Meu (quase) Irmão De Holmes Chapel
20 Eu avisei
Notas iniciais
- Eu não estou — respondeu seco.
- Não, eu que estou, você está feliz como um pônei — ironizei — Por que você está de mau humor?
- Não estou!
Bufei.
- Tudo bem, então, continue no seu bom humor — saí andando para o lado de Mary Jane. Ela andava pensativa.
- Por que ele está de mau humor? — perguntei.
- Ciúmes.
Levantei as sobrancelhas, esperando mais explicações.
- De você! Ele não gostou de você ter ido à festa ontem.
- O problema não é dele.
- Ele acha que é. Ele não gosta de meu irmão, lembra?
- Mas eu gosto!
- Por que você está falando isso para mim? É com ele que você tem que conversar.
- Meu Deus, o que está acontecendo com vocês? Vou falar com meu pai. Está impossível conversar com vocês.
Mary Jane tinha razão, apesar de ter sido grossa. Eu precisava conversar com ele. A volta para casa foi silenciosa.
- Então, tchau.
- Harry! Aonde você vai?
- Para casa.
- Quero falar com você — cheguei mais perto e segurei sua mão, não deixando ele ir.
- O que foi? — perguntou soltando sua mão da minha.
- Por que você está assim? O que eu fiz?
- Você não me escutou, foi à festa de John!
- Quem te contou?
- Mary Jane.
- Mas ela não tinha nada a ver com isso!
- Viu? Você nem planejava me contar!
- Não mesmo! Eu sabia que você ficaria assim!
- Eu me preocupo com você e sei que John não é uma boa pessoa! Você vai acabar magoada, eu tenho certeza! E eu terei que te consolar!
- Ah, então você acha ruim ter que me dar apoio quando preciso?
- Não, eu acho ruim te ver magoada!
- Como você pode saber que John é assim?
- Porque eu moro em Holmes Chapel há mais tempo que você! Conheço May Jane e sua família há mais tempo que você, conheço ele há mais tempo que você e sei do que é capaz de fazer! Conheço garotas que se iludiram e acabaram magoadas por causa dele! John é um bêbado que não presta! Ele não é bom o suficiente para você!
- Então eu sou iludida por gostar dele? E quem é você para me dizer quem é bom o suficiente para mim? Sei muito bem cuidar de mim mesma, não preciso de alguém dizendo que meu relacionamento vai dar errado antes mesmo dele ter começado! — comecei a chorar de raiva. Eu odiava isso. Eu não chorava só de tristeza, chorava de raiva também e era algo incontrolável. Isso não ajudava muito nas brigas, porque sempre me fez parecer mais fraca — Eu decido com quem vou ficar, não você!
- Ah, é? Pois então vá lá, ficar com John, enquanto eu preparo o que vou falar para você quando ele te magoar de alguma maneira! Já vi ele traindo namoradas, batendo nelas, ofendendo-as... Ele fará a mesma coisa com você! Quando ele fizer isso, eu serei o primeiro da fila para dar uma boa surra nele, mas eu também estarei bravo com você, que não me ouviu!
- Vou mesmo! Estou indo agora mesmo falar com ele, dizer que meu melhor amigo me magoou e ele vai me consolar!
Harry correu para sua casa e bateu a porta. Fiz o mesmo. Quando fechei a porta, dei um grito.
- O que aconteceu? — Mary Jane desceu correndo as escadas.
- Harry aconteceu! E eu estou indo agora mesmo para a casa de seu irmão.
Mary Jane tinha uma cara confusa.
- Por quê?
- Depois explico.
Lavei o rosto e fui a pé para a casa de John. Bati na porta e esperei. Bati de novo. Ouvi um barulho lá dentro.
- Olá! — gritei.
Depois de um tempinho, John abriu a porta.
- Oi!
- Demorou, está tudo bem?
- Eu estava tomando banho, desculpa.
- Tudo bem.
Abracei-o.
- O que foi?
- Briguei com Harry! — eu chorava de tristeza dessa vez.
- Ah... Eu... Por quê? Ah, entre.
Entramos e nos sentamos no sofá.
- Não foi nada demais, mas ainda assim...
Ele me abraçou.
- Eu... Me desculpe, não posso falar agora. Tenho compromisso.
Soltei-me de seus braços e sequei as lágrimas.
- Aonde vai?
- Nada demais.
Levantei uma sobrancelha e ele ajeitou a camiseta, escondendo uma marca.
- O que é isso?
- Isso o quê?
- Isso que você acabou de esconder de mim.
- O quê?
Levantei-me e puxei sua camiseta. Havia uma marca.
- Isso é um chupão? — acusei.
- Não...
- Você acha que eu sou idiota?
Ele não respondeu.
- Você estava com ela agora! Por isso demorou para atender a porta! Ou estava com outra garota, diferente da que te deixou com essa marca?
- Eu... Achei que você não queria mais saber de mim...
- Sabe de uma coisa? Harry tinha razão. Você não presta.
Ele ainda dava desculpas sem sentido.
- Não! Espere!
Levantei as sobrancelhas.
- Estou esperando.
- Desculpe-me. Eu realmente achei que você não gostava de mim.
- Claro. Não nos falamos em algumas horas, isso realmente é justificativa para me trair duas vezes desde a madrugada de ontem! E é bom que você não magoe essas garotas também. Elas com certeza merecem coisa muito melhor que você. Eu defendi você de Harry, sabia? Briguei com ele por nada — eu me controlava para não chorar — e quebrei a cara. Graças a Deus nós não tínhamos nada sério.
Ele me segurou pelo braço.
- Solte-me.
- Não. Eu gosto de você.
- Mas eu não gosto de você.
- Eu sei que gosta.
- Não!
Ele apertou mais meu braço.
- Solte-me.
- Você não vai me deixar aqui com cara de idiota, vai?
- Na verdade, vou sim.
Lembrei-me do que Harry falou. John era violento. Temendo algo mais perigoso, dei uma joelhada em seu estômago e saí correndo pela porta.
No caminho de volta, chorei. Chorei porque estava brava com Harry, brava com John, porque Harry estava certo e eu havia brigado com ele por nada e porque eu havia queimado minha língua. Aconteceu exatamente o que Harry havia previsto. Ao invés de ir para minha casa, fui à casa de Harry. Nem bati na porta, entrei e fui direto para seu quarto. Bati na porta.
- Entre — Harry respondeu.
- Oi — meu rosto estava inchado, eu estava despenteada e com certeza estava com a cara arrependida.
- Oi — ele respondeu. E ficamos nisso. Depois de um tempo, sentei-me em sua cama. Silêncio total.
- Você foi lá, não é? — finalmente o silêncio foi quebrado por ele.
- Sim.
- O que ele fez?
Expliquei o que havia acontecido.
- Se eu disser "eu avisei" você fica brava?
- Não.
- Eu avisei.
Sorri.
- Avisou mesmo.
Ele me abraçou.
- Desculpa — falei.
- Só isso, cabeça dura?
- É o máximo que eu consigo.
Ele riu.
- Já serve. É bom que ele saiba que não vai ficar por isso mesmo. Ninguém faz isso com você. Tudo vai ficar bem — ele riu — Sou péssimo em consolar as pessoas.
Ri também.
- Já serve. Obrigada — encostei-me em seu ombro.
Conversamos mais e acabamos adormecendo. Eu dormi em paz. Estava protegida em seus braços.
Notas finais
Ah, eu dei uma reformada no tumblr, tá bem bonitinho! Desculpem-me por demorar pra postar?
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