Meu querido Uzumaki
1 Prólogo: A Despedida
Notas iniciais

Cemitério de Konoha — 23:00hs
Foram seis noites consecutivas, seis noites onde ele se recusava a encerrar o ciclo. Seu pai, sua sogra e até mesmo os amigos o aconselharam a deixar a dor para trás sempre lembrando que seguir em frente não significa ter que esquecer os bom momentos que viveu, muito menos abdicar do amor que ainda está amarrado em seu coração e mesmo essas palavras bonitas não adiantaram de nada. O loiro se arrastou ao longo do dia pensando apenas nela e quando finalmente pode deixar a empresa não pensou duas vezes em se afundar em álcool barato e confusões, sua busca desenfreada pela dor e a proximidade com a morte o levaram até beco sujo e violento onde conseguiu o que tanto queria, a faca atravessou o abdômen diversas vezes e mesmo assim resistiu, se finalmente morreria que pelo menos fosse ao lado dela...
Se considerava o homem mais azarado do mundo, encarando o túmulo da amada tinha certeza de quê deveria ter morrido em seu lugar.
Sua doce Bailarina deixara o mundo cedo demais e agora tudo o que enxergava era preto sobre o cinza da paisagem que construiu em seu coração respirou fundo antes de tomar mais um gole da garra de whisky barato que comprara sem pensar, aquela já era a quinta e talvez fosse pelo cheiro repugnante ou o alto teor alcoólico que começou a sentir tudo girar, a lápide de sua amada parecia querer abraça-lo e se fosse assim se entregaria de bom grado, sentiu quando a terra fofa cobriu o corpo úmido pela mistura de fluídos e do próprio sangue e não pode evitar de sorrir.
Finalmente se uniria a ela, porém ao fechar os olhos houve um lampejo sorridente: um homem no auge dos seus quarenta e quatro anos esperava por ele alegre e rodeado de amigos, quem eram ou por que sorriam pouco importava e como uma dor de cabeça as visões se alteraram. Naruto foi capaz de recordar de momentos até então trancafiados no fundo de sua mente.
Se sentia tão mal que foi capaz de buscar a origem dos problemas, lembrando assim de sua mãe as poucas fotos em cima da cômoda Kushina morreu durante o parto sendo assim lhe restou apenas o pai que o criou perfeitamente até seus três anos e meio, pois às vésperas do Natal fora convocado para guerra. Minato conseguiu retardar a invasão apenas para se despedi do pequeno e tudo piorou quando oito meses depois Naruto recebeu a confirmação de quê seu pai estava morto, no fim, Minato levava o velho ditado do capitão afunda com o seu navio ao pé da letra e involuntariamente uma lágrima escorreu enquanto tal lembrança arrancava um pouco de sua alma aos poucos percebeu que aquilo estava longe de acabar, pois, novas memórias lhe alcançaram. Se antes recordou como foi difícil tornar-se um órfão agora via com clareza o estado do seu atual tutor, um adolescente emancipado de bom coração e carisma inconfundível, pena que sua vida também se esvaiu facilmente, seu nome era Obito e após ver a morte acidental da amada pelas mãos do melhor amigo, o jovem abraçou o mundo do crime deixando a criança novamente a mercê do destino, Naruto apesar de ser abastado veio a tornar-se uma criança depressiva que escondia todas as angústias atrás de um sorriso impecável, mas a vida resolveu mostrar seu lado bom e com dez anos conheceu o sorriso igualmente lindo e triste tão perfeito que parecia estar diante de um espelho e naquela época não entendeu as delicadas linhas tênues do destino.
Em sua adolescência no entanto ocorrera a última perda: seu melhor amigo havia sucumbido a loucura e se internado em uma clínica de reabilitação, o jovem Sasuke Uchiha fora o único sobrevivente do massacre ao distrito quinze, nele toda a sua família morreu e sem muitas opções o jovem enlouqueceu. Sasuke não conseguia se importar com a dor do próximo e muito menos com a ruptura que causaria tomando uma decisão tão bruta, muito menos enxergou as lágrimas da flor de cerejeira ao qual partiu o coração: seu nome era Sakura, uma jovem linda e adorável que ao ter o coração despedaçado pelo Uchiha não imaginou que se afastaria ao ponto dos respingos caírem em Naruto, o loiro vendo-a sofrer daquele jeito tomou as dores para si afinal nunca foi consertado, não tinha ninguém, então se fosse para alguém sofrer que continuasse assim nele e talvez, só talvez pertencer as correntes da dor que o aprisionavam desde seu nascimento foi que fizera a promessa mais improvável do mundo: afirmou sem pensar que traria Sasuke de volta mas nunca lhe foi grato ou afável e assim mais uma promessa fora quebrada.
Sakura não o culpou, mas decidiu se afastar para sempre...
Por longos anos ele amargou a solidão seu mundo se resumia ao cinza mais obscuro que tinha dentro da alma e não quis permanecer ao lado daqueles que diziam se importar, pois sentia que no fundo todos iriam o abandonar, foi então que quando completou dezenove anos conheceu a verdadeira luz mesmo que durante o dia gostava de dizer que ela representava a lua: seu nome era Shion e depois de sua chegada a vida tornou-se mais leve, não tardaram a formar uma família se casando quatro anos depois do fatídico encontro na clínica de reabilitação.
Shion também o deixou, o avião em que estava caiu no mar e a única recordação que restou foram as cartas que ela costumava escrever. Naruto leu todas diversas vezes antes de se deixar consumir novamente pelo amargor da vida e agora estava ali no túmulo de sua amada bêbado e sangrando devido ao ferimento proposital ocasionado em uma briga de beco.
— Sou um desgraçado. Não resta mais nada meu amor... Pelo menos a verei antes do tempo — Sussurrou e ao fechar os olhos novamente enxergou o sorriso do homem que lhe aguardava com a mesa posta para o café.
Quem era ele? Por que esperava? Pouco importa, tudo que queira era ficar com ela: a doce mulher dos olhos de lua.
Shion havia escrito cinco cartas, dentre elas três lhe chamavam a atenção e duas lhe partiram o coração.
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