Meu santo amor
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Como sempre olhares estranhos em minha direção são lançados, também pudera eu com meu estilo excêntrico de ser viver numa cidade tão pequena de pessoas de mente pequena, chego atrasado, de proposito, queria que ele pudesse me ver bem ao entrar em tal lugar.
Algumas senhoras me olham espantadas, as reconheço são as mesmas senhoras que ao me verem fazem o sinal da cruz e atravessam a rua, o que elas podem fazer então quando na igreja seu lugar mais sagrado, onde nenhum demônio pode entrar é onde estou? O filho de satã, o possuído, entre outras coisas que já ouvi da boca dessas senhoras.
Com calma me sento no ultimo acento, minhas roupas pretas chamam a atenção dos presentes, com calma retiro minha cartola revelando meus cabelos tingidos de cores extravagantes, rosa, azul e vermelho fazem mechas em meio a meus fios negros como a noite.
O brilho de meus brincos e meus anéis chama atenção também, vejo alguma das senhoras se benzer oque me faz sorrir, mostrando o piercing em meu sorriso.
Noto que até o padre me olha, fixamente, é claro que olha, só ele me faz estar aqui nesse domingo, deixa-lo nervoso assim me causa prazer sublime.
Com a calma e confiança cruzo minhas pernas de uma maneira um tanto feminina, a calça negra marca minhas pernas, deixando a mostra meus músculos, vejo algumas senhoras e alguns rapazes olharem para elas fixamente antes de desviar o olhar novamente para seus namorados e namoradas, é claro nenhum desses garotos teria coragem de se assumir num lugar como esse, nenhum desses garotos confessaria que preferia estar com outros garotos do que com as namoradas sem graça ao seu lado.
Com um aceno para o padre a missa volta a transcorrer, que hilário, um aceno meu e ele volta a desempenhar seu papel suando frio como alguém que acabou de ver o demônio na igreja...de certa forma viu mas um demônio muito mais especifico.
Muitos me chamariam de insolente por aparecer assim com roupas coladas na igreja, muitos me chamariam de insolente só por estar em uma, eu rio da cara deles.
Um sermão sobre homossexuais e o quanto eles tão errados que original, que sublime, que hipocrisia.
A missa acaba, como sempre todos ali já saíram dali achando que tinham um lugar reservado e garantido no inferno sentadinho no colinho de satã.
Pobres almas infelizes por acreditar em tamanha baboseira.
Com calma me aproximo do padre, meus movimentos os mais insinuantes o possível retira a atenção de muitos a minha volta.
O padre desatento acha que sou somente mais um a pedir sua benção.
—Não me abençoe padre...eu pequei — digo observando suas ações fazendo ele parar no ato.
— deseja se confessar meu filho? — ele me diz com cara de pau, posso ver seu suor escorrer, posso ver o medo estampado em seus olhos— podemos ir ao confessionário— então quer me tirar da vista, ou...
— não precisa de confessionário padre, faço minha confissão aqui na frente de todos— vejo seu nervosismo e medo aumentar, vejo o olhar de todos se voltarem para mim, oque faz um sorriso imenso se abrir incontrolavelmente em meu rosto— sabe padre, noite passada eu sai de minha humilde casa, para me divertir.
— tudo bem meu filho todos precisam de diversão—vejo seu suor aumentar e suas tentativas de me tirar dali continuam.
— ainda não terminei —disse com um olhar inocente— encontrei um homem em meu caminho padre, um alguém influente em nossa sociedade, um homem que é um exemplo para muitos, um homem conhecido por todos aqui, um homem lindo, um homem santo, não resisti o levei para a cama e tive uma noite de prazeres maravilhosa, sabe ele promete o céu as pessoas, para mim pelo menos ele cumpriu a promessa, ele me levou ao céu.
A medida que minhas palavras eram proferidas os olhos dos presentes se arregalavam, suas expressões iam de impressionados a repulsa e nojo, onde já se viu um homem dormir com outro? Onde já se viu, um alguém como eu? Nojento, ridículo, abominável, se fosse e algum tempo atrás eu seria apedrejado queimado em praça publica, não que hoje isso não ocorra, mas é por de baixo dos panos, e toda essa gente tem medo de mim demais pra tentar fazer algo.
— sabe padre— continuei— depois desse seu magnifico sermão eu pensei, eu estou errado, eu vou para o inferno, me ajude padre— disse fingindo estar desesperado, embora meu sorriso não tenha se apagado, sou um verdadeiro ator quando quero.
— r...reze algumas orações e estar livre fi..filho meu— seu nervosismo aumentava, oque aumentava meu prazer sádico, seu rosto empapado de suor me olhava.
Como um ator me ajoelhei a seus pés e esbravejei.
—obrigado padre, mas sabe não pequei sozinho—meu rosto próximo a seu pênis conseguia ver seus contornos, contornos muito bem usados por sinal, o vi suar mais, seu suor frio escorria, metade da cidade estava ali, com calma ergui sua batina e segurei seu pênis—padre, agradeço pela noite, o senhor é ótimo, e estou com saudades disso, aqui — disse balançando seu pênis— alias e pro seu pecado o que recomenda? — disse rindo e colocando seu pênis na boca retirando um gemido seu, assim não poderia negar, ouvi o som de um saco de batatas caindo, uma das malditas fofoqueiras desmaiou, ótimo bônus pra mim.— sabem esse amável padre é gay, assim como eu, e sabe tem um pau maravilhoso— voltei a seu pênis chupando e arrancando gemidos, por mais que ele quisesse sair dali, negar, não poderia, estava em uma espécie de feitiço, um feitiço só causado pelo prazer, um feitiço que eu sabia muito bem usar, com homens e mulheres.
Logo começou a chuva de insultos e água benta, o que me fez rir, rir não gargalhar, gentinha de mente pequena, acham que sou um demônio, quando sou igual a eles, os insultos não foram dirigidos apenas a mim, ao padre, ao lindo padre, também.
Bem se por quem amo, se por o amor que faço, se por meus prazeres e gostos particulares, eu vou pro inferno eu digo, se prepare satã.
Se bem que se ele gosta das mesmas coisas que eu deve ser um cara legal, pelo menos bom gosto ele tem, com displicência me levantei ajeitei a batina de meu padre, padre que pouco antes da missa esteve em minha cama.
O puxei para fora da igreja para o céu azul, o tirei dela antes que eles parassem com água benta e as orações e começassem a jogar os crucifixos e bíblias, já viu o tamanho de uma bíblia? Já viu do que são feitos crucifixos? Aquilo dói.
Agora ele estava livre de suas amarras, por enquanto me diria que eu tinha feito algo monstruoso onde já se viu, mas mais tarde me agradeceria, e agradeceu, por o ter salvo, do verdadeiro inferno, o inferno disfarçado, aquele que mata nossas almas pouco a pouco, aquele que destrói pouco a pouco, feito de palavras mal ditas por bocas de pessoas santas, que fazem coisas muito piores que eu ou você.
No outro dia saímos dali, o agora ex-padre está comigo até hoje, não vou dizer que somos felizes sempre, isso é besteira de contos de fadas, isso aqui é o mundo real, onde eu estou apaixonado por um ex-padre, e ele por mim e é isso que importa.
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