Meu querido diário

78 Aquecendo o coração


Notas iniciais
Olá meus amores tudo bem??? Trouxe mais um capítulo quentinho do forno para vocês, feito com muito amor ♥ ♥ ♥ Quero agradecer muito de verdade por todo carinho que depositam em cada comentário, gente é incrível o quanto são lindos, maravilhosos ♥ Amo vocês de coração ♥ Espero que gostem ♥

— Você mudou totalmente Mauricio, nunca mais foi quem eu conheci há anos atrás, e mesmo se fosse, não é você que amo, nunca foi você. Eu posso conviver com uma traição e com o fato de ter sido enganada por tanto tempo, mas e você pode sabendo que em cinco anos nunca fez com que eu realmente te amasse? — Tirei a aliança do meu dedo e joguei com força no chão – Diamantes, eventos de luxo, flores, nada disso compra amor – Conclui com todas as emoções fervilhando, pude ver que ele não queria ter dito nada daquilo que falou anteriormente, no segundo que se seguiu ao tapa, sua expressão foi de medo. Mas era tarde, ele já tinha dito, ele já tinha ferido, e as palavras, uma vez pronunciadas, nunca mais podem ser apagadas.

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Não olhei para o rosto de mais ninguém após pronunciar aquelas palavras, não aguentaria sustentar o olhar de nenhum daqueles que ali estavam. Elas saíram da minha boca como chicotes, prontas para ferir a quem fossem destinadas, e eu sabia que não devia tê-las deixado, não naquele momento. Tentei me convencer num ato rápido de que havia sido um mecanismo de defesa, automático, ativado sem meus comandos, pelo menos assim me sentia um pouco menos culpada. Pude sentir todos captando informações daquela cena recém deixada para trás, ainda abismados.

Tivemos sorte pelos seguranças não terem sidos acionados, e pela empresa estar fechada de sábado, caso contrário, aquilo renderia muito mais que alguns minutos de discussão.

O olhar que mais pesou sobre mim foi o do Cebola, mesmo sem encará-los eu sabia distinguir o dele, a quilômetros de distancia, recaia com uma força diferente. Senti que me observava com pesar, talvez com pena por eu estar passando por aquela situação, no meio da rua, no meio de um noivado, na frente de todo mundo.

Não estava chateada por ter terminado com o Mauricio, muito pelo contrário, meu objetivo indo lá era exatamente aquele, lhe contar sobre o beijo e encerrar o nosso compromisso, mas sim pela forma como tudo aconteceu. Foram cinco anos e pessoas marcam nossas vidas, o ideal é que as lembranças deixadas sejam sempre boas, não terríveis como aquelas.

Durante todo o caminho de volta para casa me perguntei como nunca havia desconfiado, por diversas vezes ele deu motivos e brechas e eu jamais imaginei sequer uma única vez, que toda aquela ausência significava traição.

Diferente de mim, que estava apenas decepcionada, o Titi seguiu furioso, dirigiu tão rápido que em qualquer outro dia eu teria reclamado, mas naquele não, naquele tudo que eu queria era chegar o mais rápido possível em casa. Voltamos em absoluto silencio, eu respeitando sua raiva, e ele respeitando minha magoa, o único som que se fazia no carro era do meu choro baixo, quase como sussurro e minha respiração entrecortada.

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A parte mais difícil do mês que se passou foi explicar para toda a família, amigos, conhecidos e para a Aprel que publicaria a reportagem, que eu não iria mais casar.

Não entrei em detalhes com nenhum deles, exceto meus pais, mas não tinha dúvidas de que se ele aparecesse em breve com outra pessoa ou soltasse alguma explicação indevida, os boatos aconteceriam imediatamente. Optei por não dar bola, não gastaria meu tempo pensando nas possibilidades, estava tão cansada psicologicamente que o que eu menos queria era mais problemas para me preocupar.

Soube que ele foi atrás de mim algumas vezes no meu prédio, sem sucesso, pois a entrada dele estava estritamente proibida, avisei o porteiro, o zelador, a síndica e até o guarda noturno para barrá-lo, que eu não queria vê-lo lá dentro e assim fizeram. Também não atendi as cinco vezes que ele me ligou, nem a mensagem que me mandou dizendo que sentia muito por tudo aquilo. Não sentia vontade de conversar, nem de ouvir explicações vazias, nas quais tentava justificar tudo que fez colocando a culpa em cima de mim.

Em contrapartida, para aquecer meu coração, o Cebola se manteve em contato, conversei com ele por alguns dias, mas ainda não me sentia confortável para entrar em qualquer assunto relacionado aos últimos acontecimentos. Eu gostava dele, o amava na verdade, mas aquela confusão fez minha cabeça entrar em colapso, pedindo desesperadamente por um pouco de calma e tempo para reorganizar as coisas.

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Fazia uma tarde fria e nublada, maravilhosa para ver TV e ficar embaixo da coberta. Minha última reportagem havia sido entregue no dia anterior e eu estava guardando a autorização e aprovação para publicação no Jornal.

Ao contrário do que eu desejava, meu contrato com a Aprel continuava ativo por mais três anos, quando cogitei em quebrá-lo soube o valor da multa e fui obrigada a continuar trabalhando com a editora. Sendo assim a Magali se encarregou de manter qualquer contato com eles ativo, ela cuidaria das burocracias, e compareceria as reuniões para evitar a situação chata que havia se instalado.

Ia comer o quarto pão de queijo seguido, assistindo uma das minhas séries favoritas, quando a Magali abriu a porta da sala com energia, me fazendo dar um pulo do sofá.

— Quer me matar do coração? – Levei as mãos ao peito, vendo com pesar meus pães de queijo todos rolarem pelo carpete. – Oi Cascão! – O cumprimentei educadamente após ele acenar para mim.

— Desculpa amiga, é que estou eufórica – Ela riu, fechando a porta tão forte quanto tinha aberto.

— Você me fez derrubar todos meus pãezinhos Maga, que tristeza – Choraminguei, os recolhendo calmamente.

— Assopra e come Mo! – Brincou, se sentando animada ao meu lado – Agora me escuta, tenho uma novidade ótima.

— Lá vem você com suas loucuras, tenho até medo de imaginar – Tornei a virar em sua direção, reparando no Cascão que também prestava atenção.

— Sabe o congresso literário lá da Austrália? Que a gente te inscreveu no ano passado? – Ela perguntou abrindo o maior sorriso que eu já tinha visto.

— Sei, sei, claro que sei!!! O que tem ele? – Questionei com o coração disparando.

— Recebi uma ligação hoje, seu artigo foi aceito e a data da palestra marcada, você vai pra Austrália amiga – Ela gritou eufórica.

— Você está falando sério? Maga, não brinca com isso cara!!! – Levei as mãos à boca, levantando e dando pulinhos.

— Seu avião decola na Segunda, tem um dia e meio para rever, ajustar seus dizeres e preparar sua mala – Ela correu para o quarto comigo em sua cola.

— Conseguimos! — Gritei a abraçando — Não acredito que conseguimos, você vai junto não vai?

— Amiga, não vou poder, você sabe que fui escolhida para fazer a cobertura do congresso de dentro da cabine do nosso jornal, aqui de São Paulo, sem contar que o convite veio direcionado direto e somente para você, a cobertura da viagem, hotel, e-mails todos em nome de Mel Sousa – Ela respondeu ainda sorridente – É o seu momento amiga, vai te fazer bem essa mudança de ares, tempo para você pensar, sem contar que vai fazer o que gosta.

— Ah! Queria muito que você fosse amiga, é uma pena não dividirmos essa vit´´oria juntas – Choraminguei.

— Eu estou dividindo ela exatamente agora com você amiga, o seu sucesso, é meu também, estamos juntas sempre, sem contar que estarei aqui com o celular 24 horas por dia e sua agenda em mãos – Respondeu docemente.

— Você é demais! Eu não estou acreditando ainda, nossa diretora vai pirar quando souber, ela queria muito um representante nosso lá – Imaginei, subindo na cama para pegar minha grande mala de viagem vermelha, que deixava em cima do guarda-roupas.

— Eles já sabem Mo, já te mandaram mil coisas no e-mail, deve ter parabenização que não acaba mais, com certeza irão marcar uma reunião via skype para te passarem algumas informações e conselhos – Ela contou com os braços cruzados acompanhando meus movimentos.

— Verdade! Preciso arrumar minhas coisas o quanto antes, quanto tempo ficarei lá Maga? – Questionei parando de frente para a mala.

— Em torno de trinta dias, o pacote que eles fecharam te dão exatas quatro semanas de hotel, e tudo o mais que tiver direiro, porém o evento acaba no décimo quinto dia, se quiser pode voltar antes – Respondeu sentando na cama.

— Acho que foi a melhor noticia que recebi em semanas sabia?! – Comentei agradecida, desamassando a mala.

— Você merece – Ela tornou a sorrir – Agora deixa eu trabalhar, que até ajustar sua agenda pra adaptá-la a viagem, já vai ser de noite.

— Amiga, nem pensei nisso, como faremos com as palestras da faculdade? Elas fecharam três dias com a gente – Questionei lembrando que participaríamos da semana do Jornalista na faculdade do limoeiro, seria exatamente durante aquele mês.

— Isso também faz parte do que tenho para resolver hoje durante o dia, vou permanecer com a minha palestra, uma vez que será cedo, e a tarde, a hora em que eu estiver fazendo a cobertura lá na sede do jornal, vou tentar colocar outra jornalista no lugar. – Concluiu tirando o celular do bolso provavelmente para fazer algumas ligações.

— Obrigada! Nem sei como te agradecer, você é incrível – A Abracei carinhosamente.

Eu sabia que não poderia ter escolhido assistente melhor, além de minha melhor amiga, a Magali era a funcionária mais eficiente que eu poderia ter, mesmo me oferecendo para ajuda — lá, ela resolvia tudo sozinha, em questão de algumas horas. Assim como ela conseguiu cancelar todas as encomendas e empresas contratadas para o casamento que não mais aconteceria, ela conseguiu tirar da coluna social e contornar os rumores a respeito do rompimento.

Sentei na cama anestesiada, era exatamente daquela viagem que eu precisava naquele momento, esquecer o Limoeiro, esquecer o Mauricio, esquecer o noivado frustrado e lembrar um pouco de mim.

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POV Cebola

— Ela o que? – Questionei pela terceira vez seguida para o Cascão no celular.

— Ela está indo para Austrália careca! – Ele contou confirmando a informação. – Foi chamada para uma palestra lá.

— Você tem certeza disso? Ela, ela vai ficar quanto tempo? – Perguntei um tanto preocupado.

— Tenho, a Magali que está cuidando de todas as burocracias da viagem – Ele concluiu para meu desespero. – Parece que o contratante cobre 30 dias mais ou menos, mas não sei se ela vai estender, se alguma oportunidade aparecerá, você conhece essa profissão.

— E quando vai ser isso velho? – Tornei a perguntar aflito.

— Depois de amanhã já, sai de lá do apartamento, ela estava fazendo as malas – Concluiu com a voz preocupada.

— Não acredito que ela vai sem nem falar comigo – Balbuciei mais para mim do que para ele.

— Exatamente por isso que estou te contando, sei que é importante para você, mas não sei se ela gostaria que você soubesse – Ele pronunciou calmamente.

— Valeu Cas, não posso deixar que ela vá embora novamente, não posso perde-la mais uma vez – Conclui me despedindo.

Notas finais
Bom pessoal, espero que tenham gostado ♥ Se puderem deixem suas opiniões que são super bem vindas, e lidas com muito carinho ♥ Obrigada e Beijinhos ♥