Meu pesadelo Benjamim
11 Inconveniente
Notas iniciais
— Arieeeel! – cantarolou Sara, enquanto se joga para me dar um futuro abraço.
Estávamos no dia seguinte, na sala de aula da faculdade. Benjamin se aproxima quando vê a cena.
— Sara – falo tentando afastá-la – precisamos conversar...
— Sim! Eu também quero te falar uma coisa!
Benjamin fica atrás de mim.
— Estou conhecendo um cara incrível! Você não vai acreditar! Então, tô pensando em ter algo sério com ele.
— Significa que....
— Que nossa amizade colorida acaba aqui. Maaaas, não se preocupe meu jovem gafanhoto – me abraça bruscamente enroscando os braços pelo meu pescoço – continuaremos sendo bons amigos como de costume!
Suspirei na hora, que alívio. O melhor de tudo é que Benjamin viu a cena.
— Que bom pra você Sara. – sorri.
— O que ia me dizer?
— Bem....
Ela olha para o Ben.
— Que.... Sabe o Benjamin? Então ele é meu amigo, eu queria que ele fosse o seu também, sabe, para fazermos um grupo e tudo mais.... – cocei a cabeça enquanto sorria sem graça.
— Oh, vocês são amigos? Nem desconfiei, mal se falam na faculdade...
— É que esse tampinha só dá atenção pra você. – disse ele.
— Ei! Não me chame de tampinha! – que absurdo.
— Meu Deus, ciúmes? Desculpe, desculpe, eu divido ele com você Benjamin! Só não o roube de mim, esse nanico também é meu.
— Parem de me chamar de pequeno!
— Ele dá trabalho, não é? – falou ela.
— Sim, descobri a pouco tempo. Infelizmente ele não veio com uma placa de aviso.
— Você devia ter suspeitado Benjamin, pessoas pequenas são problemáticas.
— EEEEI! – eu já estava vermelho de raiva – NÃO FINJAM QUE NÃO ESTOU AQUI!
— Consegue ouvir alguma coisa? – Sara coloca a mão atrás da própria orelha.
— Uma voz vindo bem longe.
— Será que tem alguém falando com a gente?
— DÁ PRA PARAR?!
Ela olha pra mim.
— Oh! Ariel, é você, nem te vi.
— Ariel? Onde? – Benjamin semicerrou os olhos e fingiu me procurar.
Resultado, saí correndo atrás daqueles dois idiotas. Quem eles pensam que são me chamando de baixinho?! Que horror gente. Sei que os dois se deram muito bem, mas se juntaram pra fazer uma espécie de complô contra mim sabe, faça o que quiser, só não me chame de baixinho!
Depois de uma semana – antes que pergunte, nada de diferente tinha acontecido na faculdade – recebi um telefonema. Era a senhora da livraria. Eu ainda consegui trabalhar na pizzaria durante uns três dias, Miguel – o cara que faz as pizzas, era mais ausente que nunca.
Fui até a mulher, e recebi a feliz notícia que iria me contratar! Nossa eu fiquei muito feliz. Quase na mesma hora liguei para Miguel e me despedi – claro que eu tive de ir lá depois pra resolver alguns assuntos pendentes, como o salário daquele mês que ainda não tinha recebido.
Ganhei uma farda chique – nunca tinha me vestido tão bem antes – uma calça social e um meio fraque amarronzado – bem claro. O usava aberto com uma blusa branca por baixo, sem gravatas. Me senti rico.
— Seu trabalho é repor os livros usados pelos clientes em seu devido lugar, além de fazê-los com que se sintam à vontade enquanto têm uma boa leitura. Persuadi-los para comprar livros é uma tática aceita aqui. – disse a senhora.
— Certo, farei tudo como desejar. – falei.
Naquela livraria, as pessoas podiam pegar alguns livros para lerem, esses são uma versão resumida do original – o que tem a história inteira. Meu salário simplesmente duplicou. Me senti aliviado, agora não teria mais que passar a tarde inteira cheirando a álcool e a pizza. Estava num lugar calmo e tranquilo, o máximo que teria era o cheiro dos livros.
— Este é Isaac, ele será seu companheiro de trabalho.
Ela me apresentou a um homem com cara de vinte e oito anos. Pele morena, cabelos acastanhados e curtos, olhos cor de mel, e muito, muito alto! Tive que levantar a cabeça para olhar seu rosto. – na realidade eu não sabia se ele era grande ou eu que era pequeno.
Sem contar os músculos firmes. Eu meio que senti um pouco de medo...
— Prazer, seja bem-vindo!
Apertou minha mão gentilmente.
— Bem, espero que vocês se deem bem. – disse ela.
A verdade era que eu começaria a trabalhar no dia seguinte. Ben quando soube disso acabou ficando feliz, e no final....
— Por que está me seguindo? – perguntei.
Tínhamos acabado de sair da minha casa – depois da faculdade, sempre vou pegar Ítalo na escola, fazer o almoço e ir trabalhar, esse emprego cobria o mesmo horário do antigo – já que era de meio período. Benjamin me seguiu da faculdade até eu ir ao trabalho.
— Posso te dar uma carona. Quero saber onde você trabalha, assim posso te atormentar todo dia. – esbanjou um sorriso amarelo.
Suspirei com desdém.
— Você está lindo com essa roupa Ariel. Apesar de eu achar mais sem nenhuma.
Corei.
— Pare de ser pervertido! Não me atrapalhe no meu primeiro dia de trabalho.
— Estou te oferecendo uma carona. – sorriu.
É, eu acabei aceitando. O primeiro dia foi bem tranquilo, e Isaac era legal. Só que o Benjamin.... Ah Deus.... Ele se entocou na livraria, fingia que lia alguns livros e os espalhavam por todo lugar só pra que eu fosse arrumar tudo de novo!
E era isso todo santo dia – ao menos ele me dava carona – nisso se passou mais um mês. Com todo dinheiro que consegui, comprei um par de sofás brancos e estofados, além de uma televisão maior, uma cama nova e um guarda-roupa para o Ítalo. Que inclusive estava faturando ainda vendendo chocolates, com parte do dinheiro dele compramos um vídeo game e um notebook.
E ainda consegui pagar as dívidas da casa – alegria, alegria – ele merecia o vídeo game, não tinha nada pra fazer a tarde sozinho. Apesar disso não deixou de brincar com os brinquedos que Benjamin dava a ele.
As coisas estariam normais se não fosse pelo Benjamin, é claro... Quando fui no banheiro da livraria – sim, estava no trabalho e no meio do expediente – ele foi atrás.
— Acho que está na hora de me dar um pouco de atenção. – entrou.
Era banheiro com cabines divisórias, dessas públicas mesmo, só que bem sofisticado – tinha até lenços humedecidos e era aromatizado.
— Que? – eu estava lavando as mãos.
— Ariel, faz tempo que você não me dá atenção....
Se aproxima.
— Ben, aqui não.... – fui me afastando.
— Não gosto de ficar com você apenas dentro daquele carro.
— Você sabe, se formos pro meu quarto Ítalo pode nos ouvir.... – me afasto.
Ele se aproxima.
— Ariel.... Eu quero você, agora.
Me deparo com uma parede atrás de mim, quando olhei para frente, fui encurralado pelos braços dele.
— Benjamin não.... – eu desviava o rosto enquanto ele tentava me beijar – eu posso ser despedido... Pare.... – sussurrei.
Ele não me ouvia. Continuou me beijando mesmo eu o afastando e pedindo para me deixar.
A porta se abre. Meus olhos se arregalam na hora.
— Oh.... – era Isaac, que estacionou na porta com a mão na maçaneta após nos ver, ainda abraçados, do outro lado.
Empurro Benjamin.
— Desculpe interromper....
Ele sai, sem graça.
— Benjamin! – falei irritado.
E agora, ele vai sair espalhando isso por aí? Ah não, essa preocupação de novo não….
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