Meu querido diário

20 Lista de Chamada


Notas iniciais
Olá meus amores, como estão?! Olha eu aqui com mais um capítulo cheinho de amor para vocês ♥ ♥ ♥ Vocês são sensacionais de verdade gente, muito obrigada pelos comentários lindos, favoritos, pelo carinho ♥ ♥ ♥

— Você é um lindo, te amo.

— Eu que te amo – Ele concluiu. ”

Coloquei o celular na mesinha e levei as mãos a cabeça, tinha que juntar coragem que no momento eu não possuía. Já estava decidida, era isso que faria, contaria a verdade. Achei melhor já avisá-lo sobre a conversa para não ter chances de desistir.

Abri meu diário e comecei a atualizar tudo que aconteceu no dia, parei uma ou duas vezes para grifar de rosa as partes que mais gostei, no final quando fui falar sobre a conversa com o Cebola viajei em alguns pensamentos, a verdade é que eu o amava e o certo era ser sincera. Esperava do fundo do coração que ele entendesse e me perdoasse. Era a hora de fazer do jeito certo.

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Tirando os pensamento que fervilhavam minha cabeça, a noite em casa foi tranqüila. O Titi chegava depois das 23h00, hora que eu já estava dormindo, então assim mantínhamos o bom convívio.

No dia seguinte acordei mais cedo do que o normal, fiz milhões de coisas e o horário de encontrar a Denise não chegava, alias não adiantou muito todo esse preparo, cheguei em cima da hora ao colégio por atraso único e exclusivo dela própria, lembrei das regras que a Maria me ditou no dia anterior e me bateu pânico enquanto corria em direção ao corredor. Abri meu armário desesperada e tirei tudo que tinha para primeira aula que seria de química e corri em direção à sala. Virei o corredor apressada e para meu desgosto trombei com um garoto que vinha no caminho contrário.

Na verdade só percebi quem era, depois que meu livro intitulado “Química na abordagem do cotidiano” caiu no chão, e ele pegou entregando-o em minha mão.

— Desculpa gata, se machucou? – Ele perguntou preocupado me medindo de cima a baixo.

— Não, desculpa... Eu é que estou um pouco atrasada – Respondi aflita, lembrando do nome dele, era Fabio.

— Ah você é a aluna nova da sala né? Monica seu nome – Ele comentou sorrindo.

— Isso – Concordei sem jeito colocando uma mecha do cabelo para trás da orelha.

— Bom, então seja bem-vinda, vou indo, preciso passar na coordenação Monica, ah meu nome é Fabio prazer, espero que goste da prisã... Quer dizer do colégio, até mais – Concluiu piscando para mim e sumindo de vista.

Observei mais um pouco, e voltei a correr para sala rindo, com alívio percebi que o professor ainda não tinha chegado, mas a maioria dos alunos já se encontravam sentados.

Vi a Maria sorrir para mim e caminhei em direção ao meu lugar mais tranqüila, abri minha mochila, tirei meu diário e o material, coloquei-os sobre a mesa e virei para conversar com ela.

— Oi amiga, que susto que passei, achei que iria me atrasar hoje – Comentei eufórica. – Só de pensar nas regras já vi meu pai me deixando de castigo.

— Percebi viu – Ela riu enrolando a ponta do cabelo com os dedos. – O que é esse vermelhão no seu braço? Se machucou?

— Ah, acabei de trombar de frente com o Fabio no corredor, até derrubou meu material – Contei esfregando o local que instantaneamente começou a doer.

— Nossa, tem menina aqui na sala que pagaria pra que isso acontecesse – Ela falou, fazendo com que ríssemos alto.

— E você está bem? Animada para o segundo dia? – Perguntei tentando puxar assunto, gostava de conversar com minha nova amiga.

— Ah sim, tirando que o professor de química é bem rígido, tudo ótimo, você vai ver – Ela comentou virando quando avistou que ele entrava na sala pedindo silêncio, e começando a chamada.

Essa aula podia ter durado meia hora que aparentaria um dia inteiro, estava totalmente cansada de ver ligações e tabela periódica quando o sinal tocou para o alívio da classe. Anotei tanta coisa que umas dez folhas já tinham sido usadas, sem contar um exercício para nota que ele deu no primeiro dia da sua aula. Nem o conhecia direito e já vi que seria bem complicada uma folguinha com ele.

As outras duas aulas antes do intervalo foram mais tranqüilas, uma de história, e outra de geografia, coisas que eu entendia bem. Dessa vez acompanhei a Maria no refeitório, e ela estava totalmente coberta de razão, a comida era muito boa, tinha uma diversidade de coisas que o colégio oferecia, frutas de todos os tipos, pães integrais, bolachas, sucos, frios, dentre mil outras coisas. Me servi de tudo que senti vontade, estava com fome naquela manhã, sentamos na mesma mesa do dia anterior e comemos tranqüilas. Tentei contato com o Ce mas tinha quase certeza que ele estaria ocupado.

— Com quem você tanto digita hein?! – Ela perguntou vendo que eu não parava de olhar a tela do celular.

— Ah, é com um carinha que estou saindo – Respondi sem rodeios.

— Hum, estão namorando? – Ela perguntou mordendo seu lanche.

— Não, sim... Não, sabe que ainda não sei muito bem. Quer dizer, nunca conversamos sobre isso, mas nos damos tão bem, é quase um namoro já. Será que ele gosta de mim a ponto de me fazer o pedido? – Questionei pensativa.

— Bom, isso eu não sei, não o conheço para opinar – Ela brincou rindo – Mas ele demonstra que gosta de você?

— Bastante amiga, ele é um príncipe, mas foi tudo muito de repente e tem muita coisa envolvida – Choraminguei bebendo meu suco de goiaba.

— Problemas? – Ela questionou vendo claramente que desanimei na última frase.

— Um pouco, não sei se fui totalmente sincera com ele, digamos que ele não sabe minha idade real e mais um monte de coisas que escondi por medo de perdê-lo – Contei decepcionada, sempre era difícil falar sobre isso – Uma história longa que se eu te contar agora começo a chorar.

— Não! Nem precisa, só quando se sentir a vontade. Mas olha se ele gosta de você de verdade vai te perdoar pode ter certeza – Ela completou tentando me consolar.

— É, estou acreditando fielmente nisso, também por isso criei coragem e contarei toda a verdade na sexta — Conclui forçando um meio sorriso.

— Espero que fique tudo bem, vejo que gosta dele, seus olhos brilham – Ela riu carinhosamente.

— Obrigada, eu o amo amiga. Na verdade assim, eu nunca fui de me importar com relacionamento, mas por ele senti de cara algo diferente, não sei explicar, a gente combina muito – Respondi pausadamente me assustando com o sinal alto nos avisando que era hora de voltar para aula.

— Vai dar certo viu amiga – Ela segurou em meu braço fazendo com que caminhássemos juntas para a sala.

Acho que intitularia nossa conexão de amizade relâmpago, nem sabia se isso existia, mas ela já confiava em mim e eu sentia que podia confiar nela. Não via a hora de apresentá-la para a Magali.

Voltamos nos arrastando de preguiça e sentamos em nossos lugares, dessa vez eu estava atrás dela, Denise como sempre perambulava sem parar pela sala, hora ou outra sentava anotando informações que imaginei serem para o jornal.

Aproveitei a demora do professor para abrir meu diário e escrever umas coisas que vinha pensando, meus pensamentos vagavam entre o final de semana e a saudade de vê-lo novamente. Tínhamos planejado o sábado, mas eu já não sabia mais se nesse dia estaríamos juntos. Não sabia qual seria a reação dele e muito menos se ele aceitaria namorar a irmã do melhor amigo, isso com certeza (conhecendo o Titi) afetaria na amizade deles.

Continuei a escrever freneticamente e nem percebi a entrada do professor em sala, para falar a verdade tinha esquecido totalmente de checar o horário pra saber qual material devia ter em mãos, de cabeça baixa continuei a preencher as linhas antes em branco do meu diário, frases de medo e ansiedade estampavam toda a lateral da folha dessa terça feira, aproveitava momentos como esse para desabafar tudo que estava engasgado.

Só despertei quando ouvi meu nome ao longe, uma, duas, na terceira vez repetida percebi que era o professor fazendo a chamada, levantei a cabeça rapidamente juntamente com minha mão indicando presença.

— Eu, profe.... – Falei alto, mas parei imediatamente.

Meu olhar cruzou diretamente com o dele e meus braços de repente perderam as forças. A lista de chamada escapou de suas mãos e pousou docemente sobre a mesa onde ele acabara de posicionar sua bolsa.

— Ah amiga, esqueci de avisar que meu irmão é o... – Maria virou animada, mas parou de falar e desfez o sorriso na hora em que viu meu rosto.

Senti a sala inteira me encarar, quando o professor demorou mais do que o normal para chamar o próximo nome. Segurei com todas as minhas forças as lágrimas que insistiram em inundar meus olhos.

Pela primeira vez na vida senti que sufocaria, se eu pudesse gritar naquele momento teria berrado a plenos pulmões, ou pelo menos saído correndo da sala sem olhar para trás. Vi que ele queria fazer o mesmo, mas estava em seu segundo dia de trabalho, não podia colocar tudo a perder.

Atrás de sua cabeça, na lousa, conseguia ler claramente seu nome recém escrito, Professor Cebolácio Menezes — Ed. Física.

Notas finais
..................... :x Bom pessoal, espero que tenham gostado ♥ ♥ ♥ Se puderem deixem seus comentários, são super bem vindos, e lidos com muito carinho ♥ Beijãooo e até o próximo capítulo ♥