Meu querido diário

79 A mesma história


Notas iniciais
Olá meu amorzinhos, como estão?????? Hoje trago aqui mais um capítulo feito com muito amor ♥ ♥ ♥ Fico super lisonjeada com os comentários gente, obrigada de coração por serem tão incríveis, cada gesto de carinho eu guardo no fundo do coração ♥ ♥ ♥ Amo vocês ♥ Espero que gostem ♥

POV Cebola

— Exatamente por isso que estou te contando, sei que é importante para você, mas não sei se ela gostaria que você soubesse – Ele pronunciou calmamente.

— Valeu Cas, não posso deixar que ela vá embora novamente, não posso perdê-la mais uma vez! – Conclui me despedindo.

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POV Monica

Admirei cansada e com dor nas costas, o número de malas e acessórios já fechados em cima da minha cama, posso dizer que foram as horas mais corridas da minha vida aquelas que antecederam a viagem, encaixei várias coisas que precisava resolver em um espaço curtíssimo de tempo.

Exato um dia e meio que tinha recebido a noticia havia se passado, e eu não tinha conseguido sequer terminar de organizar tudo o que precisaria levar. Entre documentações, visitas, despedidas, troca de dinheiro e reagendamento dos compromissos, só me restou a noite para concluir a arrumação dos meus pertences.

No meio daquela correria, não liguei para o Cebola, e ele também não me procurou, não sabia se era o certo ir viajar sem falar com ele, mas pelo andar da carruagem, eu não teria escolha a não ser enviar uma mensagem já de longe.

Não me sentia errada, de forma alguma, eu precisava daquele tempo para recomeçar, mas algo me dizia que ir embora significava deixar meu grande amor para trás. Mais uma vez.

Sempre que meu pensamento recaia sobre aquilo, eu balançava minha cabeça freneticamente para mudá-lo, afinal não era verdade, jamais o deixaria novamente, torcia para que ele entendesse aquilo como um tempo, necessário para recomeçar.

Chequei o relógio impaciente enquanto comia um lanche de queijo branco, feito as pressas, meu vôo havia sido adiantado, das 00h00 para as 22h00, sairia em exatas três horas, e eu ainda tinha que terminar de comer, arrumar minha bagunça, tomar banho, chamar o taxi e descer com todas as minhas coisas.

Desejei que a Magali estivesse por ali para me ajudar, e sei que ela também queria, mas estava trabalhando até tarde, para preparação da cobertura do evento, o que tornava a situação um pouco mais difícil. Mesmo de longe ela me ligava de hora em hora para se certificar de que estava tudo bem, inclusive foi em meio a uma dessas ligações que me avisou sobre a mudança de horário do voo, fazendo minha ansiedade tomar uma proporção maior que anteriormente.

Contrapondo toda minha agonia, até que eu não demorei tanto quanto imaginei para ficar pronta, quando o relógio marcou 20h50 eu já estava na sala, arrumada, esperando somente o aplicativo do taxi funcionar para chamá-lo.

Reclamei algo inaudível quando tentei pela terceira vez acioná-lo sem sucesso, e para minha surpresa o celular resolveu escutar, instantaneamente voltou a funcionar e finalmente pude chamar o elevador para descer, um pouco mais tranqüila. A parte mais difícil na verdade foi conseguir andar com todas as malas e coisas que me acompanhariam, para meu alivio pude contar com a ajuda de um dos seguranças noturnos que faziam a guarda do condomínio.

Assim que sai da cobertura do prédio, senti um frio repentino, um vento balançou meus cabelos indicando que em breve a chuva tomaria conta da cidade, com um arrepio que subiu pelo corpo, senti que me faltava algo, inconscientemente levei minha mão ate o pingente que sempre carregava comigo, e no instante seguinte resolvi fazer a ligação que há muito tempo queria, mas até aquele momento não tinha conseguido..

Disquei o número do Cebola e aguardei ansiosa, uma, duas, cinco, oito chamadas e caixa postal. Observei receosa a tela, não queria embarcar sem falar com ele, chamei novamente, sem sucesso, permaneci nesse impasse, e somente desisti quando o taxi parou em frente a portaria exatamente as 21h00, indicando que a hora de ir havia chegado.

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POV Cebola

Sai do trabalho desesperado, aqueles últimos dias haviam sido puxados, estava escalado para dobrar o horário no lugar do professor da noite, uma vez que ele se encontrava adoentado, então minhas horas livres que já eram poucas, passaram simplesmente a não existir.

Entrei no carro afobado, o vento gelado daquela noite me fez arrepiar o pelo da nuca, dando sensação de aflição. Joguei tudo que tinha em mãos no banco de trás, se estivesse certo, conseguiria encontra-la antes dela sair de casa. Havia planejado uma conversa mais calma, no dia anterior, mas a faculdade me segurou até meia noite, não consegui sequer dormir direito, precisei contar com a ajuda do Cascão, para conseguir descobrir a hora do seu vôo, e me organizar para sair a tempo.

Mandei um e-mail naquele dia mais cedo, mas rapidamente conclui que devido a organização das coisas da viagem a Monica provavelmente não tinha lido, como havia esquecido o celular em casa, coisa que nunca acontecia comigo, tive que apelar para outro meio de comunicação.

Cogitei em buscá-lo antes de encontrá-la, mas o medo de perder a hora me alertou de que o mais certo seria seguir o caminho da sua casa, sem intervalos. Reclamei algo inaudível quando o terceiro farol seguido fechou me obrigando a esperá-lo.

Tamborilei impacientemente os dedos no volante, desbloqueei o tablet para ver se tinha alguma resposta de e-mail e assim que percebi o farol verde acender, tornei a dirigir sem parar.

O relógio marcou 21h30 assim que fiz a curva da rua que dava na larga calçada do seu prédio, estacionei com pressa, peguei uma margarida que havia comprado no caminho e segui disparado para a portaria. De acordo com o Cascão eu estava até adiantado uma vez que ela sairia apenas as 23h00 de casa, então respirei mais tranqüilo.

Não foi fácil conseguir uma saída mais cedo em plena segunda feira, com um colega afastado, e as provas de final de semestre chegando, tive que deixar uma matéria separada para outro professor passar por mim, mas eu sabia que tudo aquilo valeria a pena. Era meu amor em jogo.

Vê-la antes de viajar, poder abraçá-la novamente, sentir seu cheiro doce mais uma vez e olhá-la nos olhos, era importante demais para mim, me faria ter a certeza de que era para eu esperá-la, de que ainda compartilhávamos do mesmo sentimento, de que podíamos enfim recomeçar nossa história.

Eu entendia o quanto era necessária aquela viagem exatamente naquele momento que ela estava vivendo, o quanto seria importante para sua carreira e para sua vida também, estava feliz por aquela realização, por mais vontade que eu tivesse de abraçá-la e nunca mais soltá-la, minha forma de demonstrar esse amor era incentivando-a e torcendo pelo seu sucesso.

Ajeitei as pétalas da flor enquanto o guarda noturno caminhava até mim para provavelmente checar se eu apresentaria algum perigo. Logo eu, o carinha apaixonado com uma margarida nas mãos.

— Posso ajudá-lo? – O porteiro perguntou me assustando, pela campainha eletrônica instalado ao lado de fora do portão.

— Sim... Eu gostaria de subir no apartamento da Monica Sousa, é o 72. – Respondi rapidamente.

— Monica Sousa? – Ele questionou novamente para minha surpresa. — A que mora com a senhorita Magali?

— Sim, essa mesmo, meu nome é Cebola, diz que tenho uma surpresa – Completei sorrindo ansioso.

— Sinto muito senhor Cebola, mas ela já foi, faz um tempo considerável em que ela saiu de malas, provavelmente indo viajar – Ele contou tranquilamente.

— Como assim já foi? O previsto era apenas as 23h00 – Rebati mais para mim do que para ele. – E a Magali está?

— Desculpa, mas a única informação que tenho é essa, e a dona Magali também não se encontra, ainda não chegou – Ele concluiu me deixando arrasado.

Olhei para os dois lados confuso, o que quer que fosse ou precisasse fazer, requeria meu celular. Abaixei a mão em que trazia a flor um tanto chateado, e sentei na calçada da frente pensando no próximo passo que daria.

Não demorei muito naquela posição, pois minutos seguintes, talvez três ou até mesmo dois, ouvi uma voz conhecida e levantei rapidamente.

— Cebola? Está tudo bem? – A Magali chegou espantada.

— Oi Magali, eu estou e você? – Questionei a olhando sem expressão.

— Ótima! O que estava fazendo sentado aqui? – Recaiu o olhar sobre a flor.

— Ah! Era para a Monica, lembro o quanto ela me disse que gostava de margaridas, quando éramos mais novos. – Contei dando de ombros.

— E você não a encontrou não é? – Ela perguntou provavelmente entendendo todo o ocorrido.

— Não, cheguei tem uns dez minutos, o porteiro avisou que ela já foi. Não consegui vir ontem, estou trabalhando dobrado na faculdade, mas resolvi fazer uma surpresa hoje, antes de ela viajar, pedi até a ajuda do Cascão, mandei e-mail, mas parece que não deu muito certo – Expliquei jogando a flor no arbusto mais próximo que encontrei.

— Ah! Puxa Cebola, que pena! O Cascão não te avisou? O vôo dela mudou de horário hoje a tarde, adiantou duas horas, por isso não consegui a acompanhar também – Ela explicou se lamentando.

— Eu estou sem celular hoje, justo hoje! Que saco, queria vê-la antes de ela ir – Reclamei baixo, como se para mim mesmo.

— Sinto muito – Comentou chateada – Liga para ela, essa hora o avião dela já decolou, mas liga amanhã de manhã, tenho certeza que vocês tem muita coisa para conversar – Ela concluiu se despedindo – Agora vou entrar que está frio e tenho um monte de coisas para terminar.

— Obrigado! Vou ligar sim – Respondi me virando e seguindo para o carro novamente.

Bati no volante em protesto ao desencontro, dirigi de volta para casa sentindo um compasso a menos nas batidas do meu coração, não sabia quando ela voltaria, nem ao menos se voltaria, mesmo tendo ficado cinco anos longe dela no passado, ainda era extremamente difícil lidar com a distancia. Novamente.

Cheguei exausto em casa, e imediatamente caminhei até o celular, pelo menos quatro ligações perdidas em seu nome estampavam a minha tela, tentei a ligar num reflexo, esquecendo totalmente que ela se encontrava em um avião, somente lembrei quando o som da caixa postal invadiu meus ouvidos, revirei as mensagens e inúmeras do Cascão me indicavam o que eu já esperava, a mudança de horário do vôo.

Entrei no meu quarto nervoso, joguei a bolsa em um canto com força, mas me arrependi imediatamente, metade dos meus livros organizados na estante caíram no chão com o baque forte, reclamei algo inaudível. Teria os deixado ali, para arrumar no dia seguinte, se um deles não tivesse me chamado atenção.

Agachei rapidamente, e o puxei para perto, lembrei como um flash do dia que havia o ganhado. Presente da própria escritora, para a Amanda, um exemplar do Meu querido diário, da Mel Sousa.

Deitei na cama e me dei conta que nunca o havia lido até o final, nunca tinha permitido que ela me contasse as coisas do seu ponto de vista. Acomodei um travesseiro sob minha cabeça, e o abri, era hora de descobrir o que ela realmente planejava para o final daquela história.

Notas finais
Bom pessoal, espero que tenham gostado ♥ Se puderem deixem suas opiniões, elas são sempre muito bem vindas, e lidas com muito carinho ♥ Obrigada ♥ Beijinhos ♥