Notas iniciais
Primeira história que escrevo deles dois, meu casal favorito... mas eu tenho uma quedinha pelo Ronan também... =x

Era uma tarde qualquer no QG da Grand Chase e o imortal estava deitado sobre a sombra de uma árvore tirando um cochilo, poderia ser uma soneca agradável se não tivesse sido acordado por pesadelo. Uma cena amarga guardada em sua memoria través dos anos. E foi com essa lembrança que Sieghart encarou o céu, enquanto seus pensamentos viajavam pelo seu passado. Ser imortal era carregar a sina de ver as pessoas amadas completarem o ciclo de sua vida. Viverem, envelhecerem e morrerem. Ser deixado nesse mundo diversas vezes era uma constante em sua longa vida. O único sentimento que se repetia era a dor, o sofrimento da perda. E em meio a um mar negro de escarmento a única luz que encontrou foi lutar. Lutar por justiça naquele mundo negrume. Lutar pela lei e ordem, onde os humanos em Ellios pudessem viver vidas tranquilas, longe das guerras e da morte.

Em meio a sua longa jornada Sieghart tinha dito para si mesmo que não se envolveria com mais ninguém. Todavia, já fazia um tempo que ele mesmo burlava suas próprias regras. E o motivo pelo qual se envolvia tanto era por culpa de uma ruiva esquentada, que por ironia do destino era descendente de sua família. O imortal tinha um estranho habito de pegar no pé daquela ruiva desde que entrara para a Grand Chase. O problema era que a ruiva em questão era a líder da caçada e era conhecida pelo temperamento explosivo. Viver perigosamente já fazia parte de sua vida e falando em perigo.

Elesis havia acabado de chegar ao campo de treinamento e estava acompanhado pelo cavaleiro arcano. Eles conversaram brevemente antes de começarem a treinar. Parecia que a ruiva queria aprimorar um pouco mais suas habilidades com magia e Ronan, como sempre, estava disposto a ajudar. Sieghart resolveu se sentar para melhor analisar aquele treino, encostou suas costas no tronco da árvore e cruzou os braços.

O moreno observava não tão longe os dois enquanto o azulado demonstrava primeiramente alguns golpes que se utilizava de magia e a ruiva tentava repetir. Porém aquele aprendizado rendeu apenas alguns minutos, já que a ruiva possuía pouquíssima paciência quando o assunto requeria um pouco mais de autocontrole mental. O golpe em si consistia em um simples controle de energia para transforma-la em algum elemento e usa-lo em conjunto com a espada. Elesis tinha uma certa dificuldade em concentrar toda essa energia e materializa-la de forma correta. E a falta de habilidade gerou certas bolas de fogo descontroladas pelo campo e uma delas acabou acertando o arcano. O fogo se espalhou rapidamente pela a capa do azulado, que, institivamente começou a rolar no chão tentando apagar as chamas.

– Por Ernasis, Ronan!! — Elesis gritava e desesperada começou a jogar areia no companheiro na esperança de ajuda-lo.

As chamas se apagaram e o azulado se levantou ofegante tirando o excesso de terra das vestes.

– Eu estou bem, Elesis. – ele deu um meio sorriso sem graça, tentando faze-la sentir-se menos culpada. – Acidentes acontecem… Pelo menos sabemos que sua magia é bem forte.

– Me desculpe…eu…

– HAHAHAHAHAHAHAHAHAH!!!- uma risada debochada chamou a atenção dos cavaleiros.

Sieghart que assistira toda aquela cena cômica rolava no chão rindo histericamente. Elesis ficou extremamente vermelha pela raiva, estava frustrada pela sua incapacidade de controlar magia e ter uma plateia extremamente desagradável não lhe ajudava em nada.

– SIEGHART!!!! – Elesis berrou irritada.

– O próprio. – disse o moreno imponente, cessando os risos.

– Mas que diabos você está fazendo aqui? – ela lançou um olhar de ódio.

– Até uma lenda como eu precisa de um descanso. – ele se levantou indo até os dois. – Mas confesso que ver a ruivinha incendiar o azulado é mais interessante. – ele sorriu debochado.

– Ora seu velhote miserável…!! – Elesis rangeu os dentes pela irritação e cerrou os punhos.

Ronan suspirou vendo que iriam começar novamente aquela famosa peça, seu treinamento já tinha ido pelos ares e quando tudo parecia perdido eis que ele teve uma ideia.

– Sieghart, já que está aqui. Por que não me ajuda a treinar a Elesis? – perguntou o arcano educadamente.

– O quê!? – os dois cavaleiros falaram surpresos e se encararam.

– A Elesis só precisa se concentrar e eu acredito que você possa ajuda-la. – concluiu o azulado.

– Sem chances! – protestou Elesis.

– Qual o problema, ruivinha? – provocou o imortal em um tom debochado.

– Um idiota como você não tem capacidade para ensinar.

–Esse idiota virou uma lenda. – disse Sieghart com seu super ego. — Que tal a gente apimentar as coisas? – provocou.

– O que você está sugerindo, velhote? – Elesis o olhou curiosa.

– Vamos fazer o seguinte, se você conseguir me acertar com uma bola de fogo, assim como fez com o arcano ali. – o moreno apontou para Ronan e riu. – Eu vou lhe conceder um desejo.

– Tá me tirando, né? O quê? Virou gênio da lâmpada? – ironizou a ruiva cruzando os braços.

– Eu sei que sou uma tentação, ruivinha. – o moreno disse em uma voz provocativa.

– Vai se ferrar!! – rosnou Elesis.

– Hahahah! Mas o que quis dizer é que farei o que você quiser.

– Eu não quero nada de você!

– Ora, Elesis. Você poderia aproveitar essa chance para treinar com um alvo em movimento. – explicou Ronan recebendo um olhar indignado do imortal. — Além do mais, você poderia pedir algo como respeito.

– Você sim é um gênio, Ronan!! – a ruiva abraçou o azulado, fazendo os dois jovens a encararem surpresos pelo ato da líder, mas ela logo o soltou quando percebeu o que fizera e tossiu para disfarçar. – Cof, cof… Então Sieghart, se eu conseguir acerta-lo você vai ter que ficar o resto da sua vida sem dirigir a palavra a mim! – ela apontou para o imortal.

Uma enorme gota surgiu da cabeça de ambos os jovens.

– Que crueldade, ruivinha.- o moreno fingiu-se chateado.

– Você não acha que está sendo egocêntrica de mais, Elesis? – ponderou o azulado.

– Mas, Ronan!! Esse velhote vive me enchendo o saco!! Seria uma boa ação da parte dele fazer isso por mim. – Elesis sorriu enquanto se imaginava em uma vida sem o imortal vindo atormenta-la.

– Me subestimando, ruivinha?

– Não. Porque eu não vou perder.

– Hahahah! Ousa desafiar uma lenda? – ele riu sínico. – Tudo bem, mas se EU ganhar não vai poder recusar o que eu pedir.

– E o que seria isso? – Elesis arqueou a sobrancelha desconfiada daquele pedido.

– Você só vai saber quando perder.

– E por que eu deveria confiar em você?

– Tá com medo, ruivinha? – provocou o imortal em um sorriso malicioso.

– Argh! Claro que não!! Que seja então.

– Vocês estão realmente sérios quanto a isso? – perguntou Ronan surpreso com a infantilidade daquela aposta.

– Sim! – os dois responderam ao mesmo tempo.

– Seja o que Armenian quiser. – o arcano suspirou derrotado. – Espero que seja uma disputa honrada. … se é que posso dizer isso.

– Eu irei ganhar! — os dois se proclamaram ao mesmo tempo de novo.

– Grr…!!! Quer parar de me copiar? – a ruiva encarou furiosa o moreno.

– O que é isso criança? Você que está me copiando.

– Meu dever aqui está cumprido. – falou o azulado sendo ignorado pelos Sieghart.

Vendo que os dois iam começar novamente aquela discussão o arcano se afastou, voltando para o QG da Grand Chase, mas não demorou para que a ruiva nota-se a ausência do azulado.

– Ué, cadê o Ronan? – perguntou Elesis confusa quando finalmente pararam de discutir.

– Ele tava…- Sieghart olhou ao redor e não viu ninguém, deu os ombros. – Deve ter cansado de você, ruivinha.

– De mim? Você que é um chato e afasta as pessoas! – replicou Elesis.

– Afastar? As mulheres me adoram. Sua amiguinha tecnomaga é um exemplo disso. – falou o moreno em um tom arrogante.

– Só porque a Mari quer pesquisar a seu respeito não significa que ela tenha intenções baixas! – a ruiva tentou defender a azulada, odiava quando seu “querido avô” era tão prepotente.

– Intenções baixas? – Sieghart repetiu divertido e um sorriso ardiloso surgiu nos lábios do imortal que se aproximou da ruiva. – Que tipo de intenções seria, ruivinha?

– V-você entendeu o que quis dizer! Panaca! – Elesis virou a cara, aquele tipo de assunto a deixava um tanto constrangida.

– Eu não entendi, ruivinha. – sorrateiramente o imortal se aproximou da ruiva e tocou delicadamente o queixo feminino, fazendo-a virar para sua direção. — Por que não me explica melhor? – ele esboçou um sorriso sedutor e se inclinou brevemente para baixo, deixando que apenas centímetros separassem seus rostos.

– I-I-Idiota! – Elesis corou quando os dedos do moreno tocaram-lhe o rosto e a obrigaram a fitar aquele par de olhos prateados. – Não tenho que explicar n-n-na…da…! – a voz da líder falhou pelo nervosismo quando percebeu o quão próximos estavam, aquele sorriso devasso a deixava sem reação.

– Talvez…– Sieghart sussurrou calmamente, adorando vê-la tão vulnerável. — Seja esse tipo de intenção…? – ele avançou perigosamente para os lábios da ruiva.

Elesis sentia seu coração acelerar descompassado em seu peito com aquela proximidade ousada. A voz rouca e suave do imortal provocavam coisas que a líder da Grand Chase não queria admitir. Ela prendeu o ar quando notou a intenção do mais velho, fechou os olhos e cerrou os punhos. Elesis sentiu um calor estranho no corpo e antes que Sieghart pudesse concluir seu proposito ela o empurrou bruscamente.

– S-S-S-SEU VELHO TARADO!!! – gritou a ruiva furiosa abrindo seus olhos, seu rosto estava vermelho e ela não notou, mas seus punhos pegavam fogo. – VAI PRO INFERNO!!!

Sem perceber ela abriu as mãos e uma feroz bola de fogos se formou. Elesis estava com muita raiva, furiosa, irritada e ameaçadora, sem pensar duas vezes ela lançou a recém-criada magia no imortal pervertido. Tudo aconteceu muito rápido para Sieghart, num momento eles estavam juntos, com ele quase roubando um beijo daquela ruiva esquentada e no outro ele era jogado pra longe com uma enorme e perigosa bola de fogo vindo em sua direção.

O imortal saltou no último instante, dando tempo apenas para ver as chamas engolirem a vegetação que estava ali segundos atrás. Quando olhou para Elesis a mesma já se encontrava com outra bola de fogo monstruosa em mãos. Sieghart engoliu seco e o suor frio escorreu pela lateral de sua testa. Talvez aquilo fosse o que certa expressão já dizia “Não cutuque a onça com vara curta”. E aquela onça estava realmente furiosa.

– C-calma ruivinha. Foi só uma brincadeira…! – tentou justificar o imortal.

– Ahhh!! Então você que brincar? – a ruiva sorriu um tanto macabra, ainda vermelha pela raiva eminente.

O resto da tarde daqueles dois se resumiu no imortal se esquivando das várias perigosas bolas de fogo que sua líder havia aprendido. Pode-se dizer que graças a “ajuda” do moreno a ruiva conseguiu dominar aquela habilidade com maestria. Contudo, das várias tentativas feitas por Elesis, nenhuma havia conseguido acertar o mais velho.

O moreno respirou fundo tentando recuperar o fôlego, por mais que fosse imortal seu corpo ainda era de um humano comum. Encarou a ruiva que parecia tão exausta quanto ele, mas como ela era teimosa nunca iria admitir isso. Elesis se abaixou deixando um dos joelhos no chão, enquanto que com o outro ela apoiava um dos braços ofegando pelo cansaço. Por mais que ela fosse forte o imortal sabia que existia um limite para o uso intensivo de magia. Sieghart passou a mão na testa limpando o suor, aspirou o ar mais uma vez e se aproximou com cautela da ruiva.

– Chega, ruivinha. – a voz dele era embargada pelo cansaço.

– Nunca…! – insistiu a ruiva teimosa, ela tentou levantar, mas caiu de joelhos, estava sem forças.

– Você precisa saber seus limites. – falou Sieghart sério.

– Eu sei disso! — ela virou a cara irritada.

Elesis cerrou os punhos, agarrando com raiva a grama do campo. Estava frustrada consigo mesma. Não pela derrota eminente daquela aposta imbecil, mas sim por demonstrar fraqueza. Por mais que nunca fosse admitir isso em voz alta, ela não podia negar para si mesma que seu ancestral irritante havia conseguido balançar alguma coisa dentro dela. Ela ainda tinha aquela imagem nítida em sua mente, aquele quase beijo. Mordeu os próprios lábios pela indignação, seu coração batia acelerado em seu peito, culpa do cansaço e do nervosismo. Sentia-se envergonhada, sem conseguir encarar o imortal nos olhos. Queria poder ficar longe dele, talvez a distancia lhe ajudasse a colocar a cabeça no lugar e esquecer esse sentimento que insistia em incomodar seu peito.

Sieghart observou a ruiva, ela parecia distante. Ainda que seu semblante fosse enraivecido e as bochechas tingidas pelo rubro, Elesis era única. Não podia negar a beleza da ruiva, mesmo com aquele gênio difícil. Já fazia um tempo que descobrira um sentimento enigmático relacionado à líder. Talvez fosse a razão de estar sempre a incomodando, mas a verdade é que sentia algo um pouco mais profundo pela sua neta e por mais que soasse errado, o destino sempre lhe colocava em situações difíceis.

O mais velho parou em frente da ruiva e se abaixou. Levantou o braço e tocou-lhe a cabeça, afagando os cabelos avermelhados. Esboçou um singelo sorriso quando os olhos carmesins lhe encararam com desgosto.

– Vamos voltar, ruivinha. – a voz dele era calma.

– Não.

– Não seja tão orgulhosa. – ele suspirou com a teimosia da mais nova, retirando a mão dos cabelos vermelhos para poder coçar a própria nuca. – Amanhã você pode tentar de…

– Não! – ela o cortou bruscamente. – Você ganhou a porcaria da aposta. Me diga logo o que você quer que eu faça!

Os olhos prateados piscaram confusos, conhecendo Elesis talvez ela estivesse com seu orgulho ferido. Não era intenção do moreno magoar sua descendente, sabia que às vezes pegava um pouco pesado com ela, mas esse era seu jeito de ensina-la.

– Você está cansada. – ele tentou ser coerente e leva-la de volta ao QG para que pudesse descansar. – Amanhã eu…

– V-você quer um beijo!? – ela perguntou nervosa mirando os olhos prateados decidida, não sabia o porquê daquela pergunta, mas alguma coisa dentro dela queria fazê-la.

Sieghart arregalou os olhos surpreso com a sinceridade dela. Sentiu o rosto esquentar e as próprias bochechas ganharem o tom rubro. Tinha sido surpreendido, coisa que não acontecia com frequência e isso fazia mais de 300 anos. Elesis também tinha o rosto corado, além de uma leve expressão zangada, mantinha os olhos vermelhos firmes ao imortal. Como poderia negar aquela pergunta? Horas atrás ele mesmo quase havia lhe roubado um beijo. Seus olhos caíram para os lábios levemente rosados e um sentimento diferente preencheu seu peito, algo que há muito tempo não sentia. A mão que antes estava no topo da cabeça ruiva dessa vez tocou suavemente a face feminina e com o polegar ele acariciou delicadamente a bochecha.

Elesis corou mais ainda, se é que isso era possível. Sentiu aquele carinho e diferente de antes o imortal se mantinha sério, o rosto levemente avermelhado dele fazia seu coração disparar como nunca. Seu estômago revirava-se numa sensação de ansiedade. Nervosa ela pousou sua mão sobre a mão dele, apertando-lhe por cima.

O contato visual era constante e sem nenhuma palavra. Sieghart se abaixou um pouco e se aproximou dos lábios da ruiva novamente, mas parou antes de toca-los, lançando um último olhar para Elesis como se pedisse permissão.

Dessa vez a ruiva não esperou, tomando a iniciativa. Ela fechou seus olhos e colou bruscamente seus lábios ao do imortal, num beijo apressado. O impacto o fez cair sentado no chão, enquanto ela se mantinha ajoelhada entre as pernas do mais velho.

Novamente ele havia sido surpreendido por ela, sentiu os lábios macios e doces contra os seus ao mesmo tempo em que era derrubado. Sieghart imediatamente correspondeu aquele gesto, aprofundando o beijo que tanto ansiava. Deslizou a mão do rosto dela para sua nuca, puxando-a para si. Aproveitou a posição atual para envolver a cintura da ruiva trazendo-a para perto, firmando um abraço. Roçou a língua pelos lábios dela intercalando com leves chupões pela boca e cerrou seus olhos por fim.

Elesis sentiu o corpo se arrepiar, pelo visto não bastava um simples beijo. O aroma salgado masculino, misturado o sabor exótico da boca do moreno a deixavam sem chão. Sensações novas tomavam conta do seu corpo e da sua mente. Não podia negar que tudo aquilo era bom. Sentiu-o mordiscar seus lábios e não conteve um gemido baixo.

Aquilo foi à deixa para o mais velho intensificar aquele beijo, puxando a nuca da ruiva para si e colando os corpos. Adentrou a língua no interior da boca dela, acariciando a língua feminina. Elesis envolveu os braços no pescoço do moreno, agarrando os fios negros com força se deixando levar pelo clima. A cabeça ruiva se inclinou para o lado, para melhor se adequar ao encaixe dos lábios, enquanto a dança das línguas se intensificava e o beijo ia ganhando proporções mais vorazes.

Poderiam passar horas assim, mas o ar começou a faltar nos pulmões da ruiva e ela inesperadamente interrompeu o beijo, afastando os lábios mesmo contra a vontade do imortal. Ambos se encararam ofegantes e corados. Sieghart sorriu amavelmente para a ruiva a sua frente.

Aquele pequeno gesto carinhoso fez a ruiva se arrepiar, ele parecia tão… apaixonado? Não, Sieghart nunca se apaixonaria por ninguém… ou será que sim? Elesis abaixou os olhos, soltando os fios rebeldes e as mãos deslizaram sobre a camisa social branca do imortal. Por que o coração dele batia tão rápido? Parecia com… o seu? Não, isso era coisa de gente apaixonada e ela não estava apaixonada. Aquilo tudo era uma brincadeira de mau gosto. Aquele beijo foi apenas o pagamento daquela aposta idiota. Não significava nada. Ela não sentia nada por aquele velhote. Não sentia…

Os olhos prateados a observaram em silêncio, aquele sorriso abobado não saia dos lábios. Fazia muito tempo que não se sentia assim. Tão aquecido e com o coração batendo a mil. Já tinha esquecido como era aquela sensação, era como se fosse um jovem adolescente. Sabia o que aquilo significava e por mais que quisesse trancar seu coração, ele já havia escolhido alguém.

– Ruivinha… — ele a chamou devagar, a fim de quebrar aquele silêncio.

– I-I-Isso paga o que eu devia… — a voz dela tentou ser firme, mas seu nervosismo era aparente.

– Não me lembro de ter pedido nada. – ele riu divertido.

– Ora seu…!!

Dessa vez ela que foi interrompida, o imortal se levantou rapidamente, puxando-a pela cintura para que ficasse de pé junto a ele. E assim que o fizeram ele a segurou no colo. Elesis gritou protestando, mas o moreno ignorou e começou a caminhar com ela.

– O-O-O que está fazendo, seu velhote? – ela se debatia inutilmente.

– Estou cobrando meu prêmio. – ele informou sorrindo docemente.

– Q-Q-Quê..? – ela estava confusa, de novo aquele sorriso, o mesmo sorriso que fazia seu coração acelerar. Por que ele não podia ser o insuportável e chato Sieghart de sempre? Ela podia se apaixonar por qualquer um… mas justo ele. Por que ele?

– Você é meu prêmio, ruivinha. – e o sorriso carinhoso se transformou em algo sedutor á medida que ele se aproximava dos lábios da ruiva, roubando mais um beijo.

Este não era um beijo qualquer, era um beijo que mostrava todo sentimento escondido no coração da imortal. Carinhoso e lento, durou só alguns segundos, mas não foi tempo suficiente para a ruiva reagir. Então o próprio Sieghart encerrou o beijo e sorriu de novo para a ruiva em seus braços.

– Viverei sempre ao seu lado, Elesis.- sussurrou o imortal em um tom cálido.

– Idiota… — murmurou a ruiva, escondendo o rosto corado no peito do mais velho, mas o que ela queria mesmo esconder era o sorriso bobo que surgira em seus lábios.

FIM ~

Notas finais
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