Meu querido diário
44 Depois da meia noite
Notas iniciais

— Hey, Mo... Esse aqui é o Cascão, meu amigo que vai cuidar do som – Titi me apresentou assim que passei por eles.
— Ah... Oi, tudo bem? Obrigada pela ajuda – Sorri o cumprimentando.
— Que isso... Se preci...
— Mo, onde posso colocar minha bolsa? – Magali nos cortou sem perceber. – Ai desculpa, não vi que estava ocupada amiga.
— Opa, boa noite – Cascão a mediu de cima a baixo sob o olhar atento do Titi. – Sou o Cassio, e você?
— Prazer, sou a Magali – Ela respondeu colocando uma mecha de cabelo para trás da orelha sorrindo.
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— Se quiser, pode soltar minha mão agora – Magali comentou rindo, vendo que mesmo apos alguns segundos se passarem, eles permaneciam na mesma posição de cumprimento.
— Ah... Hahaha, desculpa! É que estou admirado com tanta beleza – Ele soltou, nos fazendo rir.
Magali instantaneamente corou, ficando quase da cor do seu vestido e eu continuei a rir olhando para cara do meu irmão que no fundo eu sabia que desaprovava isso. Ele não suportava a idéia de amigos deles, se interessarem por amigas minhas. Acho que de certa forma relacionava o que aconteceu comigo e o Cebola com isso.
— Hey, Mo, quem era aquele? – Ela me puxou para longe cochichando em meu ouvido.
— Aquele é o Cascão, apelido que os meninos colocaram nele, ele que vai ficar responsável pelo som – Contei tranquilamente – Por que hein dona Magali???
— Bonitinho ele né?! – Ela perguntou um pouco aérea.
— É, até que é sim... Meu irmão tem uns amigos muito gatos, sou suspeita pra falar – Conclui pensando no meu professor de Ed. Fisica.
Com um susto percebemos a musica mais alta começar a preencher todo o salão, os efeitos de luz foram ligados, e um tom dourado escuro tomou conta de todo o local. O ambiente havia ficado lindo, a Denise tinha caprichado na decoração, balões de ar dourados pendiam do teto com fitilhos da cor rosa metálico, a mesa de som estava toda envolta de itens fluorescentes, e luzes estroboscópicas percorriam todo o salão.
Vi de relances o Titi passando de um lado para o outro com bebidas e comidas, e com um sorriso percebi que todos a minha volta curtiam animados. Olhei no relógio, faltavam um pouco mais de 15 minutos para meia noite, tornei a caminhar embalada pela minha musica preferida que começava a tocar no último volume em todas as caixas de som suspensas, e repente senti uma mão me puxando, com um sorriso reconheci o Fabinho me levando para a pista onde a Maria o Dudu e a Magali já estavam, só então tirei as preocupações da cabeça e comecei a dançar sem parar.
Uma massa de amigos e colegas se misturavam em meio a euforia, todos comendo, bebendo e dançando, posso dizer que era exatamente daquele jeito que tinha imaginado minha festa de despedida.
— Mo será que seu amigo não se toca que a Maria é afim dele? – A Magali gritou em meu ouvido para que eu escutasse.
— Ah, até você percebeu né? As vezes tenho vontade de bater nesses dois – Respondi disfarçadamente, reparando neles que dançavam juntinhos um do outro, com os olhos fissurados.
— Heyyyyyy parabénnnnsssss – Fabinho gritou de algum lugar que não consegui identificar e em seguida me levantou do chão em um abraço.
Um coro uníssono estourou o ar cantando as felicitações, no mesmo compasso que a musica parou e um bolo de duas camadas, sendo uma rosa e uma dourada, com velinhas que espirravam fogos por todos os lados, entrou nas mãos do meu irmão.
Eu chorei, mas naquela hora foi de alegria, levei as mãos ao rosto admirada, sem acreditar no quão lindo era aquele bolo, eu não havia o visto, a Aninha conseguiu esconder o tempo todo como ele seria, e valeu a pena, alem das velinhas que espirravam, o número 1 e 8 reluziam o brilho dourado sobre eles dando um efeito incrível. Somente quando o coro cessou eu percebi o quanto estava emocionada, minhas mãos tremiam, e tive um pouco de dificuldade para cortar o primeiro pedaço de bolo.
Sob gritos e assovios um discurso antes da entrega foi pedido.
— Ok! Perai! Deixa eu me acalmar! – Pedi limpando a garganta – O primeiro pedaço vai para.... – Fiz suspense — Você Titi – Mais gritos invadiram o salão.
— Sério? – Ele perguntou sorrindo.
— Claro, sei que temos nossas diferenças, e que brigamos muito, mas quais irmãos não brigam? No fundo é amor. Sempre foi, sempre será. Eu sei que tudo que faz por mim é porque se preocupa comigo. Eu te amo maninho – O abracei com uma lágrima no rosto.
— Eu também te amo – Ele respondeu emocionado sob os assovios de geral.
— Bom... Quem quiser bolo pode se servir, que chegou a hora de aproveitar a festa, afinal... Agora eu tenho 18 pessoallll – Gritei pedindo para o Cascão voltar o som.
A musica alta invadiu novamente o ambiente, e eu corri sorridente para meus amigos que já me esperavam de braços abertos, fizeram uma rodinha em volta de mim gritando e pulando coisas que não consegui escutar muito bem, mas não importava, aquele era com certeza um dos melhores momentos da minha vida.
Assim que nos soltamos, olhei para cada um daqueles rostos, e instantaneamente uma falta de coragem invadiu meu peito. Eu amava todinhos eles que estavam ao meu redor, e com certeza deixá-los para trás doeria mais do que eu poderia imaginar.
Abri um sorriso emocionado e tornei a dançar e caminhar pelo salão a procura da Denise, ainda não tinha parado para conversar com ela. Não demorei muito para achá-la e ri quando a vi papeando com um dos amigos do meu irmão, de repente a idéia de dar carta branca para ele trazer quem quisesse, havia se tornado uma ótima ideia. Aproximei-me um pouco mais e percebi que o conhecia, era o Xaveco, aquele que encobriu nosso crime no começo do ano.
— Haham – Pigarreei.
— Hey, se não é a aniversariante – Denise sorriu passando os braços sobre meu ombro.
— Você arrasou amiga, está demais, mais até do que eu imaginei — Gritei em resposta.
— Gosto de você Moniquinha, você merece tudo isso – Ela respondeu carinhosamente.
— Opa, se não é a irmãzinha do Titi, te vi crescer menina – Xaveco entrou na conversa, reparei rapidamente que de fato era pré-requisito ser gato para andar com meu irmão, só podia.
— Oiii, você é o Xaveco não é? – Perguntei olhando com aprovação pra Denise.
— Sou sim, acho que já nos vimos em outra festa – Ele comentou rindo.
— Nem me lembra, sério – Conclui calmamente – Vou lá De, espero que estejam a vontade, beijinhos e juízo.
— Claro darling, sempre! – Ela respondeu tornando a conversar com ele.
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Beiravam as duas da manhã quando vi uma cena que me deixou atônita, a Maria e o Dudu dançavam talvez a vigésima musica juntos, no mesmo clima apaixonado, mas nada de se acertarem, resolvi agir.
— E ai, estão gostando da festa? – Perguntei segurando meu copo com firmeza.
— Opa, está demais Mo – Dudu me respondeu um pouco sem graça se afastando rapidamente dela.
— E cadê o Fabinho? – Maria me perguntou totalmente corada por terem sido flagrados juntinhos.
— Ah com certeza saiu de perto desse clima de romance que ronda aqui, o ar, sabem? – Sorri tranquilamente.
— Que? Que clima Mo, somos só amigos, nada a ver – Maria respondeu tirando as mexas que caiam sobre seu rosto.
— Que pena então, bom, quem perde são vocês ao não enxergarem o que está tão claro... Não aproveitando que os dois se gostam, e podem ficar juntos... Isso é bem raro hoje em dia! – Conclui dando uma piscada de olho para ela e saindo do local. Recado dado!
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— Amiga, o Cas... – Magali apareceu correndo eufórica.
— Perai, quem é Cas? Já esta intima?! — Perguntei rindo.
— Mo, é serio... Ele me beijou – Ela contou rapidamente.
— Que? Como assim? Do nada? – Questionei eufórica, eu sabia muito bem a quanto tempo a Maga havia se fechado devido ao término do seu antigo namoro.
— Sim... Do nada, estávamos conversando, e ele se aproximou e eu não senti vontade de sair dali... Agora estou fugindo – Contou se escondendo atrás de mim.
— Amiga, isso é demais, e você gostou? – A olhei rindo da sua atitude.
— Acho que sim... Quer dizer, ele é gatinho e tem o papo ótimo – Respondeu olhando para os lados.
— Ok, então vai curtir amiga – A empurrei sorrateiramente em direção a ele novamente.
— Será? – Ela questionou ainda confusa.
— Claro Maga, nós vamos nos mudar para quase um oceano de distancia daqui, hoje é nossa despedida! – Conclui saindo de lá.
Andei sorridente e satisfeita por mais um tempo, se eu não podia ter uma vida amorosa legal, que pelo menos minhas amigas tivessem e eu contribuísse para isso.
Peguei uns petisquinhos para comer e quando ia parar pra descansar me deparei com o Fabinho, que já me puxou para dançar novamente, nunca cansava. Permanecemos assim, por mais no mínimo uma hora, dançando, conversando, curtindo, rindo, até a Aninha estava se divertindo.
Foi em uma das voltas nas quais o Fabinho me girou, que tudo mudou. Beirava as 4h00 da manhã quando ele me rodopiou para longe duas vezes seguidas e eu sorridente no meio do passo, parei olhando para a porta.
Soltei minha mão da dele, e de repente a musica me fugiu dos ouvidos, estática mirei a entrada, havia dado de cara com a única pessoa que acreditei não ver mais naquela noite.
Cebola se destacou em meio a escuridão e confusão das luzes, com as mãos no bolso e um pacote em baixo do braço. Minha felicidade que segundos atrás transbordava, agora deu lugar a um coração disparado, e uma ansiedade que agoniava.
— Monica... Eu não podia deixar de te ver, antes de você ir embora... – Ele comentou baixo, mas pude sentir cada palavra.
Não esperei mais momento algum, apenas corri em encontro com ele para abraçá-lo.
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