Meu querido diário

58 Recado eletrônico


Notas iniciais
Olá meus amores, como estão???? Empolgados com 2017? ♥ Eu quero agradecer muito pelo carinho e por serem tão incríveis ♥ Aqui vai mais um capítulo com muito amor ♥ Espero muito que gostem ♥

— Sim, ele é uma ótima pessoa Cebola, está feliz agora? – Perguntei cruzando os braços olhando em seus olhos.

— Nesse exato momento, falando com você sim, e você, está feliz? – Ele questionou sustentando meu olhar.

Emudeci imediatamente, permaneci na mesma posição o olhando, minha memória pregou peças em mim, e vestígios de saudades diversas passaram em minha cabeça. Teria permanecido daquele jeito por tempo indeterminado se o ar não fosse cortado por uma voz.

— Vamos Mo? Vão cantar parabéns para o seu irmão – DC chegou me tirando do transe.

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Ouvi ao longe chamarem meu nome, mas meus olhos demoraram um pouco mais do que o normal para se desvincularem dos dele.

— Amor? – Meu noivo tornou a chamar, se aproximando um pouco mais – Está tudo bem?

— Ah... Sim... Está, eu só... Deixa, vamos... – Tratei de responder rapidamente me virando e o seguindo, segurando em seu braço.

Num ato falho olhei novamente para trás e vi que o Cebola ainda nos seguia com os olhos, abaixei a cabeça e acompanhei o DC até a mesa do bolo, minha mente estava a mil, mas naquele momento tive que deixar prevalecer o silencio.

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— Já vão embora? – Titi perguntou quando o relógio marcou duas da manhã, vendo que DC já segurava a chave do carro em mãos.

— Sim maninho, estou mega cansada e amanhã tenho evento da Aprel para ir e mais coisas do casamento para resolver – Contei abrindo um meio sorriso exausto.

— Você sabe que ainda não me acostumei com essa ideia né?! – Ele brincou tossindo um pouco e dando um tapinha nas costas do DC.

— Não vou roubar sua irmã, prometo cuidar muito bem dela – DC entrou na brincadeira apertando sua mão e me abraçando em seguida.

— Reparei que tossiu a festa inteira, está ficando gripado Timóteo? – Perguntei preocupada, cortando totalmente o outro assunto.

— Pois é Mo, faz quase uma semana que ele está assim e não quer ir ao médico de jeito nenhum – Aninha contou cruzando os braços.

— Aninha!!! – Ele chamou a atenção da namorada, provavelmente não queria que alguém soubesse.

— O papai já sabe disso? – Questionei atenciosa levando as mãos à cintura.

— Não, e nem precisa, é só uma virose, virou a mamãe agora Monica? – Ele se irritou virando os olhos.

— Ok, mas você sabe que o médico mandou... – Tornei a falar, mas ele me cortou.

— Eu sei o que o médico falou, não sou criança, pode deixar que vou me cuidar – Ele concluiu terminando o assunto irritado.

— Se está irritado assim, é porque sabe que está errado, você já ficou internado várias vezes por causa disso – Conclui sob o olhar de aprovação da Aninha.

— Vocês não vão brigar né? – DC interviu olhando para mim, indignado.

— Não! Definitivamente não! Vamos embora que estou caindo de sono – Conclui saindo do local.

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Não demoramos muito para chegar em casa, me despedi do DC com um beijo carinhoso e entrei no apartamento, encontrando a Magali já jogada no sofá, vendo TV.

— Nossa, nem vi que já tinha vindo embora – Comentei pendurando minha bolsa no mancebo ao lado da porta.

— Ah, não faz muito tempo que cheguei, o Cas que me trouxe não tem nem cinco minutos – Ela contou mudando freneticamente de canal.

— Hummmm... Por falar nele, quero saber tudo, pode me contar – Pedi soltando meu cabelo.

— Sério? – Ela questionou rindo.

— Sérissimo, você sumiu quase a festa inteira – Reclamei tirando o salto e me sentando ao lado dela – Não está assistindo nada, sinal de ansiedade, te conheço muito bem.

— Ah amiga.... – Ela desligou a TV virando em minha direção atônita — Estávamos matando a saudade, sabe? Muito tempo longe, cinco anos.

— Pois é, é tempo pra caramba – Balbuciei desviando o olhar para o teto, estralando meus dedos.

— Você acredita, que mesmo cinco anos depois, senti a mesma coisa de quando éramos adolescentes? Um frio na barriga sabe? Quando entrei no carro dele, sei lá, foi diferente – Ela contou animada. – Será que isso é mesmo possível?

— E como... – Respondi mais para mim do que para ela, me arrependendo imediatamente, a Maga havia percebido algum tom diferente no ar.

— Como assim? – Ela começou a questionar, mas, antes que perguntasse qualquer outra coisa, levantei me desequilibrando e me arrastei para o banheiro, para tomar um banho.

Ouvi a Maga reclamando algo indecifrável devido ao barulho do chuveiro, mas naquele momento só o que me importava era deixar a água escorrer sob o meu corpo, acalmando meus ombros. Fechei os olhos por alguns segundos colocando a cabeça debaixo da água, fazia isso sempre que queria pensar, aproveitando para deixar toda e qualquer preocupação ir para o ralo.

Sai do banho aproximadamente meia hora depois um pouco mais relaxada e reparei na Magali já de olhos fechados no quarto dela, agradeci mentalmente por ter conseguido, pelo menos momentaneamente, adiar aquela conversa.

Sentei na cama silenciosamente, troquei-me calmamente para não fazer barulho, prendi meu cabelo, e quando estava pronta para dormir, levei inconscientemente a mão ao pingente do meu colar, tinha adquirido essa mania todas as noites, mas dessa vez esse ato não passou despercebido, ele me levou direto para a história que o mesmo carregava e pela primeira vez depois de anos, permiti que uma lágrima caísse, levando com ela parte do peso que havia sido o reencontrar com ele na festa, exatamente da mesma forma que nos vimos pela primeira vez.

— Você está chorando? – Com um susto ouvi a voz preocupada da Magali invadir meu quarto.

— Não... – Respondi limpando rapidamente todo e qualquer vestígio de lagrimas do meu rosto.

— Como não Mo, pra que mentir? – Ela perguntou se sentando ao meu lado.

— Eu só... Estou um pouco preocupada com umas coisas... – Falei pausadamente, ainda enxugando o choro.

— Não quer conversar? – Questionou passando a mão em meus cabelos.

— É complicado Maga, acho que ainda não estou preparada para falar sobre isso – Conclui olhando amorosamente para ela, era minha melhor amiga, com certeza entenderia.

— Ok, mas não é errado ficar confusa Mo, sua vida mudou muito, ter que lidar com um passado doloroso novamente, seria um baque pra qualquer um... Agora boa noite que amanhã o dia será corrido. – Ela completou, saindo do quarto me deixando pensativa.

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“O dia do casamento havia chegado, mas ao invés de eu sorrir por ser um dos mais felizes da minha vida, eu chorava. Olhava duas fotos em minhas mãos e sentia meu coração despedaçando.

Duas alianças brincavam no meu dedo, uma que eu conhecia de cor, havia ganhado cinco anos atrás, outra era um pouco mais recente, mas ambas marcavam histórias importantes na minha vida.

Tudo acontecia em duplicidade e em minha cabeça uma confusão havia se instalado, duas famílias, duas pessoas, dois sentimentos, nunca havia sentido algo como naquele momento.

Ouvi me chamarem para entrar, vi alguém se aproximar me dando o braço, e um desespero começou a tomar conta do meu corpo. Meu vestido era radiante, o local estava magnificamente decorado, mas eu não estava feliz, era hora de decidir. Talvez uma das decisões mais difíceis da minha vida.”

Acordei num pulo levando a mão ao coração, uma dor sorrateira incomodava meu peito, me faltava ar, mas aos poucos consegui recuperar. Sentei na cama, buscando minha garrafinha de agua que ficava no criado mudo, respirando aliviada por ter saído daquele pesadelo.

Chequei as horas, se aproximava das 10h00, me espreguicei, e sai da cama afinal minha agenda de trabalho daquele dia seria longa.

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Os dias passaram rápido, num piscar de olhos se tornaram semanas, e consequentemente um mês. Quanto mais tempo eu trabalhava, mais rápido os dias voavam, e a data do casamento se aproximava.

Desde aquele pesadelo não estava mais conseguindo dormir direito, acordava no meio da noite e suava frio durante sonhos que envolviam o mesmo tema. Não que eu estivesse infeliz, mas era inevitável ter medo de tudo que estava por vir.

Demoramos cerca de duas semanas desse mês que se passou, para escolhermos a cor da decoração, a faixa do convite, o modelo do mesmo, o local do casamento, a estampa das cadeiras, dos guardanapos, dentre várias outras coisas da lista de pendências da cerimônia e ao contrário de mim, que estava agoniada e eufórica, o Mauricio estava totalmente empolgado e envolvido com o acontecimento.

Com toda correria, não havia conseguido conferir se meu irmão estava melhor da tosse, nem conseguido ir visitar o meu pai. Mas pelo menos, estava com todas as matérias da revista entregue, com a agenda de compromissos lotada, e meu segundo livro em execução.

Ao mesmo tempo em que o DC estava mega empolgado com o casamento, a cada dia que passava estava mais atolado de coisas para resolver no trabalho, não tinha tempo para sair, para me acompanhar nos lugares, e muito menos para me visitar em casa como fazíamos todos os sábados a noite.

Quando começamos a namorar sabíamos que ambos eram bem ocupados, mas com o passar do tempo, foi ficando cada vez mais difícil conseguir algum horário para encaixar a nossa vida pessoal. Tentávamos relevar isso, afinal o sentimento tinha que vir a frente disso tudo e assim íamos vivendo, nos encontrando todas as vezes que abria um espacinho em nossa agenda, ou nos momentos que tínhamos que resolver alguma coisa referente ao casório.

Por falar em tempo corrido, mesmo com bastante coisas para fazer, vi que a Magali estava mais do que nunca envolvida com o Cascão, agora os dois viviam juntos, ela andava radiante, suspirando pela casa e vira e mexe estavam por lá, assistindo filmes ou comendo pizza. Em minha opinião isso era ótimo, até porque desejava a felicidade dela e ela merecia viver um amor assim, pelo menos alguém tinha que ser decidida naquela casa.

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Bati a mão com força no despertador, desejando que ele ficasse em silencio, não tinha nem cinco horas que havia pegado no sono, mas já era hora de acordar.

Demorei um pouco mais que o normal para me arrumar naquela manhã, respirei fundo e caminhei em direção a cozinha, levando um susto com o casal que já se encontrava por lá.

Cumprimentei os dois um tanto sonolenta, e lembrei rapidamente que o Cascão nos levaria para o evento da Folha, conforme havíamos combinado na semana anterior.

Vi duas chamadas perdidas no telefone fixo, e alguns recados ativos na tela, apertei o botão acionando o viva voz, como fazia toda manhã e me sentei para tomar o café. O primeiro era da produtora, o segundo da diretora da Folha, e no terceiro reconheci a voz do DC invadindo a sala, parei no meio do que estava fazendo para escutar.

“- Oi amor, te liguei no celular, mas deu caixa postal, o DJ me mandou uma mensagem avisando que temos até amanhã para entregarmos a playlist da festa de casamento, me liga, beijos”

Terminei de ouvir as informações e me soltei na cadeira desanimada, tinha esquecido totalmente de escolher as musicas, e estava sem tempo nenhum para isso, não fiz questão de esconder minha feição de cansaço.

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POV Cascão

Nunca gostei muito de esperar, mas pela Magali sempre valia a pena, fazia aproximadamente um mês que estávamos saindo e tudo fluía bem. Nosso relacionamento era diferente, muito mais especial, às vezes tinha vontade de abraçá-la e não soltá-la mais.

Na semana anterior, comprometi-me de levar ela e a Monica para um evento, então me encontrava no apartamento delas aguardando ficarem prontas.

De repente, quando achei que finalmente estaríamos perto de sair, uma coisa estranha aconteceu. A Monica ligou os recados do telefone e lá pelo terceiro ou quarto não lembro ao certo, a voz do – imaginei eu – noivo dela apareceu a avisando de um compromisso sobre o casamento. A cena que vi a seguir, a expressão que ela carregava em seu rosto, o Cebola pagaria para ter presenciado, tinha certeza disso.

Eu não gostava de me meter na vida dos outros, mas desde que a Monica tinha voltado, e ele e a Amanda declarado pé de guerra, ele estava misterioso, quieto, um tanto fechado, comportamentos que eu tinha certeza que estavam relacionados com esse assunto.

Notas finais
Bom pessoal, espero que tenham gostado ♥ ♥ ♥ Se puderem deixem seus comentários, são super bem vindos, e lidos com muito carinho ♥ Beijãooo e até o próximo capítulo ♥