mudou.
- Aldebaran não precisa...
- Você não viu os que os outros viram. – era mais um modo desabafo do que explicação para o taurino. – Se eu falasse com um cavaleiro até quem era casado o Mu via como se eu estivesse flertando com outro. Mu ficou sem foco ao se ver a sós comigo. Parecia que o Mu de antes não existiu ou estava lá, mas estava esperando uma oportunidade para surgir.
Kanon colocou a macarronada nos pratos e pegou um vinho... Ok. Quem era o louco que ia colocar um vinho numa cabana no meio do nada...?
- Então ele chegou um dia pedindo tempo. – o taurino sentou se a mesa e viu o belo prato, olhou o marina e sorriu. – Obrigado.
Sem jeito o grego devolveu o sorriso, ver aquele sorriso tão lindo era como iluminar seu dia. E o lemuriano tinha tudo para ser feliz e deu a louca. Quem em são consciência deixaria um homem daquele solto e...?
Aldebaran contou que passou uns dias isolado e triste e foram justamente Camus, Shaka e Afrodite que tentavam animá-lo todos os dias. Os outros cavaleiros sabiam da real situação, mas nada comentaram talvez por ver os outros ajudando. Mesmo assim Saga e os outros o confortavam sempre o fazendo participar das atividades até que um dia o boato criado por algum cavaleiro se espalhou.
Mu deu as caras no santuário mais nada comentava, alguns achavam que ele estava gostando da situação já outros entendiam aquele silencio como a prova da traição. E o clima sempre ficava pesado quando os dois cavaleiro estavam no mesmo recinto. Até a missão nas regiões geladas, isso animou muito o brasileiro, pois o marina era o único que não se importava com os boatos, o tratava como sempre antes dos boatos.
Kanon assim que soube do acontecido queria ir a Jamiel enviar Mu ao triangulo das... Não, outro mundo era o lugar ideal. Ah e soube quem espalhou o boato, esse cavaleiro não vai mais espalhar nada nem de Aldebaran e nem de ninguém.
Os dois comeram e depois da conversa alguns assuntos aleatórios, não soube se foi a macarronada ou se foi o vinho com o fogo da lareira estava deixando um clima desconfortável ao geminiano mais novo. Tentou mudar o foco da conversa porque a história estava envolvendo sentimentos mais profundos.
- Aldebaran será que vai demora muito para acabar...? – notou o outro com os olhos fechados. — Aldebaran?
Kanon fitou o brasileiro dormindo encostado na lareira. O grego levantou se, pegou um cobertor e cobriu o taurino, antes de se afastar fez algo que ia se arrepender depois, deu um selinho nos lábios do brasileiro. Viu o outro se remexer talvez se acomodando e foi limpar a bagunça, deitou perto da lareira.
-x-
Pela manhã.
Quentinho. Abriu os olhos e viu pela janela que a tempestade ainda tinha força quando sentiu um aperto na cintura e deu uma olhada de lado. Aldebaran deu um sorriso lindo e viu o cavaleiro em seus braços totalmente desconsertado.
- Bom dia. – falou o brasileiro.
- Er... – ficou sem jeito o marina. – Bom dia.
- Sabia que você passou a noite toda sonhando e com frio.
O grego arregalou os olhos e lembrou que Saga sempre falava que ele depois que tomava vinho e ia dormir falava enquanto dormia. O problema não era a fala, mas o que ele tinha falado para o brasileiro o olhar daquele jeito.
- Você falou algo que me ama muito. – repetiu o taurino. – Falou que ia quebrar o Mu. – ficou branco o geminiano. – E que só não matou o infeliz que espalhou o boato porque tinha muito amor por mim para não sujar o meu nome. – o brasileiro o encarou. – Você me ama, Kanon?
- Er... – se afastou um pouco dos braços e do olhar do outro. – Alde...
- Deba.
- Hã?
- Você me chamou de Deba e de grandão e de tanto apelidos...
- Deba eu...
- Você realmente sente algo por mim, Kanon?
Aquela pergunta o pegou sem chão. Respirou fundo e no momento que ia falar...
- Você me beijou ontem.
Kanon ficou sem ar, mas aquela era a hora. Não tinha com escapar, pois de um lado tinha um tempestade e do outro o amor para uma vida inteira.
- Al... Deba. – tomou folego o marina. – Eu te amo e muito.
-...
- E sim eu ia quebrar o Mu por ter feito você sofre. Só não matei o infeliz do...
Risos. Para em seguida uma risada cristalina. Kanon ficou sem jeito.
- É verdade Deba...
- Kanon... – Aldebaran tentava parar de ri. – Você faria tudo isso de novo?
- Hum?!
- Se alguém me magoasse você iria dá um jeito no indivíduo?
- Não. – o taurino ficou sério. – Se você fosse ter outro na sua vida essa pessoa teria que ser eu. – tomou folego para falar tudo o geminiano. – Eu te amo e fiquei triste por Mu esta compartilhando uma vida feliz com você. Depois do que ele fez eu não vou admitir outra pessoa que não seja eu. Mesmo que você não me ame...
Pego de surpresa, o grego recebeu um beijo quente e como ele tinha imaginado por anos.
- Deba...
- Quer mesmo ir até o fim disso Kanon? – falou o brasileiro. – Esse amor tem que ser além dessa cabana além do vinho além da nossa missão.
- Deba. – o fitou nos olhos. – Se depender de mim será até eu morrer.
Continua....
Notas finais
Beijos e até.
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