Meu querido Idol
3 Tudo pode dar errado
O choque inicial passou quando eu reparei que ele estava começando a se mexer.Lentamente ele abriu os olhos,confuso. Só percebi o ferimento em sua cabeça quando ele colocou a mão sobre a testa e gemeu de dor. O corte era enorme, mas por conta de seu cabelo que cobria toda a testa eu não havia percebido. Foi aí que ele se deu conta da minha presença,ainda agachada do seu lado cobrindo a boca com as mãos.Fiquei vários segundos o encarando até me lembrar que ele precisava da minha ajuda.Imediatamente me pus em alerta,morta de vergonha,não conseguia mais olha-lo nos olhos,então foquei nos botões de seu casaco e me recompus o máximo possível. — Vo- você precisa ir para o hospital — gaguejei.Meu coreano nao funciona bem sob pressão. -Consegue andar? Minha pobre vítima tentou se levantar,mas ao mover sua perna esquerda gritou de dor,segurando com força a coxa.Com receio de que alguém tivesse ouvido,olhei para os lados.Não havia ninguém por perto, porém não ficaria assim por muito tempo se ele continuasse berrando de dor. -O que tá acontecendo aí,Carla? — Thais havia saído do carro e vinha em nossa direção. -Eu ouvi um grito e você....... MAIS QUE POR- gritou. Me joguei em cima da Thais e cobri sua boca antes que ela acordasse o distrito inteiro. -Cala a boca e me ajuda a levar ele pro carro! -sussurrei. Thais assentiu com a cabeça.Lentamente retirei minhas mãos da sua boca,só pra garantir.Então voltamos nossa atenção para ele. -Nós vamos levar você até nosso carro e te levar para o hospital, tudo bem? -expliquei. -Por favor,liguem para esse número. — Ele pediu, e me estendeu um cartão com um nome e número de telefone. Ele era muito pesado, nós mais arrastamos do que carregamos.Entrei no banco de trás com ele,enquanto Thais foi na frente já disparando um: "Sim eu atropelei ele mesmo!" , para Gaby, que ficou tão chocada quanto Thais e eu antes. O esforço me fez suar,apesar do frio,retirei o casaco.A cabeça dele não parava de sangrar,então limpei um pouco do sangue com a manga do meu casaco e pedi para que ele pressiona-se o corte. Retirei do bolso o cartão que ele tinha me dado minutos antes e fiz a ligação.Um homem atendeu.Depois que expliquei tudo o que havia ocorrido só me pediram o nome do hospital,e para que eu aguardasse lá,caso contrário chamariam a polícia. O hospital era uma construção retangular de tijolos vermelhos e janelas transparentes em todos os lados e andares.Não consegui ler o Hangul com o nome do hospital, mas isso não importa,porque com certeza não iriam deixá-lo naquele hospital por muito tempo. Haviam três vans pretas estacionadas na lateral do hospital,e antes que saíssemos do carro pessoas com ternos pretos,sobretudos, e algumas vestidas mais casualmente desceram das vans e vieram na direção do nosso carro. O cara que estava vestido mais formalmente que todos os outros -tinha até uma maleta...Quem anda com uma maleta por aí?- Começou a falar algo com a Gaby pela janela,eu só entendi algo do tipo "destravem as portas".Ao mesmo tempo em que Gaby virou para trás me lançando um olhar muito sério e desconfiado,o cara estranho ergueu os olhos para mim e para ele no banco de trás.Eu fiquei completamente hipnotizada pelo olhar,ninguém dizia uma palavra,só continuávamos ali olhando fixo uns para os outros como se fosse uma competição de não piscar. Derrepente eu senti o vento gelado batendo em meus ombros e senti uma mão me puxando pelo braço para fora do carro,para longe dele...Me arrependi profundamente de ter dado meu casaco para ele estancar o sangue da testa,estava frio como o iceberg que afundou o Titanic aqui fora.Olhei para Thais e Gaby e vi que elas também tinham saído do carro,embora ninguém esteja puxando elas pelos ombros com tanta agressividade como fizeram comigo.Me empurraram para o lado delas,e apesar deles claramente estarem tentando evitar chamar a atenção das pessoas que passavam por ali, os caras estavam obviamente nos cercando, como se fossemos tentar fugir,como se fossemos criminosas. Dois enfermeiros vieram com uma maca e começaram a levar o ferido para dentro.Ele fez um ruído de dor quando tocaram em sua perna,instintivamente eu dei um passo em sua direção,mas fui agressivamente empurrada de volta ao meu lugar.A fúria me dominou,lancei ao "segurança" um olhar tão frio quanto a temperatura a nossa volta, inspirei tão forte que minha respiração saiu condensada e densa como a de um trem.Estava prestes a usar todos os palavrões coreanos que aprendi online...mas parei, senti uma mão gelada e trêmula no meu pulso,era Thais -Não faz isso,deixa quieto — sussurrou para mim,embora não tirasse os olhos cautelosos do brutamontes agressivo. Estava tão absorvida pela cena dele sendo tirado do carro que não percebi que Gaby conversava com o cara da maleta.Ela deu um longo suspiro e só nos disse: -Sigam eles, e não falem nada até que perguntem. A próxima coisa que me lembro é de sermos enfiadas dentro de umas das vans pretas,e agora eu não faço idéia de onde estamos (não que eu fizesse idéia de onde estavamos antes...eu não conheço nada daqui ainda). Fomos levadas até um grande prédio muito chique,porém parecia espremido no meio dos outros prédios e ruas estreitas de fluxo intenso de carros, como tudo o que vi até agora.Por incrível que pareça,não trocamos uma palavra,a não ser olhares que diziam coisas como: "o que tá acontecendo?"; "a gente tá muito fudida" ; "ele tá cutucando o nariz,olha lá". Com a mesma gentileza de antes fomos levadas para o último andar do prédio -devo admitir que ser arrastada por um gorila doeria menos do que por esse brutamontes agressivo-. A sala para onde nos levaram não era nem um pouco como pensei que seria (nada aqui é como eu penso, vou parar de criar expectativas).As paredes eram todas de vidro de modo que havia uma linda vista da cidade por todas as direções, grandes vasos de plantas em cada canto deixavam a sala com mais cor, e no centro exato havia uma mesa retangular executiva com cadeiras giratórias. Nos fizeram sentar uma ao lado da outra,por sua vez,o cara-da-maleta e um outro cara que eu nem havia notado antes -O que me deixou muito surpresa,porque o cara é lindo, eu tenho certeza que já o vi em algum lugar- sentaram a nossa frente.O cara bonito foi o primeiro a se apresentar. -Eu sou Sejin,manager do Bangtan- agora sim me lembro dele, já o vi em várias fotos junto do Bangtan.Apesar de mais velho,ele era....interessante. -Eu sou Gabrielly- Gaby se levantou e fez uma reverência apertando as mãos dos dois homens. Thais e eu nos olhamos por um segundo, até que decidimos fazer o mesmo,e imitamos o gesto de Gaby.Mas eles não pareciam tão satisfeitos com nossa demonstração de respeito,continuavam nos olhando como se tivéssemos lhes dado um tapa na cara. -Já chega de apresentações — disse o cara-da-maleta,ele nem se deu ao trabalho de se apresentar para nós. -O que queremos saber — Sejin interrompeu. -É porque vocês feriram nosso Idol,e porque vocês três estavam na porta da nossa empresa a essa hora da madrugada no inverno.Se vocês são algum tipo de sasaeng por favor digam,será mais fácil para vocês se admitirem- Seu olhar era tão duro que eu nem prestei atenção á palavra "sasaeng".Só queria me mover o mínimo possível com medo de que ele me fuzilasse com o olhar. -Não somos sasaengs! -Gaby negou indignada. — F-foi um acidente! Eu não o atropelei de propósito! — Thais falou,mas estava tão nervosa que acabou entregando que foi ela que dirigia o carro. Dei um tapa na testa diante da enorme mancada de Thais,mas o quê está feito,está feito. Sejin e o cara-da-maleta se entreolharam desconfiados,com certeza estavam pensando que quando chegamos ao hospital quem dirigia era a moça morena de cabelos lisos,e não a branca de cabelos longos,era impossível confundir. O cara-da-maleta estendeu a mão em nossa direção. -Deixem-me ver suas carteiras. Gaby estendeu sua carteira de motorista, porém o advogado continuou com as mãos estendidas esperando o resto de nós entregarmos as nossas.Óbvio que entregariamos nossas carteiras pra ele...se tivéssemos uma. Lancei um breve olhar de "estamos fodidas" para Thais e vi que ela pensava o mesmo. Afundei as unhas nos jeans. Por mais que eu tentasse não conseguia olhar para cima,o desespero e a gravidade pesavam meus olhos para baixo. -Não temos carteira -Respondi com voz fraca.Porque eu fui ter a idéia estúpida de sair por aí de madrugada numa cidade que ainda não conheço?! Está tudo acabado agora,esse foi o intercâmbio mais curto da história! -Me desculpa...foi tudo minha culpa -Thais sussurrou. -A culpa foi minha também,não devíamos ter saído! -Admiti.A raiva que sentia de mim mesma me sufocou,até que se transformaram em lágrimas,logo estávamos chorando,soluçando baixo. Sejin nos observava com um pouco mais de piedade agora.Talvez ele estivesse começando a acreditar que não somos sasaengs.Eu ouvi um som de celular vibrando,senti Thais segurando meu braço. Funguei e sequei as lágrimas enquanto observava Sejin atender seu telefone.Nós três ficamos olhando umas para as outras sem entender nada,enquanto ele se afastou de nós para ter mais privacidade. Quando a ligação se encerrou,ele veio até nós,mas com uma expressão menos rígida e mais preocupada,simplesmente fez sinal para que o cara-da-maleta abrisse sua maleta. -Agora vamos saber se vocês garotas estão falando a verdade- Sejin puxou a maleta e retirou um notebook de dentro dela. -Se estiverem mentindo essa é a última chance de dizer a verdade...As câmeras de segurança gravaram tudo- Advertiu. — Não estamos mentindo- Respondi,lançando para ele um olhar tão duro quanto o dele. Quando acabamos de assistir a gravação da câmera de segurança,Sejin apenas passou as mãos no rosto,ele parecia muito cansado.O cara-da-maleta por outro lado parecia implacável.O manager e o advogado se levantaram e ficaram alguns minutos discutindo nossas opções.No fim,só nos restaram duas. -Podemos chamar a polícia e deixar vocês responderem por isso,pagar uma indenização por tê-lo ferido,e por dirigir sem carteira... -Agora o advogado olhava especialmente para Thais.Entramos em pânico,se tivermos qualquer envolvimento com a polícia era bye bye intercambio,sem falar que teríamos que dar nosso dinheiro para eles,ficaríamos zeradas. Nós nos levantamos e começamos a contestar,mas falando ao mesmo tempo tudo o que conseguimos foi fazer barulho.Gaby se irritou e nos fez sentar novamente. -Calem a boca e escutem! Ainda tem mais,eu duvido que eles vão querer isso na polícia e na mídia amanhã de manhã! -Gaby fez um pequeno gesto para que prosseguissem. -Como eu ia dizendo,essa é a primeira opção,embora não queiramos envolvimento da polícia,dando em conta que foi um acidente e que vocês são estudantes suponho que também não queiram? -Não queremos -respondemos ao mesmo tempo. -Bom...- o cara-da-maleta uniu as mãos,satisfeito.- Então isso nos leva a segunda opção,válida só para vocês duas obviamente -Gaby abriu a boca para contestar,mas ele ergueu a mão pedindo silêncio. -Essa indústria não para,e um ferimento como esse requer cuidados.Se vocês não podem pagar com dinheiro então deverão pagar com trabalho- Thais e eu nos encaramos desconfiadas. -Que tipo de trabalho? -Thais perguntou. -Vocês deverão cuidar dos garotos,principalmente do que VOCÊS atropelaram,durante todo o seu período de recuperação.Se fizerem direito,essa história ficará longe da mídia.Façam sua escolha.
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