Meu professor
3 Capítulo 3
Passaram para a semana seguinte das aulas. Logo se aproximavam de fevereiro.
Haveria uma pausa nas aulas para o carnaval, ainda há quase um mês de distância, mas os alunos já ansiavam pelo descanso, mesmo estando ainda no início do ano letivo.
Enquanto isso, Yran os entretinha com histórias sobre a Paraíba, seu estado de origem.
— Um colega meu nasceu em Cabaceiras, no sertão paraibano. Hoje ele é professor em outro estado. Ele sempre pergunta na aula dele: "Quem nasce em Cabaceiras é o que?" Nenhum aluno responde. Ele emenda e diz: "Cabaço".
Mais uma rodada de gargalhadas da parte dos alunos do Terceirão.
— É válido dizer que sou da terra dos cabra macho, pois nasci na Paraíba — disse Yran em outra ocasião. Referia-se a uma música de Luiz Gonzaga, que falava dessa característica atribuída às pessoas da Paraíba.
Ele também aproveitava para falar de cidades da Paraíba que, apesar não serem tão conhecidas, ficavam próximas da divisa com o RN. Tão próximas que acabaram assimilando algumas características e regionalismos potiguares, de tanto que quem as visitava acreditava estar no RN e não na Paraíba.
— Há Bananeiras, que é muito falada, mas na verdade só tem algumas serras, a paisagem é bonita e o clima é até que bem agradável, nem parece que se está no sertão. Baía da Traição é um ponto importante, para nossa cultura e história, pois há uma tribo indígena e várias escolas e faculdades realizam excursões para lá como forma de aprender sobre a cultura indígena e dos povos originários do ponto de vista antropológico. Araruna tem tantos potiguares, vários professores colegas meus fizeram concurso e estão lá, seja como concursados da prefeitura, seja como concursados do Estado da Paraíba... é tanto que é chamada de "a cidade mais potiguar fora do RN" e a cidade "mais potiguar da Paraíba". Catolé do Rocha é conhecida por suas belíssimas lagoas. Se querem um cenário ainda parecido, mas que seja fora do RN, escolham alguma dessas destinações... Parecerá que estão fazendo turismo perto de onde moram, e ao mesmo tempo, estarão em outro estado nordestino. Em outro dia trago mais dicas de viagens para a Paraíba para vocês.
Muitos alunos anotavam as dicas de viagem de Yran para contar aos pais quando chegassem em casa. Pelo que o químico podia presumir, o turismo da Paraíba poderia ficar mais aquecido durante as próximas férias escolares dos estudantes do RN.
O clima nas turmas do Terceirão, especialmente na turma "A", a turma de Rudolf e Dandara, continuava muito bom nas aulas de Yran.
Mas evidentemente que sempre havia algo para acontecer que podia quebrar o clima agradável e a calmaria.
E faltando pouco tempo para o Carnaval e o pequeno recesso das aulas, aconteceu.
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Yran chegou para dar aula na turma do Terceirão, de manhã cedo, como sempre. Enquanto fazia anotações no quadro, após ter feito uma exposição do assunto que seria estudado por eles naquele dia, uma das alunas começou a chorar copiosamente.
Ele se virou rapidamente, ao mesmo tempo em que viu algumas das colegas dela irem até a menina, tentando consola-la.
— O que houve? — perguntou um dos garotos.
Yran fitou a garota — de pele branquinha, cabelo loiro, olhos verde-claros, estatura mediana, talvez entre 1,65m e 1,70m. Melissa, ele se lembrou de como era o nome dela na chamada.
Uma das amigas dela fez menção de falar, mas Melissa segurou a mão dela e respondeu ao garoto, em meio a soluços:
— Estou g-grávida.
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