Meu professor de biologia
9 Efeito Borboleta
Notas iniciais
É agora, tenho que contar pra ele.
No final da aula de quarta-feira eu encontro Paulo no corredor. Ele olha pra minha cara e continua seu caminho, acho que depois daquele "fora" que eu dei nele, ele tem mesmo direito de não querer falar comigo, mas isso foi o certo a fazer. Eu paro na frente dele, ele tenta passar e continuar mas eu o bloqueio:
— O que você quer Melanie?- Ele diz meio impaciente
—Precisamos conversar.
—Ah é? Achei que tudo já tinha sido dito!
—Paulo, é sério.
— Me encontre na minha casa as 15h30.
—Onde é a sua casa?
—Eu te mando uma mensagem
Ele continua andando e eu fico lá, parada. Logo eu pego minhas coisas e vou andando para casa.
Eu chego em casa e deito na minha cama. O que será da minha vida agora? Eu acordo as 15h00, ponho uma roupa qualquer, pego minha bolsa e vou até o endereço que Paulo me mandou.
Ao chegar na portaria ligo para o apartamento que ele mandou, o porteiro libera minha entrada e eu toco a campainha, um homem atende e me encara.
—Melanie
—Paulo
—Entra, fica a vontade, vou preparar um café.
Eu me sento no sofá azul, começo a ficar nervosa, minhas mãos suadas se entrelaçando, meu estômago embrulhado doendo.
Paulo chega perto e me entrega o café, eu recebo tão desesperadamente, como se eu precisasse daquilo, questão de vida ou morte, e bebo até a ultima gota, Paulo fica espantado e me encara. Eu penso no futuro e gelo, meu deus do céu o que eu fui fazer? Uma lágrima escorre pelo meu rosto.
—Melanie, o que houve?
Eu não consigo dizer, não consigo, não tenho fôlego nem palavras para pronunciar. Eu explodo e começo a chorar tanto que as mangas da minha blusa ficam encharcadas de tanto eu enxugar as lágrimas.
—O que houve? PELO AMOR DE DEUS, o que houve??
Ele claramente não está calmo, não dá, não consigo fazer isso. Eu pego o teste de gravidez, entrego para ele e nós dois ficamos ali por alguns segundos.
"Não, não é possível, deve estar errado, tem que estar errado"
Eu choro desesperadamente e ele cai na real.
Nós dois sabemos o que vai acontecer, nós dois sabemos o que aconteceu, e nós dois sabemos o que está acontecendo. Eu estou grávida, o filho é dele, minha vida foi completamente destruída por um pequeno, mas ao mesmo tempo grande, erro. Tudo poderia ter sido evitado, mas não foi.
É aquele negócio, "efeito borboleta", uma pequena borboleta de asas azuis batendo as asas hoje, pode ocasionar uma gigante tempestade semanas depois. O efeito borboleta é relativo, ocasiona à todos o mesmo estrago, a mesma proporção, o que muda o destino, o modo como as coisas terminarão, é o jeito como lidamos com ele.
Paulo respira fundo.
— Eu destruí a vida dessa garota.
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