Meu querido diário

74 Por trás das flores


Notas iniciais
Olá pessoal tudo bem? Olha eu aqui com mais um capítulo cheinho de amor diretamente do forno para vocês ♥ Me empolguei e acabei escrevendo demais, e como não dava pra dividir o assunto em dois capítulos, vou postar tudo aqui hihihihi ♥ Obrigada por serem tão incríveis, amo vocês ♥

Mas antes mesmo de eu perceber já era sexta feira, dia de voltar e encarar a realidade, minha mãe estava eufórica pelo sábado, já havia comprado plaquinhas e mais um monte de coisas para opinarem a respeito do vestido, meu irmão ansioso para me ver, a Maria e a Denise me esperando no aeroporto e pensando assim, me sentia péssima por permitir que a dúvida a respeito do que queria da minha vida permanecesse em mim.

—-

Eu sabia que tinha que estar animada para minha volta, afinal a semana que entrava era uma das mais esperadas por todas as noivas do mundo, mas uma parte de mim mantinha-se agitada, meu coração batia descompassado. A realidade brincava com o passado e o resultado dessa bagunça me impedia de qualquer animação a respeito daquele assunto.

Não esperei pelo DC na minha chegada devido nossa falta de contato durante toda a viagem, mas surpreendentemente ele me pegou desprevenida, pois antes mesmo de pisar na escada rolante, já consegui avistar um buque consideravelmente grande em suas mãos, ambos a minha espera.

Tentei agir normalmente, não podia falhar, não ali em meio ao aeroporto. Respirei fundo, inúmeras vezes e assim que fomos nos aproximando eu sorri, tentando não demonstrar o maremoto que se encontrava dentro de mim.

— Oi minha linda! – Ele me deu um beijo entregando as flores. – Desculpa por tudo antes da viagem.

— Ah! Oi DC, sem problemas, obrigada pelas flores, são lindas, você sempre acerta não é?! – Respondi sem mirar o rosto do Cascão que já se encontrava abraçado com a Magali.

— Exatamente por isso insisto nelas, nada paga esse seu sorriso – Ele passou os braços pelo meu ombro.

O olhei sem jeito, tentei buscar em seus olhos algo que me prendesse, mas não obtive sucesso. Desejei pelo menos por segundos poder me sentir a vontade novamente em sua presença.

— Oi Mo – A Maria me abraçou juntamente a Denise, como nos velhos tempos quando me tiravam de enrascadas – Só assim para conseguirmos te ver, não é?

— Ai meninas, estou com tanta saudade!!! – Me desprendi imediatamente do enlaço dele tornando minha atenção para elas.

— Nós também! – Maria concordou, me lançando um olhar no qual eu conhecia muito bem, ele trazia um “precisamos conversar” consigo.

Desviei os olhos dela e tentei, pelo menos por todo caminho até os carros, manter minha visão em segurança, longe do Cascão e das meninas que com certeza sabiam ou desconfiavam do que havia ocorrido.

— O que está acontecendo? – Maria questionou na primeira oportunidade, quando o DC se afastou para pagar o estacionamento.

— Como assim? – Sussurrei olhando para os lados, temendo a resposta.

— Com você e meu irmão, fiquei sabendo que ele foi para o Rio e voltou no dia seguinte, conversei com ele ontem e o achei estranho, está monossilábico – Ela comentou rapidamente – Já tentamos falar com o Cascão, mas ele não desembucha nada.

— Eu não sei – Optei por não tocar naquele assunto ali – Talvez, esteja com saudade da Amanda, sei lá, eles terminaram não foi?

— Aham, eu falei que ela não contaria Maria – Denise cruzou os braços revirando os olhos.

— Mo, a gente sabe que você estava no Rio e que você é a única pessoa que mexe com meu irmão daquele jeito. Não sei o que aconteceu e você tem o direito de não nos contar, mas pra ele, uma hora você vai ter que falar – Ela concluiu apontando na direção do Mauricio.

— Eu sei. Não quero esconder nada, só não estou preparada ainda – Reclamei incomodada.

— É uma escolha sua, cabe a nós respeitá-la. – Denise terminou o assunto assim que o DC voltou.

— Achei que tinham vindo para me ver!!! – Sorri falsamente voltando a atenção para ele que já se acomodava no carro.

— Também foi por isso, mas nos preocupamos com você e amanha é sua prova de vestido. Tínhamos que nos certificar de que você realmente quer que o casamento aconteça... – Denise tomou a frente um tanto irritada.

— Somos suas amigas, não podemos deixar que faça isso, nem com você, nem com ele, não pode casar com alguém que não ama de verdade – Maria sussurrou entrando entre mim e a Denise.

— Podemos só não falar disso agora? – Conclui entrando no carro impaciente.

Por todo o caminho não consegui encarar os olhos do DC, nem retribuir com sinceridade nenhuma das vezes que ele me beijou. Despedi-me das meninas assim que chegamos ao bairro, viemos falando sobre assuntos desconexos no carro, mas eu podia sentir o clima pesado no ar. Não saberia dizer se apenas por esse motivo elas teriam ido me encontrar no aeroporto, mas sabia que estavam preocupadas comigo justamente porque eram minhas amigas de verdade e não teríamos outra chance de nos encontrarmos antes da prova.

Desci do carro desajeitada arrumando minha roupa amassada, o clima de São Paulo estava fresco, nem calor, nem frio, estacionamos em frente a casa do meu pai e entramos com uma recepção calorosa. Em meio a todo aquele reboliço de sentimentos pude sentir alegria ao ver minha família ali, unida novamente. Abracei forte o Titi, entreguei alguns presentinhos que havia levado e sentei a mesa para jantarmos como tínhamos combinado.

Já era de se esperar, mas mesmo assim ainda não me senti confortável, que o assunto da mesa fosse somente minha prova de vestidos do dia seguinte. Mamãe e Aninha davam mil palpites e faziam planos sem parar, enquanto o DC e o meu pai falavam sobre futebol. O Titi se mantinha neutro, percebi que o assunto o incomodava tanto quanto a mim.

Por diversas vezes chequei o relógio e bocejei impaciente, desejando estar em casa pronta para dormir, mas minha mãe, a Aninha e meu Pai jamais imaginariam isso, que culpa eles tinham pela minha empolgação simplesmente não existir mais a respeito daquele assunto?

Sem contar que meu estomago embrulhou todas as vezes que ouvi meu pai combinando algo para fazer com o meu irmão e o Mauricio no dia seguinte, sem que eu pudesse pronunciar uma palavra sequer a respeito. Não podia ao menos deixar claro que o que eu menos queria naquele momento era decidir algo para o casamento.

Por diversas vezes durante o jantar percebi o Titi me olhando, mesmo em meio a todas nossas discussões, sempre mantínhamos aquela conexão de irmãos, ele sabia o que eu sentia, até mais que eu mesma, talvez isso tenha o ajudado a repensar a respeito de tudo. Conversamos por gestos mudos todas as vezes que nossos olhos se cruzaram e quando finalmente nos despedimos ele sussurrou que queria conversar comigo o mais breve possível.

—-

Quando o relógio apontou meia noite, eu já me encontrava na cama revirando de um lado para o outro tentando pegar no sono. Raios indicavam que uma tempestade estava por vir, mas daquela vez não liguei, meus trovões internos andavam muito piores. Agarrei meu celular na esperança de conversar com alguma amiga, mas assim que fiquei online imediatamente a designer dos vestidos começou a me enviar milhares de opções de tecidos, para amostra do dia seguinte. Rapidamente o desliguei e me forcei a dormir, no que quer que fosse preciso eu pensar naquela hora, com certeza não seria naquilo.

Acordei assustada um tanto perdida com o barulho de chuva forte batendo contra o vidro da janela, me espreguicei doloridamente reparando no dia escuro que fazia do lado de fora. Aquela sensação gostosa de poder virar e continuar dormindo dominou meu corpo, mas a hora apontava que se eu demorasse um pouco mais iria me atrasar.

Levantei sorrateiramente e me arrastei para o chuveiro envolvendo meu corpo na água quente. Deixei escorrer pelo ralo todo e qualquer peso que vinha sentindo naqueles últimos dias, me permiti chorar, descarregar toda aflição que estava no meu peito, para então criar coragem e seguir rumo a minha tão esperada prova de vestidos.

Tomei café em silencio, a Maga também não puxou assunto, no mesmo compasso saímos de casa por volta das 13h00 e partimos em direção a Noivas & Noivas, loja escolhida pelos pais do Mauricio, uma das mais luxuosas da cidade por pura exigência de ambos. Lembro que na época estava empolgada, pois desde pequena quando passava em frente aquela vitrine, dizia que um dia iria me casar com um vestido de lá. Mal sabia eu o preço que custaria, tanto no financeiro quanto no emocional.

— Você não pode ficar com essa cara Mo, sua mãe vai perceber e vai ser pior – Magali chamou minha atenção assim que entramos no taxi.

— Eu estou normal ta bom? Só não queria ter que fazer isso hoje, será que todo mundo resolveu implicar comigo agora? – Questionei deixando o vento da janela bater em meu rosto.

— Eu sei, mas já que não cancelou, pelo menos tenta disfarçar. Já foi bem difícil convencer a Aprel a não liberar a revista ainda. – Reclamou olhando em minha direção.

— Jura que conseguiu? – Me animei de repente.

— Claro! – Ela sorriu – Mas não por muito tempo e já me avisaram que com o anúncio na coluna social não terei a mesma sorte.

— Só queria um tempo em meio a tudo isso para respirar – Contei verdadeiramente levando uma mecha de cabelo para trás da orelha.

— Imagino amiga, mas as escolhas estão ai, escancaradas, atrasadas para serem decididas – Ela concluiu assim que chegamos em frente ao local.

Não precisei nem descer do carro para ver que o comitê “vestido de noiva” já se encontrava lá, minha mãe, minha sogra, a Aninha, a Denise e a Maria estavam sentadas no sofá de formato semicírculo em volta de um mini palquinho onde provavelmente eu ficaria para expor os vestidos.Todas papeando a minha espera.

Entrei com uma sensação terrível de nostalgia, minha imagem de criança desejando aquele momento como nunca, fez com que meu estomago despencasse para o pé, e minhas mãos começassem a suar frio de nervoso. Temi que surtaria assim que entrei e elas bateram palmas para me receber.

— Olha se não é a minha norinha querida – A Mãe do DC se aproximou me abraçando – Mandei trazerem os melhores quitutes e bebidas para todo mundo Monica, hoje é um dia para se comemorar.

— Não precisava, obrigada, nem sei se encontrarei meu vestido aqui não é?! – Respondi educadamente recebendo uma cotovelada da Magali na costela.

— Da pra ser mais sutil? – Ela sussurrou em meu ouvido.

— Claro que vai, em você qualquer um ficará lindo e essa é a melhor loja da cidade! – A mãe dele concluiu sentando ao lado dos outros.

Apenas abri um meio sorriso e segui cumprimentando um por um, bem como a designer responsável pelos vestidos mais caros da loja. Mesmo após eu insistir que não precisaria de nada luxuoso, os pais do Mauricio afirmaram que não aceitariam um “não” como resposta a respeito das roupas dos noivos, que faziam parte do acervo de presentes deles.

Tentei me animar assim que a segui para a parte de trás da loja e ela começou a me mostrar alguns modelos. Realmente eles tinham pendurados em diversas araras, incontáveis dos melhores e mais bonitos vestidos que eu já tinha visto na vida. Após algumas criticas e apontamentos de modelos que eu mais gostava, encontramos cinco preferidos.

Caminhei até a salinha de prova que continha espelhos em toda sua volta, bem como sofás de cor violeta e com a ajuda dela fechei o primeiro vestido, analise alguns segundos e conclui que ele tinha um caimento perfeito no corpo. Era de tomara que caia, decote de coração, justo em cima, levemente rodado embaixo com pequenas perolas sobre todo seu comprimento.

Voltei para a sala aonde os familiares e amigos se encontravam e assim que apareci em meu primeiro modelito, minha mãe caiu aos prantos.

— Mãe, não chora – Pedi com os olhos marejados rindo um pouco da reação de todos.

Vi que a Magali levou às mãos a boca imediatamente, provavelmente imaginando minha situação diante daquelas expressões.

— Está tão linda, minha pequenininha – Mamãe pronunciou com a voz embargada, pegando o lenço no qual as ofereceram para limparem as lágrimas.

— Amiga, ficou incrível – Denise concordou sorridente.

— Eu também gostei – Olhei mais um pouco no espelho, antes de sair para provar o próximo.

—-

O segundo e o terceiro foram igualmente elogiados e regados de emoção, por volta de uma hora e meia depois quando finalmente coloquei o quarto, foi que tudo aconteceu.

Ele era incrível, de tecido acetinado, sua parte de cima vinha em decote tomara que caia todo trabalhado em renda com pequenos pontos de brilhos, vistos somente quando expostos ao jogo de luz, justíssimo até a cintura, sua saia se abria revelando a divisão de tecido e se estendendo por todo o chão na parte de trás.

Sai para que elas vissem, mas assim que mirei o espelho que se localizava a frente do sofá, eu não agüentei e comecei a chorar. Foi forte, emocionante e impactante, a sensação mais dividida que já havia sentido na vida, a única coisa que eu queria era ir embora dali. Aquele era exatamente o vestido que eu almejei, o que tanto esperei para usar, eu estava linda, meu reflexo brilhava, mas minha alma estava machucada.

— Olha, ela está chorando mamães isso é um ótimo sinal – A Designer sorriu me olhando.

— Eu... – Balbuciei enquanto lágrimas escorriam a todo vapor dos meus olhos. Pude ver a Denise a Maria e a Magali se entreolhando.

— É esse não é? – Minha mãe pronunciou enxugando os olhos, totalmente emocionada – Você está magnífica nesse vestido, seu noivo vai ficar maravilhado.

— Preciso ir embora – Conclui, como se a palavra noivo despertasse minha coragem.

— Como assim? – Minha sogra questionou.

— Não estou me sentindo bem, Maga me ajuda, por favor – Pedi me apoiando na Magali que rapidamente se colocou de pé.

— Vamos, vamos, melhor ela descansar – Denise se colocou a frente – Eu levo ela para casa.

— Mas, e a escolha Senhorita Sousa? – A designer perguntou sem entender absolutamente nada.

— Eu te aviso depois, volto aqui na semana que vem, me desculpa, preciso ir para casa – Terminei de falar em meio ao choro, desci com a ajuda da Magali e corri para a sala de prova, precisava o quanto antes tirar aquele vestido do corpo.

Notas finais
Bom pessoal, espero que tenham gostado ♥ Se puderem deixem suas opiniões a respeito, elas são super bem vindas ♥ Obrigada de coração pelo carinho ♥ Beijinhos ♥